A Febre

1 Capítulo único


Afebre era uma banda de rock que tinha como integrantes, a vocalista Valentina, o baixista Pedro, o baterista Carlos, o guitarrista Emanuel e o tecladista Charles. Eles haviam conquistado sucesso depois de quatro anos de tentativas, mas o que deveria ser um motivo de alegria acabou se transformando em uma tragédia.

A febre viajava por todo o país realizando seus shows, era realmente uma febre entre as pessoas daquela geração. Na banda todos estavam satisfeitos é certo por Valentina que tinha verdadeira veneração pela sua voz e queria alcançar à perfeição.

Os outros músicos diziam que seu timbre e a sua afinação eram perfeitos. Contudo, ela não se convencia disso, vivia tentando alcançar à perfeição.

Com o passar do tempo, esse desejo passou a ser uma obsessão e as cordas vocais de sua garganta não suportaram tal pressão, entrando em colapso. Valentina acabou ficando impossibilitada de cantar. Não suportando essa situação, ela se matou aos 27 anos de idade, afogada a piscina de sua casa.

No dia seguinte, Charles tentou entrar em contato com ela, mas não conseguia, achou que era um problema no celular. Contudo, com o passar das horas ele percebeu que ela havia desaparecido, pois ninguém dava notícias de Valentina. A polícia foi chamada e para surpresa de todos ao entrarem na sua casa, encontraram um corpo boiando sobre a água.

- De repente, eu acordei de um estranho, na verdade de um sonho de terror, mas o que eu estou fazendo ali perto da piscina com policiais ao meu redor? Eu? Eu estou aqui? Não eu estou lá... Eu segue aquele estranho clone de mim mesma. Fui parar em um laboratório de criminalística. Estava sendo periciada, vi o bisturi dilacerando meu tórax, meu corpo sendo aberto, as minhas entranhas sendo arrancadas. E depois, meu corpo sendo colocado em uma geladeira, ouvir os peritos conversando:

- Ela era linda e possuía uma voz magnífica.

- Mas afinal, o que levaria uma jovem com tanto talento a cometer o seu próprio assassinato?

- Não sei, mas vamos, devemos entregar esse relatório ainda hoje – disse o perito analisando algumas folhas que estava segurando.

Foi então que percebe que não era um sonho o que havia sentido, eu havia mim suicidado, mas e a minha voz, por que não posso ouvir a minha voz?

Quando olhei ao meu redor, vi mais pessoas ali, fiquei um pouco assustada, foi quando uma mulher com balas ainda penetradas em seu corpo me disse:

- Não se preocupe você vai encontrar a paz eterna, mas para isso você deve se desligar das lembranças e coisas desse mundo. Adeus preciso ir.

- Ela terminou de falar e sumiu-

Eu precisava sair daquele lugar, foi quando me lembrei do velho sótão da minha casa, eu fechei os olhos e quando abri estava em uma sala escura, com varias caixas sobre o aço alho do piso, era o sótão. Fiquei ali por muitos dias até que decide encontrar os meus colegas de banda.

Fui até a casa do Pedro, ele nem percebeu a minha presença, e ainda atravessou o meu corpo, ou melhor, o meu espírito sem nem ao menos pedir licença, fiquei com raiva, foi quando percebi que não sei muito bem como, liberava um pulso magnético, algo assim.

- As luzes começaram a piscar os eletrodomésticos a ligar e desligar –

Nesse instante, Pedro que acabara de voltar do meu enterro começou a ficar assustado, mas eu não queria assustá-lo, só queria ser percebida.

- Pedro olhava em volta como se estivesse sendo perseguido-

— Valentina é você? Se for você, saiba que você estava linda e que os nossos fãs a homenagearam. Nós todos estamos muito tristes, mas por que você fez isso?

Eu o ouvia falar, mas não conseguia dizer nada, foi então, que controlei não sei bem como, uma caneta que se encontrava em cima da mesa e comecei a escrever:

- A minha voz...

