A Filha Da Lua
19 capítulo 19
Notas iniciais
4 de junho, 1485 — Dia de lua cheia
Minha noite de sono foi terrível, eu não consegui pegar no sono de jeito nenhum. Acabei desistindo de tentar dormir, a adrenalina já tomou conta do meu corpo há muito tempo. Estou acordada já tem uma hora e ainda são 7 da manhã. Cada minuto se passa mais lento que o outro, isso está sendo torturante. MUITO torturante.
Levanto da cama, ponho meu robe preto, minhas pantufas e deixo meu cabelo solto. Resolvo ir para o último andar do castelo, literalmente o último, lá é usado como santuário, minha mãe me levava lá toda semana para rezar e me confessar. Meus motivos para ir para lá agora não são esses, a verdade é que lá tem uma pequena janela a qual da para ver o castelo, uma grande parte do reino e o sol nascendo o que é bem bonito e um pouco tranquilizador. A arena a qual irei lutar não da para ver daqui, apenas do outro lado, mas não quero vê-la, na verdade fui proibida de a ver, já que eles estão preparando tudo, todos os criados com a ajuda de alguns camponeses, o parlamento e obviamente, o tal idealizador.
O idealizador não é alguém muito especial aqui já que não temos eventos desse tipo todo dia. O que importa é que temos um regulamento a seguir, esse regulamento foi escrito a muito tempo, quando a Inglaterra teve seu primeiro rei. Lá ele dita as provas as quais terão que ser ultrapassadas para conseguir a coroa. Esse livro, na verdade, esse pergaminho, está trancado em um baú dentro de outro baú e as chaves, bem, eu não tenho a menor ideia de onde elas estão. Ninguém pode lê-lo, isso seria considerado vantagem e trapaça.
Chego ao último andar e me apoio na estreita janela de tijolos. O frescor da brisa batendo em meu rosto me da um pouco mais de tranquilidade, ele está um pouco gelado por ainda estar de manhã, fecho meus olhos e respiro tudo o que tenho direito. Sinto o aroma do ar, que é dito inodoro mas que para mim tem cheiro de liberdade, sinto o cheiro das pessoas que estão circulando sem parar pelo castelo mesmo ainda estando tão cedo, é bom. Minha família ainda está dormindo, tudo um bando de preguiçosos. As únicas acordadas são minha mãe e minha irmã que estão monitorando os preparativos junto aos Lannister's que se "ofereceram" para ajudar. O que vai fazer agora Anne? Vai tacar óleo no chão para eu escorregar? Provável.
Me distraio tanto com esse tumulto todo que nem vejo a hora passar. Alguns dos camponeses estão dando a volta no castelo indo para o imenso jardim. Lá terá comida, vinho, tudo, assim que terminarem de comer, no caso, ao meio dia, começaremos o Expertus Verus, sim eu descobri esse teste final na verdade tem um nome mais apropriado.
—Como estás? — Levo um susto enorme.
—Que susto Richard!! Quer me matar do coração? — Meu meio-irmão.
—E perder a chance de ver seu lindo sorriso ao agarrar aquela coroa? De jeito nenhum!!! — Tento não ficar envergonhada mas sinto minhas bochechas ruborizarem.
—Não sabemos o que irá acontecer naquela arena!!
—Não, mas eu tenho um palpite. Somos filhos de bruxas não somos? A magia está em nosso sangue. Bem, no seu caso eu acho que está nos cabelos e nos olhos.- Ele tira uma mecha de cabelo de meu rosto e dá um leve riso o qual eu amo.Acho que disse isso uma vez, mas não me canso de repetir. É muito lindo!!!
—Acho que tem razão. Não me acha estranha? A última vez que viu meus cabelos eles estavam castanhos quase claros. Como é me ver agora de cabelo branco?
—É estranho, mas um estranho bom.
—Ah você não me contou, gostou de me ver na Abadia?
—Se eu gostei? Eu amei, Lizzie nunca foi legal comigo, ela se acha superior pelo fato de ser filha de nobres e eu não.
