A Felicidade Existe?
12 12 - Falando Sobre Família
Novamente estávamos presos no colégio, sendo torturados com assuntos e assuntos. Na terceira aula, seria português, porém, o professor de português teve que sair por problemas pessoais, por isso, quem ficou conosco foi o professor de Sociologia! Já viu, né? Ele sendo o mesmo de Redação, claramente ele nos mandará fazer uma redação...
Prof:- Abram seus cadernos, peguem lápis, borracha e caneta, não quero saber de conversa, vocês deveram fazer uma redação sobre a família e como ela molda o indivíduo!
Respirei fundo ao ouvir o tema, uma sensação em mim, não tinha pouco para escrever — Também, com a família que tenho, né — Comecei a escrever...
"Família, base primária de formação do caráter do indivíduo. O padrão e a ideia de família seria de pais com um casal de filhos, o pai sai para trabalhar e sustentar a esposa e os filhos, enquanto a mãe fica em casa para cuidar das crianças e manter a residência arrumada... Pensamento ultrapassado, porém, muitos ainda acham que deve ser assim.
Os primeiros valores são ensinados pela família, assim como uma criança aprende a falar ouvindo o que falam perto dela, nós aprendemos que garota deve usar vestido e garoto boné. Mesmo com tantas mudanças e evoluções do pensamento em sociedade, continuamos presos às raízes do passado, o preconceito ainda é cultivado pelos mais velhos e passado para a mente de alguns mais novos, seja o preconceito de raça, gênero ou etnia. Muitos podem negar, todavia, todos temos a sementinha do preconceito em nós não é nossa culpa, vem com a nossa história, porém, somos nós que escolhemos se vamos plantá-la ou não, enquanto isso, ela está aí, dentro de cada um, sempre dando uma cutucadinha, vamos falar a verdade, você vê uma família de oito membros, se for pobre é normal, já se for de classe média alta é estranho?! Mesmo que negue, você sabe que pensa assim! A família causa isso, de geração a geração, sempre passando o legado do preconceito. A família pode ser um meio de formação do caráter, mas não é uma desculpa completa para uma personalidade ruim, além da família, você tem os amigos e o mais importante os acontecimentos que mudam sua vida. Muitos fatos acontecem e você deve se adaptar às situações, porque como todo ser-vivo, o ser-humano vive em busca da sobrevivência e mesmo que negue, nós somos como qualquer outro animal, podemos passar por cima de todos apenas por nós mesmo ou colocar pessoas especiais para nós acima da gente.
Um pai ou mãe alcoólatra, pode trazer traumas para a vida de uma criança, um pai ou mãe violento, pode deixá-la marcada para o resto da vida, talvez essa criança venha a crescer e se torne alguém que odeia bebidas alcoólicas e que despreza bêbados, entretanto, talvez ela vire alguém violento e pode até seguir os passos dos pais, deixando a bebida mandar em sua vida. Quem sabe? A família influência mais do que pode imaginar, na vida de um ser-humano, ser rejeitado por sua própria família seja por escolhas que eles julgam erradas ou não, podem deixar a pessoa em uma depressão ou até suicida, como pode deixar ela amargura e desconfiada de todos.
Com isso, concluímos que a família é como o GPS do indivíduo em seu caminho para o auto-conhecimento, onde esse GPS pode te ajudar a encontrar seu destino ou te deixar perdido em si mesmo."
Encarei a folha por alguns instantes, suspirei e entreguei ao professor antes que desistisse e rasgasse aquele texto. Ele permitiu que quem tivesse terminado essa redação saísse da sala, então eu fui, como logo tocaria para o intervalo, passei na cantina e comprei apenas uma Coca-Cola, segui para o meu esconderijo e observei a calmaria do colégio com a maior parte dos alunos em aula...
Luara: Seria ótimo se eu apenas fosse escorregando e caísse para o fim — Suspirei, me deitando e fechando os olhos, imaginando a sensação
: Eu não acho — Uma voz me assustou e abri os olhos, mirando Miguel ao meu lado
Luara: Que susto!
Miguel: Tem algo te chateando? Você ficou hesitante de entregar a sua redação — Ele não me olhava e se deitou ao meu lado
Luara: Qual é?! Você tava me lendo ou eu que sou muito óbvia?
Ouvi o sinal tocar para o intervalo
Miguel: Eu não te contei? — Ficou deitado de lado, sorrindo animado para mim, enquanto apoiava sua cabeça em sua mão, que era apoiada pelo cotovelo no telhado — Eu posso ler mentes
Falou como se estivéssemos em um filme e ele estivesse revelando algo extremamente importante para a narrativa. Eu virei o rosto para ele, deboche em cada traço de minha expressão
Luara: Claro, sim, sim! Já tinha notado
Miguel: Quando? Quando eu adivinhei que você estava louca para ir pro parque? Ou quando eu soube que você queria muito mesmo me beijar? — Nesse último ele se aproximou mais de mim, seus olhos sorridentes
Luara: Eu nunca quis muito mesmo te beijar — Cerrei meus olhos, o encarando com desafio
Miguel: Mesmo? — Ele segurou meu rosto em suas mãos — Nem mesmo agora? — Ele roçou nossos narizes
Não foi voluntário quando fechei meus olhos e quando os abri ele estava sorrindo ainda mais
Luara: Nem mesmo agora! — Empurrei ele, que voltou a se deitar normalmente, rindo muito — Agora calado, se não quer que eu arranque sua língua!
Miguel: Ah, você tá doida pra brincar com minha língua! — Ele me olhou, sorrindo malicioso
Luara: Garoto! Quando você ficou tão malicioso?! — Eu podia sentir que estava corada, com a exclamação acabei por me sentar de lado, olhando para ele
Miguel: Não fiquei! Só quando estou com você — Passou o polegar em meu rosto e eu estava em choque com sua ousadia repentina
O sinal tocou, alertando para o início do segundo tempo de aula, porém, antes que eu pudesse me levantar, Miguel segurou meu rosto e me beijou.
"Você chegou
Não pediu licença
Me abraçou
Não pediu permissão
Me beijou
Não me deixou dizer não
Mas você de algum modo já sabia
Que se perguntasse a resposta seria sim"
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