A Filha Da Magia
15 Capítulo 15 - Um Rolé Pelo Mundo Inferior
Notas iniciais
De Columbus, fomos até Indianápolis, depois veio Springfield, Kansas City, Wichita, Amarillo, Santa Fé, Phoenix, San Diego e enfim, Los Angeles.
Aterrissamos bem ao lado do City Hall Park Center. Era um parque pouco grande, com várias arvores e um chafariz no centro. Não vi direito como ele era... Estávamos apressados.
Estávamos na W1 st St.
Começamos a caminhar. O sol estava quente... Dã.
Era bem triste eu olhar para isso tudo e... Perceber que, se falharmos, o mundo acabaria. O mundo precisa de nós, mesmo que o mundo não saiba disso.
— Nico... Se Gaia despertar... — eu comecei.
— Ela não vai despertar. — ele me interrompeu — Quando resgatarmos a sua mãe, e nós iremos resgatá-la, voltaremos para o Acampamento Meio-Sangue e descobriremos com um feitiço de localização, onde está Clítio.
Eu continuei andando, as pessoas passavam por nós, algumas nos olhavam, outras nem olhavam.
Passamos pela La Law Library. Logo pelos vidros eu vi o cartaz “A Culpa É Das Estrelas”.
— Nico, podemos dar uma paradinha e... — eu disse.
Nico começou a gargalhar.
— Depois que salvarmos o mundo você pode comprar o livro. Só depois que salvarmos o mundo. — ele disse.
— Esse papo de ser herói é bem trabalhoso, não é?
Ficamos em silêncio por pouco tempo.
— Você nem imagina o quanto. — Nico respondeu.
—————
Estávamos indo para Hollywood.
— Vamos pegar a passagem secreta. — disse Nico. — As letras na montanha. O “O” depois do h.
— Eu não estou entendendo.
— Hollywood. — ele explicou.
— Ah.
Levaria duas horas de caminhada. Eram seis horas da manhã, chegaríamos ao Mundo Inferior lá pelas oito horas da manhã.
Passamos pelo The Music Center. Depois passamos por um edifício enorme que ficava dentro de um lago. Continuamos caminhando até que passamos por debaixo o viaduto Harbor Fwy.
— Vai aí mais um beijo?
Não havíamos nos beijado fazia dois dias, também... Com todas estas viagens e monstros para enfrentar, nem ligamos muito para isso.
Eu dei de ombros e desviei o olhar.
— Pode ser. — eu disse, com um sorriso nos lábios.
Nico di Angelo segurou meu queixo e selou sua boca na minha. Depois ele se afastou, e continuamos a caminhar.
Depois de quinze minutos caminhando, algo me chamou atenção.
Uma rua sem saída estava ao nosso lado, e um homem de preto estava parado lá. Ele fez um movimento com a mão, indicando para que nós nos aproximássemos dele.
— Nico... — eu disse.
Mas o filho de Hades já havia visto, e estava caminhando na direção do homem de preto. Nico não estava caminhando na direção do homem como se fosse num transe, mas sim normalmente. Resolvi segui-lo.
Ao chegarmos ao fim da rua sem saída, pude ver com clareza o homem de preto: ele tinha a pele pálida, igual à de Nico. O homem estava de terno preto feito sob medida, uma calça social preta combinando com o terno, gravata preta e uma blusa social branca por baixo do terno e da gravata.
Eles ficaram frente a frente, se olhando seriamente. Por fim, o homem de preto deu um sorriso de orelha a orelha, abriu os braços e falou alegremente:
— Nico!
— Pai! — disse Nico, sorrindo e abraçando o pai.
Eu fiquei lá, boquiaberta e sem ação. Como assim aquele homem era Hades? Hades?
Por fim, Hades olhou para mim de cima a baixo com seus olhos negros:
— Então, essa é minha nora?
Eu corei. Juro que eu devia parecer um tomate na hora. Bom, pra Gaia estar ressuscitando, até que está tudo bem.
— Ahn, pai... Depois conversamos sobre isso, tudo bem? — perguntou Nico
Hades sorriu novamente, revelando pés de galinha ao redor dos olhos.
