A Filha Do Hokage
21 Conexões
Notas iniciais
Mei parou, pensando sobre o assunto enquanto Aya parecia apreensiva, realmente precisando da ajuda de Mei e estava um pouco desesperada por isso. Então a loira suspirou.
— Eu não posso, sinto muita Aya, mas não posso.
— Por quê? Sei que odeia este lugar e sente saudades de casa e das pessoas que você deixou pra trás, você poderia...
— Eu vim parar aqui por um motivo, e é o mesmo motivo o qual eu tenho que continuar aqui, Setsuko vai atacar as pessoas que eu deixei pra trás no momento em que eu fugir, e não terá adiantado de nada. — Mei a interrompeu, com certa dor na voz.
— Se formos rápidas dará tempo de chegar a tempo de protegê-las, eu posso ajudar. — Aya disse, quase implorando.
— Me desculpa Aya, mas não é tão simples assim, eu não sei nem a qual distância estou de Konoha, Set pode comunicar-se com seus espiões antes mesmo que estivéssemos na metade do caminho, é muito perigoso fazer isso agora, não posso arriscar. — Mei argumentou, esperando de todo coração que Aya entendesse.
— Mei, por favor, por favor, eu preciso de você.
Aya parecia estar prestes a chorar e Mei a olhou com uma expressão de um misto de compreensão e culpa, mas ela sacrificara muito para proteger aqueles que ela amava e não podia correr o risco de ter sido tudo em vão.
— Eu ainda posso tentar te ajudar, só não posso ir junto com você, é mais fácil esconder que te ajudei do que esconder minha fuga.
— Ele vai descobrir, acredite, não é tão fácil esconder as coisas de Setsuko, a única pessoa em que ele confia é a mim, por que acha que eu sempre falo a verdade. Sem eu aqui para confirmar as palavras das pessoas ele faria como antes: todos sofreriam consequências até o culpado ser descoberto, mesmo que a pessoa seja inocente ela sofrerá as consequências, ele não tem um bom senso de justiça.
— Como... — Mei começou, mas prevendo sua pergunta, Aya a respondeu imediatamente.
— Existem muitas pessoas nesse lugar que me veneram pelo simples fato de ter tornado a vida deles mais justa, evitando que eles sofressem as consequências das atitudes alheias. Eles me explicaram como era antes.
— E por que não confia nessas pessoas?
— Por que a verdade delas não é consistente, tanto tempo presos aqui as fizeram amargas e desconfiadas, mesmo com Setsuko dizendo-lhes que eu não posso mentir, eles ainda não confiam em mim e me trairiam na primeira oportunidade.
— Sinto muito Aya, de verdade, queria poder...
— Está tudo bem Mei, entendo o seu lado, sei que se pudesse me ajudaria. — Ela suspirou, cansada de manter as esperanças. — Tenho que ir agora, Setsuko está me esperando.
Aya se levantou e Mei também, dando-lhe um abraço e a levando até a porta, tentando não se sentir culpada.
Depois de ficar sozinha em seu quarto novamente, fez tanta força para ignorar a saudade que quase podia sentir um leve incomodo em sua mente, como se aquelas lembranças estivessem lutando para não ficarem presas em um lugar escuro do cérebro.
...
Durante os dois dias seguintes Mei não vira Aya, aparentemente Set a estava mantendo ocupada com algumas papeladas sobre suas pesquisas (as menos importantes, é claro, ele nunca deixaria que ninguém mais lesse àquelas que eram extremamente secretas) e a arrumação de novos livros que tinha conseguido.
Mei continuava treinando os jutsus de alguns de seus ancestrais, especificamente, eram dois, e ela estava tendo um bom progresso, o que era segredo para Setsuko, que achava que ela ainda estava no inicio de entendimento de um deles: o menos perigoso. Ela estava feliz com seu progresso, mas ainda se sentia um pouco mal por não poder ajudar Aya, e não ter a visto por esses dois dias a deixava apreensiva, mas ainda sim permanecia com sua decisão.
Após um longo dia de treinamento e leitura sobre diferentes concentrações e fluxos de chakra, Mei voltou a seu quarto e tomou um banho no pequeno banheiro que tinha, seus cabelos tinham crescido bastante e agora estava quase chegando a seu calcanhar, sempre gostara de seus cabelos tão compridos, geralmente permaneciam de sua coxa a seus joelhos, mas agora eles a incomodavam um pouco, então portou a tesoura que tinha pegado emprestada de Set em sua sala sem ele saber, obviamente, e se encarou no espelho. Tinha feito isso milhares de vezes antes, sempre cortara seu cabelo sozinha porque Hinata tinha lhe ensinado desde pequena e não estava com medo de que ficasse torto nem nada, mas era mais uma coisa que prova o quanto ela tinha se desapegado de coisas do passado, era estranho sentir que algumas coisas estavam mudando.
