A Filha Da Timidez

10 Capítulo 9 – Falha no plano?!


Notas iniciais
O capítulo está bem tranquilo, sem nenhum acontecimento muito chocante. Nele há três pontos de vista (POV). Boa leitura!

Lembro-me de ter saído correndo, desesperada. Por impulso, ao invés de pedir ajuda a qualquer pessoa, resolvi ir até o quarto de Babi e Rapha e pedir ajuda a eles. Desse modo foi até melhor, pois acabou não gerando tumulto e falação sobre o assunto. Bati nas duas portas ao mesmo tempo – já que os quartos eram um de frente ao outro – e os dois abriram quase no mesmo instante.

– Vocês precisam ir até a praia comigo AGORA! – tentei não falar tão alto, pois havia pessoas no corredor.

– Por quê? O que aconteceu? – era Babi.

– Você vai ver! – e já comecei a correr em direção à praia novamente, sendo seguida pelos dois.

Enquanto eu estava ocupada demais correndo e pedindo ajuda para Babi e Rapha, Wesley estava socando a cara daquele sujeito. Em um golpe mais forte no seu rosto o capuz caiu, revelando sua face. Ele parou e olhou bem para a cara do sujeito, que já suplicava para que a agressão acabasse.

– Mas quem é você? – Wesley não reconhecia aquele rosto. Era sim um aluno de sua escola, mas não alguém conhecido.

– Ninguém, só me deixe ir embora! – o sujeito respondeu.

– Não! Porque está mandando bilhetinhos estúpidos para aquela garota? E porque tentou... Estuprá — la? Era isso que você ia fazer?

– Olha, eu não ia fazer nada, eu juro!

– Não parecia que você não ia fazer nada. Uma praia vazia e escura é bem ideal para isso...

– Eu só vim para entregar um bilhete pra ela, nada de demais!

– Fale mais sobre esse bilhete. Porque está atormentando ela com isso? O que você quer dela?

– Não sou eu que quero algo dela.

– Então quem é? Alguém ta usando você como mensageiro, é?!

– Se não me deixar sair daqui você estará ferrado!

– Quem vai estar ferrado aqui é você se não me contar quem te mandou aqui.

O sujeito logo viu uma chance de fugir e deu uma cabeçada no Wesley. Foi uma cabeçada tão forte que Wes caiu para trás, deixando o sujeito livre para correr. E foi o que ele fez. A dor era imensa. Wesley tentou levantar e correr atrás, mas caiu logo em seguida, levando as mãos à cabeça por causa da dor. Tudo isso ele me contara muito tempo depois, e é por isso que sei o que aconteceu.

Quando nós três chegamos ao local, encontramos Wesley no chão. Não estava desmaiado, mas reclamava de uma forte dor na cabeça. Mal conseguia se levantar e parecia estar zonzo. Rapha precisou ajudá-lo, servindo de apoio até chegarmos ao quarto. Lá ele contou o que acontecera. Ou pelo menos metade do que acontecera. Não nos contou sobre ter visto o rosto do rapaz.

– Mas não deu pra ver nada? – eu perguntei.

– Não. Estava escuro demais. – Wesley respondeu enquanto deitava em sua cama.

– Ainda bem que pedi pra você ir atrás dela. – era Babi.

– O que? – não entendi nada.

– Assim que você saiu do quarto eu vim aqui no quarto do Wes e pedi pra ele ir atrás de você. Eu mesma iria, mas sou tão indefesa quanto você.

POV Wesley


Resolvi não dizer nada sobre o garoto. Resolvi guardar para mim. Talvez Jullie o conhecesse, mas isso não importa. O que importa é que eu a quero segura, longe desse garoto, seja lá o que ele esteja planejando. Decidi que iria procurá-lo na manhã seguinte. Ele não conseguiria escapar.

Durante a noite não consegui pregar o olho. Só pensava naquele garoto e no que ele estava fazendo. Porque estou envolvido nisso? Eu nem sequer o conheço. Na manhã seguinte inventei qualquer desculpa para não ir tomar café com o Rapha, Babi e Jullie. Estava disposto a procurar aquele filho de uma mãe até no inferno, se fosse necessário.

