A Family Affair

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Tinha deixado o último capítulo programando ainda no Nyah, mas ao que parece não acatou a programação pra esse novo espaço. Vamos ao último

⌘Pepper⌘

A sensação de ter criado uma história e estar num set de filmagem vendo a minha obra dar origem a algo novo que pode, talvez, popularizá-la dando-lhe novas proporções foi inquietante. E foi dessa inquietação que decidi escrever a continuação de Manhattan. Mas no segundo livro, Cape Town, foquei na história da protagonista, Brooke, e nos motivos que a fizeram deixar seu país, no entanto, a última cena do livro é o primeiro "encontro" entre ela e Cris, e o restante da história todos já sabiam. Nunca esperei um sucesso estrondoso de nenhum dos meus livros, escrever pra mim sempre foi como respirar, preciso fazer pra me manter viva. Porém todos foram muito bem aceitos pela crítica e pelo público, e não foi diferente com este último. Anunciar um prequel da história de um filme que ia tão bem de bilheteria transformou meu quinto romance em um novo bestseller.

Confesso, ver meu marido interpretando um personagem criado por mim, foi assunto de algumas sessões de terapia, mas não houve crise. Anthony é um ator fantástico e seu Cris arrebatou muitos corações, inclusive o meu um pouco mais. Como Zoey havia previsto anos atrás, Manhattan foi indicado há muitos prêmios, rendendo o segundo Oscar ao Anthony, a minha primeira estatueta, pois vencemos a categoria de Melhor Roteiro Adaptado e ainda a premiação de Melhor Atriz.

Enquanto corro, como faço em quase todas as manhãs, pois alguns hábitos permanecem os mesmos por mais que muitas coisas mudem, penso que o passar dos anos foi generoso com nosso trabalho, nossa família, com a gente e, principalmente, comigo. Há 15 anos eu começava uma nova vida, uma espécie de adolescência 40+, onde meus anseios, medos e desejos se conectavam com os anseios, medos e desejos da Virginia de 20 anos, hoje tenho a maturidade, autonomia e liberdade de uma mulher que completa 55 anos amanhã e está muito bem resolvida pessoalmente, profissionalmente e sentimentalmente.

Volto depois de 6km percorridos. Estou sozinha em casa, Anthony viajou a trabalho na semana do natal, com previsão de passar duas semanas fora, se fosse em outra época do ano teria ido junto, mas nossa tradição de natal é sagrada, ainda mais com criança na família. Quando saio do banho tenho a impressão de ver um vulto indo em direção ao closet, ao ouvir passos de volta à suíte a minha primeira reação é me defender.

—Você vai me bater com o abajur?— meu marido pergunta.

—Porra, amor, achei que fosse um ladrão!— levo a mão ao peito, meu coração está acelerado.

—Você ia bater num ladrão com uma luminária, Pepper, que ideia?

—O que você queria que eu fizesse? Era o abajur ou o vibrador que tá na gaveta da mesinha...

—Trocou por um grande, isso tudo é saudade?

—Não é tão grande, por isso peguei o abajur.— respondo, ele ri, mas depois faz uma cara muito séria —O que foi?

—Estou pensando se fosse um bandido de verdade, não pode reagir assim, você tinha que fugir, acionar a empresa de segurança, pagamos uma fortuna por isso.

—Ok.— digo e por um momento me imagino saindo correndo de casa usando apenas um roupão, acionando a polícia e tudo mais, as notícias que isso renderia —Sei que fui imprudente, mas a única pessoa que sempre invade a minha casa é você.

—Mas podia não ser eu, e se não for eu e você reagir eu posso te perder.— ele diz realmente preocupado, consigo sentir o desespero quanto a mínima possibilidade em sua voz.

—Ei.— caminho até ele, seguro seu queixo e levanto seu rosto —Você não vai me perder, mas podia ter avisado que estava voltando.

—Quis fazer surpresa, acha mesmo que eu não estaria com o meu amor no dia dela?— ele tira a "arma" da minha mão —Pode soltar isso, não queremos que você seja eletrocutada na véspera do aniversário, não é mesmo?— ele me beijou na testa, correu beijos até minha boca e depois me abraçou.

—Senti sua falta, não gosto de dormir sozinha. Que saudade do meu marido, do cheiro dele.— digo cativa na curva de seu pescoço.

