A Filha De Apolo

18 Sem misericórdia


O verão neste ano no acampamento foi resumido por Percy e etc no labirinto, depois que eles voltaram tudo voltou ao normal. Enquanto estavam fora, houve uma tensão é claro, tive muitos sonhos com eles, e principalmente com Nico, que nunca mais tive noticias. Passamos o Quatro de Julho na praia do acampamento, todos felizes, Silena e Beckendorf finalmente tinham ficado juntos, então eu fiquei meio que ‘’segurando vela’’, encontrei meu velho amigo Thomas, estava maior do que antes, sua barbicha havia crescido, seus chifres também, estava muito diferente da ultima vez que o vira.

– Thomas! – disse o abraçando.

– Maria, quanto tempo...

– Você esta tão diferente.

– Cresci um pouco. – disse ele sorrindo.

– Onde esteve esse tempo todo?

– Ah você sabe, — disse ele se achando. – em busca de Pã. Mas agora disseram que Pã se foi – ele disse aborrecido — , ta dando rolo no Conselho.

– Ahn, eu sinto muito.

– Tudo bem. Eu tenho que ir agora, até mais.

– Até. – eu disse acenando.

Sentei-me na areia sozinha e fiquei olhando os fogos de artifício no céu, até que ouvi uma voz familiar.

– São incríveis...

Me virei e me deparei um Nico em pé.

– Oh meus deuses, Nico! – eu o abracei e o beijei.

– Me desculpa.

– Por que... por que não respondeu minhas mensagens de Iris? Eu fiquei preocupada.

– Eu sei, eu fui um idiota de ter fugido assim, me desculpa...

– Tudo bem, você ta aqui agora, isso que importa.

Ele me abraçou e me apoiou em seu ombro, e assim eu passei meu feriado de Quatro de Julho.

Todos haviam voltado para casa, eu não sabia ainda se seria uma boa ideia voltar também, Nico já havia ido embora há alguns dias, todos os meus amigos também, então não haveria nada para fazer enquanto isso, então resolvi ir para casa ficar por lá alguns dias. Peguei um metrô e fui. Chegando em casa encontrei tudo limpo e arrumado, isso nunca acontecia, até Stun estava limpo, fui para o meu quarto, tomei um banho e desci para ver TV, tudo estava ótimo, luz paga, TV a cabo paga e comida na geladeira, eu não tinha ideia do que havia acontecido, mas tinha certeza que minha mãe estava feliz. Fiquei umas duas horas vendo TV, até que de repente eu ouço risadas lá de fora, e então minha mãe abriu a porta e do seu lado ninguém menos que Josh, fiquei tão feliz em ver aquela cena.

– Maria! O que você esta fazend... oh meu deus! – disse ela me abraçando. – Esse é Josh meu... amigo.

– Eu já o conheço. – disse enquanto acenava pra ele.

– Christina, acho que já esta na minha hora, amanha eu te levo no trabalho?

– Ah é claro. – disse ela sorrindo

Ele acenou e foi embora. Olhamos em silencio ele ir até o carro e sair.

– Então... – eu disse.

– Querida, ele é incrível, esta tudo tão perfeito, eu arrumei um emprego como secretaria no museu, larguei de vez aquela vida, agora podemos viver felizes ....

Fiquei olhando e sorrindo pra ela enquanto ela falava.

– Que bom que esta feliz, mãe.

No dia seguinte sai para procurar algum emprego, havia uma lanchonete que precisavam de garçonete, fui até lá. Chegando lá havia uma mulher negra com roupa social conversando com um dos cozinheiros.

– Ahn.. com licença, eu vi a placa lá fora que estão precisando de garçonete...

– E você acha que sendo branca com esse rostinho bonito, vai conseguir fácil?

Fiquei um pouco constrangida.

– Ahnn... desculpe ... – me virei e fui embora.

– O emprego é seu.

Olhei sem entender.

– Obrigada senhora, e quando eu começo?

– Agora mesmo, tome. – disse ela enquanto me entregava o uniforme.

Me vesti e fui ao trabalho, no começo era um pouco complicado anotar pedido, levar a comida, tudo isso rápido e pra varias pessoas ao mesmo tempo, mas depois já fui levando jeito. Sai da lanchonete e já eram sete da noite, tinha ganhado minha primeira gorjeta, e sai feliz de lá, no caminho da lanchonete até minha casa e era obrigada a passar de ônibus pela boate que minha mãe trabalhava, e dessa vez não foi diferente. A rua estava lotada de carros congestionado, tive que esperar uns 15 minutos até minha curiosidade e minha impaciência me fazer descer do ônibus e ver o que estava acontecendo. Havia um mutuado de pessoas envolta da boate, algumas preocupadas, umas apenas curiosas, pude ver o carro da ambulância e da policia, e vi que era realmente grave, um frio percorreu minha espinha, comecei a empurrar as pessoas que estavam na minha frente para ver o que havia acontecido, tinha um policial empurrando as pessoas para trás, perguntei a ele o que tinha acontecido.

