Notas iniciais
Bem gente essa é a primeira fic q posto aqui então espero q gostem!

20 de março, 1485 — 12:00
12 horas para a lua cheia

Acordo com a luz do sol refletindo em meu rosto. — Quem foi o maldito que abriu as cortinas? — Logo penso.

Meus olhos lacrimejam, não consigo raciocinar nada, esfrego os mesmos com força o que acaba me causando uma leve dor, mas aos poucos ela passa e eu vou conseguindo me acostumar com a claridade e finalmente enxergar.

Olho ao meu redor contando ao todo mais de 10 criadas neste quarto. Eu mesma só tenho 3 damas de companhia(criadas) particulares, mas aqui tem umas 20 que andam de um lado pro outro como se estivessem em uma feira.

Fico observando-as apoiada em meus braços cansados, tentando identificar o que cada uma delas faz. Uma mede um vestido, outra costura, outra não para de dar ordens, é muita coisa acontecendo para alguém que acabou de acordar. Já me sinto até zonza com tanta baderna.

—Meu Deus! Princesa!- Janu se assusta anunciando a todas o meu despertar. Elas param o que estão fazendo e viram para mim notando que estou acordada.

Demoraram hein!

Elas se reverenciam automaticamente e então Janu se pronuncia:

—Vossa majestade, sentimos muito por termos lhe acordado, mas, sua Lady mãe pediu para que tudo já estivesse pronto quando acordasse.
—Minha mãe? Por que minha mãe fe...? Ah é... -A ficha cai, o efeito do sono passa, e eu me toco do que está acontecendo. -Meu aniversário... Que merda! -Sussurro baixinho.
—Princesa! -Janu bronqueia. -Sua lady mãe não gosta que use esse linguajar inapropriado! -Ela me reprime, mas eu finjo que não ouvi.

Reviro os olhos esfregando meu rosto com as mãos desejando profundamente que isso seja só um pesadelo.

—Vossa majestade, me permite saber o porquê de tanta frustração? Deveria estar alegre com o dia de hoje. -Janu comenta.
—Eu sei... Talvez eu estivesse, se não fosse obrigada a escolher um noivo! -Falo.
—Ah, princesa... Olhe o lado bom! Pelo menos a senhorita poderá escolher! Muitas damas não tem essa oportunidade é sempre o pai que escolhe! -Acrescenta Rosa. -Já ouvi falar que os franceses são uma graça.
—Escolher entre os 15 homens que meu pai selecionou não é de fato escolher, Rosa. -Digo.
—Minha querida, se serve de consolo, a minha tia que descansa em paz esperou tanto por um marido que acabou ficando solteira. Não é isso que quer para a sua vida, é majestade?
—Prefiro morrer sozinha a ser forçada a me casar com um homem que não amo. -Respondo irritada.
—PRONTO! -O grito ecoa pelo quarto fazendo eu me estremecer. -Opa! Desculpe interrompê-la, princesa. -Fala Matilda em choque.
—Sem problemas, Matilda. Pode se acalmar!
—Então, princesa, podemos vesti-la agora, para seu desjejum? Sua família a aguarda e sua lady mãe pediu para que não atrasasse.
—Tudo bem, se eu não for, sei que mamãe virá aqui reclamar comigo. -Digo me arrastando para fora da cama com muito preguiça.
—Ótima escolha, majestade- Me levanto e levo um susto quando minhas criadas gritam:
—Feliz aniversário, princesa!!! — Dizem todas se reverenciando de novo.
—Aaaii! Que susto, gente!- Meu coração acelera, mas com o tempo volta ao normal. -Mas, muito obrigada!

Vou em direção ao vestido e ele até que é bonito. Tem um estilo canoa, é rosa avermelhado com alguns detalhes feitos a mão simplesmente magníficos, sua saia se movimenta com leveza, é lindo demais. Enquanto elas acabam de dar os toques finais no vestido Hanna ajeita meu cabelo. Elas ficam ali durante uns 15 ou 20 minutos, até que acabam.

—Ai, majestade, a senhorita está realmente uma princesa.
—Tão linda!
—Vamos! A rainha e o rei a aguardam junto às suas irmãs e irmãos.

Enquanto ando pelo palácio em direção a sala de jantar fico pensando no porquê de estarmos fazendo uma festa? Não está tudo bem.

Meu tio paterno, Jorge e sua esposa Isabel, mataram meu avô Ricardo e meu tio Anthony por ódio. Eu nunca irei perdoá-lo por isso, e o pior é que o idiota do meu pai, o rei, não faz nada só porque não quer causar mais uma guerra.

