A Filha Da Magia

20 O Herói Perdido


Cantamos e assamos mashmellows em volta da fogueira que agora brilhava em vermelho vivo. E, de 5 em 5 minutos, eu trocava olhares significativos com Percy... Maioria me fazia corar.

Então percebi que havia uma mulher sentada muito próxima à fogueira. Isso era estranho. Mas ninguém pareceu notá-la. Os cabelos dela eram da cor do fogo, e pareciam serem feitos do próprio! Seus olhos também eram envolvidos por chamas, chamas calorosas e acolhedoras.

A mulher olhou para mim e sorriu. Então, tudo começou a ficar escuro... Exceto pelo fogo. Ele permanecia ali, vermelho. Então tudo deu um giro, e o fogo se tornou dois olhos vermelhos. Não como as chamas da mulher... Pareciam olhos comuns.

Os olhos eram de outra mulher. Altiva, poderosa. Vestida em uma rica túnica com estampa de pavão, com uma coroa por cima de seus cabelos castanhos e um cetro de romã em suas mãos. Hera.

A Rainha dos Céus olhava fixamente em minha direção, e abraçava dois jovens, um envolto por cada braço da deusa. Um deles era Percy. O outro jovem era desconhecido, mas mesmo assim familiar. Seus olhos eram azul como o céu e seus cabelos eram loiros. Usava uma camisa roxa.

"Está olhando para nossa salvação, Profetisa", disse Hera.

– O que você quer dizer com isso? — perguntei sonolenta.

"Esses dois maravilhosos jovens são o meu Trunfo! E você é a minha aposta."

Aposta?

"Sim, Hécate me deu uma peça de ouro! Você é poderosa, é a Escolhida."

– Sim, eu controlo os 4 elementos... E daí?

"Mas a Escolhida não faz apenas isso... Você tem influências temporais. E principalmente agora que o espírito de Cassandra está dentro de você. Tem que partir, Escolhida, e quando voltar... É melhor que conte nosso pequeno encontro a seu mentor"

Ela estala os dedos e eu abro os olhos, assustada. Todos olhavam para mim. A fogueira agora brilhava em roxo. Olho minhas unhas e percebo que estão sujas de sangue, minha respiração acelera. Passo o dedo mindinho em meu rosto e percebo que também estava sujo de sangue.

– Diana — Percy veio correndo em minha direção — venha alguém do chalé de Apolo.

– Não precisa — sussurro. Eu passos os dedos no rosto, sussurrando algo em outra língua... Contra minha vontade ou percepção. E quando vejo, meus machucados se foram.

– O que... o que houve com você? — pergunta uma garota asiática, muito bonita, vestida de rosa.

Olho para Quíron.

– Eu tive uma visão.

– Sabemos, minha jovem, você gritou coisas.

– O que eu gritei?

– Meu nome — responde Percy, segurando minha mão — algo sobre não querer ser a Escolhida... Jason.

– Jason?

– Sim. Você gritou: Jason!

O garoto loiro. O da camisa roxa estranha, claro que é ele.

Conto para Quíron exatamente o que aconteceu, com todos do Acampamento escutando.

– Quíron — disse Annabeth trêmula quando terminei — pode ter haver com a profecia de Rachel.

– Sim.

– Por que ela chamou Diana de Profetisa? Nossa profetisa é Rachel...

– Também — responde Quíron pensativo — mas Diana não tem poder apenas com o futuro.

Quíron olha para mim.

– Você já voltou no tempo, minha criança?

Começo a chorar. A última coisa que eu queria era parecer fraca, mas enterro a cabeça nas mãos e começo a chorar e soluçar como uma criancinha.

Rachel vem para o meu lado.

– Quíron — ouço ela dizer — ela já voltou no tempo sim... No dia que o pai dela morreu.

Choro ainda mais.

– Oh — diz Quíron — sinto muito.

– Então você é a informante — diz Dionísio — você é quem terá o poder de ver os planos de Gaia em passado ou futuro.

Passado. Nova Orleans. Vodu. Ouro. Prata. Levesque.

Percebi que eu sussurrava estas palavras.

– O quê? — Percy perguntou.

– Deixa.

– Vem — ele diz — você precisa relaxar.

– A fogueira está encerrada! — diz Quíron. E todos se afastam se pestanejar. Me deixando sozinha com Percy numa fogueira que brilhava em cor rosa choque.

Percy me abraça forte, me deixando afundar dentro de seu abraço, como se fosse o único lugar seguro para mim.

– Não quero — digo.

– Não quer o que? — ele pergunta.

– Ser a "informante" de ninguém.

– Não — ele diz afagando meus cabelos — você não quer voltar no tempo. E acabar voltando para o dia que seu pai... Você sabe.

O choro estava implorando para vir, mas ele não veio dessa vez.

– Como você sabe? — pergunto.

– É fácil perceber, Bruxinha.

Dou um sorriso. Me afasto de Percy para olhá-lo nos olhos.

– O que acha que Hera quer dizer com eu ser o Trunfo dela? — pergunta — eu e aquele Jason.

– Não sei, Percy. Realmente não sei.

Ele puxa meu pescoço devagar, fazendo nossos lábios se encontrarem.

– Melhor irmos — eu digo — antes de passar da hora e as Harpias nos acharem de novo!

Ele ri.

– Verdade.

Ele me beija de novo. Então levanta e me ajuda a levantar também.

Caminhamos de mãos dadas até o meu chalé.

– Então, somos oficialmente namorados? — pergunto.

Ele puxa a minha cintura e me dá um beijo daqueles.

– Vou encarar como um "sim" — digo. Nós dois rimos.

– Vai passar o ano todo no Acampamento?

– Sim, e você?

– Sim.

Seus braços permanecem em volta de minha cintura, e se tornam firmes quando ele volta a me beijar.

– Até amanhã, Bruxinha — ele diz.

– Até amanhã, Cabeça de Alga.

Trocamos um último beijo de boa noite, então entro no meu chalé e adormeço. Porém quando acordo no outro dia e vou para o chalé 3 falar com Percy... Ele havia desaparecido.

Notas finais
Já sabem como a história continua, não é? Pois é, mas este é o fim!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!