A Filha Da Magia
12 As Górgonas
Notas iniciais
Rachel corre em direção a porta e esbarra nela, mas ela não abre. Permanece intacta. Troco olhares desesperados com ela, enquanto ouço mais dois gritos de Percy, um deles é o meu nome.
Continuamos tentando abrir a porta sem sucesso algum. Nenhuma força bruta era capaz de abrir aquela maldita porta de madeira.
Nenhuma força bruta.
– Rachel, afaste-se — ordeno. Ela dá dois passos para o lado. Levanto minha mão em direção a porta, mantendo minha concentração nos meus sentimentos: desespero, raiva, medo.
A porta explode em poeira cinza. Não espero nem um momento e disparo para o andar de baixo com Rachel logo atrás de mim.
Meu coração gela com a visão de Percy pendurado de cabeça para baixo pelo pé.
As duas velhas estavam lá. Haviam tirado seu véu: revelando cabelos de cobra e uma pele verde escamoza.
Górgonas. E uma delas tinha um chicote, e o usava em Percy.
Dou um berro. Um berro longo e alto. E não só tirou a atenção delas, como também fez as paredes tremerem e descascarem.
– Di — ouço meu antigo apelido na voz censurada de Rachel. Paro de gritar.
– O que temos aqui, Esteno? — pergunta a velha com o chicote sarcasticamente.
– Hum... uma semideusa... e... Pítia?
– Não — sussurra — não é a Pítia. É o mesmo espírito, só que no corpo de uma garota ruiva e sardenta.
– NÃO FALA ASSIM DELA — grito.
A atenção da velha com o chicote se vira para mim.
– Calma, Euríale — diz Esteno — concentre-se no garoto, na nossa vingança.
Euríale rosna.
– Cuide dela para mim, nosso querido Oráculo não vai fazer nada. É uma fraca!
Esteno avança rapidamente em minha direção. Não daria tempo de puxar uma flecha, porque já havia uma faca atravessada em sua testa.
– Rach — falo quase sem voz — foi impressionante.
Rachel sorri e pega a faca no meio da areia.
– Obrigada.
Euríale nem percebeu o que acontecia, suspendia o chicote na direção de Percy. Atiro uma flecha em seu pescoço. Euríale vira pó amarelo em segundos.
Uso magia para soltar Percy. Ajudo-o a levantar.
– Percy — digo sem ar — suas costas...
Havia marcas no chicote nas costas de Percy, estavam se cicatrizando muito rápido, mas mesmo assim era doloroso vê-las.
– Relaxa — ele disse — vão sair rapidamente. Ainda bem que esse chicote não atingiu minha coluna...
Não entendi o que ele quis dizer.
– Vamos, gente! — disse Rachel — antes que elas voltem!
Corremos para fora da casa e subimos em nossos pégasos. Decolamos.
Enquanto voávamos, coloquei meu pégaso ao lado de Rachel.
– Rachel — digo — aquela sua profecia... Dizia sobre uma guerra. Uma guerra sangrenta.
– Dizia que você terá que evitar uma.
– Mas...
– Di, não se prenda a minhas profecias. Geralmente são tão confusas que é melhor esquecermos por enquanto.
Balanço a cabeça, concordando. Mesmo assim, eu me sentia mal. Enjoada com tanta responsabilidade.
Percy se aproxima.
– Obrigado — ele diz — a vocês duas... Se aquela velha tivesse atingido a base da minha coluna eu...
– Tudo bem — digo — já passou.
Percy olhava com atenção algum ponto lá embaixo. Olhei também. Havia fogo. E mais alguma coisa...
– Quem faria uma fogueira no meio da floresta? — pergunta ele.
– Campistas? — Rachel sugere — normais, é claro!
Não, não eram campistas. Apelei à magia para ampliar mina visão. Tinha um garoto. Deitado próximo a fogueira. Olhei para o outro lado e perdi o fôlego. Um dragão de nove cabeças se aproximava dele.
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