Acho que está na hora de eu me apresentar.

Eu sou Irina Targaryen, a futura rainha da Inglaterra.

Uma história longa e complexa, mais complexa que Os Cavaleiros Do Graal, mas tudo bem. Com o tempo você entenderá melhor o que acontece neste reino.

Minha mãe teve 11 filhos. Sim. Você leu certo!
Onze filhos!
Lauren, Mary, Eu, Robert, Margarida, Bridgit, Catarina, Ricardo, Anny, Tomás e Richard.

A mais velha é a Lauren, que hoje tem 18, ela abdicou do trono quando fez 16.
A segunda mais velha é a Mary, ela está doente e não sabemos se ela sobreviverá a doença...
A terceira mais velha sou eu. Pois é. A mais despreparada, aquela que ninguém nunca apostou um centavo por ser a terceira da linha de sucessão, justamente eu assumirei o trono.

Nossa constituição diz que o quarto filho nunca poderá herdar a coroa, acreditamos que se uma família teve três filhos e nenhum deles foi capaz de se manter no trono, é porque a vontade de Deus é que outros o herdem. E como vivemos sob ameaça de morte da parte paterna da família, ou eu assumo o trono ou eles assumem.

Minha mãe e minha avó Elizabeth e Jacqueline Targareyn, como posso falar...? Elas são o que chamamos de... "especiais"! Ou melhor, bruxas! Elas querem vingança sobre o que houve com meu tio e meu avô, e eu também, por mim já teria mandado decapitar Jorge, sua esposa Isabel e sua irmã mais nova, minha outra tia, também sucessora do trono, Anne.

Anne e Isabel são minhas tias paternas, estarão na minha festa de aniversário, mas sei que nem um pouco felizes. Elas sempre foram ambiciosas e quando todos nós nos sentarmos nos tronos, elas mal irão se reverenciar. Já tentaram roubar o trono inglês uma vez e nada as impede de fazer de novo.

Vou andando pelo castelo preparando meu sorriso falso, quando chego na sala de jantar e imediatamente minhas irmãs e irmãos levantam correndo pra me abraçar. Eu achei que fosse ser esmagada até porque foram 10 pessoas me abraçando ao mesmo tempo.

—Meninas, cuidado! Não vão querer sufocar sua irmã no aniversário dela! -Brinca minha mãe enquanto nós rimos.
—Feliz aniversário, Ina! — Falam todos ao mesmo tempo. Catarina e Bridgit, as mais novas, me puxam para sentar ao lado delas. Elas sempre me chamaram de Ina já que não conseguiam pronunciar Irina.
—Mãe? -Chamo.
—Sim, filha?
—Meus irmãos... Tomás e Richard virão para cá?

Tomás e Richard são filhos de minha mãe com outro homem, o ex-marido morto dela. Meus meio-irmãos.

—Claro. Eles não perderiam seu aniversário por nada filha! -Ela fala com aquela voz doce enquanto passa a manteiga na torrada. -Por que a preocupação?
—Por nada não... É que nos meus outros aniversários eles já estavam aqui quando eu chegava.
—Não se preocupe, querida, sei que logo logo eles estarão aqui. -Ela me tranquiliza.
—Ok... Bem... Estou com fome! -Exclamo.
—Que bom! Sua cozinheira fez seu prato favorito. -Meu pai entra na sala com o sorriso mais encantador do reino. Entre uma tosse e outra, ele bagunça meu cabelo depositando um beijo em minha bochecha me parabenizando por hoje.
—Onde estava, pai?
—Tive que resolver umas coisas. -Ele tosse.
—Edward, meu amor, está tudo bem? -Pergunta minha mãe analisando-o com seus olhos verdes.
—Sim, meu amor. É só uma gripe. -Ele fala com aquela voz terna que sempre nos passava a sensação de segurança. É por isso que ele é um ótimo rei. -Não se preocupe, Elizabeth!
—Ina, esse é o vestido que você vai usar na festa? -Pergunta Bridgit, a caçula, me encarando maravilhada com aqueles grandes olhos castanhos e cabelos loiros.
—Sim.
—Ele é lindo! Todos os garotos do reino vão querer casar com você.-Ela fala aquilo de um jeito doce mas eu não consigo disfarçar a raiva que aquilo me da. O sorriso em meu rosto simplesmente desaparece.
—Ela está certa, Irina. -Concorda Anny. -Já sabe qual dos lindos garotos da corte francesa irá escolher? Ou irá escolher algum Russo?!
—Ah, eu vi um russo lindo! Se você não quiser, eu quero! -Fala Margarida e as duas riem.
—Falando em casamento... Mãe, posso falar com a senhora?
—Depois, querida. Agora, termine de comer, toda sua família está te aguardando no salão de festas.
—Ok...