—Babe, com certeza você está com muita saudade, porque esse meu cheiro é de 23h num voo de Viena à Santa Ana, mais 25 minutos de carro até aqui.— ele diz, eu rio.

—Bem, talvez seja.

—Vou tomar uma ducha...

—Não, espera.— o seguro mais forte —Ainda não matei a saudade, fica aqui, me conta como foram os últimos dias.

—Pep...— ele beija os meu cabelos —A gente se falou quase todos os dias, você mais do que ninguém sabe que eu preferia gravar as cenas num estúdio com chroma key a ficar longe todo esse tempo...

—Mas um fundo verde não seria tão poético quanto a Áustria.— digo. Mesmo um filme de ação precisa de belos cenários, estou ansiosa para vê-lo interpretando um espião, de caráter dúbio, grisalho e charmoso.

—Não tem poesia alguma quando você não está, babe.— ele declara, eu me derreto, fico na ponta dos pés para beijar-lhe os lábios. Gentilmente, carinhosamente, suavemente... mostrando o quanto senti sua falta. Estou tão perdida no beijo que sou pega de surpresa quando sinto sua mão subindo entre minhas pernas.

—Marido,...— contenho sua mão boba —Te amo demais, mas não a ponto de te levar pra nossa cama ou te deixar enfiar qualquer coisa em mim estando há tanto tempo sem banho.

—Você quem começou, esposa. E meus dedos estão bem limpos, ok?— ele diz ofendido —Vou tomar uma chuveirada, pode voltar e se juntar a mim se quiser.— ele atravessou a suíte até o banheiro enquanto se livrava das roupas, sua atitude não era inocente, vi seus ombros largos, os braços fortes na camiseta de mangas compridas, o traseiro perfeito marcando calça. Como ele pode ser tão gostoso? Encorpado e ainda mais delicioso com o passar dos anos, como um vinho de uma safra única. Como eu posso ser tão sortuda? O segui, mas Anthony logo entrou sob o jato do chuveiro, fiquei ali, admirando-o por completo, sentindo tudo que podia sentir, enquanto ele iniciou um ritual de limpeza até que o vapor tomou conta do espaço. Ele se virou quando abri o vidro do boxe, os olhos radiantes, pois eu já não estava vestindo nada. —Oi delícia, por que demorou tanto?— ele perguntou, dei risada.

—Já deu tempo de lavar as mãos?— provoquei.

—Venha cá.— me chamou, puxando-me para debaixo d'água, com o passar dos anos passei a amar esse "Vem cá". Às vezes significava apenas um chamego, mas muitas vezes vinha carregado de promessas lascivas.

(...)

Quando acordei, na manhã do meu aniversário, minha casa tinha um cheiro peculiar de café da manhã e aconchego. Mas pelo vozerio do outro lado da porta já não estávamos mais sozinhos, peguei meu celular e vi que passava das 10h, havia dormido demais, mas ainda assim, permaneci deitada, esperando. Logo meu quarto e minha cama foram invadidos por uma, duas, três...

—Vocês acham que ela é boba? Claro que ela já sabe que a gente tá aqui, vovó sabe de tudo.

—Sabe nada, vem, Noah!

—Quatro.— eu digo quando sinto Noah sentar.

—Quem falou isso?— uma das crianças pergunta, puxo um pouco o lençol exibindo o rosto.

—Aaahhh! Feliz aniversário, vovó!— minhas crianças dizem em uníssono e se jogam sobre mim.

Brinco com a minha filha que ela teve filhos por nós duas. Nunca imaginei que seria avó até o Noah chegar, depois achei que ele seria o único, até vir o segundo, a terceira gestação foi a última tentativa, eles queriam uma garotinha, acabaram com duas. Noah completa 10 anos na próxima semana, um mocinho lindo, cheio de amor por nós e pelos irmãos mais novos. Liam tem 6, a curiosidade em mini pessoa, dizemos que ele foi o presente do primeiro ano de casamento de Zoey e Kyle, afinal viajar em lua de mel e voltar com planos de ter outro filho dá nisso. Nossas princesinhas sapecas e tagarelas, Ella e Emma, tem 4 aninhos, uma gravidez descoberta numa manhã de natal tinha que ter algo de especial.

—Vovó amou essa surpresa.— digo tentando abraçar todos de uma vez —Eu ia pra Los Angeles ficar com vocês, então o vovô também chegou de surpresa e agora vocês estão aqui.

