A Filha De Hermes
1 Atacada por uma mulher com corpo escamoso
Notas iniciais
Meu nome é Adália Manson. Na boa, odeio meu nome. Seja lá quem me nomeou com um nome tão ARGH, tem um incrível mal gosto. Prefiro ser chamada de Ady. Continuando... eu moro em Nova York e tenho 15 anos. Pronto. Já descrevi minha vida. Falta alguma coisa? Ah é! Esqueci de dizer que meus pais morreram e moro com minha tia em Nova York... espera, já disse isso. Que seja.
Acho que devo descrever melhor a minha vida linda e perfeita (mentira). Beleza, vamos lá.
Eu sou uma garota problemática. Tenho hiperatividade e déficit de atenção (pelo menos não tenho dislexia pra concluir o ciclo de problemas alheios). Eu fui expulsa de tantas escolas que, sei lá, nem Albert Einstein pode contar.
Eu meio que coloco, sem querer, fogo nas lixeiras, respondo os professores com palavrões bem daora, explodo ônibus escolares, mato algumas cobrinhas sorridentes e felizes e taco pedras em colmeias de abelha que, sem querer, cai encima das pessoas. Nem queiram saber o que eu faço nas excursões escolares. Mesmo assim, eu vou contar. Eu quebro algumas estátuas bem insignificantes, tipo "A Vênus de Milo" e mesmo assim eles me expulsam da escola, dá pra acreditar? (E sim, já fiz excursão pro museu do Louvre, em Paris. Minha tia pagou caríssimo pra eu ir nela, mesmo eu não querendo. Ela dizia: "Você vai se inspirar em tirar notas boas e em ser uma aluna melhor vendo os monumentos importantes do Louvre. E essa inspiração, tem como base não quebrar nenhum monumento importante" OPS). Atualmente estudo num Inferno para Delinquentes (lê-se escola para delinquentes). E ainda não fui expulsa. Ainda.
Querem saber o que minha tia (Maya Manson) diz sobre o que aconteceu com meus pais? Não? Ah, dane-se. Vou falar mesmo assim. Ela diz que eles sofreram um acidente de avião, indo pra Itália, visitar o Coliseu de Roma, quando eu tinha 9 meses de vida. Aí eu pergunto por que eles não me levaram junto e ela responde que eu era muito nova. Eu sabia que era mentira, mas como eu sou muito legal e generosa (mentira a parte do "generosa") eu resolvo não fazer mais perguntas e não pressiona-lá. Tia Maya diz que minha mãe se chamava Alyssa Manson e que meu pai era Herémito Éllines. Nome tão lindo quanto o meu, não é? É tão ridículo que a primeira vez que eu ouvi esse nome, ri até precisar de um transplante de rins (Mas acabou não tendo transplante nenhum).
E, além da minha tia, eu não tenho amigo nenhum. Nem na escola, nem no prédio, nem na rua e nem no Inferno (que acaba sendo a mesma coisa que a escola, enfim). Eu tenho só um amigo, Joseph Milton, que não é exatamente meu amigo, é meu hamster. Eu ganhei ele da minha tia, com 6 anos. Achei muito injusto só eu ter um nome estranho naquele prédio, então botei ordem na bagaça dando esse nome ao pobre hamster. Eu só tinha 6 anos, por favor.
Sempre que eu me olhava no espelho me descrevia assim: alta, cabelos castanhos cacheados, olhos verdes escuro. Tenho uma feição de elfo e um sorriso malicioso com covinhas. Pele pálida e com uma espinha linda (mentira) no canto do rosto. Eu, geralmente, prendia o cabelo em um rabo de cavalo e não usava maquiagem, nem um relés rímel. Que nem tia Maya falava. "garota, no máximo use um relés rímel !". Apesar de tudo, amo ela. Bem, eu uso uma relés blusa com estampa de um relés panda, uma relés jaqueta azul e uma relés calça jeans ou um relés shorts jeans. Chega de "relés".
Agora, que eu falei quase tudo sobre minha vida antiga, vou narrar a partir do momento em que ela mudou completamente.
Eu tava indo pra casa, depois da escola, feliz e quicante porque minhas férias de dois dias iam começar (lê-se final de semana). Passarinhos cantavam nas árvores, o sol brilhava no céu, as pessoas pareciam felizes e todos compartilhavam amor e felicidade, e isso tudo por que o final de semana estava chegando. Imagina se fosse as férias de verão.
Enquanto eu ia pra casa, estava com fone de ouvido, escutando Adele no meu iPod. Adele? Não, não. Na verdade, eu estava ouvindo The Beatles. Eu estava muito distraída com a música, que por acaso tava no último volume. Fechei os olhos e cantei baixinho. Eu acho que até estava dançando um pouco, e imaginem o quão horrível era a cena, porque eu não danço nada bem, muito menos canto. E isso é totalmente verdade. E a outra verdade é que eu poderia ficar assim o caminho todo pra casa, só que com os olhos abertos, dãh. E eu só ficava feliz assim quando era sexta-feira, quando acabava o inferno que era escola. E não exagero quando eu digo que a escola é um inferno, sério. Os professores são chatos, os meninos são bobos e patéticos, e as meninas são nojentas, esnobes, metidas e tudo o que já de exibido e usam toneladas de maquiagem. E o pior, é que era uma escola para delinquentes. Todos os funcionários me tratavam como se eu fosse uma espécie de monstro. Eu não entendo as matérias, e os professores não ajudam em nada, principalmente quando gritam comigo: "ENFIA ISSO NA SUA CABEÇA, ADÁLIA! ENTRA PELO OUVIDO E TAMPA O OUTRO COM UMA ROLHA!".
