A Filha Da Timidez
1 Prólogo
Notas iniciais
A minha vida é uma bosta desde que me conheço por gente. Mas, recentemente, fez questão de piorar. Mas antes de chegar ao ponto principal vou lhe contar um pouco da minha história.
Eu nunca conheci meu pai. Minha mãe engravidou muito nova, com apenas 15 anos. Ela e meu pai só tiveram um lance, e quando ela contou a ele sobre a gravidez ele não quis nem saber, apenas sumiu. Minha mãe era órfã. Havia sido adotada por uma família estúpida, mas fugiu assim que descobriu que estava grávida de mim. Ela conseguiu um emprego em uma lanchonete, e com o salário que recebia pagava o dono para poder morar no porão do local. Foi assim até completar 18 anos, quando conseguiu um emprego melhor e até comprou uma casinha para nós, a que vivíamos até outro dia.
Recentemente ela estava indo à Londres a negócios, mas uma tempestade extremamente forte fez com que o avião tivesse uma pane, e ninguém saiu vivo de lá pra contar história. Agora, se me permitem, vamos pular a parte em que eu choro pra caralho e até penso em me matar. Em alguns dias a prefeitura foi tomar a nossa casa, e eu não tive outra escolha senão pedir ajuda a alguém. E claro, esse alguém só podia ser a Babi.
A Babi era minha única e melhor amiga. Acho que ainda não disse, mas sou super tímida e anti-social. Ninguém além dela gostava de mim naquela maldita escola.
As pessoas me chamavam de estranha e simplesmente não aceitavam o fato de eu ser diferente. Mas afinal, o que há de errado em ser uma ruiva cheia de sardas, que gosta de rock e que usa um par de alargadores de 10 mm? Não há nada de errado em se valorizar e não sair por aí vestida como uma vadia, cheia de roupa rosa e purpurina na cara. As pessoas dessa cidade me dão nojo. Mas vamos voltar ao que interessa.
A mãe da Babi sempre foi super legal comigo, e não foi diferente quando cheguei até ela pedindo ajuda. Na verdade eu achei que ela foi legal até demais. Nunca me esquecerei das palavras que saíram da boca dela: “Você é bem-vinda nessa família, a escolha é sua!”. Comecei a morar com a Babi a partir de então, e com o tempo me tornei membro da família Splinter. A Sra. Splinter até começou a pagar a minha mensalidade da escola. Era como se eu fosse filha dela, uma garota que ela adotou. Foi um grande passo pra começar a sair da bosta que estava a minha vida.
Julho já estava quase chegando, e pra não perder o costume a escola organizou uma excursão que iria ocorrer durante as férias. Desta vez seria em um cruzeiro com destino a uma ilha maravilhosa chamada Seychelles. Eu realmente estava querendo ir. Dar um tempo longe daqui poderia ser bom para mim. Eu poderia, inclusive, fazer novas amizades e conhecer alguém novo. E por falar em alguém novo: Wesley, 17 anos, tinha um par de alargadores de 12 mm, dois piercings na boca – um em cada canto – lábios finos, moreno dos olhos azuis. Usava tênis de skatista, boné de aba reta e amava rock. Tinha acabado de entrar na escola, e eu... Tinha acabado de me apaixonar.
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