Notas iniciais
Um fato estranho e inútil sobre mi #2 se eu te xingar de pêra, eu faço isso mesmo, não estranhe... e nem se ofenda...

"Tenho que parar de desmaiar em lugares públicos" foi a primeira coisa que me veio à cabeça ao acordar.

Minha cabeça latejava quando abri os olhos e vi um faixa de metal. Ao me sentar me vi em uma ilha de caixas de papelão de baixo de uma arara vazia.

–-Onde diabos...--eu ia falando após ouvir um ronco pesado.

Me levantei e afastei as caixas. Parecia ser uma loja abandonada. Nada diferente das anônimas ruas de Nova York...a não ser que você tenha acordado dentro de uma delas após ter desmaiado em algum lugar cheio de grama na cidade grande ao descobrir sobre uma nova grande profecia!

As paredes eram castanhas e mal pintadas como o cabelo de vovó Lucy, tinha rachaduras leves e vitrines de vidro escuro, mas que mostravam uma paisagem silenciosa de três horas da manhã.

Estava escuro, mas ao logo da ilha de caixas e cabides estava uma porta, se a loja funcionasse ali deveria ser algum tipo de escritório ou sala de fuga para funcionários incopetentes.

Outro ronco alto e pesado.

Caminhei até a porta de madeira silenciosamente, a maçaneta estava enferrujada e emitiu um logo rangido ao ser girada.

Fui trazida de volta ao mundo real por uma vozinha em minha mente que dizia algo como : Você é burra?!

Bem lembrado.

De repente me veio a cabeça: saída.

Caminhei rapidamente ao longo do largo salão de entrada da loja, passando por centenas de araras e esbarrando em mais umas centenas de caixas.

O salão era maior do que você podia imaginar, a uns oito metros dos degraus de entrada esbarrei em alguns manequins que de início, eu podia jurar que não estavam lá.

Um pouco antes de conseguir me levantar, senti algum tipo de peso pesado cair sobre mim.

–-Calvin! Calvin peguei ela! Ela não fugiu!

Consegui empurrar o pesado bum bum de cima de mim... com uma ajudinha de uma outra pessoa que puxou a garota de cima das minhas costas.

–-Está querendo matá-la, Pallas?--penguntou ele enquanto me erguia do chão--Precisamos dela!

–-Tudo bem! Ela está bem! Eu estou bem! Olhe para nós!

Eu que olhei.

A garota era alta, tinha uma pele de porcelana e rosto simetricamente perfeito. Deveria ter a minha idade, seus cabelos variavam entre o prateado e o loiro, usava óculos escuros grandes da Dior. Ela era bonita.

Garotas mais bonitas que eu me dão raiva.

O menino era moreno, tinha brilhantes olhos cor de mel e o cabelo amarrado em uma cachoeira de dreds, tinha traços delicaddos e um sorriso simpático.

Ele era PEFEITO.

–-Você está bem?--ele perguntou

–-Ãhn?

–-Ele peguntou se você está bem!--gritou a garota de óculos

–-Estou bem sim--eu disse tentando reprimir a voz da menina.

Um outro ronco seguiu um tanto mais baixo no salão.

–-Quem está roncando?--perguntei com um pouco de vergonha de perguntar o outro milhão de coisas que me vinham à mente.

–-Ãhn? Ah! Espero que não se importe, achamos seu amigo num baco público e trouxemos ele pra cá.

Andamos em silêncio até o outro hemisfério do salão e ao abrir a porta, uma figura dormia em uma beliche bagunçada e velha.

–-Joshua!--gritei com a intenção de acordar o garoto que produzia fazia o som pesado de buzina de navio--Josh! Acorda seu catarrento!

Ele abriu levemente os olhos claros dando um visual perfeito de zumbi-ruivo.

–-Onde...?Quem...?Quando...?--seus olhos entraram em foco na porta. Mais precisamente na garota, não que isso importe.

–Joshua seu....!--parei pouco antes de lhe dar um tapa ao notar uma pequena falta de cabelo na parte de trás da sua cabeça.