—Você é filho da rainha.
—Você sabe mais do que eu o que ela realmente acha de nossa mãe. — Pior que ele ta certo. — Há quanto tempo está aqui no santuário?
—Que horas são?
—09:30.
—Então tem duas horas e meia que estou aqui.
—E não ficou entediada?
—Na verdade, não. Acho que estou tão nervosa, tão elétrica, que qualquer coisa que consiga tirar esse nervosismo de mim por algum tempo, é uma boa.
—Acho que eu sei de outra coisa que pode lhe acalmar. — Ele vai se aproximando de mim e por algum motivo involuntário eu também. Nossos rostos vão cada vez ficando mais e mais próximos, a mão dele segura em minha nuca e seus dedos alisam meu rosto, nossos olhos se encontram por alguns segundos antes de nossos lábios.
Um beijo suave e calmo, meu primeiro beijo, diferente do que eu imaginava, muitos dos que conheci me disseram que seus primeiros beijos foram ruins, muita saliva, muita língua, muito dente, pouco língua, enfim, não foi o caso. O beijo é equilibrado, é romântico, é perfeito. Ele pode ser calmo mas é de tirar o fôlego, com o tempo nossos rostos vão se separando lentamente, nos encaramos por alguns segundos, não sei como mas nossas mãos estão entrelaçadas. Acho que fiz isso sem perceber.
Ouvimos um barulho alto e nos soltamos imediatamente, cada um indo para um lado fingindo que nada aconteceu.
—Princesa? Ai desculpe-me não sabia que estava com companhia. — Tinha que ser Bella. Ela é uma das criadas mais atrapalhadas daqui, mas é um amor de pessoa. Ela serve a Lauren, não a mim.
—Tudo bem, Bella. Então, diga, para que veio aqui?
—Ah sim!! Sua família acordou, princesa, eles querem que tome café da manhã com eles. Estão todos bem ansiosos.
—Ok. Já vou, pode se retirar. Obrigada!!- Sorrio para ela que retribui e se retira.
Olho para Richard que esse tempo todo que Bella esteve aqui tentou fingir que nada estava acontecendo. Vou em direção a porta mas ele segura em meu braço e me beija mais um vez por apenas alguns segundos.
—Pra dar sorte!! — Rimos. — Pronta para o café da manhã real milady?- Ele pergunta zombando e fazendo a referência.
—Sim milorde!!!- Reverencio também e vamos para a sala de jantar rindo fingindo que nada aconteceu.
Assim que entro na sala ouço meus irmãos e irmãs dizendo coisas como: É hoje, Ta pronta?, Como se sente?, etc.
—Pedi para que fizessem algo bem nutritivo para você. Tem que estar bem forte.
—Não estou com fome, mãe.
—Claro que não está. O nervosismo já a consumiu por completo. Agora come. Não quero que você desmaie mais tarde. — Sento-me à mesa e só noto que estava mesmo com fome quando começo a comer. Pela primeira vez na vida eu não sinto o gosto da comida e tenho certeza que não é culpa da cozinheira.
—Aonde ficou a manhã toda Irina? Tenho certeza que não estava em seu quarto. — Pergunta Margarida.
—Estava no santuário.
—Se confessando?
—Não, admirando a vista mesmo.
—Richard estava lá também?
—Por que a pergunta?- Tenho medo da resposta
—Por nada, é que vocês chegaram ao mesmo tempo.
—É... Nós, nós nos...- Ele não sabe o que falar
—Nos esbarramos. No corredor. — Invento.
—Ata... Se não fossem irmãos eu diria uma coisa mas né...
—Robert!!!! — Obrigada mãe.
—O quê? — Ele ri enquanto leva a xícara de café à boca.
—Você sabe muito bem o que!!!
Acabo com a comida do prato e a vitamina que minha mãe preparou. Ainda tenho muito o que fazer em apenas 2 horas.
—Licença. Tenho que fazer uma coisa.
—Aonde vai?- Pergunta minha avó.
—Eu tenho que treinar, vó!!!