Após alguns minutos, fios de cabelos loiros estavam espalhados ao chão e Mei estava satisfeita com o novo comprimento de seu cabelo: um pouco abaixo dos ombros e levemente repicado em algumas partes.
Depois voltou a seu quarto e se não estivesse se acostumado com as invasões repentinas de Ichiru, teria tomado um susto ao se deparar com o mesmo sentado em sua cama.
— Obrigada por ter batido, como sempre. — Murmurou Mei, e Ichiru riu.
— Gostei do cabelo, você está linda.
— Obrigada. — Mei disse de forma rápida, mas deu um pequeno sorriso e abaixou a cabeça, odiava elogios, eles sempre a deixava constrangida.
— Não acredito que consegui te deixar constrangida, mereço um prêmio. — Ele brincou e riu, Mei revirou os olhos. — Pena que não dura muito tempo. E obrigada por estar usando o colar. — Ele sorriu.
— O que está fazendo aqui? — Mei perguntou simplesmente, sentando-se ao lado dele.
— O de sempre, vim conversar.
— Nossa Ichiru, você é tão carente. — Mei resmungou, mas no fundo gostava de ter alguém com quem conversar. Ichiru olhou para ela de forma desafiadora. — Algum assunto em mente?
—Que tal... Qual a sua cor favorita? — Ele sugeriu a olhando como se fosse a melhor ideia do mundo e ela deu uma gargalhada.
— Não faço a menor ideia. Agora alguma coisa mais interessante, por favor.
Ichiru parecia pensar ao encarar o rosto de Mei, ela sorriu e virou a cabeça de lado, desafiadora, como se pedisse para que ele a surpreendesse.
E ele a surpreendeu no momento que a beijou, ele chegou mais perto tão rápido que ela nem ao menos teve tempo de entender o que ia acontecer antes de os lábios dos dois se encostarem, Mei não pode evitar a comparação do beijo de Ichiru com o do último garoto que beijara: Lawliet.
Enquanto o beijo de Lawliet era calmo e voraz ao mesmo tempo, Ichiru a beijava de forma urgente e sagaz, e ao contrario dos confusos sentimentos sobre o beijo de Lawliet, não existia muitos sentimentos ligados a Ichiru, estavam simplesmente se beijando.
O ar se fez necessário e eles se afastaram, Mei fitou os olhos azuis e extremamente claros de Ichiru, que quase a lembrava da cor do gelo, e não falou nada pois não sabia o que dizer, mas Ichiru sabia.
— Interessante o bastante? — Ele sussurrou, ainda com as mãos em volta de sua nuca e o rosto perigosamente perto do dela.
Sem conseguir responder, ela simplesmente assentiu, fazendo com Ichiru desse um leve sorriso de lado antes de beija-la de novo, e dessa vez com tanta luxúria que faz Mei o segurar pela nuca com uma das mãos, o puxando para mais perto, enquanto sua outra mão ficava apoiada no braço dele. Uma das mãos dele brincava com o cabelo de Mei, e seu novo comprimento foi uma sorte, já que assim era muito mais fácil para que ele tirasse a mão dali e descesse devagar pelas costas dela, fazendo-a ter alguns arrepios e precisando se afastar um pouco para respirar, ofegante.
Mei não sabia explicar o que estava sentindo, ela realmente ficou surpreendida com o beijo repentino de Ichiru, mas ainda estava um pouco desconfiada dele, ultimamente não confiava nem em seus próprios pensamentos e sentimentos que a traiam sempre que insistiam em trazer lembranças de volta a, e Ichiru estava insistindo nisso de ganhar sua confiança, e muito. Não que Mei desconfiasse completamente dele, só não podia correr o risco, ele era grato a Setsuko por te-lo acolhido, ela não podia confiar totalmente nele, mesmo que fosse tentador.
Ainda sim o beijou por vontade própria, deliciando-se com o momento, principalmente do sorriso de lado nos lábios dele, como se estivesse surpreso com a situação que ele próprio tinha criado.
...
Mei sentou-se ao lado de Aya no Salão, ela lia um livro e parecia concentrada e apesar de que a intenção de Mei não fosse interrompe-la, Aya levantou o olhar para ela.