Conferi todos os três andares do navio. Nada. Na parte exterior, onde tem a piscina, nada também. Na piscina coberta, nem sinal dele. Havia olhado os quatro cantos daquele maldito navio, mas não consegui encontrá-lo em lugar algum. “Quem sabe na praia, não é mesmo?!”, pensei comigo. Eram 10h da manhã e a praia já estava completamente cheia. Comecei a caminhar na areia, observando cada pessoa e tentando me lembrar do rosto que havia visto na noite passada. Depois de uma longa caminhada um garoto que estava no mar me chamou a atenção. Estava longe, mas eu conseguia enxergar muito bem de longe. Eram idênticos. Resolvi esperar a hora certa de agir.

Demorou. Talvez uns 30 minutos. Mas o garoto finalmente saiu da água. Cheguei atrás dele e fiquei esperando ele virar. Sua reação foi exatamente como eu esperava: ele se assustou! Também ia sair correndo, mas segurei firme seu braço, o impedindo.

– O que você quer?!

– Quero respostas!

– Do que está falando? – ele se fazia de desentendido.

– Larga de se fazer de desentendido, moleque! – ele olhou em volta e pareceu estar preocupado com os olhares que atraímos com a breve discussão.

– Olha, eu não sei de nada. Vieram me pedir um favor e eu fiz, só isso. – ele cochichava.

– Quem?

– Eu não sei, não dava pra ver o rosto da pessoa.

– Mas era homem ou mulher? E você acha que essa pessoa está no nosso navio?

– Nosso navio? Nunca te vi na minha vida, muito menos no navio. A minha excursão é daquele navio ali. – e apontou um dos navios parados no cais.

Eu poderia jurar que aquele garoto era lá da escola. Talvez fosse algum amigo do(a) tal “mandante”. Porque iriam pedir um favor desses a um estranho? Deve ser pra não deixar pistas, claro! Se o objetivo é atuar, mas ao mesmo tempo se esconder, conseguiu!

Após ter dito aquilo o garoto puxou seu braço para si, fazendo minha mão se desprender dele. Eu não disse nada, apenas o observei saindo dali, indo em direção a uma rodinha de amigos. Eu já havia conseguido as respostas que eu queria, o problema é que elas me levaram para o mesmo lugar de antes: Lugar algum!

POV Jogador (a)


Tudo parecia ter saído como eu planejara, exceto algo. Algo que me incomodara muito assim que vi. Wesley conversava com o sujeitinho inútil, para o qual eu pedira o favor na noite passada, na praia. Pareciam estar discutindo. Seja lá o que fosse eu teria de saber sobre o que se tratava. Qualquer deslize seria brutal.

Esperei o sujeitinho – eu nem sabia o nome dele – sair da praia e ir para algum local sozinho. O segui.

– Porque você estava discutindo com aquele garoto?

– Não interessa. Eu já fiz tudo que você me pediu, agora me deixe em paz!

– Eu ainda tenho aquela foto que revela você estuprando aquela pobre garota bêbada aqui na praia na manhã de ontem. Se você não quiser que essa foto vaze, é bom me contar o que aconteceu.

– Tudo bem, você venceu! Ontem, enquanto eu fazia o que você me pediu, esse garoto apareceu do nada e meteu um soco na minha cara.

– Será mesmo que foi “do nada”? O que você fez pra ele chegar te dando soco?

– Eu não fiz nada! – Agarrei seu pescoço com uma só mão e comecei a apertar, de leve. – Tudo bem, eu conto! – suas palavras quase não saíram. – Eu ia me aproveitar um pouco da situação.

– Você ia estuprar ela também? – ri ironicamente.

– Eu não disse isso. Eu disse que ia me aproveitar um pouco da situação...

– Ah, já entendi. Daí Wesley viu, ficou louco e te meteu um soco na cara, não foi? – ainda estava usando meu tom irônico na voz.

– Sim!

– E como ele sabe quem é você? Não mandei você colocar a porra da touca?

– Eu coloquei, mas eu caí no chão e a touca saiu. Mas não se preocupe, a garota não me viu.

– Seu inútil, imbecil! – meti-lhe um soco na barriga e uma joelhada no nariz. Iria fazer pior se ele não tivesse me interrompido.

– EU JURO, NÃO CONTEI NADA SOBRE VOCÊ!

– Acho bom isso ser verdade, caso contrario você vai acordar e ver seu naviozinho enfeitado com algumas fotos que tenho.


Notas finais
Eu disse que o capítulo estava bem tranquilo... Mas e aí, gostaram? Deixem um review com a opinião de vocês. Próximo capítulo só depois do ano novo, então feliz ano novo pra vocês =)