-Pedro assustou-se ao ver a caneta escrevendo sozinha, mas enfim decidiu olhar o que eu havia escrito-

Ele leu e com uma voz tremula disse:

- O que tem a sua voz?

- Não consigo reproduzi-la — Tornei a escrever.

- Mas como posso ajuda La? – Questionou Pedro.

- Quero ouvir à minha música novamente, a música do cd caseiro. Ela está perfeita naquela gravação – Escreve novamente.

Ele pensou por um instante e disse:

- Não posso ajudar você, não possuo, mas aquele disco, eu o doei a uma fã sua. Ela se chamava Nãna, foi depois da sua morte, ela disse que queria uma lembrança sua.

- Onde ele morra?

- Escreve agora, voltando a ficar nervosa — uma lâmpada estourou –

Ele leu o que eu havia escrito.

— Na casa 13, Avenida Meia-Noite – Ele exclamou.

Ao saber o endereço deixei a casa do Pedro, pois nunca quis machucá-lo. Segue pelas ruas de Wite e cheguei a casa 13 na Avenida Meia-Noite.

Entrei na sala da casa de classe media baixa, me lembrava à casa da minha mãe. Subi por uma escada que dava acesso ao segundo andar, segue por um corredor, não foi difícil descobrir o quarto da garota. Na terceira porta a esquerda havia os nomes “perigo”, “só incomode se for necessário”, era o quarto da Nãna.

Eu atravessei á porta, ao entrar no quarto um gato que estava deitado em um tapete perto da cama, começou a se defender de mim. Ele parecia estar enlouquecendo, Nãna estava deitada na cama e estranhou o comportamento do gato, mas não deu importância, achou que ele estava brincando.

Eu comecei ficar frustrada, pois não sabia como podia me comunicar, foi então que tudo começou novamente.

- A luz do quarto começou á piscar-

A garota começou a ficar visivelmente assustada.

- o gato saltou pela janela-

Eu comecei a ficar nervosa, foi então que comecei a contrair seus órgãos internos com um impulso mental, ela gritava de dor, peguei uma peça de mental que estava na sua mesa de cabeceira e comecei a escrever na parede.

- Onde está o meu cd?

-A garota em meio a gritos perguntava qual cd?-

— O cd da Febre – Escreve, ficando cada vez com mais raiva.

Ela disse já perdendo á voz – Não está comigo, eu o dei a um professor meu, ele pediu para mim, ele gosta de coisas de pessoas que já morreram.

Eu perguntei onde ele morava, ela me disse o local e depois á deixei.

- A garota encontrava- se inconsciente, com sangue escorrendo pelo nariz e a pulsação fraca-

Parti para o endereço que a garota havia me falado, eu precisava ouvir á minha voz...

Chegando lá, o endereço era de um prédio antigo, eu entrei no prédio, fui até o apartamento 32 e penetrei suas paredes. Ao entrar um micro system estava ligado com o meu cd.

Fiquei paralisada ali por alguns segundos, era perfeita, maravilhosa, aquela voz... A minha voz, eu estava imperceptível ali, até que aquele humano idiota tentou me reprimir, me afastar daquela voz.

Ele havia sentido a minha presença, ele era diferente dos outros, mas eu não podia sair de perto da minha música com a minha voz perfeita.

- Foi então que eu possuí o seu corpo, controlei os seus sentidos, peguei uma velha espada de esgrima que estava na parede, e perfurei o seu abdome.

— Seu corpo foi lavado de sangue, o qual jorrava pelo local que a lamina havia perfurado. –

Eu deixei o seu corpo e fiquei ali, ouvindo a minha voz, a minha voz...

- Já faz mais de cinco anos que eu morri. A minha voz perfeita, eu consegui ouvir novamente. Enquanto a Nãna ela sobreviveu, já o professor. Eu precisava de companhia, e enquanto a “paz eterna” de que a estranha havia me falado, eu acho que não passou de conto para principiantes.

Fim.


Notas finais
opiniões por favor.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.