A Family Affair
7 Capítulo 7
Notas iniciais
⌘ Zoey ⌘
Ao ser recontratada pela empresa do Tony, consegui convencer Sherry a trabalhar comigo outra vez, por enquanto deixaríamos o seu projeto em stand-by para nos concentrar em tentar melhorar o roteiro do terceiro filme da franquia. Tarefa muito difícil, pois pra ela tudo soava machista e sexista, ainda tinham as cenas de ação que precisavam ser mantidas, afinal de contas tratava-se de um filme de super-herói.
Fiquei horas fora, e quando cheguei em casa, tarde da noite, estranhei minha mãe não estar, ela não havia falado que sairia, mas não estávamos contando muita coisa uma pra outra. Desde que a peguei na cama com meu chefe tudo estava estranho entre nós. Ao ouvir o som das chaves me concentrei na direção da porta da sala, mamãe sequer me viu aqui sentada, mas foi impossível não notar o sorriso em seu rosto lindo ao ler uma mensagem que acabara de chegar em seu celular.
—Que cara é essa?— perguntei a tirando do devaneio —E essa roupa?
—Você gostou?
—Gostei.— respondi —Onde você foi vestida assim?
—Ótimo você perguntar.— ela começa —Precisamos conversar.— sei que nada muito bom vem depois desse anúncio, então estou esperando o pior —É sobre o Tony…
—O que tem o Tony?— fecho meu notebook e endireito minha postura ao sofá.
—Não quero que fique chateada, mas nós jantamos hoje… E…— ela é reticente —Podia ter te contado antes de sair, mas não achei seguro, não queria que você dissesse algo que me fizesse desistir…
—Ok, prometo que é seguro, fala.
—Nós jantamos e conversamos sobre aquele dia… Falamos sobre outras coisas também. E…— é muito estranho estar nessa posição, parece que invertemos os papéis —Foi um bom jantar, ele é muito melhor do que parece. Mais do que parece pra você.
—Não é, não.— eu digo —Mas foi apenas isso, só um jantar?
—Sim.— ela responde, e me abandona na sala com a desculpa de que precisa de um banho.
Sei que é tarde, mas se eu não conversar com alguém eu vou explodir, mamãe está mentindo descaradamente. Quando ligo para a Debs ela já está deitada, mesmo assim não se nega a me ouvir.
—Como vou saber que foi só isso?— estou andando de um lado pro outro dentro do meu quarto.
—Mamãe odeia mentira.— Debs a defende —Tenho certeza que eles apenas jantaram, não fizeram…
—Ai, para…— meu estômago embrulha só de imaginar —Minha mãe estava num encontro furtivo, e parece disposta a viver um lovezinho com meu chefe malvado, aposto que eles dividiram um prato de espaguete.
—Primeiro, imaginando os dois, eles combinam demais, é um casal lindo, e a sua referência fofa quase me faz torcer por eles.— ela diz —E segundo, você não tem certeza se eles transaram.
—Ela estava usando um dos vestidos do guarda-roupa da Vogue, Debs.
—Ok, sis, eles se pegaram.— ela finalmente aceita —Mas não é o fim do mundo, desde que seu pai morreu não a vi com mais ninguém.— Deborah estava certa, mamãe está viúva há anos, sei que ela teve alguns encontros, mas eu nunca fui exposta a nenhum dos seus potenciais relacionamentos —Ela pode sair com quem quiser.
—Eu sei.— concordo —Mas também sei como o Tony se comporta com as mulheres, ele vai machucá-la e eu terei que matar ele.
—Te ajudo a esconder o corpo.— ela me diz, eu rio.
Depois da conversa que tive com a Debs, talvez eu tivesse aceitado o relacionamento do meu chefe com a minha mãe, mas nenhum deles assumiu o romance e eu não tive coragem de enfrentá-los.
(...)
Após uma reunião a portas fechadas com seu astro, o diretor do filme recusou as adaptações que Sherry realizou no roteiro, alguns dias passaram e eu fui comunicada quanto à contração de outra roteirista. Me senti traída por não participar do processo de escolha, mas não pude fazer nada.
Quando eu estava com Tony ele ainda era meu chefe, estamos filmando, então tudo parece normal, ele continua me fazendo exigências do tipo, pegue as minhas roupas na lavanderia, me traga um café… Ou seja, no trabalho, tudo é quase normal, embora eu tenha tido muito mais noites de folga, nunca mais fiz reservas em restaurantes ou emiti tickets de viagens de casal.
Já em casa, mamãe continuava escrevendo, ela parecia muito mais empolgada com a história na qual estava se dedicando, mas, às vezes, eu desconfiava que o entusiasmo não tinha apenas a ver com o livro. Seu celular estava sempre próximo e toda vez que uma notificação soava, logo depois eu via um sorriso bobo estampar seu rosto. Curiosamente, nas minhas noites de folga ela sempre tinha um jantar profissional ou uma reunião com as amigas, a manutenção de suas amizades parece ter se tornado primordial de uma hora pra outra.
(...)
