A Filha De Héstia

1 Discussões e Presentes


Notas iniciais
O primeiro capítulo, ficou um pouco grande(pouco não, bem grande) me desculpem por isso, mas é que eu fui escrevendo e não parei. Espero que gostem!

Lira desceu as escadas da enorme mansão de seu pai. Ele pedira para que ela descesse para a sala de estar às oito horas em ponto. E ela como sempre o fez, adorava se reunir com seu pai e ficar conversando com ele enquanto os dois olhavam para o fogo da lareira. Ela nunca entendeu por que gostava tanto de ficar reunida à lareira, apenas gostava.

-Lira! Querida venha sente-se! — seu pai com um grande sorriso no rosto indicava uma poltrona vermelha ao seu lado.

-Boa noite, pai! — ela sentou e correspondeu o sorriso, mas quando notou a presença de Trina Mille seu sorriso diminuiu. Ela estava sentada na poltrona ao lado do pai de Lira. AH! Como ela odiava aquela mulher!

-Filha. Hoje além da nossa conversa rotineira, eu tenho uma coisa especial para te dizer! — Lira estremeceu com aquelas palavras. — Eu... Eu e Trina resolvemos que nosso amor precisa ser mais... Mais prolongado!

-Desculpe-me, mas você poderia ser mais direto? Não estou entendendo! — Lira franziu a testa tentando compreender.

-Seu pai me pediu em casamento! — Trina abriu um sorriso enorme, pronunciando cada palavra como se pretendesse irritar Lira, e se esse fosse sue objetivo havia conseguido!

A garota se levantou.

-Pai isso é verdade?

-Sim filha! Eu e Trina iremos nos casar! E se tudo ocorrer bem a cerimonia será daqui a um mês!

-Mas você prometeu...

-Eu prometi que sempre ia estar ao seu lado, e sempre estarei!

-Não é essa promessa que falo! Acho que você não se lembra, pois foi a 3 anos, porém eu lembro como se fosse hoje!

-Lira do que você está falando?

-Você não lembra não é? Não se lembra da sua promessa de nunca mais se comprometer a outra pessoa que não fosse minha mãe? Já não bastava ter quatro ex-esposas? Já não bastava ter tido quatro casamentos mal sucedidos? Tinha que se casar novamente?

-Filha entenda que eu precisava de alguém. E Trina apareceu na hora certa! Eu acabei me apaixonando por ela!

Lira apenas bateu o pé no chão e fechou as mãos se preparando para alguma interrupção de Trina na conversa!

-Se apaixonar? De novo? Só se passou três anos desde que você se separou de Beatriz Vaz! Como você pode se apaixonar pela 6ª vez? Eu já devia saber que você não podia tentar viver sem uma esposa! Três anos foi muito tempo, não é? — a garota já gritava, e pior estava gritando com seu pai.

-Lira eu... — lágrimas surgiam nos olhos do homem.

-Não adianta se desculpar! Não vou mais aceitar essa... Essa 'coisa' que você consegue! Como pôde? — os olhos castanho avermelhados da menina já estavam cheios de lágrimas. — Você. Você não é mais como era.

Lira saiu correndo derrubando tudo que estava na sua frente, subiu as escadas aos tropeços e se trancou no quarto. Ela se sentia traída. Como seu amado pai tivera a coragem de magoa-la daquela forma, quebrando a promessa? E ainda por cima se casando com Trina? Aquela Trina era arrogante, falsa e muito irritante, talvez a pessoa mais fingida do mundo inteiro!

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-Não consigo acreditar que Lira gritou comigo daquela forma! Ela nunca usara aquele tom de voz. — Richard, o pai de Lira, tinha se assustado com a reação da filha, sempre tão concentrada em fazer o certo, mesmo com sua dislexia e deficit de atenção. Porém nunca esses dois obstáculos causaram problemas.

-Richard, amor! Não fique assim. Ela deve ter tido algum problema para ficar tão irritadinha!

-Mesmo assim... Ela me contaria. Sempre contou as coisas...

Nisso ouviu-se um barulho de algo se quebrando. Richard suspirou e se levantou da poltrona.