—Sim, mas vai treinar sozinha? Por que não vai com seus irmãos?
—É que eu nunca treinei com alguém além do povo do Winterfell, se não posso treinar com eles prefiro ir sozinha.
—Mas por que não pode treinar com eles?- Pronto agora ela ta ficando caduca.
—Porque eles estão em Winterfell e eu na Inglaterra!!!
—Ah sim, mas olha eu encontrei essas pessoas na rua e acho que eles podem te ajudar a treinar.- Ela vai para a porta da sala e a abre. Será que ela não percebe que eu não quero treinar com ninguém além deles? Isso irrita. — Podem entrar.
Olho para a porta com raiva esperando ver quem é que vai entrar, até que eu vejo uma mulher de cabelos curtos negros e pele bem branca, um nariz arrebitado e roupas de couro pretas. Eu a conheço.
—ARYA!!!!- Corro em sua direção e a abraço com força. — Você veio!!!!
—Não podia perder esse espetáculo!!!
—Tem mais!!- Diz minha avó. Logo entram Skyler, Eddy, Luke e Mieko.
—MEU DEUS!!! VOCÊS ESTÃO AQUI!!! — Abraço todos ao mesmo tempo que sorriem sem parar, que nem eu.- Mas como? Como chegaram aqui?
—Assim que saiu de lá resolvemos que não iríamos conseguir esperar uma carta sua dizendo o que havia acontecida então resolvemos vir juntos.
—E o Luke tava com saudade!!!- Eddy leva um empurrão de Luke.
—Todos estávamos com saudade!!- Diz Luke.
—Eu sei, vocês me amam!!!
—Agora que nos reencontramos, já teve abraço, momento fofo mas, agora vamos treinar. Irina ponha uma calça e uma blusa.
—Não tenho. Aqui as mulheres só usam vestidos!!
—Imaginei que fosse dizer isso e trouxe umas roupas minhas, sei que temos o mesmo tamanho!!- Diz Sky.
—Obrigada amiga!!!
—Tem um lanchinho não? To morto de fome!!- Resmunga Eddy.
—Venham tem umas torradas aqui podem se servir enquanto Irina troca de roupa!!- Diz Lauren.
—Vou indo. Nos encontramos no jardim frontal. Não há ninguém lá e não tem como nos verem.
—Ok.
Vou para o meu quarto e vejo as roupas que Sky trouxe em cima de minha cama. Ponho uma calça preta legging e uma blusa regata branca. Sinto falta de usar roupas assim, o vestido pesa e esquenta muito nessa época. Prendo meu cabelo num rabo-de-cavalo pego minha espada e vou para o jardim frontal. Chegamos todos ao mesmo tempo. Vejo Richard junto a eles, ele deve ter pedido para assistir.
—Ainda se lembra do que a ensinamos? Ou já esqueceu tudo nesses 3 dias? — Pergunta Luke com uma cara de treinador.
—Não sei, vamos ver se você se tornou capaz de me vencer. Acho que não né, já que vocês 5 e mais um bando de patrulheiros do muro não conseguiram vencer a frágil e inocente princesa da Inglaterra!!! — Chegamos no jardim que tem um tamanho bom para treinarmos, não é grande como o lugar que costumávamos treinar em Winterfell mas ta bom para um treino. Richard se senta no banco que há mais para dentro e fica sentado de braços cruzados.
—Será que ainda vence? — Ele arranca a espada da cintura e corre minha direção. Logo levanto meu braço impedindo seu movimento, começo a atacar e assim vai, logo estamos fazendo o mesmo do dia na patrulha da noite, estou lutando com os 5 ao mesmo tempo, isso é muito legal cara, antes eu mal conseguia lutar contra um deles e agora venço todos.
Ficamos lutando por uns 45 minutos, são 15 pras 11, 1 hora e 15 minutos para o Teste Final.
—Está bom, Irina você está ótima, dê sua espada para Eddy, ele irá afia-la para você. Sei que não confia em ninguém. E está certa.
