A Feiticeira Amazona
3 Capítulo 3 - Revelações
Depois de um tempo da morte da Mila, meus parentes brasileiros ligaram e pediram que eu fosse visitá-los, disseram que eu precisava respirar um pouco de ar fresco depois de tanta tragédia, que eu merecia um descanso. Então resolvi passar as minhas ultimas 3 semanas de férias em São Paulo, aproveitando a energia do Brasil.
Prometi ao Carter que iria ligar todos os dias e o ameacei deixar sem poderes por um bom tempo caso ele não me atendesse. Tudo estava indo muito bem, até que na minha última semana no Brasil algo muito estranho aconteceu.
Quando liguei o Ichabod atendeu e me disse que o Carter havia sumido. Simples assim, numa bela manhã o Carter não estava mais lá, o carro tinha sumido também, ninguém deixou nenhum tipo de recado e o celular dele só dava desligado.
Foi o suficiente para que eu surtasse de preocupação, passei a última semana de férias inteira ligando no celular do Carter (que eu não sabia porque ele tinha celular se não o deixava carregado) e ligando para o Ichabod para ver se ele tinha alguma notícia do filho.
Então imagine a minha reação quando cheguei na Woodhand e o encontrei.
— CARTER! – saí correndo e me agarrei ao pescoço dele para dar um abraço de urso.
— Vai com calma Ali, assim você vai me matar sufocado. – ele falou rindo e me abraçando junto.
Desvencilhei-me do abraço dele.
— Como você se atreve a sumir desse jeito? – falei dando um tapa no braço dele. – Não deixa recado, não carrega essa merda de celular, não manda nem sinal de fumaça, eu estava quase pegando o primeiro voo pra Ohio, tem ideia do quanto me deixou preocupada? – e voltei a abraçá-lo de novo.
— Desculpe Alicia, não planejei deixar ninguém preocupado comigo. Você me conhece sabe que não sou assim. Isso não vai acontecer de novo, tudo bem? – o abraço do Carter era o meu abraço favorito, parecia que o mundo todo parava e tudo melhorava. Depois que descobri meu lado Heroína, fiquei imaginando se o Carter não tinha poderes de neutralizador também.
— Afinal de contas, aonde você se meteu? – seus olhos verdes esmeralda, idênticos aos de sua mãe, que me encaravam a um segundo atrás de repente procuravam o chão. – Carter, aonde você estava? – perguntei mais firme.
Seus olhos focalizaram os meus de novo, nunca imaginei que eu, com meus olhos castanhos, teria um irmão de olhos tão verdes e muito menos que esses olhos verdes seriam um conforto eterno.
— Bem Alicia, eu tive um sonho. Não, não foi sonho, foi um pesadelo. Nesse pesadelo a Cassie estava ensanguentada, tinham vários corpos ao redor dela, mas esses corpos eram na verdade manequins, ela gargalhava muito, eu não entendi nada, fiquei confuso, só pensava que ela podia estar ferida. Então peguei o carro e fui pra Nova Iorque, precisava ter certeza que ela estava bem.
Assim que o Carter terminou de falar, ele respirou fundo e fechou os olhos, não pude conter um sorriso zombador que lutava pra sair. Quando ele abriu os olhos de novo, o sorriso levou a melhor.
— Então quer dizer que você fugiu no meio da noite para Nova Iorque só pra ter certeza que a Cassie estava bem? Não pensou em talvez ligar pro celular dela? Acredite Carter, algumas pessoas sabem que o celular deve ficar sempre carregado pra receber ligações. – eu não estava aguentando, eu precisava rir de tudo isso, então deixei apenas fluir.
— Não começa Alicia. – ele disse rindo também. – Eu só estava muito preocupado, na hora eu só pensei que precisava ver que ela estava realmente bem, nem lembrei da existência do celular.
— Você nunca lembra da existência do celular né Carter? – continuei rindo. – E o que a Anne achou de tudo isso James Bond?
— Nós dois terminamos. – Carter abaixou a cabeça e voltou a olhar pros pés.
A coisa tava mais complicada do que eu imaginei.
— Quando vocês terminaram? – perguntei seria novamente.
— Foi uma semana depois que você foi pro Brasil. A Anne disse que sentia que eu gostava de outra garota, então nós conversamos e achamos que o melhor a se fazer nesse momento era terminar o namoro.
— Sim, de certa forma, acho que foi o melhor a ser feito mesmo – tentei ser o mais delicada possível. – E porque só estou sabendo disso agora?
— Eu ... eu não queria estragar suas férias com sua família lá no Brasil, queria te dar um tempo dos meus problemas, foi só isso. Desculpa.
— Carter, escuta aqui, você nunca vai ser babaca o suficiente pra conseguir preencher o espaço no meu coração que separei pra ouvir seus problemas e idiotices. Você é minha família e nada que venha de você é um fardo pra mim. – seus olhos voltaram a me encarar e acredito que tenha visto inicio de lagrimas neles. Abracei-o de novo. – Me promete que nunca vai se esquecer disso. Eu te amo cara e não é pouco.
— Eu também te amo muito Ali. – Carter disse dando um beijo na minha testa.
— Tudo bem, tudo bem, chega desse momento melodramático né? Vamos ao que interessa. – ele voltou a sorrir e olhou desconfiado pra mim. – Quando vai contar pra Cassie que você é perdidamente apaixonado por ela?
— Posso saber quem foi que te falou que eu estou perdidamente apaixonado por ela? – Carter começou a ficar levemente corado, coçou o cabelo e riu todo desconcertado.
— Só tá escrito na sua testa, não precisa ser um Humano pra perceber que você é gamado nela desde o dia em que foi detectá-la. – ele foi querer argumentar sobre isso, mas continuei falando. – E outra coisa, você está coçando seu cabelo e ficou todo vermelho com a minha pergunta, sinais de quem está totalmente encabulado por ter sido pego desprevenido. – disse cruzando os braços.
— Vamos combinar uma coisa minha querida Ali? – ele olhou pra os dois lados sorrindo, parecia estar verificando se alguém estava ouvindo nossa conversa. Mesmo verificando que não tinha ninguém por perto ele se aproximou do meu ouvido e cochichou. – Eu falo pra Cassie que sou perdidamente apaixonada por ela no dia que você tomar coragem de dizer pro Caio o que sente por ele.
— Eu não gosto do Caio – falei irritada, mas já era tarde. Carter já saia dando risada pelo corredor, com as mãos nos bolsos de sua jaqueta aviadora e sua postura mostrava que quem tinha sido desprevenida agora era eu.
— Mas quando você vê ele, seus olhos dizem ao contrário. – e saiu assoviando.
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