A Filha De Hermes
4 Sendo uma filha de Hermes
Era umas 17h20 quando fui reclamada por Hermes nos estábulos. Depois de eu ter falado que ia sair do Acampamento pra pegar minhas coisas, Leo me levou pra uma Lojinha de Conveniências que tem no Acampamento, que fica perto dos banheiros.
Ele me disse que, pelo menos, eu tenho que ter uma escova de dente pra depois do jantar e uma bala de menta (ele teve a cara de pau de falar que eu estou com mau hálito. Babaca). E que tenho que ter uma camiseta do Acampamento, que nem a dele.
–Não sou obrigada a usar suspensório também, não é? – perguntei, apontando para o suspensório que ele usava – Acho meio estranho.
Leo fez uma cara estranha, que provavelmente significava que ele se sentiu ofendido.
–Suspensórios são estilosos, ok? Afe.
–Não, não são. É coisa de velho. – eu falei, na cara dura.
–Fique quietinha, beleza? – mostrei a língua pra ele – É o seguinte. Você é uma filha de Hermes. Hermes é o deus dos ladrões. E você vai ter que roubar uma escova de dente e uma camiseta do Acampamento, para testar o que você sabe sobre roubos.
–Por que eu faria isso? – depois, lembrei-me que não tinha dinheiro nem nada pra comprar alguma coisa. E tenho certeza que Leo não iria me emprestar dinheiro nenhum.
–Você não tem dinheiro, certo? E eu não vou te emprestar meu dinheiro. Então acho que não tem outra opção além de roubar, querida. – ele disse, colocando as mãos na cintura – Ou será que é covarde? É certinha demais para roubar alguma coisa, hein? CÓ CÓ CÓOO – Leo disse, imitando uma galinha e debochando de mim.
Aquele garoto estava me chamando de covarde? Ele teve coragem de debochar de mim? De me chamar de certinha?
Fiquei com muita raiva naquele momento. Meus instintos ficaram apurados, e me fizeram dizer:
–Em primeiro lugar, não me chame de querida. Em segundo, nunca mais imite uma galinha na minha frente. E em terceiro, vou te mostrar quem é covarde, Valdez.
Dito isso, abri com cuidado a janela da lojinha. Eu estava agindo por impulso, sei lá. Eu sentia que poderia roubar qualquer coisa, até as jóias da coroa da rainha Elizabeth II ou um banco cheio de seguranças. Qualquer coisa.
Entrei na loja, e me escondi atrás de umas camisetas que diziam “#1 Arqueiro”. Ergui os olhos para ver quem estava atrás do balcão. Vi um garoto de cabelos ruivos, pendurado numa cadeira de couro. Seus pés estavam sob o balcão e ele lia uma revistinha da Turma da Mônica, que cobria seu rosto.
Avistei uma prateleira com várias escovas de dentes, perto da porta. E na outra parede, que era pintada de cinza, tinha uma mesinha com muitas camisetas do Acampamento (não pude deixar de notar um cartaz na parede, escrito “Proibido a entrada de Travis e Connor Stoll”).
Olhei para o garoto atrás do balcão, depois para a prateleira de escovas de dentes e depois para a mesa com as camisetas.
Formulei rapidamente um plano, para roubar sem ser vista. Engatinhei até a prateleira de escovas de dente, e peguei uma cinza. Na prateleira de cima, havia escovas de cabelo azuis. Nelas tinha etiquetas dizendo “útil contra titãs”. Não sabia como uma escova de cabelo azul iria me ajudar contra um titã, mas peguei também.
Olhei para o balconista, que ainda lia a revistinha. Ele ergueu os olhos da revistinha, e eu rapidamente me escondi do lado da prateleira, que não recebia muita luz do sol. Por pura sorte, o balconista não me notou e voltou sua atenção pra revista.
Suspirei, aliviada.
Depois, andei até a mesa das camisetas, pisando com cuidado, para não fazer barulho algum. Peguei uma camiseta do tamanho M, e joguei atrás do ombro. Notei que a janela da parede cinza estava aberta. E fui andando até ela, cuidadosamente.
Achei que era melhor usar essa janela que tava mais perto, do que arriscar ir até a outra janela e chamar atenção do garoto. Mas só de pensar nisso, adivinha o que eu fiz?