Olho pra aquela mesa e percebo mais uma vez o quanto eu destôo dessa família. Embora os ame imensamente e me sinta amada, sei que não sou como eles, a começar pela aparência. Todos puxaram a minha mãe, louros, seja claro ou escuro, olhos verdes ou azuis e eu vim como meu pai. De cabelos escuros como a noite e olhos negros como as sombras, eu me destaco dos outros.

Além disso, o mundo de conto de fadas que todos vivem não combina comigo. A única que me entende é minha irmã mais velha, Lauren. Ela abdicou pelo mesmo motivo que me faz repudiar a coroa todos os dias.

Termino de comer os ovos com bacon e aviso a minha família. Eles rapidamente terminam suas refeições e todos nos levantamos para irmos ao salão de festas.

Antes de entrarmos, mamãe manda fazermos a fila: Bridgit e Caterine as mais novas na frente. Mamãe e papai como dupla atras delas, depois o trio: Lauren, eu e Mary, e depois em quarteto Robert, Margarida, Ricardo e Anny. E assim as cornetas tocam, as portas se abrem e nós entramos.

A cada fileira pela qual meus pais passam, se reverencia.

Avisto meu tio Richard ao lado de Anne ele me da um leve sorriso mas Anne me olha com desprezo e Isabel levanta a sobrancelha esquerda enquanto me analisa dos pés a cabeça. Mas, apenas as ignoro.
Me sento no 4ª trono do lado direito, quando todas estamos sentadas meu pai começa a dizer:

—Muito obrigado pela presença de todos hoje no aniversário de minha filha, sua princesa: Irina Targareyn. — Todos aplaudem e começam a gritar:
— Vida longa a princesa Irina!

Dou um sorriso amarelado para eles desejando que acabe logo esse constrangedor momento. Passam-se uns 3 minutos com o povo me aplaudindo e eu com um sorriso falso estampado no rosto.

Espero que tenham notado minha má vontade!

Quando terminam com aquela coisa toda minha avó materna, Jacqueeta, vem falar comigo. Ela é, sem dúvidas, uma das pessoas que eu mais confio nesse mundo, quando minha mãe veio para cá, a mãe de meu pai, sua sogra, Cecília Lannister ameaçou retirar meu pai do trono para por algum de seus outros filhos entre tanto minha avó que foi dama de companhia dela, claramente sabia todos seus segredos e ameaçou espalhá-los e assim a vitória foi aos Targareyn.

Amo quando minha avó me conta essa história!

—Feliz aniversário, minha querida! -Ela diz me abraçando com muita força. -Sabe o que significa seus 16 anos?
—Não... O que vovó?
—Poderei ensiná-la aquilo que sempre sonhou. — Ela sussurra em meu ouvido.
—SÉRIO? -Acabo gritando sem querer, ela faz shh, mas, eu ainda estou perplexa.
—Sim, seríssimo! — Diz ela rindo.
—Te amo. Te amo. Te amo! -Repito direto abraçando-a. A coisa que eu mais sonho em aprender, é a magia. Minhas irmãs não têm o mesmo interesse porém, eu sempre quis aprender.
—Ina olha! -Uma voz me chama. -O Tomás e o Richard chegaram!- Grita Bridgit.

Olho para frente, desviando os olhos de minha avó, e vejo meus irmãos abraçados a minha mãe, ela os solta e olha para mim com um sorriso no rosto, me chamando também.

Levanto no automático do trono, e corro o mais rápido que consigo correr com esses saltos para abraça-los.

Simplesmente pulo nos braços dos dois ao mesmo tempo. Eles me abraçam com força e eu retribuo. Tomás me ergue no ar me fazendo muitas cócegas, e quando me põe no chão de novo e eu os agarro com mais força. O mesmo acontece com Richard.

—Fiquei com medo que não viessem!- Digo ofegante.
—E perder os 16 anos de nossa irmãzinha favorita? Isso é segredo! -Ele sussurra a última frase me fazendo rir.
—Nunca né! -Concorda Richard.
—Nós trouxemos uma coisa para você. Tenho certeza que irá adorar! — Os dois saem correndo e logo voltam carregando um baú que parece muito pesado.
—Meu Deus! Uau! O que tem ai dentro? — Pergunto curiosa.
—Abra e veja! — Fala Tomás.