–-O que foi?

–-Josh...Cadê...o seu... cabelo?

–-Desculpa... isso foi culpa nossa...--ia dizendo a menina

–-Por que cortaram meu cabelo?!--perguntou Josh perdendo seu olhar de apreensão pela garota.

–-Não cortamos! Depois de trazermos Marlyn pra cá voltamos pra te buscar e...

–-E te achamos dormindo em um banco público e um mendigo cortando seu cabelo!--disse ela interrompendo o garoto.

–-Espera um pouco aí--ia dizendo--Como sabem meu nome? Quem são vocês?

–-Desculpe não nos apresentarmos, mas você não é muito fácil de ser seguida!--disse a garota sem tirar seu sorriso bobo da cara.

–-O que?

–-Eu sou Calvin--disse o garoto--Aquela ali é Pallas.

–-Como assim sou uma difícil de ser seguida?

–-Bem você...--dizia a garota Pallas, que parou por um olhar de seu colega--É melhor falarmos disso... a sós...

Ela fez um sinal de cabeça e encarou Joshua.

–-Se manda mané!--disse para ele o arrastando para fora sem hesitar para o que ele falava. Mirei os dois membros da equipe enquanto trancava a porta.

–-Olha--Calvin falava--não queremos te assustar, mas... está acontecendo...

–-O que está acontecendo?

Os dois se encararam por um momento.

–-A grande profecia--disse Pallas em um sussurro--E precisamos de você mais que nunca agora!

–-Como assim...Mais que nunca?

–-Como eu tinha dito... você não é muito fácil de ser seguida... ja fazem uns dois anos que tentamos descobrir onde você estava! Mas quando entrou para o acampamento... pensamos que poderia ter uma vida um pouco diferente... das nossas...

–-Diferente?

–-O que aconteceu é que: quando soubemos que você era uma filha de... você sabe--Calvin fez uma pausa nessa hora--Pensamos que finalmente Dionísio a aceitaria!

–-Mas não aceitou!

–-Sabemos disso!--dizia Pallas deixando cada vez mais largo seu sorriso em seus dentes brancos--E é por isso que te procuramos nesses dois anos! Mas até acharmos...

–-Digam logo o querem!

–-Até eu ver...--Pallas estremeceu--Até...a profecia...

Seu sorriso largo e brilhante não estava mais lá. Sua face se preencheu por medo e terror. Mal eu sabia do que tinha tanto medo.

Calvin abraçou seus ombros. Poderia ter vindo a mim naquele momento uma leve onda de raiva por isso, mas não importava.

–-Marlyn--Calvin perguntava--Você nunca se fez uma pergunta na sua vida... quer dizer nunca teve curiosidade de saber alguma coisa... muito... importante?

–-O que aconteceria se o mundo fosse dominado por um milhão de elefantes geneticamente alterados que iam sugar nossos cérebros por seus narizes?

Ele lançou um olhar severo. Senti que Pallas fazia o mesmo por trás de seus óculos-de-sol-usados-de-noite.

Tirei meu sorriso da cara por um segundo. Não poderia ser verdade ou eles estariam remexendo de mais com a minha mente.

–-Eu posso--eu ia dizendo--perguntar qualquer coisa?

Acenaram com a cabeça.

Eu respirei fundo. Não sabia se era essa a pergunta que eles estavam esperando... mas era a que eu tinha.

–-Existem...Existem...outros semideuses como... como eu?

–-Acho melhor explicar melhor--disse Pallas com seu sorriso voltando à tona. Ela sabia o que eu iria perguntar.

–-Existem outros como eu... com os pais...

–-Titãs?--concluiu Calvin lançando um sorriso largo também.

Eu fiz que sim com a cabeça.

Eles não responderam com suas vozes, mas o olhar de Calvin e as feições em expectativa em Pallas me diziam tudo.

Eu não estava sozinha.

Notas finais
LEIAM E COMENTEM SUAS PÊRAS!!!!