Derrubei a escova de cabelos no chão. Nem sei se o cara me notou, pois agi por impulso, a partir dali. Peguei a escova de cabelos como um flash, e pulei a janela como um guepardo.
Eu me agachei em baixo da janela, que tinha tipo uma base que geralmente tem vasos de flores. Meu coração estava acelerado, podia escutar cada batida dele.
O balconista apareceu na janela. Não sei como, mas ele não me notou. Deve ser por causa da base da janela. Engoli em seco.
Depois que ele tirou a cabeça da janela, minha tensão diminuiu. Suspirei fortemente, aliviada. Olhei para a escova de dentes, a camiseta e a escova de cabelos. Legal. Que daora.
Levantei e dei a volta na loja para encontrar Leo, que estava encostado na parede, olhando as unhas. Andei até ele, e fiquei na sua frente. Leo ergueu os olhos pra mim.
–Caramba, Lia. Que rápido. – ele falou, surpreso.
–Sou filha de Hermes, não sou? – respondi, fazendo pose.
Leo deixou escapar uma risadinha.
–Acho que sim. Então, que tal irmos arranjando uma cama pra você no chalé de Hermes?
– Já sei onde fica o chalé de Hermes, então vou sozinha, obrigada. – falei, cruzando os braços.
–Ok, ok. Convencida. Acho que daqui a meia hora, o jantar vai estar pronto. É só seguir Travis, o conselheiro do chalé, que vai levar todos do chalé de Hermes pro refeitório. Depois do jantar, tem torneio de vôlei e depois, canções em volta da fogueira no Anfiteatro.
–Sou obrigada a ir nessa cantoria em volta da fogueira? – perguntei.
–Não. Mas, vai lá. É legal.
–Nah. – eu disse, fazendo uma careta.
–E no torneio de vôlei?
–Não sei jogar vôlei.
–É só assistir.
–Prefiro dormir.
Leo ergueu as mãos, em sinal de rendição.
–Tá legal. Então, até amanhã?
Não ia ser “até amanhã” por que amanhã, eu iria sair desse acampamento. Com ou sem permissão de alguém. Mas eu iria voltar, claro. Só precisava falar com minha tia etc etc. Já expliquei isso, eu acho.
Provavelmente, demorei muito pra responder. Leo franziu a testa.
–Você vai sair, mesmo? Quíron não vai deixar.
–Eu vou mesmo assim. Eu preciso falar com a minha tia, Leo.
–Falamos com ela por mensagem de íris! – ele insistiu.
–Eu preciso das minhas coisas.
–Você pode conseguir na loja de conveniências do acampamento. – ele disse, batendo o pé.
–Eu preciso ver a minha tia, idiota. – gritei pra ele — Abraçar, entendeu?
–Mas... Você vai ser atacada por monstros, você... – ele parou de repente. Parecia enjoado, sei lá. Parecia estar com medo de que eu saísse, e acabasse morta.
–Para com isso. Eu não vou me machucar nem nada – falei, calmamente – se é com isso que você está preocupado. – murmurei.
–Uh? — Leo murmurou, confuso.
–Até amanhã. – eu respondi, e dei as costas pra ele. Comecei a caminhar até o chalé de Hermes.
Fiquei olhando para a porta do chalé, que estava fechada. Eu não sabia se simplesmente abria ou se batia na porta.
Vai que, sei lá, os filhos de Hermes tem uma senha secreta para poder entrar no chalé? Ou se eu abrisse a porta, caísse um balde d’água na minha cabeça?
Deixa de pensar besteira, pensei. Então, mal encostei na porta para entrar no chalé, e a porta abriu sozinha (ou não), com Connor segurando na maçaneta.
–O que... – disse.
–Posso entrar? – perguntei, interrompendo-o.
–Por que? Quer usar nossa internet contrabandeada? Mal chegou e já está infringindo as regras do Acampamento? Bom, o problema é seu. E nosso também, caso Quíron descobrisse... enfim, para usar a internet custa dracmas. Pensa que é de graça? E não conte pro Quíron que temos internet. Acho que já disse isso, disse? E a net é meio lerda. Vida de semideus não é fácil, sabe? E...
–Véi, que? – perguntei, confusa. Balancei a cabeça – Eu só quero entrar. Sou filha de Hermes, também.
