A Filha Da Magia
10 Capítulo 10 - Saímos em busca da deusa aprisionada
Notas iniciais
–... então é isso. –explicou Hazel, terminando de nos dar as dicas.
–Muito obrigada por suas dicas, Hazel. –eu disse. –Vão ajudar bastante.
–De nada. –ela falou, nos acompanhou de volta até o túnel Caldecott. –Boa sorte, e voltem vivos.
E com isso, Hazel saiu.
Se eu vou contar a vocês a explicação dela? Não mesmo. Só pra fazer suspense...
Enfim, Hazel nos deixou ali no escuro do túnel Caldecott. Eu não conseguia nem ver um palmo a frente do meu nariz porque eu estava virada de costas para o pequeno círculo de luz.
–Pronta? –Nico sussurrou para mim.
–Pronta. –eu respondi. Nico apertou minha mão com força...
–Espere. Sophie, consegue invocar um pouco de fogo? –ele perguntou.
–Acho que... sim. –respondi. Pensei em fogo e o fogo apareceu em minhas mãos. Nico não pareceu se assustar, ele estava surpreso com outra coisa. –O que foi, Nico?
–O túnel Caldecott fica em Oakland Hills, e Oakland Hills fica em...
–São Francisco. –eu completei a frase dele.
–E São Francisco fica na Califórnia. É só mas uma viagem nas sombras que iremos chegar à Los Angeles!
–Sério? –eu perguntei, um pouco chateada. –Tão rápido assim?
–Porque? Preferia que demorasse? –Nico me questionou.
–Não, é que...
–Que? –ele pressionou.
–Que nenhuma missão é tão fácil assim. Isso está estranho. –eu respondi, olhando nos olhos negros dele.
Nico pareceu pensar.
–Espera... –eu disse, interrompendo os pensamentos dele– nós viajamos até o outro lado do país nas sombras?
Nico assentiu.
–Eu posso viajar grandes distâncias. –ele afirmou. –Minhas forças estavam renovadas, mas eu não imaginei poder viajar até... São Francisco.
–Então você bateu seu próprio recorde? –eu arrisquei.
–Não, meu recorde passa longe disso. –ele respondeu. –Então tá... vamos lá, mais uma viajem nas sombras e chegamos em Los Angeles.
Eu apaguei o fogo em minhas mãos e senti ser engolida pela sombra, próxima parada: Los Angeles.
¨¨¨¨
Eu tenho uma péssima notícia para você.
Sabe o; “próxima parada: Los Angeles” que eu disse lá em cima? Eu me enganei.
Não seguimos adiante. Nós voltamos. Voltamos muito.
Para Nova York.
–O quê? –perguntou Nico, confuso. –Porque voltamos para cá?
–Acho que você deve ter pensado em algo antes da viajem. Acho que isso pode influenciar...
–Ah... eu pensei em Mc Donalds. –Nico respondeu, parecendo envergonhado.
–Mas não existe apenas uma loja do Mc Donalds nos Estados Unidos. –eu disse.
–Mas é que eu gosto mais dos Mc Lanches daqui, sabe? –Nico perguntou, envergonhado. Ele colocou as mãos para trás da roupa e teve um interesse suspeito por seu sapato. Seu cabelo negro reluzia à luz do sol, sua pele pálida recebeu um pouco de cor, um pouco de cor.
Olhei bem o lugar onde havíamos aterrissado, na sombra de uma árvore. Sabia que estava em algum lugar de Nova York, mas... onde?
–Estamos em Chinatown. –disse Nico, meio que adivinhando meus pensamentos.
As pessoas passavam por nós, algumas nos lançavam olhares desconfiados do tipo “de onde eles saíram?”, eu fiquei um pouco receosa, mas Nico não... acho que ele já passou por isso um bocado de vezes.
–Não se separe de mim. –ele disse, ainda segurando minha mão. Ele andou e eu o segui.
O bairro era chinês –dã– e estava tudo escrito em chinês – dã de novo– e eu não entendia nada – dãa–. Atravessei a rua com Nico e fomos parar em frente a uma associação budista. Nico pareceu confuso, olhou para o lado, dava para a ponte de Manhattan.
–Se formos por ali, iremos voltar. Vamos na direção contrária. –ele disse. Andamos pela avenida Bowery, os pedestres estavam atravessando e aproveitamos para correr e atravessar a tempo. Partimos pelo Canal St e seguimos direto. Andamos rapidamente pelas calçadas, as pessoas ficavam olhando pra gente.
–Nico, será que as pessoas estão vendo as nossas armas? –eu perguntei.
–Não. –ele respondeu. –Elas acham que somos dois namorados fugitivos.
–E como você sabe disso? –eu o questionei. –Você lê mentes?
Nico riu.
–Algo do tipo.
Eu coloquei meus fones de ouvido e comecei a escutar “Monster” da Imagine Dragons. Continuamos andando até que estávamos na 222 Canal St.
–Pra onde estamos indo? –eu perguntei.
–Trenton. –Nico respondeu.
–Trenton? Vamos para Trenton a pé? –eu perguntei, surpresa.
–Se der, nós vamos. –disse Nico – Todos os dias, caminharemos a pé, mas, à noite é muito perigoso por causa dos monstros, então... vamos viajando nas sombras.
Continuamos caminhando. Quando olhei a hora, eram duas da tarde, eu não estava cansada, ou com fome. Havíamos passado por um McDonalds, mas Nico disse que já havia comida para nós na bolsa dele. Olhei a placa, estávamos na 271 Canal St. A música do meu celular havia passado de Monster pra Never Say Never do Justin Bieber ft. Jaden Smith. Eu amo essa música.
Havia muitas pessoas nas calçadas, quase Nico soltava minha mão, mas ele a manteve firme.