—A gente acordou muito cedo, porque te ama, vovó.— Ella diz, ela é a cópia perfeita da Zoey na sua idade, os cachinhos castanhos acobreados os olhos azuis enormes, já Emma puxou mais o Kyle, o cabelo mais liso e castanho claro, os olhos com uma cor de mel.

—Eu e o Noah acordamos cedinho, elas vieram dormindo, vovó.— Liam informa, meu segundo menino, terceiro homem da minha vida, tem os cabelos castanhos e olhos verdes, Jackie diz que ele é uma mistura curiosa do Charlie com o Tony, mesmo que não tenha DNA do segundo avô.

—E não dormiram nem um pouquinho na viagem, tem certeza?— arqueio a sobrancelha.

—Dormimos.— Noah e Liam confessam.

—Quarteto?!

—Meu vovô!— Emma levantou a cabeça do meu colo —Será que tá pronto o pãozinho?— questionou me fazendo rir.

—Vão lá.— beijei a cabeça de cada um deles —Vovó vai trocar de roupa e já encontra vocês pra tomarmos café.

Quando cheguei na cozinha estava um falatório, cada uma das crianças pedia uma coisa. Eu amava aquele caos.

—Bom dia, linda flor do dia.— meu marido me beija, mas mantém atenção na frigideira sobre o fogão.

—A gente pediu um buffet de café da manhã gigante e vocês quererem pão frito com manteiga é absurdo.— Zoey diz.

—Porque o pãozinho do meu vovô é muito mais gostosinho.— Emma diz fazendo biquinho.

—Vão sentar lá na varanda, papai já leva os pãezinhos.— Kyle avisa.

—Mas é o vovô quem vai fazer, você não, tá papai?— Ella diz antes de sair.

—Você acha graça, aniversariante?— Zoey vem até mim e me abraça —Como pode esse cabelo ainda estar tão ruivo? Pode confessar que começou a pintá-los.

—Aprendi na aula de ciências que cabelos ruivos de verdade demoram mais tempo para ficar branco, mas aos poucos perdem a intensidade da cor.— Noah, o outro ruivo da família, me defendeu.

—Muito obrigada pela explicação, pequeno gênio da mamãe.— Zoey o beija na testa —Agora vá esperar lá na mesa com seus irmãos.

—Devia ter prestado mais atenção nas aulas, pois caí na fake news de que meninas amam o pai incondicionalmente, fiz duas filhas apaixonadas pelo avô.— Kyle resmunga.

—Para de chorar, vem aqui, vou te ensinar a receita.— meu marido o provoca, rio, porque acho que não há nada especial no pão na chapa que ele sempre faz pra elas.

—Feliz aniversário, Ginnie, gostou do seu despertador?— Kyle ignora o sogro e me abraça também.

—Amei.— respondi —Fiquei a semana toda conversando com a Zoey e dizendo que ia pra Los Angeles pra ficar até o aniversário dela e vocês armando uma surpresa.

—Fomos coagidos pelo Tony.— Kyle diz, sua denúncia não passa de provocação —Sabe a logística que foi acordar 4 crianças e pegar a estrada num sábado de manhã?

—Podiam ter vindo ontem, já acordavam aqui.

—E atrapalhar o reencontro depois de você passar quase duas semanas longe do seu marido?— Zoey indaga —Claro que não, conheço vocês demais pra tal ousadia.— rolo os olhos —Mãe, você pode ir lá pra varanda, por favor? A gente falou que eles só podiam começar a comer quando você sentasse, olha a cara do Noah babando pelo bolo de chocolate.

Fiquei impressionada com a mesa de café da manhã, ainda mais colorida com a presença das crianças. Quando começamos a comer parecia muita coisa, mas, no fim, sobrou muito pouco.

—Ok, quais são os planos que vocês têm pro dia da vovó, pequenos?— perguntei, as crianças olharam pro avô.

—Vamos fazer aquilo, vovô?— Liam perguntou.

—É uma sugestão, hoje é o dia da vovó, se ela quiser, vamos.

—Vovó, você pode dizer que quer passear de barco com a gente?— Liam perguntou, nós rimos bastante.

