A Filha Da Morte
28 Under the Water
Notas iniciais
Bianca.
Mas não enxergar nada não foi o suficiente. É claro que eu tinha que estar com a sensação de estar caindo, ou talvez até mesmo estava. Eu tinha a quase certeza que a minha pele iria se desgrudar de meu rosto. Isso não foi nada legal. Nada mesmo. Ah!, não podemos esquecer da minha pequena fobia de altura. Nos primeiros momentos, eu só gritava. O vento assobiava pelos meus ouvidos, meu cabelo estava quase ganhando vida própria. O pior fato de todos, é que eu estava de vestido. Como eu odeio vestidos.
Depois, eu me lembrei que o Jared estava caindo, também. Eu não o escutava nem nada, mas podia senti-lo cair. Eu consegui me aproximar de seu corpo e passei os braços em volta do que me pareceu seu tórax. Eu sei, isso é meio estranho, mas ele era a única certeza que eu tinha naquele momento.
Se passaram o que me pareceram horas, mas eu sei que foram apenas minutos. Atemorizantes, horríveis. Talvez, os piores. Se bem que, com a nossa sorte, conseguimos coisas piores. Mas isso tinha que acabar. Algo gelado e molhado me envolveu bruscamente, e fui meio que forçada a me separar do filho dos céus. Eu conhecia aquilo que me envolveu.
Água. Bastante água.
Eu falei da fobia que tenho de água em conjunto?
Pois bem, saiba que eu fico mais que apavorada.
Não me lembro de ter dormido, ou algo assim. Mas, quando acordei, estava deitada. Estava com frio. Olhei para cima, e vi alguns raios de Sol se infiltrando onde eu estava. Aquilo era de um verde meio azulado. Um verde-água, da cor do Oceano. E, talvez, por que estivéssemos nele.
Me levantei em um pulo, e comecei a andar, mas tropecei e fui com a cara na areia, que se levantou levemente, e foi se assentando devagar. A coisa que eu havia tropeçado começou a se mexer. Era um pouco quente. Quando olhei, vi que era o Jared. Ele estava acho que dormindo, com alguns pequenos cortes na testa, como se tivesse arranhado. seus cabelos castanhos meio que flutuavam. Uma bolha de ar se formava em volta de seu nariz e boca, como se fornecesse oxigênio para respirar. Então, realmente me dei conta que estávamos embaixo d'água.
Eu me levantei, e comecei a gritar. Bati em algo, e caí. Jared despertou instantaneamente.
- O que aconteceu? — Disse ele, se levantando. Olhou para cima, e aqueles olhos azuis elétricos meio que ligaram os pontos. Ele estava meio surpreso, mas manteve a calma. Mas do que eu, pelo menos. — Dá pra ficar quieta? Nós ainda estamos vivos!
- Tem água aqui!
- E dai?
- Muita água!
Ele suspirou. Parecia estar tramando algo para escapar de lá, mas, pelo jeito, não conseguiu. Ele se virou e começou a caminhar na minha direção. Passou por mim, e nem deu muitos passos, quando ele bateu com a cabeça em algo invisível. Ele caiu sentando no chão e se pôs a esfregar a testa. Onde ele havia colidido, a água começou a ficar densa. Criou uma forma humana mais ou menos da minha altura. Depois, vieram as cores e as formas. Uma garota, vestida com um casaco roxo e shorts jeans escuros. Tinha cabelos negros, que pareciam mais fios de seda. Sua pele era pálida. Não tinha olhos de cores iguais, mas sim um deles dourado e o outro vermelho. Era minha amiga, a Aline.
Ela cambaleou, mas eu me apressei e a segurei pelos ombros.
- O que você pensa que está fazendo aqui? — Jared perguntou, meio irritado, mas dava para sentir um pouco de alívio em sua voz.
- Eu vim salvar vocês. Ou, pelo menos, tentar.
Ótimo. Agora, não eram dois semideuses que iriam morrer. Eram três.
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