-Acho que devo ir lá. Conversar com ela, ou pelo menos tentar!

-Ah não! Você já esta muito cansado! Deixe que eu vou lá! Eu também sou mulher, entendo ela!

-Tudo bem!

Trina deu um beijo em Richard e subiu as escadas, seus saltos plataformas faziam barulhos a cada passo dado.

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Lira parou de chorar e olhou pela janela, a rua estava calma naquele fim de tarde. A não ser por um menino de boné vermelho, que descia da bicicleta na frente da casa de Lira. Era Deni um amigo de Lira a algum tempo. A garota fez um sinal para que o garoto esperasse ela descer e se virou. Ela ainda estava com raiva de seu pai e a conversa ainda estava na sua cabeça. Se encontrava tão dispersa nos pensamentos que nem notou quando derrubou um vaso de planta de cerâmica da mesinha de canto e continuou procurando alguma forma de descer pela janela de seu quarto, que era no segundo andar, e fugir aquela noite sem ser notada pelo seu pai ou Trina. Ela só parou de procurar sua corda quando ouviu passos do lado de fora da porta. Ela se aproximou da porta e colou o ouvido nela. Era uma mulher, pois quem mais usaria saltos barulhentos? E se não era Lira só podia ser Trina.

-Lira, querida! Que tal conversarmos? — A mulher falava com um tom de falsidade na voz.

-O que você quer?

-Apenas conversar! Vamos abra essa porta! Não seja tão criança, você já tem 12 anos não é?

-Que te importa minha idade?

A mulher suspirou e Lira sorriu do outro lado da porta.

-Ok! Então eu deixo você entrar, mas não estrague mais meu dia. — Lira destrancou a porta e abriu a porta devagar.

Trina entrou e se sentou na cama da garota.

-Epa! Se acha que só porque meu pai te pediu em casamento, você tem o direito de sentar em minha cama. Você está errada!

-O que você está falando? Eu simplesmente sentei-me aqui!

-Pois então não sente! Faça a gentileza de ficar em pé.

-'Faça a gentileza'. Nossa! Você é educada até para repreender uma pessoa!- Trina se levantou.

-Eu não estava repreendendo, só falando, mas se você diz que fez uma coisa errada e precisava ser repreendida por mim! Tudo bem!

-Agora você está usando minhas palavras contra mim?

-É você que está falando isso! Eu não fiz nada!

-A primeira coisa que farei quando enfim me casar com seu pai, vai ser colocar você em um internato especial para crianças como você!

-Internato especial para crianças? Mas eu já não era uma mocinha de 12 anos, como a pouco tempo me chamou e usou isso para mim abrir a porta?

-Então prefere que eu te chame de adolescente problemática e rebelde?

-Adolescente problemática e rebelde? Duvido!

-Em quem você acha que seu pai vai acreditar quando eu contar a ele que você se revoltou e discutiu comigo?

-Em mim. Afinal eu sou a filha dele, a menina que ele criou com tanto carinho e amor. Não quero me gabar, mas você é só mais uma mulher que ele vai se casar e se divorciar, diferente de mim que tenho o sangue dele.

-Ou será que ele acreditará na sua nova esposa?

-Há! Há! Sonhe com o dia em que se tornará esposa de meu pai! Muito menos minha nova madrasta!

-Não é sonho. É a realidade!

Lira segurava a raiva da mulher por tempo o suficiente agora ela ficava vermelha como a cor de seus cabelos.

-Você não vai se casar com ele! Eu não vou deixar! — Lira já não usava mais seu tom natural e angelical. Já demonstrava raiva por Trina.

-O que você vai fazer? Lembre-se que eu posso usar seu déficit de atenção e sua dislexia contra você mesmo!

-Como se esses dois probleminhas meus não atrapalham na minha personalidade?

-Atrapalharão quando eu convencer seu pai disso!

-Não! Você não vai convencê-lo disso! Ele não acreditará!

-Não? Então porque ele já esta comendo na minha mão?

-Ele só está indeciso, sempre fica assim quando começa um novo 'romance' como ele diz ter...

-Falando em romances... Me esclareça uma coisa que te deixarei em paz, pelo menos por enquanto...

