A Filha Do Vulcão

1 Tenho um sonho estranho


Acordei no meio da noite assustada com meu sonho. O meu sonho parecia ser sem sentido, como quase sempre era. Eu estava numa montanha, e tudo parecia calmo, eu escutava o barulho do mar batendo nas pedras lá em baixo, e podia sentir a brisa marítima balançando levemente meus longos e cacheados cabelos castanhos de pontas avermelhadas, e algumas vezes a brisa batia um pouco mais forte me forçando a cerrar meus olhos verdes escuros. Eu achava estranho estar ali sozinha, no meio do nada. Não se via nenhum movimento urbano, apenas alguns pássaros voando sobre mim, as ondas do mar batendo lá em baixo e o pico da montanha. De repente sinto um vento quente, e algo inesperado começou a acontecer. O pico da montanha estava ligeiramente vermelhado e começou sair uma fumaça, e eu sabia que aquela fumaça não era de fogo, e sim de lava — eu não fazia ideia de como eu chegara àquela conclusão eu simplesmente sabia. E ao invés de correr – o que qualquer pessoa normal faria – eu fiquei ali, parada, admirando a fumaça e achando linda, como se ali fosse o meu lugar, a minha terra de origem, e comecei a achar mais lindo o pico daquela montanha quando daquele topo começou a sair um liquido muito denso, vermelho e fumegante. Lava. Quando eu me dei conta que estava parcialmente hipnotizada por tudo aquilo, a lava já estava perto demais. Eu tentei correr pro mar, e eu corria bem rápido, como se aquele calor da lava junto á brisa marítima me desse mais força e velocidade do que eu realmente tinha, porém a lava já estava muito próxima, e quando eu estava a dois metros da água, a lava me cobriu como uma onda na praia, e se chocou contra a água acabando com a parte do calor que aquela lava produziu mas liberando mais fumaça do que já tinha naquela montanha, que eu já tinha chegado a conclusão que não era uma montanha, e sim um vulcão. Depois daquilo eu fiquei mais confusa ainda, pois eu tinha sido coberta por lava, mas minha roupa ainda estava intacta, e eu estava viva – o que me deixou mais feliz do que o fato da minha roupa estar inteira. Eu estava confusa, curiosa e feliz ao mesmo tempo. Eu senti o calor de lava vulcânica no meu corpo, mas ainda estava viva, tem algo mais confuso curioso e feliz do que isso? Cheguei mais perto da água e submergi meus pés no mar. Senti uma força percorrendo meu corpo — como geralmente acontecia quando eu ia á praia – e quando eu olhei para aquela água azul como o céu, vi meu reflexo. Meus olhos estavam avermelhados semelhantes às pontas de meus cabelos e imaginei que aquilo acontecera por conta do calor da lava. Mergulhei no mar.