Claro que aceitei. O dia é meu, mas como uma avó babona sempre faço tudo o que eles querem. Cerca de 1h depois chegamos à marina de Laguna Beach, as crianças adoram passear no veleiro. A primeira vez que inventamos um passeio alugamos uma embarcação, eles amaram tanto que Anthony resolveu comprar um barco novinho, pois não podia trocar o nome do outro. Segundo as tradições marítimas, traz má sorte mudar o nome de uma embarcação, então se o barco fosse novo ele poderia batizá-lo de Quarteto Fantástico. Os meninos adoravam vestir o quepe e "navegar" com o capitão, as meninas não se importavam com muita coisa se no frigobar tivesse picolés.

—Cansaram de navegar?— Zoey perguntou pros meninos quando eles surgiram na proa, onde estávamos tomando sol.

—O capitão vai encostar na praia onde tem aquela piscina natural, vamos descer.— Noah informou.

—Ok, mas vocês pediram pra quem pra descer?— Kyle indagou sério.

—Papai, a gente pode descer?— Liam pergunta.

Descemos todos, o mar não estava bravo, a água estava uma delícia. As crianças, mesmo as meninas ainda muito pequenininhas, nadam como peixinhos. Por ter piscina em casa, esta foi uma das muitas preocupações de Zoey.

—Pequenas, olhem ali, não é uma sereia?

—Onde?!— Emma perguntou.

—Só tô vendo a mamãe, papai.— Ella respondeu.

—Então, a mamãe não é linda como uma sereia?

—Eu acho a mamãe linda.— Noah respondeu —Mas sereia é peixe e peixe é fedido, mamãe é cheirosa.— rimos, eu amo as respostas puras e sem malícia.

Zoey está mesmo linda, o passar dos anos lhe deu ares mais maduros, mas, às vezes, ela ainda parece uma adolescente, não nas atitudes, mas no jeito descolado de se vestir. Quem não sabe dos Pequenos não diz que aquele corpo mignon passou por 3 gestações, pariu 4 bebês. Kyle nadou até a extremidade onde a esposa está, não precisou fazer qualquer esforço, com corpo grande e ombros largos pode-se dizer que é um tipo próprio de nadador. De onde estou não dá pra ouvir o que conversam, mas pela cara da minha filha, pelo sorrisinho, posso afirmar que estão flertando.

—Será que ainda rola um quinto neto? Vou achar maneiro, mas terei que comprar outro barco.— Anthony brincou.

—A fábrica fechou, meu amor. Eram pra ser apenas três, Emma veio de brinde.

—Ainda bem, é a que mais me ama.

—Todos te amam, seu bobo.— viro meu rosto e lhe dou um beijo casto.

—Sei disso, mas Emma é meu grudinho.— ele diz, reconheço que ela é.

No dia de Ação de Graças estávamos na Zoey, Emma pegou um brinquedo e começou a nos entrevistar, pediu pra falarmos nossos nomes completos, todos entramos na brincadeira, claro. E então veio momento canônico de explicar o motivos de nenhum deles ter Stark no nome, mas ela definiu "Meu nome é Emma Potts Stark". Seus outros avós tentaram explicar que não podia ser, pois ela não era nossa filha, a resposta veio com um sonoro "Sou sim". A última a nascer é a mais geniosa dos 4. Tenho certeza que se no futuro ela seguir uma carreira que exija um nome artístico é capaz de escolher Emma Stark.

Quando a maré começou a subir voltamos pro veleiro, cantamos parabéns ao entardecer, com direito a um bolo lindo. Amo fazer aniversário logo no comecinho do ano, pois a sensação de Ano Novo faz muito mais sentido. Não espero nada menos do que um ano lindo e tão cheio de amor quanto foi o meu dia com as pessoas mais importantes da minha vida. Voltamos pra casa, então descobri que as comemorações não tinham acabado, o dia terminaria com uma fogueira e marshmallows assados. Kyle, Zoey e as crianças ficaram mais perto do fogo, Anthony e eu ficamos um pouco mais afastados, sentados em cadeiras de praia enquanto desfrutamos de um bom Merlot.

—Pequenos, hora de entrar, tomar banho e se preparar pra dormir.— Zoey anuncia, e em meio a pedidos de "Só mais um pouquinho" ela permanece irredutível —Em cinco dias teremos mais comemorações...

—E em outros cinco um pouco mais.— Kyle comenta, janeiro é um mês cheio de festas na nossa família —Agora levantem-se e deem boa noite pros seus avós.— eles passam por nós em fila, distribuindo beijos melados e um pouco de areia.