–Ah! Então nesse caso, esquece tudo o que eu disse, ok? – ele abriu os braços pra mim – vem cá dar um abraço, maninha!
Fiz uma careta pra ele.
–Sem abraço? Certo. – ele falou, desanimado.
Passei por ele e entrei no chalé.
Era um chalé simples, comum para acampamentos. Havia vários beliches em um lado do chalé, que não tinha ninguém, com malas e mochilas ao lado delas.
No outro lado do chalé, havia 4 TVs, com vários tipos vídeo games ligados a elas e vários jogos empilhados. Enfrente a TV, havia almofadas e puffs bem confortáveis. E sete mesas com computadores, notebooks, celulares, fones de ouvido e vários eletrônicos. Que engraçado, nesse lado era onde estava a maioria das pessoas. A maioria e mais um pouco.
Eu quase gritei. Mentira, eu gritei sim. E acabei deixando cair as minhas coisas.
Mas tipo, aquele era o meu paraíso. A melhor coisa do mundo. Eu estava feliz demais, e até saia lágrimas dos meus olhos de emoção.
–Onde vocês arranjaram dinheiro pra tudo isso? – perguntei, perplexa.
Connor me encarou.
–Nós compramos, é claro.
–Como compraram? PS3, Xbox 360, Wii, computadores, diversos jogos... Só se vocês fossem ricos. – falei, colocando as mãos na cintura.
Ele fez cara de ofendido.
–Quem disse que não somos ricos?
–Sério mesmo?
–Ok, ok. Nós compramos a maioria.
Encarei ele.
–Roubamos a maioria, então.
Continuei encarando-o.
–TÁ LEGAL! NÓS ROUBAMOS TUDO.
–E se o tal Quíron descobrir disso tudo?
–Ele já sabe, mas pensa que a gente comprou. Só não sabe da internet e tudo mais. Todos sabem disso, mas não contam por que todos querem internet.
Dessa vez tive que concordar.
Peguei minhas coisas do chão, e caminhei até uma beliche com a parte de baixo desarrumada e a de cima bem feita. Taquei minhas coisas para a parte de cima e segurei apenas a camisa do Acampamento, a escova de dente e de cabelo. Deixei meu arco pendurado na cama, junto com a aljava.
–Aqui tem banheiro? – perguntei pros Stolls, que agora não tiravam o olho da tela da TV, jogando vídeo game.
–É, tem sim. É ali, ô. – Connor respondeu, apontando, sem tirar os olhos da TV, para uma porta no canto do chalé.
Eles estavam jogando um jogo de "guerra", ou seja, jogo de matar todo mundo que vê pela frente, só que no caso eles tinham que matar zumbis e sobreviver o máximo que puderem.
–IDIOTA! PEGUE LOGO A DROGA DA ARMA ANTES QUE ELA... – Connor gritou, mas já era tarde, a arma sumiu na lava. – PRONTO! PARABÉNS! PERDEU SUA ARMA! E 5000 PONTOS!
–Calma, cara. Eu mato uns zumbis e pronto.
–Pronto é o caramba, não vou deixar nenhum zumbi pra você. VOU MATAR T-U-D-O!
–QUAL É, CONNOR! – Travis gritou.
–HÁ HÁ! MORTE INSTANTÂNEA! U-HU! – Connor comemorou.
–BORA MATAR NA FACADA!
Deixei esses dois jogando em paz. Eles gritam muito, credo.
Entrei no banheiro e me olhei no espelho. Mesma merda de sempre. Tirei a camisa do Homer Simpson e botei a do Acampamento. Tentei pentear a minha juba (ou cabelo, tanto faz)e escovei os dentes.
Quando sai do banheiro, não tinha mais ninguém no chalé. Apenas os Stolls, ainda jogando o mesmo jogo.
–Não temos que ir jantar? – perguntei.
–Não se quisermos.
–TRAVIS ME ACUDA! – Connor gritou
–SAI DA LAVA, MANO!
–MATA OS ZUMBIS, MATA OS ZUMBIS!
–AH! MATEI TODOS!
–AINDA TO MORRENDO!
–ENTÃO SAI DA LAVA, SEU BABACA. – eu gritei. Tomei o controle do Connor e joguei no lugar dele.