–Vamos atravessar a rua. –ele disse. A rua estava um pouco congestionada com os meios de transporte; táxis, carros, ônibus, motos...
Com um pouco de dificuldade, conseguimos atravessar a rua em meio a buzinas de motoristas de carros, motos e ônibus estressados. Continuamos andando, já estávamos na 300 Canal St. Passamos por um lugar com a placa em letras maiúsculas, rosas e brilhantes: PEARL PAINT. Continuamos caminhando. Até agora nenhum ataque de monstros, e isso é bom. Passamos por um pôster do GTA, e andamos mais. Quando me dei conta, já estávamos na 363 Canal St. E ainda faltava muito pela frente, olhei a hora, 15h05 da tarde. Daqui a três horas começaríamos a correr perigo.
Eram 16h30 da tarde quando chegamos à 485 Canal St. O tempo começou a esfriar.
–Vamos parar ali para recuperar o fôlego. –disse Nico. Eu tirei meus fones de ouvido e fui com ele para uma calçada que tinha um pequeno jardim. O terreno atrás era abandonado e cimentado. –O que acha de passarmos a noite aqui? –ele perguntou.
–Aqui? Dormir na rua?
–Sim. –Nico assentiu, cansado– Eu estou muito cansado, preciso recuperar as minhas forças. Amanhã nós seguimos a viajem. Prometo.
Eu respirei fundo.
–Tudo bem. –eu disse.
Nico se recostou numa parede cheia de cartazes de filmes e modelos. Depois de mais algum tempo, ele se levantou e fomos até a cerca do terreno abandonado. Era mais pequeno do que eu imaginei, ficava no final de um apartamento de quatro andares. Nico foi até a cerca de arame e a escalou, depois ele pulou e aterrissou no outro lado.
–Venha. –ele me chamou.
Eu escalei a cerca de arame, lancei uma perna para o lado de dentro do terreno, mas quando lancei a outra, meu short enganchou no arame.
–O que está esperando? –perguntou Nico – Desça.
–Eu... não posso.
–Por quê?
–Eu estou presa. Meu short prendeu. –respondi.
Tentei puxar mas não consegui, eu estava presa.
–Sophie, faz tempo que não nos encontramos, não é? –uma voz feminina falou atrás de mim. Uma voz que tinha um profundo ênfase no “s”.
–Sophie, não se mexa. –Nico alertou.
–Ouça seu amigo, queridinha. Você será devorada rapidamente, sem dor e sem dó.
Nico congelou.
Eu sabia muito bem quem estava atrás de mim.
Dracanae.
¨¨¨¨
Virei meu rosto, ela estava horrível.
A pedra que eu joguei em seu rosto havia feito um corte profundo e ainda estava roxo. Bem que ela tinha merecido.
A dracanae estava com suas garras expostas, mas eu fui mais rápida; peguei uma adaga que estava na minha cintura e – por mais que seja impossível nestas circunstâncias – arranquei a mão dela, que caiu, se mexendo e soltando um líquido verde borbulhante e com fumaça. A dracanae virou pó.
Eu franzi o cenho.
–Ela morreu tão rápido assim? –perguntei, descendo do arame logo após que eu tinha percebido que meu short não havia enganchado no arame, a dracanae que havia segurado meu short.
Guardei minha adaga.
–Você ficou maluca? –Nico perguntou, me puxando para fora do alcance humano, me puxando para onda ninguém nos veria.
–Como assim, maluca?
–Ela podia ter te matado! Eu mandei você não se mexer! –ele disse, respirando fundo várias vezes e olhando para mim com os olhos arregalados.
–Ou eu reagia, ou eu morria. –eu respondi.
–Acontece que os humanos não podem ver as nossas lutas. Eles podem ver o que querem, mas é melhor não arriscar. É bom ter cuidado! –ele exclamou.
–Calma! Não precisa ficar nervoso. –eu disse.
–Vem cá. –ele me disse, me puxando para um abraço. Fiquei meio sem jeito na hora, pega pela surpresa, mas logo consegui abraçá-lo de volta. Depois de algum tempo, Nico me soltou. –Vamos arrumar esse lugar para passar a noite.
Não tinha muito o que arrumar, achamos algumas caixas de papelão, e isso foi o suficiente; nossa mochila poderia servir como travesseiro.
Quando acabamos de arrumar já era noite. Nico deitou-se num papelão, ele ficou olhando as estrelas. Sentei-me no meu papelão. Depois de algum tempo, ele disse para as estrelas:
–Bob disse “oi”.
Eu me virei para ele.
–O que disse? –perguntei, e ele me deu uma rápida explicação desta história. Quando ele acabou, meus olhos estavam marejados.
–... e Bob disse para o Percy e a Annie: “ Até lá, amigos, digam oi ao sol e as estrelas por mim, e sejam fortes...” ahn, Sophie? Porque está chorando? –ele me perguntou.
–Eu não estou chorando, só suando pelos olhos. –eu disse, limpando minhas lágrimas.
Nico riu.
–Bob foi um ótimo amigo. Ele e Damásen nos defenderam até a morte... –Nico bocejou– eu to com sono.
–Não vai comer?
Ele se sentou rapidamente e esfregou as mãos.
–Vamos lá. –ele disse e abriu a mochila, tirou de lá um mantimento com quatro pães com queijo e presunto dentro. –Aqui está. Dois pães pra você, e dois pra mim.
Eu peguei os pães e os comi. Depois bebemos água, colocamos o perfume que Piper fez e descansamos. Depois de algumas horas eu ouvi a respiração de Nico ficar mais lenta, e quando me virei, percebi que ele havia dormido. Deitei no papelão e fiquei olhando o céu, a lua e as estrelas...
–Bob disse “oi”. –falei, minhas pálpebras pesaram e eu dormi.
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