A Filha De Apolo
15 Roubo a faca do meu irmão.
Voltei para Califórinia de ônibus,tudo estava muito confuso,mais ao mesmo tempo tudo fazia muito sentido.Já haviam se passado 6 horas de viagem,viajar de Long Island até à California de ônibus,afinal,eram 45 horas de viagem,fiz o que pude para passar o tempo,tentei ler alguns livros,mas devido a minha dislexia era um pouco impossível, então decidi ouvir algumas musicas do meu ipod,isso sempre me acalmava,coloquei os meus fones e a primeira musica que tocou foi The Man Who Can’t Be Moved de The Script (ótimo,a justa banda que me fazia lembrar da justa pessoa que eu queria esquecer ). Lembrar de Nico era estranho,era como se eu tivesse vivido um sonho,era como se ele fosse apenas fruto da minha imaginação,pois um dia de repente ele havia sumido,eu realmente gostava dele.Tentei esquecer isso e tirei os meus fones, eram provavelmente 22:00 da noite ,e agora era só o silêncio do ônibus e a paisagem escura do outro lado da janela,fiquei observando-a,tentando procurar algum monstro ou algo do tipo que pudesse estar me seguindo. Fiquei alguns minutos apenas olhando a janela,e me veio um pressentimento de que alguém estava me observando,olhei em volta e em um banco atrás de mim na outra fileira havia um menino,adolescente,provavelmente uns 17 ou 18 anos de idade,olhava pra mim como se quisesse desvendar algum mistério,encarei-o por alguns segundos e depois virei para janela desconfortável,fechei os olhos e tentei durmir.
Horas se passaram e finalmente desembarquei na rodoviária da Califórnia,era 14:34 da tarde,peguei um ônibus para chegar até em casa e o resto do caminho fui andando,pois o dinheiro havia acabado. Eu amava as tardes de Torrence,eram quentes e o sol era radiante. Estava andando tranquilamente quando de repente o pressentimento de que alguém estava me observando voltou,mas desta vez estava também me seguindo,olhei para trás disfarcadamente e era o mesmo garoto do ônibus,comecei a andar mais rápido,atravessei a rua e vi que ele havia ficado,comecei a ficar com um medo sem sentido,era minha oportunidade de correr,corri até o beco mais próximo,senti que ele ainda estava me seguindo,me agachei ao lado de um latão de lixo,tirei da bolsa meu arco e flecha e me posicionei.Quando ele chegou perto o peguei de surpresa.
– Quem você é e o que você quer? – disse enquanto apontava minha flecha para ele.
O garoto era alto,usava um jeans surrado,camiseta preta,jaqueta de couro e uma bandana vermelha presa na cabeça,seus olhos eram da cor de chamas.
– Ei ei ,é assim que você recebe seu irmão? – disse ele tranquilamente como se não houvesse nenhuma arma apontada para ele.
– O que ? – eu disse irritada.
– Vim aqui te visita-la maninha,papai está louco de vontade de saber sobre seus .. – suas orbitas pareciam que estavam em chamas – poderes.
– Papai? Do que está falando? Quem é você? – eu disse ainda apontando meu arco.
– Sou Phobos,filho de Ares e Afrodite,e você é minha irmãzinha. – disse ele sarcástico.
– Me desculpe mas deve estar me confundindo com outra pessoa. – eu disse friamente.
– Oh não,estou corretamente certo, Maria de Las Cruzes não? Filha de Apolo.
– Exatamente,sou filha de Apolo,agora se me der licença tenho que chegar em casa antes do anoitecer.
– Ah me desculpe,mas não posso deixar isso acontecer.
– Saia da minha frente agora ou eu atiro.
– Ah eu duvido. – disse ele debochando.
– Então experimente.
Atirei a flecha,mas no momento em que atirei ele desapareceu. Fiquei atenta,sabia que ele poderia reaparecer a qualquer momento. Como eu esperava,ele reapareceu me empurrou e eu cai,enquanto ele estava em pé rindo da minha cara.