— Como está indo com os jutsus? — A garota perguntou, colocando uma fita azul entre às páginas do livro e o fechando.
— Bem, é realmente muito difícil controlar o chakra quando ele está um pouco distante de seu corpo, assim como é complicado conseguir se mover muito rápido, mas acho que estou começando a entender como fazer isto com precisão.
— Se Set descobrir o quanto você está evoluindo sem que ele saiba ele irá ficar furioso.
— Você não vai contar a ele, vai? — Mei perguntou, num primeiro momento era uma brincadeira, mas percebeu o quanto isto era sério: Aya realmente podia fazer isso, era uma coisa que ela tinha contra Mei, até poderia até ter usado isto como vingança por Mei ter recusado a fugir com ela, mas não o fez, até agora pelo menos.
Esse fato assustou Mei, ela estava confiando em Aya, foi tão espontâneo que ela não tinha percebido o quanto estava sendo ingênua, Aya poderia usar isso contra ela, ela era a pessoa que Set mais confiava, ele nunca acreditaria na versão de Mei.
Parecendo saber o que Mei estava pensando, Aya suspirou, dizendo:
— Não Mei, não vou contar isso a ele, eu prometo, se eu quisesse fazer isso por vingança ou qualquer coisa do tipo, já teria o feito.
— Não é tão simples assim, você pode estar esperando a oportunidade certa, olha, eu realmente sinto muito por não poder ajudar você. — Mei se desculpou de novo, só pra fixar a mensagem.
— Eu sei, eu também sinto, mas não sou uma pessoa vingativa. — Aya falou, olhando pra Mei com uma enorme sinceridade, mas a loira ignorou seu olhar, confiar em qualquer pessoa dali era perigoso.
— Posso te fazer uma pergunta? — Mei indagou, mudando de assunto.
— Claro.
— Quando eu vim pra cá, Set disse que parte do motivo era vingança. Você sabe alguma coisa sobre isso? — Esta pergunta estava na cabeça de Mei desde que Setsuko a tinha falado aquilo, em alguns momentos tentava ignorar, todavia esta questão sempre voltava a importuna-la.
— Não sei de muita coisa e não tenho certeza que seja realmente isso, mas acho que deve ser porque seu pai venceu os pais de Setsuko e destruiu muitas coisas que eles tinham criado.
— Como assim? Quem são os pais de Setsuko?
— Eles não são os pais biológicos dele, mas o criaram desde sempre, Setsuko era o preferido de Orochimaru e Kabuto, eles realmente o tratavam como seu filho. — Aya explicou como se fosse óbvio e Mei ficou paralisada, Set era "filho" de Orochimaru e Kabuto?
Era quase inacreditável, outras milhares de perguntas surgiram na mente de Mei e ela não sabia por onde começar, então fez as primeiras perguntas que lhe vieram a cabeça.
— Mas quem são os pais biológicos de Set? Porque Orochimaru e Kabuto o criavam como um filho? Ele está me usando para atingir meu pai, será que isso vai acontecer sempre comigo? Sério?
— Pelo o que eu sei Setsuko é filho de um membro da Akatsuki, só que eu não tenho certeza, presumi isso porque eu já vi uns símbolos dessa organização desenhados na agenda de Setsuko e ouvi um pouco de uma conversa uma vez. E acredito que se isto realmente for verdade, é um ótimo motivo para que Orochimaru e Kabuto tenham o acolhido ainda quando criança. E eu sinto muito por isso Mei. — Aya respondeu as perguntas em ordem enquanto Mei encarava o chão com um expressão completamente surpresa e assustada no rosto, ela estava pasma com essa história.
— Isso não é possível, todos os antigos esconderijos de Orochimaru foram descobertos, os prisioneiros libertos e os que apoiavam o antigo mestre foram presos, ninguém escapou...
— Setsuko escapou, ele tinha liberdade de sair quando quisesse, fugiu antes que o encontrassem, disso eu tenho certeza, ele é astuto o suficiente pra isto.
Várias coisas começaram a passar pela cabeça de Mei, ela vinculou tudo que sabia de Orochimaru a Setsuko e muitas coisas começaram a fazer sentido, algumas se encaixavam perfeitamente, inclusive algo sobre Aya.