– Senhor, o que aconteceu?

– Uma mulher levou um tiro.

Imediatamente me veio uma tontura horrível, avistei Josh perto da ambulância andando pra lá e pra cá com o celular na mão, na mesma hora tentei empurrar o policial pra me deixar passar.

– Senhora você não pode passar...

– É minha mãe! – gritei chorando.

Fui correndo em direção a ambulância, e Josh veio em minha direção.

– Maria, esta tudo bem..

– Cade ela? Eu quero ver ela. – eu dizia enquanto chorava.

– Fica calma, ela esta lá dentro.

Entrei na ambulância e vi a pior de todas as cenas, minha mãe numa maca em estado critico.

– Mãe!

– Querida – ela tentava dizer – eu sinto muito...

– Não mãe, não sinta...

– Eu devia ter ficado na minha mas... – a dor impediu ela de terminar de falar.

– Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem mãe...

Na mesma hora a enfermeira chegou e mandou eu sair. Sai da ambulância e acompanhei-a até ela sair de lá.

– Vamos Maria, entre no carro, vou levar você ao hospital.

Chegando lá, ficamos na sala de espera, não demorou muito, até que a enfermeira me chamou.

– Maria, sua mãe quer falar com você.

Olhei para Josh e ele sussurou que iria ficar tudo bem e pra mim ir logo, o abracei e fui. Entrei no quarto e lá estava minha mãe.

– Mãe, o que aconteceu... – eu dizia com lagrimas nos olhos.

– Não se preocupe querida – dizia ela com dificuldade.

– Foi o Ian né, eu sabia, aquele desgraçado...

Minha mãe pegou minha mão.

– Eu não tenho muito tempo, por favor não faça nada que lhe comprometa.

– Ta...

– Maria, eu tenho tanto orgulho de você, você não sabe o quanto, você é tão poderosa, e faz coisas incríveis... – ela tinha dificuldade pra respirar. – me prometa, que só vai usar isso apenas para o bem,faça o bem, por favor...

– Eu prometo mãe. – dizia enquanto chorava.

– Enquanto ao Josh, diga a ele que ele foi muito importante pra mim, e que vou cuidar dele do meu jeito...

– Eu vou dizer...

– ... e principalmente de você.

– Não mãe, eu vou te salvar, vai dar tudo certo ta bom, só.. só espera um pouco até o dia nascer, eu vou salvar você...

– Eu te amo minha filha...

Então sua mão se soltou.

– Eu também te amo mãe. – e desabei em lagrimas.

Sai do quarto e fui ao banheiro lavar o rosto, Josh me ofereceu uma carona mas eu recusei. Sai do hospital com a cara vermelha de tanto chorar, mas estava decidida do que iria fazer, vingar minha mãe.

Eram 22h da noite, fui até a casa de Ian ( depois de ter perguntado para algumas pessoas onde ele morava ), não havia ninguém lá dentro, estava tudo escuro, decidi esperar pelo lado de fora. Esperei até ele chegar, eram 2h da manhã, ele entrou na casa e foi dormir, então eu esperei mais um pouco, eu sabia o que iria fazer. Não cochilei em momento algum, fiquei atenta como uma águia prestes a matar sua presa. Já era 4h da manhã, e então comecei a agir, joguei uma pedra na janela do quarto de Ian até quebrar, foi ai que ele acordou resmungando, na mesma hora fui correndo apertar a campanhia, quando ele foi atender eu me escondi, ele saiu com um revólver na mão olhou para os lados e não via ninguém, então coloquei minha toca, taquei uma pedra na sua cara e sai correndo, na mesma hora ele saiu correndo atrás. O levei até um beco, ele parou na minha direção.

– Muleque desgraçado, vou te ensinar a ter respeito aos mais velhos. – disse ele enquanto apontava a arma para mim.

No mesmo momento o sol começou a nascer, e a luz começou a atingir o telhado de uma casa. Lembrei das aulas de Quíron sobre como controlar meus poderes, e como podia fazer coisas incríveis com eles, como por exemplo, manipular a mente das pessoas, eu não tinha conseguido fazer isso naquela vez, mas algo me dizia que eu conseguiria agora. Estiquei meu braço na direção da luz e um feixe veio na minha mão, mirei em Ian que estava prestes a puxar o gatilho.

– O que esta fazendo? Quem é você? Isso não é coisa de Deus.

Abaixei o capuz da cabeça com a minha outra mão.

– Isso realmente não é coisa de Deus. – eu disse.

– Você!

No mesmo instante sua mão que estava com o revolver começou a tremer, e se voltar contra ele, ele não tinha mais controle do corpo, quanto mais ele lutava, mais a arma ia em direção a sua cabeça, então ele puxou o gatilho.

– Por favor, tenha misericórdia! – dizia ele desesperado.

– Misericórdia é a ultima coisa que eu tenho de você agora.

E ele atirou.