A Filha Da Morte E A Profecia
1 Resgato Uma Meio-Sangue
Notas iniciais
O motorista estacionou o táxi em frente à uma escola para crianças especiais. Ou pessoas que a sociedade julga terem problemas.
Peguei alguns dólares e o entreguei. Desci de dentro do táxi e o vi: Lohan, meu amigo sátiro. Ele estava com uma calça comprida, casaco e gorro, para disfarçar os chifres. Seus sapatos falsos davam a impressão dele ser uma pessoa normal.
Quando ele me viu, veio correndo em minha direção, de um modo desajeitado e atrapalhado.
— Lilly! – gritou. – Graças aos deuses que você chegou, eu não sabia mais o que fazer e...
— Calma. – falei calmamente. – Me explique o que realmente aconteceu. Só uma carta dizendo que precisa da minha ajuda não é suficiente.
— Certo – ele respirou fundo. – Eu encontrei uma Meio-Sangue aqui. E existem dois monstros também.
Suspirei e olhei para a escola.
— Quais os monstros? – perguntei.
— Duas empousas.
— Huuum... Atraiu logo dois monstros. Ela costuma usar com freqüência o celular ou qualquer aparelho eletrônico?
— Ela vive usando o celular. – resmungou. – Eu até já tentei convencê-la à parar de usar, mas ela não me escuta.
— Já sabe que é uma Meio-Sangue?
— Ainda não. Mas, pelo o andamento das coisas, creio que irá saber em breve e... Bééééé!!!
Lohan estava muito nervoso, pois ele só fazia “Bé!” quando estava com fome ou quando tinha medo de algo. E eu tinha certeza que ele havia comido há menos de cinco minutos...
— Muito bem – falei. – Vamos contar para ela hoje e levá-la para o acampamento o mais rápido possível. Estamos entendidos?
— Sim. Mas como vamos contar? Ela tem 13 anos, mas é uma pessoa bem cética.
— Veremos se ela continuara sendo cética quando ficar cara a cara com as empousas. A propósito, como ela se chama?
— Marrie.
— Já tem alguma noção de quem seja filha?!
— Bom... Ela é bem bonita, inteligente e adora música. Odeia praia e lugares escuros, mas adora o céu.
Filha de Zeus ou Afrodite., pensei.
— Ótimo. Vamos atrás dela.
Entramos dentro do colégio. Eu me arrependi instantaneamente quando vi aquele lugar: alguns adolescentes estavam fazendo guerra de comida e jogando pedaços de comida para tudo que é lado. Tive que me desviar de um pedaço de pastel que vinha na minha direção.
— Aonde ela está?
— Ali – ele apontou para uma menina que aparentava ter 13 anos. Seus cabelos eram loiros, com olhos azuis eletrizantes. Ela olhava tudo com reprovação. Uma filha de Zeus. Isso explica ter atraído duas empousas. – Vamos falar com ela.
Assenti e, assim, nos aproximamos dela. Quando Marrie viu Lohan, deu um pequeno sorriso.
— Lohan! – disse. – E... – ela me encarou, com curiosidade. – Quem é essa?
— Lilly, muito prazer – estendi minha mão para ela, que a apertou. – E aí, gosta de mitologia grega, Marrie? – resolvi ir direto ao ponto.
Ela me olhou, confusa.
— Mitologia grega é fantástica, mas tudo não passa de uma mentira – ela deu um sorriso. – Zeus, Hades, Nike... Todos não passam de histórias, de mitos.
Quem me dera se tudo não passasse de um mito, querida. Eu pelo menos não seria filha de Hades e teria alguns amigos à mais.
— Hum... E se os deuses gregos existissem, na realidade?
Ela soltou uma gargalhada irônica.
— Seria bem estranho um carinha que controla raios, com uma esposa que é irmã dele e é deusa do casamento, existirem.
— Mas eles existem.
— Ha-ha! Você tem a imaginação bem fértil. E olha que aparenta ser mais velha do que eu.
— Mas ela fala a verdade, Marrie. – uma menina que aparentava ser uma simples líder de torcida falou. – Ou você ainda tem dúvidas?
De repente, a forma dela começou a mudar. Agora, ela não passava de uma vampira moderna.
