A Filha Da Magia
7 Capítulo 7 - Nico me salva pela segunda vez
Notas iniciais
Acordei com alguém me chamando suavemente. No começo achei que fosse meu pai, me chamando para ir à escola quando eu não acordava quando o despertador vibrava. Mas, no momento em que abri os olhos, não era nada aquilo que eu imaginava. Não era o telhado do meu quarto, não eram as paredes do meu quarto...
Eu estava no Acampamento Meio-Sangue. E hoje eu iria para uma missão sem mesmo saber como empunhar uma espada.
Pisquei os olhos e me espreguicei.
–Sophie... –alguém me chamava. Reconheci esse alguém. Olhei para o meu lado.
Mas o que Nico di Angelo estava fazendo aqui? Ele me observava com seus cabelos e olhos negros, sua pele pálida e suas feições cansadas. Parecia que ele sempre estava cansado.
–Bom dia. –ele disse animadoramente. Eu bocejei.
–São que horas? –perguntei, e olhei para o relógio pregado na parede. –Seis horas da manhã... é, bom dia.
–Vamos tomar café da manhã e sair para resgatar Hécate. –ele disse isso como se ele saísse para resgatar uma deusa aprisionada todos os dias.
–Você vai me ensinar a empunhar uma espada? –perguntei.
–Acho que você não vai precisar empunhar uma espada já que você tem poderes...
–... que eu não sei controlar. –eu o interrompi, completando sua frase.
Nico respirou fundo.
–Tudo bem, eu te ensino.
Bati palmas deitada na cama.
–Levanta daí. –ele me chamou, pegando-me pelos braços.
–Tá, tá – eu disse, rindo– me solta.
Nico me soltou e eu me levantei da cama, fui ao banheiro e comecei a escovar meus dentes. Deixei a porta aberta.
–Quíron achou uma pista de onde Hécate deve estar. –disse Nico, fuçando na minha mochila da escola. Ele tirou de lá meu caderno (personalizado com a capa da Imagine Dragons). – Você gosta de Imagine Dragons?
Levantei o polegar para cima num sinal de positivo. Lavei minha boca e saí do banheiro. Tomei meu caderno da mão dele e o guardei na minha mochila. Não sei como Nico conseguiu ver meu cartão de memória, mas ele viu, o pegou e o colocou a vista.
–Por falar em cartão de memória, eu sinto falta de escutar minhas músicas... –eu disse, pretensiosamente.
–... e você quer que eu te ajude com isso. – Ele adivinhou. Nico pegou um celular de seu bolso e me entregou. – Este celular aqui, nós podemos usar, porque não chama a atenção dos monstros. Obra dos filhos de Hécate.
–Então isso quer dizer que eu posso...
–... sim, você pode escutar as músicas da Imagine Dragons. –ele disse.
Eu gritei. Nico tampou os ouvidos com as mãos.
–Isso é muito legal! Valeu Nico. –eu disse, o abraçando. Ele me abraçou de volta.
Eu me afastei dele, peguei meus fones de ouvido e coloquei no celular, coloquei meu cartão de memória também. O liguei e selecionei a minha primeira música da lista: Animal, da banda Neon Trees. Coloquei o celular por dentro da camisa do Acampamento e fiquei cantando a música.
Fiz um rabo de cavalo e saímos do chalé. Fui cantando:
“Oh oh, I want more,
Oh oh, what are you waiting for,
What are you waiting for,
Say goodbye to my heart tonight…”
–Você canta bem. –disse Nico.
Parei de cantar, corei imediatamente. O porquê disso? Eu não sei.
–Obrigada. –eu disse.
Chegamos até o pavilhão do refeitório. Coloquei minha comida e fui para a fila, quando chegou a minha vez, sussurrei:
–Para Hécate. Mãe... estamos indo te salvar.
¨¨¨¨
Resolvi sentar-me à mesa do chalé 13 com Nico. Sabia que era contra as regras, mas não queria sentar-me à mesa do chalé 17. Annabeth ficou olhando para mim com seus olhos cinza tempestuosos, mas eu apenas dei de ombros e comi minha comida.
Tirei os fones dos meus ouvidos e os coloquei pendurados no meu ombro.
–Então, Sophie... –falou Nico, com a boca cheia de comida. – Quíron tem uma possível pista de onde Hécate está.
–E onde minha mãe está? –perguntei.
–Suponhamos que ela esteja em... Califórnia.
–Califórnia? No outro lado do país? Mas porque na Califórnia?
–Quíron tem seus segredos. –respondeu Nico. –Ele disse que a localização de Hécate seria possível ou em Sacramento, São Francisco ou Los Angeles.
–E se minha mãe não estiver em nenhum desses lugares?
–Então... procuramos em outro lugar. Mas imagino que essa busca deverá ter um prazo. Só não sei qual.
–Isso é muito doido, vamos resgatar minha mãe, mas nem sabemos onde ela está!
–Isso é muito doido mesmo. – concordou Nico – Olhe lá, Quíron está vindo para cá.
Eu me virei. Quíron estava andando para cá com uma... o que era aquilo? Era uma mistura de galinha com pessoa. Sei lá, era meio estranho. Tinha garras nos pés e nas mãos, asas ligando os braços ao tronco, ela tinha pés de galinha e cabelos ruivos assanhados.