—Vá para seu quarto, tome um banho, descanse um pouco, quando for a hora, alguma de suas criadas irão lá para ajuda-la.
—Ok. Vejo vocês em uma hora e 15 minutos.
—13!!!- Corrige Mieko rindo.
Dou meia volta e vou para meu quarto. Algumas criadas estão circulando pelo local arrumando as coisas.
—Princesa!!! Preparamos seu banho, venha!! — Concordo coma cabeça e tiro minhas roupas entrando na banheira, a cada minuto que se passa eu fico mais nervosa. Fico alguns minutos na banheira e saio pondo meu roupão.
—São 11:00, princesa. Não acha melhor já começar a se arrumar?
—S-sim, claro. — Me levanto e vou com ela. Pego minhas malas que ainda não estão totalmente desfeitas e retiro a armadura de lá.
Visto-a e Jill, uma das criadas, amarra-a para mim. Ponho as botas que têm um enorme cano que vai até um pouco abaixo do joelho. Na parte do tornozelo não há ferro apenas para para que não me atrapalhe para correr ou até mesmo andar.
—Será que podem me deixar sozinha? Por favor. — Elas sorriem para mim e se retiram do quarto.
Sento-me na cama olhando para meu quarto, essa pode ser a última vez que o vejo, se eu perder (bate na madeira), Lizzie com toda certeza me expulsará daqui. Eu e toda a minha família. Ouço a porta abrir deve ser alguma criada, olho para a porta e vejo o diabo em forma de pessoa parado ali me encarando. Isabel Lannister.
—Irina Targaryen.- Ela da um pausa e me olha de cima a baixo como se estivesse me analisando, o que de fato está. -Tinha fé que na próxima vez nos encontrássemos, você estaria dentro de um caixão.
—Sinto muito desaponta-la. Mas essa é a verdade titia, eu voltei, eu estou aqui, firme e forte, pronta para o Teste, pronta para assumir o trono.
—Não me precipitaria tanto se fosse você, sobrinha. Você sempre foi assim Irina, desde pequena, a rebelde das suas irmãs, não gostava de seguir regras, odiava quando sua mãe a reprendia mandando-a sentar como uma garota ou quando queria brincar e correr e ela dizia que não eram coisas de uma princesa. Nunca aceitou a sua realidade né?
—Nunca aceitei e nunca irei aceitar. Estou aqui para isso.
—Pelo amor de Deus, Irina- Ela grita impaciente comigo.- Desista disso!!! Se poupe de tanta humilhação, todos lá fora irão rir de você no instante que perder. Você não tem chance contra o que a aguarda, olhe para você, continua fraca como sempre. Este talvez seja o melhor conselho que eu já te dei na vida. Desista dessa palhaçada toda, abdique do trono, se não quer ser rainha do modo tradicional então não tente mudar as coisas. Aceite a realidade, querida. A coroa não foi feita para pessoas como você, e sim para pessoas como eu. — Sinto como se meus olhos sangrassem a cada palavra que sai da boca dela, cerro meus punhos segurando-me para não golpeá-la.
—Lizzie eu irei falar somente uma vez. EU estou de volta e serei a próxima reinar a Inglaterra, não adianta chorar e resmungar como quase fez na Abadia quando me reconheceu. Nem você, nem a sua irmã, seu marido ou sua mãe conseguirão tirar isso de mim. Se alguém tem que desistir de algo aqui é você, dessa sua psicose com a coroa. Lizzie entenda, você nunca será rainha, a única deste quarto que está sendo humilhada é você. Aceite a realidade, é menos doloroso. — Ela franze as sobrancelhas e me encara com fúria no olhar. Ela avança em minha direção pisando forte no chão e para em frente à mim.