-Só se não me encomodar mais...

-Talvez eu cumpra a promessa! Talvez não...

-Fala logo!

-Agora a pouco lá embaixo você falou que seu pai se apaixonou pela 6ª vez, e se casou 4 vezes como assim?

-Eu sabia que você ia perguntar isso um dia, mas não esperava que perguntasse a mim! É fácil explicar. Se apaixonou por 6 mulheres, a primeira foi minha mãe. A segunda foi uma mulher rica e bonita, se casaram e se separaram. A segunda a mesa coisa, a terceria também a quarta também. E agora ele se diz apaixonado por você a sexta mulher na vida dele, quer dizer, sem contar comigo.

-Ele não se casou com sua mãe?

-Não! E não me pergunte porque, nem eu sei ao certo, na verdade nunca conheci direito minha mãe!

Trina sorriu com as últimas palavras de Lira, e saiu pela porta.

-Agora estou satisfeita. Até outro dia, querida!

-Não esqueça de parar de me encomodar!

Lira esperou o barulho dos saltos da mulher não serem mais identificáveis e voltou a procurar a corda para escapar de casa. Foi então que lembrou-se de onde a deixara! Saiu do quarto sem fazer barulho e desceu as escadas, espiou para ver se seu pai não estava lá. Não. Provavelmente já tinha ido descansar ou ido ler. A garota, então, se esgueirou até a lareira acessa, e pegou a corda pendurada em um gancho do lado do fogo que esquentava a sala. Foi quando percebeu um brilho reluzente no fogo. Uma caixa. Mas o esquisito era que ela não estava queimando muito menos chamuscada! Lira pegou ela com a ajuda e um desses acessórios de lareira para ajeitar a lenha e o carvão. Colocou a caixa pequena dentro do bolso da calça jeans. E subiu para o quarto de novo. Pegou sua bolsa a colocando no ombro e jogou a corda pela janela.

-Lira, o que você está fazendo?

-Fugindo, oras!- ela desceu cuidadosamente. E quando já estava em meio aos arbustos puxou a corda e a escondeu debaixo de uma roseira.

-Fugindo? Por quê?

-Problemas pessoais!

-Mas...

-Não fale nada! Lembre-se que estou em meio a uma fuga silenciosa! Aquela é minha bicicleta?

-Sim você esqueceu ela na praça ontem, senti que ia precisar!

-Então sentiu certo! — Lira subiu na bicicleta e saiu pedalando com Deni correndo estranhamente atrás de si.

Ela já se acostumara com aquele jeito esquisito de andar e correr. Ele tinha algum problema nas pernas que o proibia de fazer exercícios físicos na escola, segundo um atestado médico vindo do além no primeiro dia de aula.

-Para onde você vai? — Dani conseguiu alcançá-la

-Não sei ao certo!

-Como você foge e não sabe aonde via ficar?

-Sei lá! — ela parou e desceu da bicicleta e deixou-a atrás de uma árvore do parque.

-De novo?

-Sim! Já sei para onde eu vou. Talvez eu vá para a casa na árvore!

-O quê? Seu pai a proibiu de ir lá. Lembre-se que você viu bichos esquisitos lá!

-Era só coisa da minha imaginação!

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Os dois estavam sentados num galho de árvore, pensando. Já que a casa estava despedaçada e vandalizada.

-Ai que raiva! Se não fosse esse vândalos!

-E agora você vai ficar aonde?

-Também não sei! Mas...

Ela sentiu algo no bolso da sua calça e se lembrou da caixa.

-Ei Deni olhe essa caixa que achei na lareira de casa!

-Na lareira?

-É no fogo. Impressionante como não queimou, está intacta!

Dani olhou mais de perto a caixa, e reconheceu aquele material.

-Ai meus deuses! Tem certeza que isso era para você, Lira?

-Não sei, peguei só para não perder tempo, nem a abri! Achei curioso o círculo que tem na caixa, parece algo que vi em um livro de mitologia grega!

-Você... Ai! O que você fez Deni!

-O que você fez? Você não fez nada!

-Fiz sim, achando que você era... -depois percebendo o que ia dizer — nada não!

-Como assim? Ah! Deixa! Eu vou abri-la!