— Tudo bem. — falou o deus dos mortos. — Então, meus queridos... O que vocês vieram fazer aqui no meu reino?
— Viemos resgatar Hécate. — eu respondi.
— Hécate? — perguntou Hades — O que faz vocês pensarem que Hécate está aqui?
— Então quer dizer que ela não está? — eu perguntei.
— Não, não... Ela está sim, mas... Ah, claro. A profecia. — disse Hades, como se estivesse acabando de lembrar isso, e era verdade.
Hades estalou os dedos e, num segundo eu estava na rua sem saída, e em outro segundo, eu estava num lugar completamente escuro...
— Vamos para minha casa. — disse Hades, caminhando pelo... Inferno?!
— Estamos... — eu sussurrei para Nico.
— No Mundo Inferior, sim. — ele respondeu, segurou minha mão e começamos a seguir Hades.
O negócio todo ali parecia ser carvão. Vi uma árvore ao longe com os galhos sendo cortados por não-sei-quem, e deles saíam o que parecia ser sangue, e no momento em que eram cortados, ouvia-se um grito ensurdecedor e agonizante, mas pouco comparado ao lago negro gosmento que eu estava vendo.
Alguns... Guardas, eu acho. Esses guardas estavam com flechas prontas nos arcos. Estavam fora do lago. Mas, pessoas começaram a surgir emborcadas no lago, outras colocaram a cabeça para fora, para respirar e... Eram acertadas com as flechas e eram obrigadas a voltar a serem submersas.
— Essas são as punições das pessoas que não fizeram o bem na Terra. — explicou Nico — Esses são os Campos da Punição.
Andamos mais um pouco e eu vi outro lago, esse lago era negro como o ônix, tinha algo... Estranho nele, senti isso.
— Esse é o rio Estige. — disse Nico. — Eu vim aqui com Percy uma vez, foi quando ele recebeu a maldição de Aquiles... Mas isso não vem ao caso. Só uma advertência, se você entrar naquele lago, irá morrer sem dúvida, a não ser que você tenha bastante força de vontade de viver.
— Oferta tentadora de entrar no lago, mas desculpe, eu terei que recusar. Tenho bastante vontade de viver. — eu respondi.
Nico sorriu e envolveu minha cintura com seu braço, me deu um beijo no topo da cabeça e continuamos andando. Nico sussurrou no meu ouvido:
— Eu faço parte da sua vontade de viver?
Levantei minha cabeça para olhar para ele.
— É claro que faz. — respondi.
Ao longe, vi um lugar luminoso, com árvores e exalando um ar límpido, com cheiro de flores. Ouvi uma música em uma língua diferente.
— Aquele ali, — apontou Nico — são os Campos Elísios.
Ao lado, vi um campo de terra morta e algum tipo de trigo morto-vivo. Deméter com certeza não iria gostar do trigo morto. A planta chegava à cintura das almas que passavam por lá, elas tinham um ar perdido, como se não se lembrassem de quem eram.
— Esses são os Campos Asfódelos... Venha. — Nico me chamou, andando para mais perto do pai dele. Eu o segui, e paramos num lugar com três portas abertas, e várias pessoas caminhando pelas portas direitas e esquerdas, mas nunca pela porta do meio.
Havia um Cérbero na frente das portas, coordenando as entradas. De vez em quando, o cão pisava nos mortos, que desapareciam. Isso me fez pensar: pode-se matar um morto já morto?
Mas os mortos em que o Cérbero pisava, ressuscitavam segundos depois e continuavam a caminhar lentamente. Como num jogo de vídeo game sem a quantidade determinada de vidas que você tem.
Hades estava seguindo pela porta da frente quando o Cérbero o barrou.
— Hey, amigão! Como vai? — disse Hades — Daqui a pouco eu voltarei para brincar com você, mas eu preciso que você nos deixe passar para eu ter uma conversinha com meu filho e minha nora.
Eu senti um frio na barriga quando Hades disse as duas últimas palavras.
O Cérbero se afastou e nos deu caminho para passar.
— Aquela porta ali, — disse Nico — é uma passagem só de ida, e às vezes de volta para o Tártaro. A porta do meio, que é para onde nós estamos indo, é a casa do meu pai.
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