A Felicidade Existe?
13 13 - Aquela Garota Com Você
Já havia se passado duas semanas desde o episódio do parque, não ficou nada estranho entre mim e Miguel, não pensem também que ele voltou a me beijar, não, tudo está como antes. Apenas uma coisa diferencia, desde o parque, Miguel tem me vigiado, me assegurou que sempre que algo acontecesse, eu poderia chamá-lo, no começo eu briguei por ele ficar com essa besteira, porém, se ele quiser que fique! Ele conseguiu que eu ficasse sem me cortar desde então.
Cheguei no colégio, já era fim de ano, último bimestre... Entrei na sala, Miguel não estava lá, mas vi sua mochila em sua carteira, dei de ombros peguei meu celular, saí da sala e fui caminhando pelo colégio, enquanto mexia no celular, não estava muito atenta às coisas ao meu redor, vi um meme engraçado e levantei a cabeça sorrindo, para encontrar à minha vista, Miguel e uma garota galega, ela parecia estar chorando e Miguel segurava o rosto dela, o ouvi falar baixinho para ela...
Miguel: Eu gosto de você... Nada mais importa, ok? — com essa frase meu coração falhou uma ou duas batidas, recuei um passo de automático e acho que isso chamou a atenção da garota pra mim
Respire fundo, não tem nada demais, Luara, ele não é nada seu, nem amigo ele deveria ser! Controle-se, controle-se ou você pode acabar machucando mais pessoas e isso eu realmente não quero. Fechei os olhos respirando fundo e então os abri, notando Miguel se virando e antes que ele se virasse por completo eu já havia me virado e andei apressadamente...
Miguel: Lu! Lu, espere! — Miguel me alcançou e me virou para ele, pelo meu braço — Não é nada disso!
Luara: Tá tudo bem, Miguel. Não sei porque tá tão nervoso... — Olhei para a garota agora chorando mais claramente — Ela tá mal, acho melhor você voltar lá.
Ele me olhou incerto, então olhou para a garota e se virou pra mim
Miguel: Tá tudo bem mesmo?
Luara: Por que não estaria? — São nessas horas que agradeço internamento por ser capaz de omitir meus verdadeiros sentimentos, porque é melhor assim
Sorri para ele e ele soltou meu braço com relutância, quando ele virou as costas para mim, suspirei baixo inconscientemente e senti minha alma chorar, odeio sentir isso, odeio quando as pessoas me deixam por outra, entretanto, é o certo, não achei ninguém que mereça algo tão quebrado quanto eu. Fui para a sala apenas por ter tocado, pois a vontade de chorar e gritar ainda era forte, passei a primeira aula riscando uma folha do meu caderno com caneta preta. Meu rosto estava inexpressivo, se olhassem meu rosto não poderiam dizer a guerra infernal dentro de mim que está ocorrendo.
Na segunda aula, não aguentava mais, o professor de física começou a dar as notas da prova mensal e quando chegou minha vez, eu só tirei uma nota horrível. Peguei minha prova mensal de física e guardei em minha mochila, aproveitei e peguei meu canivete, o guardei discretamente em meu bolso e levantei o braço, pedi ao professor para ir ao banheiro e quando ele me permitiu, eu fui.
Dentro do banheiro, entrei em uma cabine e a tranquei, com o vaso sanitário fechado, sentei nele e abracei meus joelhos. Fechei meus olhos com mais força, eu só conseguia me odiar, eu sou tão inútil, nem para tirar uma nota boa?! Abri o canivete e puxei a manga da blusa, alisei o meu braço, onde estavam as cicatrizes, seguei o canivete diferente dessa vez, a ponta da lâmina tocando em mira certa uma veia, eu apertava o cabo do canivete, cerrei os olhos e coloquei um pouco de força, sem arrastar o canivete, queria vê-lo entrar em minha pele.
Vi sangrar antes mesmo de a veia ser atingida, e antes que pudesse afundar a lâmina mais em minha pele, travei a lâmina ao ouvir a voz de Miguel me chamar...
Miguel: Luara? Lu, eu sei que tá aqui e sei o que está fazendo, por favor para — Senti meus olhos marejando e uma lágrima descer por minha bochecha — Por favor, Lu abre a porta, saia — Não respondi e o ouvi suspirar — Não me faça ter que forçar essa porta pra te tirar daí, só quero que fique bem — Quando o senti tocar a porta, estremeci
Tirei o canivete e o fechei, mesmo sujo, meu braço sangrava e eu tentei limpar o sangue com papel higiênico mesmo, cobri o corte com uma mão, tentando disfarçar — Cadê meu casaco essas horas?! — Abri a porta da cabine e saí
Luara: Você sabe que está no banheiro feminino, certo? — soltei uma piada sem vontade de rir — Será que não posso ir ao banheiro sem que você pense que vou me matar?! — E lá estava, a raiva fingida
Ele apenas me encarou com aquele olhar de quem diz: Não tenta me enganar, te conheço bem. Então deu um passo para perto de mim e quando eu ia recuando de automático, ele me segurou no braço e me puxou para ele, me abraçando. Só pude fechar os olhos e me render, ele deslizou a mão por meu braço, parando com a mão dele cobrindo a minha, a minha mesma mão que escondia o corte.
Ele se afastou um pouco, enquanto tirava a minha mão de cima do machucado, ele olhou para o corte ainda sangrando e suspirou, o vi fechar os olhos por poucos segundos e a sua expressão parecia decepção, antes que ele suavizasse o rosto para cuidado e segurasse meu rosto, beijando minha testa e me puxando pela mão para fora do banheiro, ele lavou meu corte na pia e tirou um band-aid do bolso, colocando no pequeno corte, que mais se comparava à um fura na minha pele.
Luara: Desde quando carrega band-aid no bolso?
Miguel: Não carrego, você apenas deu sorte que hoje precisei de um — Ele não me encarou desde que saímos do banheiro, só depois que ele se certificou que meu corte estava cuidado, ele tirou seu casaco e me entregou — Vista, para cobrir — Suspirei e aceitei
Luara: Eu te decepcionei, não foi? — Comentei tentando anular qualquer sentimentos em minha voz, mas pareceu impossível dessa vez, também não consegui o encarar, caminhávamos de volta à sala, entramos e ele não me respondeu, isso me dizia que sim
Depois da manhã a tarde passou rápido, logo chegando a noite...
"Não faço por mal
Não quero seu mal
Tenho medo de te machucar
Meu jeito é esse, é difícil mudar
Sei que errei
Eu te decepcionei
E isso eu não consigo perdoar"
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