Realmente, estava muito aliviada e feliz por finalmente chegar as férias de dois dias, que acabariam daqui a dois dias. Eu estava tão perdida em meus pensamentos, que esbarrei em alguém. Eu deixei o meu iPod cair, que levou o meu fone junto.
– MEU iPOD! — gritei meio que choramingando- MEU LINDO iPOD! — agachei para pega-lo, que estava com a tela rachada. Deve ter soado muito dramática, mas qual é!
– S-sinto muito, desculpe. F-foi sem querer, eu... — disse quem esbarrou em mim. Ergui os olhos. Era um menino, com uns 16 ou 17 anos. Ele tinha cabelos encaracolados e olhos castanhos escuros. Ele usava muletas e um gorro na cabeça. No rosto tinha acne e uma barbicha no queixo. Ele parecia bem assustado e muito tímido.
– Tudo bem. Poxa, tinha que estragar justo na hora mais animada da música? — eu disse, resmungando. O garoto me ajudou a levantar, o que era muita gentileza pra alguém aleijado. Ele sorriu pra mim.
– Me chamo Grover, e ahm... sinto muito pelo seu iPod.
– Sem problemas, Grover. Me chamo Adá... — hesitei — Ady. Me chamo Ady. — estiquei a mão para ele, que a apertou.
– Você mora por aqui? — Grover perguntou, ele parecia um tanto nervoso. Eu abri a boca pra falar, mas notei uma mulher estranha. Ela estava encostada num poste, nós observando, a uns 5 metros longe. Fiz uma careta muito estranha quando a vi. Grover olhou naquela direção. Quando ela percebeu que nós a notamos, veio caminhando calmamente onde estávamos. Grover começou a ficar muito nervoso e agitado.
– Quem é ela? — perguntei.
–Isso é ruim, muito, muito ruim. – ele disse, pegando no meu braço. Comecei a ficar preocupada de verdade- Venha comigo. Rápido, essa mulher ela é, ela é... — Grover começou a gaguejar.
– Não. Eu mal conheço você e e- eu — gaguejei, nervosa — tenho que ir pra casa.
– Você não entende! — ele gritou, desesperado. — está correndo perigo! Vamos, vamos! Precisamos ir pro...
– Não! — gritei de volta, interrompendo ele — Qual é o seu problema?
Não queria ser rude, mas estava assustada. Tanto com aquele garoto que eu mal conhecia que queria me levar pra algum lugar, tanto com a mulher estranha que se aproximava da gente. Soltei-me dele, e comecei a dar meia volta mas ele me segurou.
– ESPERE! — gritou — Eu não vou te fazer mal algum, mas aquela mulher, ela... ela vai! Preciso de tirar daqui, é meu dever!
– O quê? Como assim seu dever? Você mal me...
Mas fiquei sem palavras quando a mulher chegou aonde estávamos e tirou seu sobretudo. Tinha um rosto bonito, só que era estragado por uma língua bifurcada e por seus olhos amarelos, que tinham pupilas no formato de fendas negras. Ela vestia uma armadura de bronze que terminava na cintura, o que era estranho, porque não dava pra perceber com o sobretudo. Abaixo, onde suas pernas deveriam estar, havia dois troncos maciços de cobra, listrados de verde e bronze.
Fiquei paralisada. Não sabia o que pensar, nem como agir. O que era aquilo? Era uma brincadeira? Mas, pra mim parecia bem real, infelizmente.
– Ora, ora... Uma ssssssssemideusa — tive a terrível impressão de que ela falava comigo. Porque, até onde eu saiba, Grover era um menino — huummm... finalmente um bom lanchinho! Não aguento maissssssssssssss ficar sssssssseem lanchar!
Eu consegui formar umas palavras que soaram muito heróicas e corajosas:
– O- que? F-f-fique longe de mim, sua, s-sua cobra! — a mulher cobra riu. Grover estava com uma cara engraçada, tipo corajoso + desesperado + assustado + agitado.
– Garota esssssssssssstúpida! Chega de papo e deixa-me te transformar em pedaçinhossssssss. — disse ela, que arranhou meu braço.
Eu gritei de dor e cambaleei pra trás. Meu braço estava ardendo e sangrava. Pressionei o ferimento com a mão. E Grover, com um golpe rápido, pegou uma faca e atacou a mulher-cobra.
– Para trás, dracaenae! -gritou ele.
Eu me ajoelhei. Tirei a mão aonde a tal dracaenae me arranhou. Onde eu fui atacada, sangrava e parecia estar ficando sem cor. Comecei a me sentir enjoada. Minha cabeça latejava. Grover acertou um golpe na mulher-cobra, e ela fez uma careta e virou pó. Tipo, virou pó mesmo. Eu poderia até fazer um castelinho de areia com os restos da dracaenae. Só que, no momento, eu estava com um ferimento obviamente grave no braço. E também porque seria nojento fazer um castelo de areia com os restos de um monstro. E com esse pensamento final, desmaiei.
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