A Feiticeira
16 Planejamentos
Notas iniciais
— Sua aprendiza quase inundou o quarto ontem à noite. O que você disse para ela? — Perguntou Hécate enquanto caminhavam para longe de Clare, que continuava treinando.
— A mesma coisa que você na minha primeira noite, mas a diferença foi que eu consegui.
— Alexandra, você não tem jeito. Por que você não disse logo que o banheiro ficava no andar de baixo?, sua sacana!
— Ainda não vou totalmente com a cara da sua filha, embora estejamos bem mais próximas.
— Pelo que eu soube vocês lutaram não é? Obrigada por deixá-la viva. — Alex riu.
— Não foi nada. Mas ela vai se sair bem no futuro, tem uma boa determinação, apenas espero que não seja levada para o lado dos Anciões Negros. E por falar neles… — em suas últimas palavras estava o tom de medo, indecisão.
— Ally, não gostei nada desse tom. O que foi agora?
— Ah, Atena me apronta cada uma viu! Ela teve uma ideia um tanto perturbadora e eu vou precisar tanto de sua ajuda, quanto de seu sigilo.
— O que foi?
Alex entregou o pergaminho a ela. Hécate se pôs a ler, e sua reação foi a mesma que a de Alex.
— Todos eles concordaram com isso? Até mesmo Apolo? — Perguntou a deusa incrédula.
— Pelo que parece.
— E você vai falar com ele?
— Infelizmente. É minha única escolha. Mas não vou fazer isso agora, vou esperar a necessidade chegar. Não quero fazer as coisas antecipadamente.
— E nesse meio tempo?
— Treino! Vou treinar e ensiná-la pelo que precisar, e quando eu achar que ela está mais ou menos pronta para um duelo, sairei com ela para recrutar soldados para a guerra. Espero que dê tempo.
— Eu também. Ah, Quíron mandou uma mensagem de Íris ontem. Perguntou se Clare estava aqui.
— Como ele soube que ela estaria com você?
— Um sonho.
Elas observavam Clare treinando. Estava indo bem agora. A cor que predominava na esfera era a branca, mas ela não a mantinha por mais de 10 segundos. Sua aura ainda estava fraca. Mas quanto mais ela fizesse aquilo, mais força ela ganharia.
Entraram em um ritmo de treinamento pesado. Desde que o Sol nasce até a hora em que ele se põe. Era cansativo, mas graças a isso Clare começava realmente a se transformar em uma feiticeira.
Mas a missão imposta a Alex a deixava apavorada, preferia enfrentar mil monstros a fazer isso. Mas tinha que admitir que a ideia era brilhante! E daria tudo de si para cumpri-la.
§
– Há boatos de que Flamel tem as crianças – disse Dr. John Dee um imortal de 479 anos. Carrancudo, esperto, sem coração, e que passa por cima de tudo e de todos para alcançar seus objetivos. É o puro inglês bem vestido. Vestia-se de um estilo clássico, que insinua ser antigo, mas não fora do lugar. Seu cabelo era como ferro fundido cinzento, que é longo, mas perfeitamente mantidos em um rabo de cavalo. Ele falava com o seu mestre Ancião (aquele a quem devia lealdade por tê-lo feito imortal) por meio de seu telefone celular.
– Sim, ouvi falar – disse a voz mansa e ríspida ao telefone.
– Devo ir atrás deles? – sua fala carrega ainda o sotaque de inglês antigo, da época em que auxiliara a Rainha Elisabeth I.
– Ainda não. Devemos esperar o momento certo para agir. Não queremos outro erro Dee.
Dee vinha caçando os Flamel há séculos, atrás do Codex, o livro de Abraão, o mago. Tal livro contém, entre muitas coisas, várias magias, a Invocação Final, a profecia, e uma enciclopédia de conhecimento do mundo. O que ele realmente deseja é a Invocação Final, onde há o feitiço que pode trazer os antigos Anciões de volta de seus Shadowrealms.
Nesta busca Dee cometeu muitos erros, e esses erros custaram a posse do livro. Esta seria, de acordo com seu mestre, sua última chance de pegar o livro, portanto deveria ser feita com cuidado e sem ações precipitadas.
– Não haverá erros desta vez. Irei matá-los e pegar o livro.
– E os gêmeos?
– Capturarei. De acordo com os boatos, esses são os verdadeiros. Mas não temos como confiar, afinal Flamel já errou tantas outras vezes.
– Assim como você – acusou o Ancião, desligando o telefone.
– Assim como eu. – Murmurou Dee para si mesmo – Mas esta será a última vez.
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