A Filha Do Vulcão

4 Tenho uma aulinha sobre névoa


Ao chegarmos ao portão do colégio, um dos inspetores o acabara de fechar. Joseph se apressou em estalar os dedos diante do rosto do inspetor, e dizer coisas em seguida.

- Nos distraímos e perdemos a hora do ônibus que nos levaria ao museu – disse Joseph, e em seguida deu um passo para trás ficando ao lado de Carolyn.

O inspetor piscou os olhos com força três vezes e disse:

- Precisa de uma carona professor?

- Não obrigado. Apenas abra a portão para podermos alcançar o ônibus.

O inspetor abriu o portão, agradecemos, e saímos em disparada até um beco com pouca luz. Joseph olhou para os lados como se fosse fazer uma coisa que não queria que ninguém visse e assobiou alto. De repente três criaturas de quatro patas com asas surgiram no céu, e desceu em nossa direção. Eram pégasos. Ao pousarem, eles relincharam em minha direção, e por um momento pensei que fossem me atacar, mas ao invés disso, vozes foram surgindo em minha mente como se eu entendesse o que eles falavam. Eu chacoalhei a cabeça e olhei para Carolyn e Joseph.

– Suba em um dos três – disse Carolyn – são nossos meios de transporte.

Cada um de nós subiu em um pégaso. Eles bateram aquelas imensas asas, e em questão de segundos já estávamos distante do chão.

– As pessoas lá em baixo não acham estranho três cavalos voadores dando uma voltinha por ai servindo de meio de transporte? – perguntei forçando um pouco a minha voz por conta do barulho que o vento provocava

– Elas não veem – respondeu-me Carolyn – é a névoa dando uma forcinha para nós.

– Ah, essa tal de neve de novo.

– É névoa cara – ela riu de um jeito contagiante que me fez rir também. – Mas como essa névoa funciona? Como se ativa ela? — A gente não ativa ela. Ela funciona como um manto para os mortais, e fá-los verem somente o que eles acreditam ser possível. Se alguém olhar pra cima agora, poderão achar que os pégasos são apenas nuvens negras de chuva, ou alguma coisa desse tipo, normal ao ponto de vista deles, mas as vezes dá para controlá-la, como Joseph fez om o inspetor lá no colégio.

– Ah, entendo. E esses pégasos, voam mais rápido? Em quanto tempo chegaremos ao acampamento? É longe?

- Calma cara, uma pergunta por vez – Ela riu – sim, eles voam mais rápido, mas isso exigiria muito deles. Chegaremos rápido ao acampamento, pois é mais próximo do que você imagina.

Assenti. Desviei meu olhar de Carolyn e olhei para Joseph, que admirava as árvores como se fosse uma obra de arte enquanto comia uma latinha amassada de refrigerante. Não fazia ideia de onde ele tirara aquilo, mas essa pergunta não foi a pergunta mais questionadora que veio à minha mente. Porque ele estava comendo uma latinha? Depois lembrei que ele era um sátiro, e imaginei que aquilo fosse normal para ele, já que ele comia com tanta naturalidade.