–Quem é ela? –eu perguntei.
–Uma harpia. –respondeu Nico.
Quando Quíron chegou com a harpia, ela se apresentou:
–O-oi, –ela disse, meio que gaguejando– eu sou Ella, a harpia. Ella gosta de pipoca doce, mas não gosta de monstros. Ella morre de medo de monstros.
Eu assenti sorrindo para ela, mas depois cochichei no ouvido de Nico:
–Ela sempre fala sobre ela mesma na terceira pessoa?
Ele deu de ombros.
–Sophie... –disse Quíron – Eu trouxe Ella aqui porque ela começou a recitar ontem, uma profecia. Mas essa profecia não era dos livros sibilinos, creio que não. A profecia era... diferente. Ella... poderia recitar a profecia para nós?
Ella endireitou o corpo e recitou:
“A deusa da névoa e da magia, escondida está na terra morta,
No lugar onde se entra, e quase ninguém volta.
Surpresas os aguardarão ao decorrer da missão,
O gigante de sombras e seus comparsas não descansarão.
A grande surpresa precisará de um sacrifício,
E vocês decidirão se serão a desgraça do Olimpo, ou não.”
–Novamente a última frase, –disse Nico– E vocês decidirão se serão a desgraça do Olimpo, ou não. Acho que isso serve de um alerta, o que acha Quíron?
Quíron parecia perdido em seus próprios pensamentos.
–Quíron. –eu o chamei.
O centauro olhou para mim.
–Sim, com certeza é um aviso. E vocês precisam ter cuidado. Se essa profecia que Ella acabou de citar diz que vocês terão surpresas, então tenham cuidado. Muitas das vezes, as surpresas podem ser boas, mas nesse caso, pode ser que seja ao contrário. Sophie, –Quíron se virou para mim– acho... tenho certeza que Piper encheu sua mala de roupas, mas também sei que tem um lugarzinho lá cheio de armas.
Eu sorri. Como Quíron sabia que Piper havia colocado armas na minha nova mala, eu não sei.
–Quero que vocês saiam daqui armados, até os dentes eu quero que saiam afiados. Eu sei que três é um número sagrado para uma missão, mas desta vez, teremos que desobedecer as regras. –disse Quíron. –Só vocês dois irão nesta missão.
Eu respirei fundo.
–Ella precisa ver Tyson, – disse Ella, interrompendo o breve silêncio. –Ella fica nervosa sem Tyson.
–Hey, Ella! –disse uma voz masculina. Me virei para ver quem era.
Um garoto, acho que ele deveria ter um pouco mais que a idade de Nico, ele era bem alto, e tinha apenas um olho no meio da testa. Ele era um ciclope.
–Tyson! – Ella correu até ele e o abraçou– Vamos comer pipoca doce? Ella gosta de pipoca doce, pipoca doce faz bem para Ella, assim com Tyson faz bem para Ella. –e assim, eles saíram do pavilhão do refeitório para comer pipoca doce.
Quíron se virou para nós, ele franziu o cenho.
–Vocês terão que partir agora. Armem-se, e protejam-se.
E com isso, Quíron foi embora.
Nico apressadamente se levantou.
–Vamos, Sophie. Não temos tempo a perder. –ele disse, me levantando.
Eu fui até o chalé de Hermes e coloquei uma calça jeans no lugar do short (não vou sair pelas ruas de Long Island com um short que vai até a altura da minha coxa). Abri minha mala e peguei um cinto com uma bainha, coloquei uma espada dentro e depois peguei outra bainha, dessa vez menor, e coloquei uma adaga dentro. Peguei minha mochila da escola, tirei todos os livros e cadernos que havia nele, coloquei algumas roupas e umas quatro bainhas com adagas dentro. Peguei o celular que não atraía monstros que Nico me deu, peguei fones de ouvido e coloquei dentro da mochila. Quando eu saí do chalé, Nico já estava me esperando do lado de fora.
–Pra onde você vai de calça? –ele me perguntou, estava com sua mesma jaqueta de aviador e uma blusa preta com estampa de caveira, estava com uma calça surrada diferente e seus tênis All Star pretos. –Seria melhor você colocar um short.
–Tem mais roupas na mala, então...
O tempo de repente fechou no acampamento. Nuvens negras cercaram até onde a vista não alcançava. Um trovão ribombou nos céus e de repente, vi um clarão se juntar acima da minha cabeça...
–Cuidado! –gritou Nico. Ele correu até mim e me empurrou para o lado, fazendo nós dois cair no chão. Ele ficou em cima de mim, e eu, pega pela surpresa, estava ofegante e de olhos arregalados.
–Obrigada, –eu sussurrei– por salvar minha vida.
Depois de algum tempo, Nico rolou para o lado e se levantou, eu me sentei e me levantei. No lugar onde o raio caiu, estava escrito em grego:
Δεν χάνετε από την αναμονή
Eu não sabia como sabia que estava escrito em grego, só sabia.
Olhei para Nico, ele estava analisando bem as escrituras gravadas no chão.
–O que isso quer dizer? –eu perguntei.
–Quer dizer: Vocês não perdem por esperar. –Nico respondeu.
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