– Ora ora,não parece tão poderosa do jeito que me disseram.
– O que você quer de mim? – eu gritei.
Ele desapareceu. Levantei e consegui apenas ouvir sua voz falando.
– Já ouviu falar do pânico e do medo,e como eles sempre andam juntos.
– Você quer a mim não é,então aparece lute de verdade,e pare de ser covarde e desonrar o nome de seu pai.
No mesmo instante tudo parou,senti a raiva no ar. Phobos apareceu mais concretamente,e do seu lado outro garoto estranho, ou melhor feio,de causar pânico.
– Repita o que disse. – falaram os dois juntos.
No mesmo instante pensei rápido,Phobos e Deimos,da mitologia,Phobos era o medo,e Deimos o pânico,então eu não podia me deixar entrar em pânico e muito menos que o medo invadisse minha mente.Me concentrei em uma coisa apenas,Nico.
– C-o-v-a-r-d-e.- disse devagar.
Os dois vieram na minha direção,então eu rolei no chão entre eles e consegui pegar a faca de Phobos.
– Me devolva isso garota. – disse ele irritado.
– Estava aqui pensando ..- dizia enquanto acariciava sua faca. – dizem que você invade a mente das pessoas e desperta o maior medo delas,mas e se o medo delas também for o seu?
– Droga. – disse Phobos
Coloquei a sua faca na bainha do meu cinturão,e por incrível que pareça serviu certinho. Me coloquei na direção do sol.
– Medo e pânico não passam de uma escuridão,e o maior medo e o maior pânico da escuridão... é a luz.
Me concentrei no sol.
– Que diabos,faça alguma coisa seu estúpido. – gritava Phobos para Deimos enquanto isso.
Deimos tentou me assustar,mas o sol já havia me possuído. Senti o poder nas minhas mãos,minhas orbitas pegavam fogo,invoquei um raio de sol e joguei nos dois deuses,eles queimaram e gritaram até desaparecer. Usei a técnica de expulsar o espírito do sol,e voltei a mim mesma.
Cheguei em casa cansada,entrei e lá estava Stun na porta me esperando,estava morrendo de saudades dele,peguei ele no colo e fui procurar minha mãe, não a encontrava em lugar algum. Resolvi dar uma volta na praia e voltar depois. A praia estava incrível, andei um pouco com Stun do meu lado fugindo da água,sentei um pouco,peguei um pouco de sol e relaxei. Quando voltei pra casa lá estava estava minha mãe sentada no sofá assistindo ao noticiário. Corri para abraça-la.
– Estava com tanta saudade... –disse ela me abraçando.
– Eu também mamãe.
– ...escute,o que aconteceu da ultima vez... não vai acontecer de novo,me desculpe.
– Mãe,tudo bem.
– Que bom que esta de volta,pensei que não iria voltar mais. – disse ela me soltando.
– É, eu também...
Ela se sentou no sofá e me puxou para que eu sentasse ao seu lado.
– E então,o que aconteceu lá?
– Ah muitas coisas sabe...
– Qual é o nome dele?
– O que? Como sabe ?
– Ah ta na cara né,olha esses olhos...
– Mãe!
Ela riu
– Tudo bem,vou parar.
E voltou a prestar atenção na televisão.
– O nome dele é Nico.
– E ele é...
– Filho de Hades.
– Uau, e quantos anos ele tem?
– Na verdade, é bem mais velho do que parece.
– Como assim?
– Ah é uma longa história.
Ela voltou para a TV , enquanto eu fui a cozinha procurar algo para comer. Abri a geladeira e tinha apenas, água, um pote de geleia e leite.
– Mãe... – na hora queria falar sobre o acontecimento de Phobos e Deimos,mas achei melhor não estragar o clima de agora — ... por que não vamos a praia quero te mostrar uma coisa.
