A Filha De Apolo
20 Ares vs. Apolo
Fomos até o refeitório, Clarisse ajudava Silena a andar com o braço envolta da suas costas, se não fosse por isso ela iria cair no chão de tanto chorar. Sentamos em uma mesa e Clarisse fez um campista que estava na cozinha preparar o chocolate quente. Enquanto a bebida estava sendo feita, ficamos eu Clarisse e Silena na mesa em um silêncio horrível, só ouvíamos o som do choro Silena, até que o chocolate quente chegou.
– Aqui esta garota, você vai se sentir melhor. – disse Clarisse em um tom reconfortante.
Silena bebeu com dificuldade.
– Eu não posso acreditar no que esta acontecendo... – disse ela com a voz de choro.
– Ele morreu como um herói, tenho certeza que deve estar nos Campos Elíseos.
– ... minha vida não será mais a mesma, nunca amei ninguém como ele... – disse ela dando de ombros para o comentário de Clarisse.
– Silena, não pense desse jeito, você tem muito o que viver ainda, vai conhecer outros caras...ele deve estar em lugar melhor.
Então Silena levantou a cabeça e me fuzilou com a cara inchada de tanto chorar.
– Muito o que viver? Serio Maria? Olha o que aconteceu com o Charles, ele foi uma pessoa maravilhosa, e morreu! É isso que a acontece com a gente, nos nascemos pra morrer, e se não morremos sofremos com a morte dos outros. Então não venha me falar que eu tenho muito o que viver, porque eu e você sabemos que não é bem assim.
Engoli em seco, até Clarisse ficou quieta.Então eu me levantei.
– Eu acho que você esta errada, é verdade que nos semideuses não temos lá a vida perfeita e nem tão duradoura, mas nos não nascemos para morrer, nos nascemos para lutar, e sim nos perdemos pessoas, principalmente a que nos amamos, mas isso nos faz ser forte, e lembrar que nossa hora pode ser a qualquer momento, hoje,amanhã, agora... mas diferente do que os adolescentes normais pensam ‘’ aproveitar cada minuto como se fosse acabar amanhã, se divertindo’’, nos fazemos o mesmo, mas lutando, nós nascemos pra lutar e morremos como heróis. Foi o que Charles fez.
Então as duas ficaram em silêncio.
– Você falou como uma filha de Ares. – disse Clarisse impressionada.
– Eu perdi minha mãe Silena, não sei se isso é melhor ou pior do que perder um namorado, mas o que importa é que eu amava ela, e ela me amava, eu te entendo perfeitamente, mas nem por isso eu estou desistindo.
Silena respirou fundo e me abraçou.
– Você tem razão, eu vou lutar, e vou fazer com que a morte de Charles não tenha sido em vão.
Na mesma hora Annabeth apareceu.
– Clarisse, Silena... Quíron precisa de vocês no conselho.
– Silena você fica. – disse Clarisse.
– Não, eu consigo.
Silena olhou pra mim.
– Boa sorte. – eu disse.
Na manhã seguinte acordei bem cedo para ajudar a arrumar o chalé, pois a inspeção seria mais tarde, mas infelizmente foi impossível, o chalé de Ares estava fazendo do nosso chalé um inferno por causa de uma droga de biga voadora. Levantei da cama com gritos e o caos da briga inútil. Não queria me estressar e nem fazer parte disso, pois infelizmente eu querendo ou não eu não podia estar do lado de Apolo e nem de Ares. Peguei minha toalha, minhas roupas e minha escova de dente e fui rumo ao chuveiro. Sai de dentro do chalé, e o caos era maior, flechas e bombas de fogos lançadas de um lado para outro, campistas se batendo.
Dois arqueiros correram, sendo perseguidos por uma criança raivosa de Ares que estava gritando em versos:
– Maldição, pois sim! Vocês vão me pagar!/ Não quero passar o dia todo a rimar!
– Deuses. – murmurei sozinha.
Avistei Percy e Annabeth, que também olhavam impressionados para briga inútil.
– Bom dia. – eu disse acenando.
– Bom dia Maria, o que esta acontecendo aqui? – disse Percy confuso.
– É melhor nem querer saber.
– Não esta brigando? – disse Annabeth em um tom de brincadeira.
– O que? Tenho coisas mais importantes para me preocupar. Logo logo vão parar e lembrar que isso é ridículo.
Annabeth riu.
Já era a noite, iríamos queimar a mortalha de Beckendorf, eu queria poder ter fugido daquilo, fingido que ele tinha ido embora e não ter me tocado que ele realmente tinha morrido, mas Silena precisava de mim. Foi uma noite difícil para todos, a fogueira sempre refletia o humor dos campistas, e dessa vez ela estava numa cor negra. Silena não parava de chorar, eu sabia como ela se sentia, ela foi se sentar e eu, Clarisse e seu namorado Chris Rodriguez fomos atrás dela. Eu não entendia muito minha amizade com Clarisse, nos odiavamos quando eu entrei no acampamento, mas depois que ela soube que eu tinha a benção de Ares, ela começou a me respeitar, então metade de nossa amizade era por causa disso, e a outra metade era por causa de Silena. Estavamos tentando acalma- la até que Percy chegou e a reconfortou, e acabou discutindo com Clarisse, depois da discussão ela foi embora e fez Chris e Silena irem com ela.
– Percy! – eu gritei antes dele ir embora.
– Sim. – ele disse.
– Você tem um minuto?
– Ahn... – ele olhou pro lado como se fosse procurasse o que iria fazer. – claro.
– Ah ótimo.
– O que esta acontecendo?
– É sobre Nico... eu não tenho mais contato algum com ele, e vocês são amigos, vocês devem se ver de vez em quando.
– Maria eu sinto muito, mas também não vejo ele faz dias.
– Eu sei eu sei, mas você é o único amigo dele, e ele confia em você...
– Serio? – Percy interrompeu impressionado.
– Sim ele me disse. Se ele aparecer ou contatar com alguma pessoa essa pessoa vai ser você.
– Não tenho certeza disso Maria, vocês são namorados e bem... ele ama você.
– Tenho lá minhas duvidas sobre isso Percy, mas enfim e o amo e estou preocupada com ele, se você o vir ou fazer contato com ele, por favor diga para ele me mandar um mensagem de Iris, ou então você mesmo me mande, dizendo que ele esta bem.
– Eu vou, não se preocupe.
– Por favor, isso é importante pra mim.
– Eu juro pelo Rio Estige que irei fazer isso.
– Obrigada Percy.
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