Bem, é claro que eu sabia jogar um pouquinho esse jogo, afinal, eu, uma adolescente sem vida social e amigos, tinha que passar a vida fazendo alguma coisa (alguma coisa, não alguma coisa útil), e eu escolhi passar a vida no vídeo game e no computador.
Então, acabei me distraindo um pouco (talvez muito) jogando com Travis, reclamando de como ele joga mal, matando zumbis, e não podemos esquecer dos comentários idiotas e inúteis que Connor fazia.
Acabou que eu me distraí muito, e nem mais me dava conta da hora que era (isso é uma coisa que chamamos de TDA). Até que, em algum momento em que eu acabara de ser explodida por um zumbi em chamas, a porta do chalé de Hermes se abriu e Leo entrou no chalé.
Fez-se silêncio por 3 segundos. Olhei para Leo, erguendo minhas sobrancelhas.
–Hum... tudo bem?
–Além de eu ser explodida por um zumbi em chamas, está tudo bem sim. – respondi, virando a cabeça pra tela.
–Hein? – Leo fez cara de duvida.
–Nada.
–Você não morreu, só caiu. Vou lá te reanimar. – Connor falou.
–É, mas você ta muito longe e eu to morrendo! OS ZUMBIS VÃO APARECER, CORRE TRAVIS, CORRE! — gritei
–EU JÁ TO CORRENDO O MÁXIMO QUE POSSO! VOCÊ ACHA QUE APERTAR O BOTÃO MAIS FORTE FAZ O PERSONAGEM CORRER MAIS RÁPIDO? ACHO QUE NÃO!
Era só falar e isso e BAM! Vários zumbis apareceram, indo atrás de Travis.
–AJUDA! MATA OS ZUMBIS COM A PISTOLA ENQUANTO EU TE REANIMO!
–COM UMA PISTOLA, CARA? POR FAVOR, NÃO VAI ADIANTAR NADA!
E eu morri, definitivamente. Um zumbi em chamas explodiu Travis (isso é engraçado quando não acontece comigo), e pronto. Acabou.
Leo nos olhava, confuso.
–Que jogo é esse? The Walking Dead? Esse carinha não parece Rick Grimes...
–É porque não é The Walking Dead, Leo. É Black Ops 2 modo zombie. Round 14. Alias, podia ter sido melhor. – respondi.
–Olha lá, Travis! Matou 45 zumbis e caiu 7 vezes. HÁ!
–Bah. — resmungou Travis, mostrando a língua para Connor
Eu sai do modo zombie e coloquei no modo onde as pessoas que você tinha que matar não eram morto-vivos querendo comer sua carne, te estripar e coisas bonitinhas assim.
–Eu deixei? –Travis perguntou.
–Não, mas eu entrei mesmo assim. –abri o perfil dele do Xbox, com o controle.- Connor Babacão? –olhei pro Connor
–QUEM FOI QUE ESCREVEU ISSO? — gritou ele, olhando imediatamente para o irmão, que estava tentando conter o riso — ESCUTA AQUI QUERIDINHA...
–Não resisti — Travis ria feito uma hiena. Eu também não pude conter o riso.
–Idiotas. — Connor disse, revirando os olhos.
Parei de rir e olhei pra Leo. Ele tava com cara de babaca confuso. Ri dele.
–Que foi? –ele perguntou.
–Você não ta entendendo nada, né? – perguntei, rindo.
–Não, não. Claro que estou. Entendendo tudo, oh. Tudinho.
Revirei os olhos. Olhei para a tela, selecionei o modo multiplayer e vi as Classes de armas do Connor.
Fiz cara de desprezo quando vi a primeira arma dele.
–Escopeta? –bufei- odeio escopetas.
Connor me olhou, indignado.
–Escopetas são divas!
–Não, não são. Dão um tiro por vez e demora mais de 3 segundos pra recarregar! Além de que em tiro de longo alcance é horrível! Além de que...
Vou poupar vocês de 7 minutos de discussão sobre escopetas e metralhadoras. Paramos de discutir quando Leo gritou:
–CHEGA DISSO! BAZUCAS SÃO AS MELHORES!
Infelizmente, eu tive que parar a discussão pra rir, porque sinceramente... bazucas?
–TÁ ZUANDO, NÉ, GAROTO EM CHAMAS? – Connor riu exageradamente.