Ela ergueu a tampa da caixa, e dentro dela havia, nada mais, nada menos que uma corrente dourada com um pingente representando um círculo com um fogo no centro e um anel de bronze com uma pedra que mudava de cor de acordo com a luz do lugar onde ele estava.

-São lindos! Mas porque será que estavam dentro de uma caixa na lareira?

-Lira! Tem um bilhete colado no fundo da tampa! — Deni tirou o bilhete e entregou a menina que o leu em voz alta.

-Aqui diz: Cara Lira(se não for ela, por favor entregue essa caixa e os dois itens para ela), esses presentes são de sua mãe, que antes de partir me pediu para que te entregasse quando algo diferente e esquisito acontecer com você. Eu sempre soube que esse dia chegaria, mas não imaginei que esse acontecimento ocorreria justo em uma discussão. Quando vi seus olhos assumirem uma cor diferente do normal e senti uma coisa diferente vindo de você soube que era a hora. Percebi movimentos nos arbustos e fiquei com medo de serem monstros(um dia você entenderá)- Lira parou de ler e olhou para Deni que pediu para que ela continuasse a ler — espero que eles te ajudem, assim como sua mãe falou que ajudariam. Não posso negar que eu os coloquei num lugar um tanto esquisito, mas só segui os conselhos de sua mãe. Co muito amor, Richard, seu pai.

Lira terminou de ler e quase caiu da árvore tentando compreender o que seu pai quis dizer com aquelas palavras.

-Nossa! Só não consigo entender como seu pai conseguiu casar tantas vezes depois de conhecer sua mãe!

-Deni o que isso tem a ver com a carta?

-Ah! Só pensamentos altos demais!

-Hum! Entendo...

Eles ouviram um ruído vindo detrás de uma árvore e pararam. Lira colocou o dedo nos lábios fechada, pedindo silêncio. Ela desceu da árvore calmamente procurando quem havia feito barulho. Deni a seguiu, se arrepiando de pavor. E quando eles menos esperavam um coelho saiu de trás da árvore.

-Ah! Só um coelhinho!- Lira falou. Deni ainda tremia ele estava de costas para a garota e seus olhos estavam arregalados.

-Eu acho que não era um coelhinho! Não mesmo!

-Ah! Você está com medo de um coelh... — ela se virou para ver o amigo e viu o que o assustava.

Um monstro de 2 metros de altura, com enormes asas de morcego que pareciam ser de couro, garras pontudas, seus olhos pareciam queimar por dentro, sua pele horrenda era enrugada, estava escuro e ela não podia entender de onde aquele monstro aparecera.

-Deni o que eu faço? — Lira sussurrou no ouvido do garoto.

-Bééé! Eu não sei! — ele tinha berrado? Lira tentou prestar mais atenção na enorme figura do que o som esquisito que seu amigo acabara de pronunciar(ou berrar...).

-Meu pai amado! O que eu vou fazer agora?

-Você só precisa morrer querida! — o monstro falava. Era uma mulher, pelo tom de voz, e se aproximava cada vez mais dos dois.

Enquanto Lira ia para trás o monstro avançava, até a garota não poder mais se afastar por conta de uma maldita árvore no meio do caminho.

*POV Lira

Aquele monstro horrendo se aproximava cada vez mais. Eu tinha em mãos somente o anel, que estava nos meus dedos, na verdade, mas praticamente nas mãos. Eu não sabia o que fazer, então apertei o anel, ainda no meu dedo, com um único pensamento meu pai, a pessoa que eu tanto amava. E algo aconteceu, o anel começou a apertar em meu dedo, eu o tirei e coloquei na palma da mão, sempre com um olho no monstro. Foi quando um clarão dourado clareou a noite. Tanto eu e Deni quanto a criatura com asas de morcego ficamos tontos por um segundo. Depois que a luz pareceu diminuir, olhei para minha mão, o anel não estava mais lá, eu segurava uma radiante espada de bronze. Lira cambaleou um pouco com o peso da espada, mas conseguiu segurá-la. A única coisa que via agora era uma garra se aproximando dela.

Notas finais
E ai? Comentem por favor!!