—Escuta aqui, Irina!!! Eu quase a matei uma vez e posso fazer de novo!!! Pensa que é um orgulho para sua família? Que está honrando seu pai e sua irmã? Com, com esse cabelo pintado de branco, esses olhos anormais e esse papo imbecil que você é a Filha Da Lua? E ainda mais com essa ideia medíocre de reinar sozinha? Está enganada, meu amor!!! Está MUITO enganada!!! Tem sorte de seu pai não estar mais aqui, ele estaria envergonhado se pudesse ver isso. — Ela me olha novamente de cima abaixo com aquele nariz empinado dela e diz com nojo e ódio. — Você NUNCA será uma rainha de verdade!!! — Viro me de costas encurvando as costas abraço-me com meus braços e finjo estar choramingando.
—Vo-você tem razão Lizzie, eu jamais serei uma rainha de verdade!!!! — Ela sorri maliciosamente como quem diz: Eu venci. Viro-me totalmente para ela esticando minhas costas e levantando cabeça. — Eu serei uma khaleesi!!! — Arranco minha espada da cintura e a arremesso como um boomerang, acertando a porta num ponto um pouco acima da cabeça dela.
Ela olha para a porta e me encara com espanto e medo, ela arrebita seu nariz novamente e sai porta a fora. VACA. Eu odeio essa mulher, ela teve a coragem, a audácia de confessar na minha frente que tentou me matar. Eu preciso dessa coroa!!! Assim que ela sai minha mãe entra, no instante que elas passam uma do lado da outra elas viram os rostos e se encaram com desprezo. Se tem alguém que eu ache que odeie a Lizzie tanto ou mais do que eu, é a minha mãe. Vamos dizer que ela não foi muito receptiva quando ela chegou.
Volto-me para o espelho e começo a tentar prender meu cabelo em um coque que de preferência não solte. Minha mãe se aproxima e pergunta:
—O que ela fazia aqui?
—Melhor você nem saber!!!
—É, acho que tem razão. Vim aqui ver se estava tudo bem. — Noto que ela está preocupada.
—Sim, eu, eu to bem.
—Não parece... Irina!!! — Grita ela.
—O que foi?
—Está com as mãos geladas, suando frio e está tremendo!!! Ora filha!! — Ela me puxa para a cama e se senta comigo. Apoio minha cabeça em seu ombro enquanto ela alisa meu cabelo.
—Não quero que fique assim, está muito estressada, isso não faz bem.
—Mãe meu coração está a mil, eu sinto como se quisesse chorar sabe, eu estou sentindo as consequências da escolhe que eu fiz.
—Não, isso não são as consequências. É a pressão que você notou que havia sobre você, alguma hora ela chegaria, no instante que tomou essa decisão ela se criou e agora veio a tona. Tem medo de fracassar, de perder tudo, de desapontar sua família e seu reino.
—A senhora é uma boa bruxa!!- Digo rindo e secando as lágrimas que involuntariamente caíram.
—Isso não é bruxaria, é intuição materna. Mãe sempre sabe das coisas!!!
Assim que ela termina a frase ela começa a cantar uma canção muito antiga, ela está na nossa família a anos, minha avó cantava para ela e ela canta para mim e minhas irmãs quando estamos tristes ou com medo de algo. Mesmo sem ouvi-la a anos, talvez uns 8, ainda consigo me lembrar perfeitamente da letra e do ritmo.
Em minhas veias seu sangue flui,
por todo tempo, permaneceremos
juntas...
Junto-me a ela e começo a cantar:
Como um vidro que não se quebra,
eu e você, até o fim.
Espantarei seus medos e serei o
motivo de suas alegrias
Pois unidas somos uma só, mais
fortes que tudo.
Te amarei, até seu último suspiro...
Ela me olha mais uma vez e beija minha testa, me desejando boa sorte e se retira do quarto, fico ali sentada mais alguns minutos esperando alguém vir me buscar dizendo que está na hora. Logo a porta se abre e Arya entra correndo por ela. Ela vai diminuindo a velocidade a medida que se aproxima. Ela para e me olha nos olhos, ela balança a cabeça sinalizando que chegou a tão esperada hora. Ela me ergue a mão e eu a seguro. Vamos de mãos dadas saindo do castelo indo para a enorme e gigantesca arena. Ela é tão grande pois ocupa praticamente todo o espaço que há atrás do castelo para protege-lo. Entramos em um depósito que está vazio. Sei que ela está esperando o sinal para abrir as portas e me deixar sair.