–Que foi? Bazucas explodem o inimigo na hora!
–Primeiro, bazuca é tipo um míssil. Não presta pra matar de perto, porque pode explodir você. Segundo, garoto em chamas? – perguntei, confusa.
–É que, ahn, como sou filho de Hefesto, consigo controlar o fogo e tal e tal. Não é nada demais, sabe? –Leo falou, coçando a nuca.
–Como nada demais? –perguntei- Você pode controlar o fogo e é “nada demais”? Isso é...
–Ai, você vai jogar ou não? –perguntou Travis.
–Bora. –falei, automaticamente, ignorando Leo.
Percebi que Connor e Travis estavam com controles. Perguntei se íamos jogar nós 3, e eles responderam que sim.
Eu reclamei, porque a tela fica separada em três e fica muito injusta. Fiquei reclamando, e reclamando, até que Connor e Travis deram um jeito de conectar 3 telas no videogame fazendo com que cada um tenha sua tela. E não demorou nem 10 minutos.
Ficamos jogando nós 3. Peguei uma arma qualquer e fiquei numa janela de um prédio para matar os inimigos que passam por perto.
Deixei uma mina no chão, perto da escada para o caso de um algum inimigo subir no prédio, pisar na mina e BUM, morrer e eu fico sabendo.
Teve uma vez que eu fiquei brincando com o zoom da minha arma, que faz um barulhinho maneiro, e eu acabei me distraindo e um inimigo atirou com uma bazuca pela janela e me explodiu.
E outra que uma voz falou “Unidade canina inimiga ao caminho” e eu nem liguei e acabei sendo morta por um pastor alemão inimigo.
E outra que Connor e Travis subiram no prédio que eu estava, pisaram na mina e acabou matando nos três.
Outra que eu fiquei com dó de matar o pastor alemão inimigo que estava correndo atrás de mim, e ele acabou dando um super salto na minha cara, eu vacilei com a faca e morri.
E outra que simplesmente não liguei pro fato de ter que só matar os inimigos, e matei também os parceiros e acabei punida com 5 minutos sem jogar, apenas vendo com a percepção do Travis.
E nesses 5 minutos entediantes, acabei lembrando de Leo, que estava parado ao lado da porta à pouco tempo antes, e que não estava mais ali.
–Quanto tempo se passou? –perguntei pros dois.
–Sei lá... uma hora? –falou Connor.
–Pareceu passar só 10 minutos. –respondi, surpresa.
–Nisso é que dá ter Transtorno de Déficit de Atenção, mana. –respondeu Connor, vidrado no jogo.
–Se já se passou uma hora, cadê... –eu ia perguntar “cadê todo mundo?” mas, eu olhei melhor pro chalé e vi que tinha uma cambada de garotos e garotas no chalé jogando nos outros videogames, mexendo nos computadores, um garoto assistindo Hora de Aventura, e o resto nas beliches, dormindo, jogando no PSP ou jogando Nintendo DS. – cara, odeio ter TDA.
Os meus 5 minutos de punição tinham acabado e eu perdi a vontade de jogar. Peguei o Puff que eu estava sentada e arrastei para a TV na qual estava passando Hora de Aventura.
O garoto que estava assistindo TV perguntou:
–Gosta de Hora de Aventura?
–Claro, quem não gosta?
Ele sorriu de volta.
–É, pois é. É um desenho maneiro, ao contrário de outros.
–Quais, por exemplo? –perguntei, curiosa.
E ficamos lá, conversando sobre desenhos até sei lá que horas. O garoto era bem legal. Tinha cabelos castanhos claro, pele clara com sardas e olhos azuis e o nome era Leon Honey.
Acho que depois disso, fui dormir. Não lembro direito, só sei que o dia foi cheio e eu estava morta de cansaço, por isso adormeci rápido.
Depois de caminhar pelo Acampamento, cair no lago de canoagem, ser reclamada por Hermes, roubar a loja de conveniências do Acampamento, passar o resto do dia com zumbis, armas de fogo, inimigos tentando te matar e dois garotos estúpidos que são seus irmãos de criação e que preferem escopetas do que submetralhadoras e metralhadoras, passar por um choque tremendo e fácil de ser filha de um deus, acho que eu merecia um descanso.
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