—Boa noite, meus amores.— eu digo após dar um beijo de esquimó em cada um.

—Boa noite, Quarteto, até amanhã.— Anthony diz.

—Boa noite, pra vocês, não bebam demais.— Kyle diz.

—É, juízo você dois. Te amo, mãe.— Zoey me beija o rosto, e dá boa noite pro padrasto —Por Deus, estou exausta.— minha filha resmunga.

—Você supervisiona os meninos e eu cuido das pequenas.— Kyle diz, talvez porque os meninos dão menos trabalho já que são maiores, o agradecimento da Zoey me dá certeza da minha suposição.

—A gente arrebentou na comemoração do dia da vovó, não foi, Liam?— Noah questiona.

—Foi irado.— Liam concorda, as vozes ficam cada vez mais distantes em meio aos sons dos passos subindo as escadas em direção à casa.

—O dia da vovó foi o melhor do mundo!— uma das pequenas grita, mas não consigo distinguir qual, embora fisicamente elas sejam diferentes, a vozinha é muito parecida.

—Não sei qual delas disse isso, mas eu só posso concordar.— me movo ficando de lado na espreguiçadeira para poder olhá-lo, ele também se vira pra mim —Obrigada pelo dia perfeito.

—Foi perfeito porque cada um deles disse o que gostaria de fazer num dia especial com você, já que a vovó não foi capaz de decidir o que fazer pra comemorar o aniversário esse ano.— ele diz —Zoey propôs o café da manhã, mas sem precisar cozinhar nada. Liam quis passear de barco, Noah pediu pra assar marshmallows na fogueira, Kyle sugeriu churrasco...

—Não tivemos um churrasco.— observo.

—Amanhã, babe. Aliás, Jackie e Debs vem almoçar com a gente.— ele avisa —Não dava pra encaixar tudo num dia só.

—E as pequenas?

—Emma falou "No café da manhã especial eu vou amar comer pão quentinho com a vovó", já Ella disse que "Ama tomar sorvetinho com a vovó".

—Elas são preciosas demais.— comento —Mas e você, qual era o seu desejo, o que queria fazer comigo?

—Eu?— seu olhar é cheio de amor, mas seu sorriso é muito sacana —Poderia dizer que aproveitei seu pré-aniversário de formas e posições muito boas, mas...

—Mas?

—Vem cá...— ele me chama, me acomodo em seu colo —Mas sentados aqui, me dei conta de que o maior pedido que fiz pro universo, num dia em que estávamos exatamente aqui, se realizou.— ele declarou.

—O dia em que você disse que compraria este lugar pra ninguém mais ser feliz aqui além da gente?— perguntei —Pensei nisso o dia todo.

—Isso foi o que eu disse pra que você não me achasse tão emocionado, e não fugisse...

—Mesmo assim eu fugi.— digo, ele sorri, chega muito perto e esfrega seu nariz no meu.

—O que não disse naquele dia e guardei apenas pra mim, é que eu me imaginei envelhecendo aqui, com você.— ele revela, era tudo o que eu também queria, mas tinha receio de admitir por medo de me tornar emocionalmente dependente e me machucar.

—Nesse envelhecer juntos, com certeza, tinha uma enteada, mas não tinham um genro e quatro netos lindos, não é?

—Não tinha, mas um dia eu disse pro amor da minha vida que era bom demais ter me tornado marido dela e ela me garantiu que foram apenas as primeiras horas, ficaria ainda melhor. E ficou.— ele me diz —Mal posso esperar pelos próximos anos.

Segurando meu rosto com as duas mãos, meu marido me beijou com lábios firmes e possessivos. Um beijo carinhoso e ainda assim sensual, longo. Quando ele se afastou, eu estava sem fôlego.

—Você...— eu o beijo.

—Eu?— ele questiona sua boca grudada na minha.

—No fim era você quem sempre esteve certo.

—É, né? Mas não vou usar isso contra você daqui alguns anos quando seus cabelos estiveram grisalhos como os meus.— ele diz exibindo um sorriso arrogante, as labaredas da fogueira iluminando seu rosto bonito, mesmo com algumas marcas da idade, e refletindo nos olhos cor de avelã pelos quais me apaixonei.

—Claro que vai.— rio e dou um gole em meu vinho —Mas não vou me importar, contanto que continue me amando, mesmo com rugas.

