A Família Potter
18 Capítulo 18 - Irmãos
Notas iniciais
Acordei com o choro alto de Lílian vindo do quarto ao lado. Tateei em busca de Harry, mas a cama estava vazia, ele estava no banho.
Levantei, sonolenta, e fui até o quarto. Os meninos já haviam acordado e estavam brincando no quarto de Lílian, o que provavelmente a acordou.
- Quantas vezes eu já falei pra vocês não brincarem nesse quarto quando Lílian estiver dormindo? – perguntei.
- Desculpa, mãe. Eu e o Al estávamos procurando nosso brinquedo e quando achamos ele aqui, nos esquecemos que a Lílian estava dormindo no quarto. – respondeu Tiago, com o olhar culpado.
Peguei Lílian delicadamente nos braços e a aninhei, tentando acalmá-la.
Aos poucos, ela se acalmou, e eu a alimentei.
Sentei na cadeirinha de balanço que havia no canto do quarto, e comecei a brincar com ela.
- Bom dia, amores! – falou Harry, me dando um susto.
Como sempre, ao perceber que Harry havia chegado, Lílian começou a se agitar no meu colo, esticando os bracinhos pra o pai.
- Bebê, o papai jajá pega você, certo? – falou Harry.
Mas Lílian se agitou ainda mais, enquanto ela não estivesse no colo dele, ela não sossegaria.
- Espere só um pouquinho, Lílian. – falou ele.
Mas uma coisa inesperada aconteceu, quando ele estava saindo do quarto. Com uma voz chorosa e fina, Lílian gritou:
- Papa!
Era a primeira palavra de Lílian, eu e Harry ficamos pasmos e sorrimos pra nossa menininha.
Harry deu meia-volta e foi até onde eu e Lílian estávamos sentadas.
- Fale de novo, Lílian. Pa-pai. – falou ele, devagar, mas Lílian riu, e ficou esticando os bracinhos pra ele.
Harry se deu por vencido e a pegou no colo.
- Fale de novo, princesa.
Tentamos durante mais alguns minutos, mas ela não repetia de maneira alguma. De qualquer forma, todas as vexes que algum dos nossos filho dizia a primeira palavra era uma festa em nossa casa.
Descemos animados até a cozinha e encontramos Alvo e Tiago tomando o café da manhã, sendo observados por Monstro.
- Adivinha quem falou a sua primeira palavra?! – perguntei animada.
Os meninos me olharam curiosos.
- A Lílian! Ela falou “papai”! – respondi, animada.
- Nossa primeira palavra também foi “papai”? – perguntou Alvo.
- Não, a de vocês foi “mamãe”. – respondeu Harry.
Nesse instante, Tiago saiu da sala com uma expressão triste e raivosa ao mesmo tempo, entrando em seu quarto e batendo a porta logo em seguida.
- O que deu nele? – perguntei.
- Não sei. – respondeu Alvo.
- Deixe ele ficar um tempo sozinho, se eu bem conheço meu filho, ele não vai falar nada se formos lá agora. – falou Harry.
- Tudo bem.
***
Durante a tarde, brincamos com a Lília e com o Alvo. Por mais que tentássemos, não conseguimos tirar Tiago do quarto nem fazê-lo dizer porque estava triste. Eu estava realmente preocupada, e Harry também. Mas não podíamos descontar isso em Lílian, que havia falado “papai” mais duas vezes, quando Harry fingiu que ia sair.
Estávamos brincando, mas quando Lílian começou a coçar os olhinhos, eu percebi que ela estava com sono, então falei a Harry que ia subir e colocá-la pra dormir.
- Deixe ela brincar só mais um pouco, Gi. – pediu ele, às vezes ru achava que tinha quatro crianças em casa.
- Harry, ela está caindo de sono. Deixe ela dormir um pouco, quando ela acordar, brincamos mais. E ainda temos que tentar resolver uma coisa.
Lancei um olhar significativo a ele, e ele compreendeu.
Subi com Lílian nos braços até o seu quarto e comecei a cantar uma canção de ninar até ela adormecer.
Coloquei-a delicadamente no berço, e fui até meu quarto tomar um banho.
Durante o banho, refleti muito sobre o comportamento de Tiago, e descobri o que estava acontecendo.
Harry entrou no banheiro no momento em que eu me enrolei com a toalha.
- Eu já sei o que está acontecendo com Tiago. – falei.
- O que é? – perguntou ele, curioso.
- Ele está com ciúmes. Da Lílian.
- Da Lílian? Isso é puro capricho, pois damos atenção aos três. – falou ele.
- Não, Harry. Acho realmente que devemos conversar com ele. Deveríamos ter conversado antes mesmo de ela nascer. Explicado que como ela é um bebê, temos que dar atenção. O Alvo não está assim, porque ainda é muito pequeno e fica entretido com qualquer coisas, mas o Tiago já entende um pouco mais.