Posso ouvir os gritos comemorativos das pessoas que estão lá fora. O reino todo veio, não só os Ingleses mas os franceses e russos, todos querem testemunhar o primeiro Expertus Verus da história.
—Chegou seu dia... — Ela sussurra para mim.
—Pois é.
—Olha Irina, eu quero que saiba, todos acreditamos em você, não importa o que aconteça naquela arena, sempre estaremos contigo. Você treinou fisicamente durante 2 meses para isso mas o seu psicólogo está treinando desde o dia em que passou a entender as coisas que sua família falava. Imagino o quanto deve ser difícil para você ter uma família a qual não pode confiar. Mas você tem a sua mãe, sua irmã Lauren, sua avó e eu. Sempre te apoiaremos, e quero que saiba que a melhor coisa que me ocorreu desde descobrir que meus irmãos estavam vivos, foi receber você em minha casa. Você se tornou minha irmã, você levou a felicidade para nós, deu cor a neve branca de Winterfell. Você é minha melhor amiga. E seja lá o que estiver a aguardando do outro lado daquela porta, eu sei, que você é capaz de detonar!!! Você pode ganhar isso não importa o que os outros pensa ou dizem, você está preparada para vencer e se não estivesse sabe que eu diria.
Você tem uma vantagem, muitos não acreditam mas eu sei a verdade, você é a verdadeira e única Filha Da Lua, sua força é maior do que a dos 5 homens mais fortes de seu reino, sua rapidez e inigualável, e sei que sua técnica para lutar é a melhor de todas.
—Como pode ter tanta certeza?
—Porque fui eu quem te ensinou... — Ela estica a mão e vejo que está segurando a bainha com a espada. Prendo-a em volta de minha cintura e olho para cima. Ouço as cornetas tocarem e o povo vibrando, as palavras gritantes dizem: Senhoras e senhores, com vocês, a princesa da Inglaterra, Irina da casa Targaryen.
—Está na hora. Pronta?
—Mais pronta do que nunca!!!- Ela abre as portas e eu saio sozinha, o povo grita mas eu não consigo sorrir para ele, apenas ando reta até o centro da arena. Viro-me de frente para o imenso público e ouço o locutor no megafone.
—Hoje teremos o primeiro teste do mundo para eleger uma Khaleesi. Isso nunca foi visto em nenhum outro reino, mas essa foi a escolhe de Irina. — Odeio quando dizem que isso foi uma escolha minha. Não foi só por mim, a maior parte até que foi, mas não toda. — Hoje ela irá, ou não, provar-se digna e preparada para reinar sozinha. Será que ela é capaz ou será que realmente precisa de um rei, de um homem que tome as decisões certas pelo reino. — É impressão minha ou esse cara disse que uma mulher não é boa em tomar grandes decisões?
O reino vibra, grita e assovia cada vez mais, o locutor levanta a mão pedindo silêncio e o povo o faz.
—Agora, para fazer a leitura do pergaminho, quero chamar, nossa querida e amada, rainha Elizabeth. — Minha mãe da um leve sorriso para o povo e sobe para começar a leitura. Ela pega o megafone e tosse limpando a garganta e dando início ao pronunciamento.
—Uma prova será dada para quem o trono quiser tomar, nela perigosos desafios terá que se enfrentar, sem a ajuda de ninguém e nada mais do que uma espada de ferro, terá. Nessa prova ficará cara a cara com seus maiores pesadelos e terá que enfrentar coisas as quais jamais imaginou que poderiam existir. Mas se a isso sobreviver e ao final do teste chegar, uma Khaleesi, você digna de ser, será...
Noto que ela fica mais pálida, relutante, para não ler a próxima frase, eu tenho medo do que esteja escrito, mas imagino o que seja. Ela olha para mim com desespero, respira fundo, fecha os olhos e completa.
—Que o Expertus Verus, começe...
Fale com o autor