Marrie fechou os olhos e virou a cara.
— Para, por favor! Eu já disse que não gosto disso! – implorou.
— Uma empousa – falei, com desgosto. – Acho melhor se afastar dela, pelo seu próprio bem. Ou gostaria de se desintegrar?
A empousa fez uma careta e avançou em minha direção. – O bom da névoa, é que tudo irá parecer que foi culpa sua! – gritou. – Meio-Sangue maldita!
Ela pulou em cima de mim, mas eu me desviei. Olhei para os armários da escola. Um extintor de incêndio estava lá. O peguei e joguei em direção à ela, que caiu no chão.
Me virei para Lohan e Marrie.
— Corram! – gritei.
Tirei minha espada de ferro estígio e fiquei atrás dos dois, para garantir que iriam ficar seguros. Saímos correndo daquele lugar. Percebi que algumas pessoas já estavam olhando para nós.
Ignore-as.
Quando estávamos chegando perto da saída, outra empousa apareceu. Bufei e a acertei com minha espada. Ela se transformou em pó. Uma a menos.
— Correção – Marrie falou. -: eu acredito em deuses do Olimpo.
— Assim é bem melhor – falei.
Abri a porta e saímos. O ar nada puro de Nova Iorque me fez sentir enjôo.
Olhe o lado bom, Lilly: você não incendiou nenhum lugar dessa vez!
— Precisamos sair daqui o mais rápido possível. Pelos meus cálculos, ela vai chegar em menos de um minuto.
Lohan olhou para os lados, apreensivo.
— Talvez... – disse. – Talvez seja melhor chamarmos as gréias.
Suspirei. Eu já havia pego carona com elas, há um ano atrás. Posso dizer que aquela foi a pior experiência da minha vida.
— Se esse é o único jeito... – falei. – Chame-as.
Lohan as invocou e, alguns segundos depois, elas já haviam chegado. Entramos dentro do táxi. As três irmãs estava discutindo sobre qual ficaria com o olho.
— Me dêem ele, suas inúteis! – a que estava no banco do motorista gritou. – Afinal, eu vou dirigir.
— Você sempre dirige – outra reclamou.
— Ahn... Com licença – as interrompi. – Estamos com pressa.
— Ah, certo – a motorista disse. – Dracmas?
— Aqui – estendi uma boa quantidade de dracmas para ela, que as pegou.
— Ótimo. Me passem o olho.
Uma delas bufou e passou o olho para ela. De re pente, começamos a andar em alta velocidade. Me segurei no banco. Em qualquer momento, elas poderiam frear bruscamente.
— Qual o destino?
— Acampamento Meio-Sangue, Long Island. – Lohan falou. Ele já estava sem os tênis e o gorro.
Senti uma tontura e fechei meus olhos. Odeio pegar carona com as gréias.
— Então... Meios-Sangues, não é? De quem são filhos?
— Eu sou um sátiro. – Lohan disse. – Minha amiga é filha de Hades e a outra ainda vai ser proclamada.
O carro freou bruscamente. Descemos rapidamente do carro. Quando Marrie saiu, ela se jogou no chão e começou a beijá-lo.
— Meu deus... – sussurrou. – Eu nunca mais pego carona com essas mulheres!
Ri.
— Na primeira vez que entrei no táxi delas, entrei em pânico e comecei a chorar. – comentei. – Lembra, Lohan?
— Se lembro – ele também riu. – Você tinha 13 anos, apenas. Hoje tem 16.
— É. E o pior foi que eu tive que ir no táxi delas de novo, há um ano atrás! Lembra?!
— Pessoal – Marrie se intrometeu. – Talvez isso não seja o momento certo, mas...
No momento em que íamos terminar a frase, um escorpião gigante apareceu. Hoje é nosso dia de sorte.
— O que fazemos agora?! – Lohan perguntou.
— Eu dou um jeito – fui pegar minha espada, mas não consegui achá-la. Não pode ser... – Oh, não...
— O quê?!
— E-eu acho que deixei minha espada no táxi das gréias.
Comecei a praguejar em grego antigo. Então fiz a única coisa natural para aquele momento: corri.
