A Fera

1 Prólogo


Notas iniciais
Meus amores.... Aqui estou eu, de volta ao mundo de Adélia e Rafael! Estava com muitas saudades de postar, por isso fiz uma coisa especial para nós: um pedacinho de história! Tudo está indo muito bem por aqui, e fico feliz em dizer que essa segunda temporada será de arrepiar. Sem mais, aproveitem, por enquanto, este prólogo! Mil beijos ♥

A princípio, a escuridão do ambiente deveria ter lhe causado alguns calafrios. Ele mal conseguia enxergar os próprios dedos diante de si, que buscava desesperadamente no escuro. A brisa fria que tapeava seu corpo parecia chegar até os ossos, e cada suspiro parecia pesar.

Um típico pesadelo, ele notou rapidamente.

Estava exausto demais para ter pensamentos ruins antes do sono, e tranquilo demais para ter os bons. Sua mente tinha um jeito peculiar de representar o vazio que sentia em seu peito quando caía no sono sem sentimentos para tirá-lo do neutro.

Ele, no entanto, não queria que fosse um pesadelo comum.

Se ele não poderia enxergar um palmo em sua frente, então poderia senti-lo.

Sim, cada pedacinho de seu corpo pareceu responder aquela ordem.

A brisa fria que o fazia tremer pareceu sentir o efeito de sua força de vontade, e logo deu espaço para que algo quente se aproximasse perigosamente de seu corpo.

Algo não; alguém.

Aquele perfume doce lhe era tão familiar quanto o seu próprio, e o modo como aquele aroma o fazia se sentir fez seu rosto arder. Não precisava enxergar ou tocá-la; aquele simples perfume entregaria sua presença em qualquer lugar em que estivessem.

Todo aquele constrangimento que o fazia se revirar e embolar-se nos lençóis logo foi substituído por um toque, seguido de um sentimento de… Conforto? Era difícil dizer.

Primeiro, seus dedos estabeleceram uma leve conexão. Ele percebeu, subitamente, o quão quente eles eram. Não parecia haver obstáculo algum entre suas peles, na verdade. O calor que emanava de seus corpos parecia o suficiente para acender uma faísca quando se tocavam, como se estivessem com febre.

Suas mãos agora estavam entrelaçadas, e ele mal tivera tempo para processar o sentimento que aquele simples toque lhe causava quando sentiu seus corpos colidirem suavemente, se encaixando um ao outro quase tão perfeitamente quanto uma peça de um quebra-cabeças.

Ele podia sentir sua respiração em seu rosto, a pressão de seus dedos esguios em seus ombros trazendo-o para mais perto e seus lábios, colando suavemente nos seus.

Sua boca era tão suave e delicada que por um momento ele quase pensou que ela não estava de fato beijando-o. Um movimento de seus lábios denunciou a ação, e o arrepio que aquele ato lhe causou foi indescritível.

Cada toque suave de sua língua, as carícias em seus cabelos e o modo como seu corpo ardia em paixão o fazia se sentir mais dominado por um único sentimento até então desconhecido.

Aquilo era um vício. A cada toque, a cada passeio que suas mãos davam por seu peito e a cada arrepio que o fazia arfar, ele sentia que precisava de mais. Mais beijos, mais carícias, mais calor… Mais dela.

Aquilo era tão errado e tão certo… Tão perigoso, mas tão prudente.

Estava eufórico. Queria poder lhe dizer tudo o que sentia, o quanto queria que ficasse.

Mas não havia mais tempo.

Tateou inutilmente o escuro, em busca dela. Mas ela não estava mais lá; e nem ele.

A luz ofuscante que entrava pela janela fez sua mente doer, mas a dor que sentiu foi rapidamente deixada de lado.

Seu corpo inteiro ainda estava queimando em febre — e de carência.

Notas finais
Espero que tenha gostado ♥