— Agora eu me lembro de onde eu achava que te conhecia quando te vi pela primeira vez. — Mei falou e Aya a olhou de forma questionadora. — Uma vez eu estava lendo arquivos confiscados de Orochimaru e vi uma ficha sobre uma mulher, Orochimaru estava a procurando. Tinha uma foto, Aya, você é idêntica a ela, acho que ela é sua...
— Minha mãe fugiu de Orochimaru por anos e eu sou muito parecida fisicamente com ela, estas são as únicas informações concretas que eu tenho sobre ela, então sim, provavelmente essa mulher é minha mãe. — Aya interrompeu Mei e parecia extremamente abalada com o assunto, falar sobre sua família sempre a deixava assim.
— Tudo está assustadoramente conectado, até mesmo Mikami tem uma conexão com Setsuko e também tinha com Orochimaru. — Mei murmurou com os pensamentos passando rápido por sua cabeça, tinha uma expressão de terror e compreensão no rosto.
— Se eu tivesse acesso a esses arquivos eu poderia descobrir mais coisas sobre a minha família e... — Aya sussurrou enquanto pensava alto, mas parou assim que viu o rosto de Mei. — Ei, não fique tão abalada com isso.
— Não estou abalada, é só que... É tudo muito estranho, como se eu estivesse presa dentro de uma teia de aranha construída durante anos pela minha família, eu herdei problemas que nem eram pra ser meus.
— Sei exatamente o que você está sentindo, sei que é assustador, mas não adianta ficar gastando energia pensando sobre isso. — Aya disse e se virou assim que sentiu uma presença, Mei também sentiu e no mesmo momento se levantou e se afastou de Aya, não era seguro serem vistas juntas.
Um homem apareceu na porta, ele tinha uma aparência velha e cansada, com as barbas e cabelos ruivos compridos e desgrenhados, seus olhos verdes pareciam insanos, andava com o apoio de uma bengala e suas roupas, uma calça e uma camisa, eram completamente cinzas. Mei se assustou por um momento, nunca tinha visto mais ninguém ali exceto Set, Ichiru e Aya, Setsuko não gostava de contato entre seus "hospedes" ao menos que fosse necessário.
— Vocês viram o Set? Eu preciso falar com ele, ele precisa saber que eu não devia estar aqui, o garoto disse pra mim que eu devia falar isso pra ele, eu preciso falar com ele, vocês viram o Set? — O homem perguntou, ele tinha a voz baixa e parecia completamente louco falando dessa forma, e Mei desconfiava que talvez ele realmente fosse.
— Setsuko deve estar no Laboratório, mas Hisakawa, como você conseguiu sair do quarto? — Aya o respondeu, o olhando com cautela e pena.
— A porta quebrou, eu sai, mas estou perdido, preciso encontrar Set, e eu quero pedir desculpas ao menino por pegar a kunai, eu não queria mata-lo, tinha razões pra isso, mas não queria... Eu preciso falar com Set... — Ele murmurou mais para si mesmo do que para outras pessoas, depois saiu do Salão e foi procurar Setsuko, até que ele ficasse longe o suficiente, Mei e Aya ainda podiam ouvi-lo falando sozinho.
Tudo estava muito confuso e claro ao mesmo tempo na cabeça da loira, ela estava assustada e atordoada, eram muitas informações em pouco tempo para serem digeridas facilmente, era como se tivesse levado um soco na boca do estomago, estava realmente se sentindo enjoada, principalmente depois de ver aquele homem que provavelmente enlouqueceu do tempo que passou preso aqui.
— Você está bem? — Aya perguntou chegando perto de Mei e colocando a mão sobre seu braço, como se para conforta-la. Não funcionou.
—Eu odeio este lugar. — Mei murmurou e sentou-se no sofá, colocando as mãos sobre o rosto e bufando. — Odeio ter sido tão facilmente ameaçada e principalmente o idiota do Set.
— Um dia Setsuko vai se afogar nas consequências de suas atitudes, ok? A vida não pode ser tão injusta.
Mei estava atordoada de mais para concordar ou discordar disto, precisava desviar seus pensamentos da tonelada de informações que lhe foram dadas hoje por um momento, ela precisava se distrair, então reparou em algo curioso sobre Aya.
— Aya, por que você nunca chama Setsuko de Set? — Mei perguntou, olhando para a garota que a encarou com seus olhos escuros por um segundo antes de responder.
— Não gosto da pessoa que o deu esse apelido.
Mei precisou de um momento antes de assimilar mais esta informação: A pessoa que deu esse apelido a Setsuko foi Ichiru, e sua tentativa de se distrair foi por água abaixo.
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