Passei pela colina e vi o acampamento abaixo de nós. Marrie e Lohan – que estava berrando feito uma menina – estavam um pouco atrás de mim. Por sorte, o escorpião havia sido impedido de passar pelas fronteiras mágicas do acampamento.
— Temos que encaminhá-la para a Casa Grande. Quíron e Sr. D saberão o que fazer.
Que ele não esteja na forma de um centauro, meu Zeus, por favor...
Atravessamos o acampamento e chegamos na Casa Grande. Quíron estava do lado de fora, jogando baralho. Quando ele nos viu, jogou o baralho sobre a mesa. Pelo menos sua forma era a de um humano.
— Vejo que tudo acabou bem. – disse-nos. – Algum monstro atacou vocês?
— Uma empousa, mas não foi nada demais. E ninguém se feriu.
— Ótimo. Então essa foi outra missão de sucesso em sua lista, Lilly. Parabéns.
Assenti e saí dali. Eu estava cansada e com vontade de acabar com alguns monstros de novo.
— Lilly? – aquela voz conhecida falou.
Me virei e o vi. Alto, não tão musculoso, cabelos castanhos e olhos pretos, que me deixavam irritada e com raiva. Peter, o filho de Ares. Ele estava com uma armadura e segurando uma lança.
— Oi... – falei, sem graça. Eu sempre ficava assim perto dele.
— Você conseguiu resgatar a Meio-Sangue, né? Eu te vi chegando e fugindo do escorp...
— Se você me viu fugindo daquele monstro, por que não me ajudou?
— Ahn... – ele pareceu meio desconcertado. – Você sempre me diz que sabe se virar sozinha. Imaginei que agora não poderia ser diferente.
Ah, e é verdade. Eu sempre fui muito orgulhosa e cabeça dura. Sempre achei que podia fazer tudo sem a ajuda de ninguém (e, geralmente, ninguém me oferecia ajuda, então eu realmente fazia tudo sozinha).
— Tá certo – resmunguei. – Mas, da próxima vez, pelo menos faz alguma coisa.
Ele sorriu.
— Combinado. – disse. – Mas me conta: que monstros você enfrentou?
— Duas empousas que não sabiam lutar nada. E aquele escorpião, como você já viu.
— Deve ter sido bem legal. Panaca, nem me chamou pra ir contigo.
— Panaca é você, filho de Ares – dei um risinho e saí dali. Precisava treinar um pouco e pegar algumas coisas no chalé 13 (lê-se: outra espada).
Quando entrei lá, o lugar estava como era desde o meu primeiro dia no acampamento: silencioso e sombrio. E cheirando a mofo, pois o Nico Di Ângelo – meu meio-irmão – não sabe limpar o chalé. Apesar de que é bem raro ele aparecer por aqui.
Fui nas minhas coisas e, por sorte, havia uma espada de ferro estígio que eu sempre deixava guardada, pois sabia que iria precisar um dia. Peguei-a e saí de dentro do meu chalé. Iria para o campo de treinamento, mas alguém me impediu.
— Ei – John, filho de Hermes e meu melhor amigo, estava segurando minha mão e sorrindo para mim. –
— J-john – gaguejei. Com exceção de Peter, eu sempre fui muito tímida com as outras pessoas. – Tudo bem?
— Melhor agora, porque você chegou. – olhei para a mão dele, que segurava a minha. Ele percebeu para onde eu estava olhando e a largou. – Me desculpa. É forçado hábito.
— Ahn... Então você sempre segura a mão de meninas que não conhece direito? – sussurrei.
— O quê? Claro que não, Lilly! – ele protestou.
— Sei...
— O caso é: você tava indo treinar, certo? Por que, então, você não treina com esse filho de Hermes lindo e maravilhoso que está aqui, à sua disposição?
— Filho de Hermes lindo e maravilhoso? Onde, meus deuses?! – brinquei e fingi olhar para os lados, tentando achar ele.
— Você está pior do que minhas irmãs hoje – resmungou. – Mas e aí, aceita treinar comigo?
— Pode ser...
Fomos para o campo de treinamento e passamos o dia lá. John tentava me ensinar alguma coisa de esgrima, mas eu nem conseguia me concentrar, pois ele fazia palhaçadas à cada cinco minutos. Admito que me diverti bastante.
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