Fomos a praia,já era fim de tarde,mas ainda havia sol,mostrei a ela o que conseguia fazer com ele e ela ficou impressionada.
– Oh meu deus querida, isso é incrível, eu sabia... eu e seu pai sabíamos que seria grandioza.
Dei um sorriso forçado.
– Mãe, quanto ao meu pai eu...
– O que quer saber sobre ele?
Contei a ela sobre o meu encontro com Phobos e Deimos.
Então rapidamente sua cara mudou,ficou mais seria,mas ao mesmo tempo preocupada, olhava as ondas longe como se enxergasse o fim do oceano.
– Eu sabia que esse dia iria chegar.- disse ela suspirando baixinho. – Querida, por que não vamos sentar?
Ela forrou uma toalha que havia levado na bolsa e sentamos.
– Eu tinha apenas 19 anos quando me apaixonei de verdade, ainda morava com meus pais em Madrid, fazia faculdade de artes plásticas e pintava. Havia um exposição todo ano na minha faculdade, dos alunos de artes plásticas, ele podiam expor seu trabalho para que o publico pudesse apreciar, e eu tinha pintado um quadro maravilhoso sobre deuses gregos,todos me questionavam o motivo da minha inspiração,mas nem eu mesma sabia. Então um belo rapaz se aproximou do meu quadro, sem falar nada, ficou admirando por alguns minutos. Ele era incrivelmente belo, olhos azuis, cabelos loiro, alto,parecia um ator de cinema. Então eu perguntei a ele se havia algo de errado, ele me olhou como se tivesse ficado encantado,e sorriu pra mim dizendo que aquele era o quadro mais incrível que já tinha visto,e que eu tinha muito talento. Então ele ofereceu 30.000 libras pelo quadro, o vendi, e então quando ele me deu o cheque,ele se apresentou:
‘’- Ah quase ia me esquecendo, meu nome é Apolo.
– Christina de las Cruzes.
Ele ficou olhando para mim por alguns segundos,seus olhos eram lindos
– Você poderia passar o numero do seu telefone,caso aconteça algo com o quadro,sabe...
– Ah sim,claro. ‘’
–... Depois disso nos encontramos várias vezes,ele contava histórias fascinantes de deuses gregos, ele dizia que era apenas um professor de historia, mas as contava como se tivesse vivido. Uma vez ele me levou para vez o por do sol na praia, ele parecia mais bonito ainda na luz do sol, e seu sorisso... deuses! Era incrível. Até que um dia descobri que estava grávida de você, foi um susto enorme,chorei o dia inteiro, até que resolvi contar a Apolo,falei a ele que queria lhe contar uma coisa seria e ele também falou o mesmo,quando nos encontramos deixei que ele falasse primeiro,e então veio a bomba,ele havia me contado que era um deus, e que não podíamos ser uma família normal,havia me contado sobre outros semi- deuses,e como era vida deles. Depois ficamos juntos até o 3 meses de gravidez ele foi embora,sumiu,sem dar nenhuma noticia.
Havia entrado em depressão, ‘’como ia cuidar desse bebê sozinha? ‘’, ‘’ o que iria ser dele quando nascesse?’’. Minha vida ficou vazia incompleta,e desesperadora, até que conheci outro cara maravilhoso, não havia me apaixonado por ele mas ele me fazia esquecer seu pai. Ele tinha uma aparecia dura,fria,mas era muito educado,e gentil. Mas logo quando tinha esquecido Apolo, em nosso 3º encontro, esse homem me contou sobre ele e sobre sua proposta. Havia me dito que sabia que minha filha era uma semi- deusa,e disse que ele era um deus, Ares o deus da guerra. Ele havia dito que estava tão apaixonado por mim, mas que não poderia estar comigo em todas as horas e nem pra sempre, mas disse que queria o melhor pra mim, e o melhor pra mim seria a segurança de minha filha, e então ele lhe deu a benção de Ares.
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