—Já amo as suas rugas...— ele diz —Todas as duas.— rimos, pois essa falsa preocupação com as marcas do tempo passou a ser uma brincadeira fofa entre nós —Te amo tanto, Pep, obrigada por se permitir envelhecer ao meu lado.

Envelhecer. Essa é uma palavra que temos dito bastante, mesmo que nossos corpos ainda tenham vigor e que sejamos muito ativos, não podemos negar que nosso tempo está passando. Mas estamos vivendo essa maturidade juntos, desacelerando aos poucos nesse pequeno pedaço de paraíso onde viemos para nos amar em segredo 13 anos atrás.

Nesse instante me dou conta de que estou com ele mais tempo do que estive em meu outro casamento. Ainda assim, muitas vezes ficamos parados, nos namorando do mesmo jeito quando nos vimos na primeira vez. A cada dia e ano que passava aquela tarde ficava mais legítima, eu havia me apaixonado à primeira vista. Você só compreende o amor à primeira vista depois de passar tempo suficiente com a pessoa e não imaginar sua vida sem ela.

—Fiz do teu amor a minha casa. Obrigada por me ajudar a me curar e pela paciência nesse processo, meus dias, meus anos, minha vida ficaram muito mais felizes com você. Je t'aime mon soleil.— Anthony não disse nada, apenas sorriu, mas posso apostar que ele pensou "Francês é golpe baixo, babe". Sorri. Muitas vezes, nossos pensamentos seguiam pelo mesmo caminho.

Aproximei meu rosto do dele e segurei sua nuca, passando os dedos por seus cabelos grisalhos e sedosos. Meu marido me beijou, mexendo a boca de leve, movendo a língua lentamente, reafirmando nosso vínculo e cumplicidade que ficaram mais fortes com o passar dos anos.

Ele encenava histórias, eu as escrevia. Mas muito melhor do que escrever e interpretar é poder viver essa grande história de amor.


*♡*.¸¸.*FIM*.¸¸.*♡*

•*'¨'*•.¸¸.•*'¨'*•.¸¸.•*'¨'*•

Memórias da Zoey

68747470733a2f2f73332e616d617a6f6e6177732e636f6d2f776174747061642d6d656469612d736572766963652f53746f7279496d6167652f436d44375f642d5f714d316976773d3d2d313439363139353336392e313830383534373362333166646465353233363138373338373031312e6a7067?s=fit&w=1280&h=1280


Memórias do Tony

Memórias do Tony


68747470733a2f2f73332e616d617a6f6e6177732e636f6d2f776174747061642d6d656469612d736572766963652f53746f7279496d6167652f463465792d303257436561616e673d3d2d313439363139353336392e313830383535333537626539643865643734303439353831343130382e6a7067?s=fit&w=1280&h=1280


68747470733a2f2f73332e616d617a6f6e6177732e636f6d2f776174747061642d6d656469612d736572766963652f53746f7279496d6167652f39594365356d5175445f4c7876673d3d2d313439363139353336392e313830383535343763626232343036613632303234393838393838392e6a7067?s=fit&w=1280&h=1280


Memórias da Pepper


Memórias da Pepper



68747470733a2f2f73332e616d617a6f6e6177732e636f6d2f776174747061642d6d656469612d736572766963652f53746f7279496d6167652f6b347a644b415978722d733366673d3d2d313439363139353336392e313830383536356638353537653536363837343035393439303333342e6a7067?s=fit&w=1280&h=1280


68747470733a2f2f73332e616d617a6f6e6177732e636f6d2f776174747061642d6d656469612d736572766963652f53746f7279496d6167652f59315f6a59663337552d5f4544673d3d2d313439363139353336392e313830383536353832633162623737373737363237383530393735302e6a7067?s=fit&w=1280&h=1280


That's all folks! ❤Agradeço a todos que chegaram até aqui, deixando comentários ou não, eu não iria sossegar se não escrevesse essa história


Notas finais
That's all folks! ❤️ Agradeço a todos que chegaram até aqui, deixando comentários ou não, eu não iria sossegar se não escrevesse essa história. Pepperony sempre será o meu amor ficcional e eu estava com saudade de escrever sobre eles. Essa história também foi publicada no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/Tulipapa) Até um dia. Starkisses, Tulipa 🌷
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!