Nos encaramos durante alguns segundos, até que ele respondeu:
- Tudo bem. Coloque uma roupa pra irmos conversar com ele.
- Certo.
Entrei no closet e coloquei um vestido azul marinho simples.
- Vamos. – falei, quando terminei de me trocar e pentear o cabelo.
Fomos até o quarto de Tiago, e vimos que a porta continuava fechada.
Bati levemente e abri.
Ele estava deitado de lado, coberto com o lençol, mas não estava dormindo, estava apenas com uma expressão serena.
Me ajoelhei ao lado dele, e Harry sentou na beira da cama.
- Você já quer conversar? – perguntei.
Ele balançou negativamente a cabeça. Eu suspirei. Mesmo que ele não quisesse, aquilo já estava indo longe demais, e precisava de um fim logo.
- Tiago, eu acho que já sei o motivo de você estar assim. – ele continuou calado, então eu continuei – É por causa da Lílian, não é?
Ele demorou um pouco, mas assentiu.
- Tiago, você foi nosso primeiro filho, nós nunca te trocaremos por nada. Não estou dizendo que gostamos mais de um do que de outro, eu e seu pai amamos todos da mesma forma, mas você foi o primeiro e sempre será assim. – falei.
- Mas vocês só dão atenção à Lílian. É só ela chorar que vocês largam eu e o Al e vai atrás dela.
- Não é verdade, Tiago. – respondeu Harry – Damos prioridade a Lílian porque ela ainda é um bebê e depende muito de nós. E “nós” inclui você e Alvo, pois são os irmãos mais velhos dela. Quando ela crescer vocês serão um tipo de proteção pra ela, já que eu provavelmente estarei velho. – falou, rindo – Nós amamos você da mesma forma que amamos ela e Alvo, só que ela além de ser bebê é uma menina.
- Mas vocês hoje fizeram a maior festa só porque ela falou “papai”. – resmungou Tiago.
- Você não sabe o que fizemos quando você falou sua primeira palavra. – falei, rindo – Ficamos tão felizes que saímos dizendo pra todo mundo que você tinha falado “mamãe”, só faltou sair no Profeta Diário. – falei rindo.
Tiago riu e percebi que sua expressão ficou mais relaxada.
- Eu era tipo a Lílian. – falei – Tinha vários irmãos mais velhos, e era a caçula da família. Rony no início sentia ciúmes dos meus pais comigo, mas depois ele passou a ter ciúmes de mim com outras pessoas. Por exemplo, até um dia desses ele morria de ciúmes do seu pai comigo. E sabe por quê? Porque eu sou a irmãzinha mais nova dele, e é assim que eu queria que vocês vissem a Lílian, não como uma adversária que vocês querem disputar minha atenção e a do seu pai, pois nós nunca deixaremos de amar nenhum de vocês.
Tiago sorriu e me abraçou, puxando Harry também.
- Desculpe, eu só fiquei com ciúmes. Eu não havia pensado dessa forma. – falou Tiago.
- Tudo bem. Agora, vamos descer? Já está quase de noite. – falei.
- Vamos. – respondeu ele.
A noite se passou tranqüila. Tiago voltou ao normal, e até pediu pra segurar a Lílian no colo. Na hora de dormir, ele pediu que eu contasse alguma aventura de Harry. Eu contei sobre a primeira vez que ele voou numa vassoura, pois ele ainda é muito novo pra ouvir as coisas que o pai já passou.
Assim que ele dormiu, fui até meu quarto e deitei na cama, esperando Harry.
Ele entrou no quarto com um envelope na mão e deitou ao meu lado.
- O que é isso, Harry?
- Então, Gina, eu estive pensando, nosso aniversário de casamento falta quase um mês, não é?
- Sim. – respondi.
- Eu decidi que eu, você e as crianças deveríamos viajar. Passar um tempo de féria, e nós aproveitamos e comemoramos nosso aniversário.
- Eu acho ótimo. Pra onde vamos?
- Vamos para um Cruzeiro, mas não vou dizer pra onde ele vai, é surpresa!
- Ah, Harry, assim não vale! Mas, o que tem naquele envelope?
- Uma carta do Rony dizendo que a Hermione concordou em ir. Aí será ótimo, pois as crianças vão brincar muito.
- Você pensa em tudo, não é, Harry? – perguntei, o beijando.
- Se for pra minha família ficar feliz, sim.
- Pois ela está feliz apenas em estarmos todos unidos. – respondi, sorrindo.
- Sei que sim. – respondeu, me beijando de uma forma que me fez esquecer o que eu ia falar ou pensar. Era sempre assim, nunca mudaria, e eu estava feliz por isso.
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