Notas iniciais
Feliz natal, atrasada, para vocês!

Rachel corre em direção a porta e esbarra nela, mas ela não abre. Permanece intacta. Troco olhares desesperados com ela, enquanto ouço mais dois gritos de Percy, um deles é o meu nome.

Continuamos tentando abrir a porta sem sucesso algum. Nenhuma força bruta era capaz de abrir aquela maldita porta de madeira.

Nenhuma força bruta.

– Rachel, afaste-se — ordeno. Ela dá dois passos para o lado. Levanto minha mão em direção a porta, mantendo minha concentração nos meus sentimentos: desespero, raiva, medo.

A porta explode em poeira cinza. Não espero nem um momento e disparo para o andar de baixo com Rachel logo atrás de mim.

Meu coração gela com a visão de Percy pendurado de cabeça para baixo pelo pé.

As duas velhas estavam lá. Haviam tirado seu véu: revelando cabelos de cobra e uma pele verde escamoza.

Górgonas. E uma delas tinha um chicote, e o usava em Percy.

Dou um berro. Um berro longo e alto. E não só tirou a atenção delas, como também fez as paredes tremerem e descascarem.

– Di — ouço meu antigo apelido na voz censurada de Rachel. Paro de gritar.

– O que temos aqui, Esteno? — pergunta a velha com o chicote sarcasticamente.

– Hum... uma semideusa... e... Pítia?

– Não — sussurra — não é a Pítia. É o mesmo espírito, só que no corpo de uma garota ruiva e sardenta.

– NÃO FALA ASSIM DELA — grito.

A atenção da velha com o chicote se vira para mim.

– Calma, Euríale — diz Esteno — concentre-se no garoto, na nossa vingança.

Euríale rosna.

– Cuide dela para mim, nosso querido Oráculo não vai fazer nada. É uma fraca!

Esteno avança rapidamente em minha direção. Não daria tempo de puxar uma flecha, porque já havia uma faca atravessada em sua testa.

– Rach — falo quase sem voz — foi impressionante.

Rachel sorri e pega a faca no meio da areia.

– Obrigada.

Euríale nem percebeu o que acontecia, suspendia o chicote na direção de Percy. Atiro uma flecha em seu pescoço. Euríale vira pó amarelo em segundos.

Uso magia para soltar Percy. Ajudo-o a levantar.

– Percy — digo sem ar — suas costas...

Havia marcas no chicote nas costas de Percy, estavam se cicatrizando muito rápido, mas mesmo assim era doloroso vê-las.

– Relaxa — ele disse — vão sair rapidamente. Ainda bem que esse chicote não atingiu minha coluna...

Não entendi o que ele quis dizer.

– Vamos, gente! — disse Rachel — antes que elas voltem!

Corremos para fora da casa e subimos em nossos pégasos. Decolamos.

Enquanto voávamos, coloquei meu pégaso ao lado de Rachel.

– Rachel — digo — aquela sua profecia... Dizia sobre uma guerra. Uma guerra sangrenta.

– Dizia que você terá que evitar uma.

– Mas...

– Di, não se prenda a minhas profecias. Geralmente são tão confusas que é melhor esquecermos por enquanto.

Balanço a cabeça, concordando. Mesmo assim, eu me sentia mal. Enjoada com tanta responsabilidade.

Percy se aproxima.

– Obrigado — ele diz — a vocês duas... Se aquela velha tivesse atingido a base da minha coluna eu...

– Tudo bem — digo — já passou.

Percy olhava com atenção algum ponto lá embaixo. Olhei também. Havia fogo. E mais alguma coisa...

– Quem faria uma fogueira no meio da floresta? — pergunta ele.

– Campistas? — Rachel sugere — normais, é claro!

Não, não eram campistas. Apelei à magia para ampliar mina visão. Tinha um garoto. Deitado próximo a fogueira. Olhei para o outro lado e perdi o fôlego. Um dragão de nove cabeças se aproximava dele.