Levanto a tampa do baú e noto, há 3 ovos ali, um vermelho, um verde e um dourado. Minhas aulas favoritas sempre foram história, principalmente a mitologia e que eu me lembre esses ovos só podem ser de um animal.

—Ovos de dragão? -Indaga minha mãe perplexa, havia até esquecido que estou numa festa.
—Meu Deus! Como vocês sabiam? Como encontraram? -Pergunto sem parar.
—Richard me contou que quando nasceu só falava de dragões, só lia histórias sobre eles e que sempre que saia do palácio ficava cavando na terra procurando ovos de dragões.
—Meu Deus! Você ainda se lembra!-Digo olhando pra Richard e ele sorri pra mim me abraçando novamente.
—Claro que nos lembramos! -Concorda Tomás.
—Diz a lenda que se você os colocar em um lugar com uma temperatura muito alta eles se eclodem e libertam os dragões e se eles chocarem de dia são vermelhos ou laranjas porém durante a noite eles podem ser brancos, cinzas ou pretos! -Conta Richard.
—QUE LEGAL! Muito obrigada, meninos! Eu amei! Ele ficará ao lado de minha cama, cuidarei direitinho deles podem deixar! — Minha mãe chama três de nossas criadas e pede para que elas levem o baú até meu quarto com cuidado até porque se um só deles quebrarem eu mato um.

Eles se retiram indo falar com nossos outros irmãos e eu aproveito a chance para falar com minha mãe.

—Mãe... Posso falar com você agora? Por favor!
—Ai... Tudo bem. Um momento meninos, já volto.

Saímos de perto de toda aquela barulheira e vamos ao corredor mais próximo.

—Então, Irina, fale o que de tão urgente tem para me contar?
—Eu... Eu não quero escolher um noivo.
—Nós já conversamos sobre isso, Irina. Sabe que sua irmã Lauren renunciou ao trono e sua irmã Mary não está com a saúde muito boa, por mais que me doa dizer isso... -Ela da uma pausa contendo as lágrimas. -Não sei se ela sobreviverá por muito tempo. Tem que escolher um noivo e hoje!
—Mas... — Antes que eu possa terminar ela me puxa para um canto mais reservado.
—Você quer que sua tia Isabel e seu tio Jorge assumam o poder? É isso que você quer? As pessoas que mataram o pai e o irmão de sua mãe? — Ela pergunta frustrada, nervosa.
—É claro que não, mãe... Sabe muito bem que eu quero vingança contra os Lannister's!
—Então, ouça bem o que eu vou te falar! Você é Irina da casa Targareyn, nasceu de mim, rainha Elizabeth Targareyn, seu pai é o rei Edward Lannister. Se quiser o poder, precisará toma-lo a força e segura-lo. Não pense que é só se casar e pronto. Pois não é assim. Depois que casar terá uma luta diária para manter essa coroa na sua cabeça ou então sua cabeça será mantida numa estaca de madeira! Sabe que todos querem o poder. Por isso te sugiro que escolha o que tiver o melhor exército, o mais rico e o mais poderoso. Suas irmãs amariam virar rainha. E você irá ser uma e não quer?
—Eu preferiria ser uma camponesa, ter paz, me casar com quem eu queira, meus parentes não me odiariam por eu ser quem sou. -Digo segurando as lágrimas por um sonho que não posso realizar. -Não quero acabar como Margaret Stark!
—Como assim? O que os Tudor tem haver com isso? — Tudor é o último nome da família de Margaret Stark.
—Não quero acabar trancada em um palácio, rezando todos os dias para Deus pedindo um sinal, algo que mostre que ainda há esperanças na minha vida. Não quero um dia ter uma filha e ser afastada dela por ordens ou viver com um cara que não me ame.
—Te entendo, Ina. Mas, se acalme Margaret se apaixonou mas, não pode escolhe-lo. Se você se apaixonar por alguns dos caras escolhidos poderá se casar com ele. Eu e seu pai já conversamos com todos, muito educados e gentis. Você irá adora-los. E sabe muito bem que seu pai não aceitará que renuncie ao seu cargo de Rainha. Entende agora?
—Sim... Mãe?
—Fale!
—Quando...Quando irei conhecê-los?
—Seu pai mandará que eles se apresentem quando for a hora. Agora vamos voltar antes que percebam que saímos.

Então ela segura em minha mão e voltamos para aquele salão de festas...