⌘ Tony ⌘
Estamos juntos há quase quatro meses, e embora ela duvide e me peça pra não ficar repetindo isso, eu estou completamente apaixonado. Nossos encontros nunca aconteceram em sua casa, por razões óbvias, ou na minha, pois, certamente, Mila, minha funcionária contaria pra Zoey. Mas confio no meu segurança e motorista Happy Hogan para realizar as reservas nos hoteis onde jantamos e passamos algumas horas juntos. Tem sido bom, mas eu quero mais.
—Porque você está me olhando desse jeito?— Pepper pergunta, ela está se vestindo pra ir embora.
—Porque você é linda e muito gostosa.— respondo ao me levantar da cama —E estava pensando que não quero que você vá, dorme aqui comigo essa noite?
—Tony…— ela sussurra quando a abraço por trás —Já conversamos sobre isso.— ela se vira e envolve os braços ao meu pescoço. Pepper insiste que não está pronta pra que Zoey saiba, embora eu acredite que ela sabe, pois não é nenhuma idiota, mas, no fundo, não é só de sua filha que estamos nos escondendo.
—Se eu afastar a Zoey da Califórnia por alguns dias, você passaria todas essas noites comigo?— ela me olha intrigada —Vou enviá-la pra avaliar uma locação em Atlanta, serão, pelo menos, 03 dias. Tem a ver com trabalho, ela não vai desconfiar, afinal de contas, faz parte da produção do filme.
—Ook.— ela concorda —Quando?
—Daqui dois dias.— eu a beijo.
—Dois dias?!
—Pra você não ter muito tempo para pensar em desistir ou ser racional demais.— respondo.
—Me disseram que nenhuma paixão incrível começa se formos sempre tão racionais.— ela diz pra minha surpresa.
—Espera, você falou em paixão?— eu arqueio uma sobrancelha e ela leva as mãos ao rosto devido ao ato falho —Está apaixonada por mim, Pepper Potts?
—Eu…
—Pense bem na sua resposta, pois dependendo dela, você não sai dessa suíte, não nas próximas 2h, pelo menos.— ela suspira e sorri.
—Estou apaixonada por você, Anthony Stark.— ela confessou.
Pepper havia dito que me chamaria de Anthony quando quisesse mostrar que eu era apenas dela, já que meu nome artístico é meu apelido, mas ela sempre esquece disso e geme Tony quando estamos transando. Seja lá como ela vai me chamar, a peguei nos braços e a levei de volta pra cama.
Dias mais tarde, assim que tive a confirmação de que minha equipe estava voando pra bem longe, fui buscar minha namorada. Happy alugou uma casa incrível, numa praia privada em Laguna Beach, fiquei tão impressionado com as fotos que decidi lhe dar folga.
—Alguém vai chamar muita atenção na estrada.— Pepper observa quando vê meu bebê, um Porsche 911 Targa 1970 vermelho, estacionado no pátio da sua casa, mas é ela quem chama a minha atenção, ela usa um conjunto de shorts e camisa branco com estampa floral preta, e calça tênis. Guardei sua mala, abri a porta do carona pra ela e depois me acomodei ao volante —Gostei do estilo.— ela comenta afivelando o cinto, estou usando uma calça sarja bege, camiseta básica vermelha e chapéu panamá.
—Você também não está nada mal. Talvez eu me distraia um pouco no caminho, inclusive.— digo ao olhar pras lindas pernas ao meu lado, ela veste seu óculos aviador e move minha cabeça pra frente, como quem diz, concentre-se na estrada.
Ao contrário do que ela previu, não havia muitos carros na estrada, talvez por ser meio de semana, por ser outono, apenas um ou outro automóvel cruzou nosso caminho. Após cerca de 1:30h estávamos na nossa hospedagem, percorremos os cômodos, vimos a suíte que tinha uma vista espetacular. Havia um chuveiro e banheira ao ar livre na varanda, Pepper contemplava tudo com uma empolgação quase infantil. Preciso me lembrar de dar um aumento ao Hogan por isso.
—Já posso começar a tirar a roupa?— ela me pega de surpresa após o nosso tour pela casa —Estou perguntando, porque toda vez que você fica por muito tempo me olhando assim eu acabo nua.— ela esclarece.
—Eu sempre vou querer te ver nua.— a puxo em meus braços, estamos no deck onde há uma escada que dá acesso à praia —Mas eu estou apenas encantado com o sorriso que não saiu do seu rosto desde o momento que te busquei.
—Tô parecendo uma idiota?
—Claro que não, eu amo o seu sorriso.— revelei, ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e baixou o olhar, tínhamos avançado um estágio ao começarmos a falar em paixão, mas quando eu usava a palavra com A pra me referir a qualquer coisa a seu respeito ela fica na defensiva —Eu amo o seu sorriso.— repeti sem receio —E desde a primeira vez que você fez esse mesmo gesto de colocar o cabelo atrás da orelha e sorriu pra mim, soube que eu estava perdido.
—Você tinha me chamado de Srta Pimenta e eu achei fofo.— ela lembrou me deixando em choque.
—Vem, vamos tirar logo essas roupas.— eu disse e ela sorriu para o meu deleite.
O primeiro dia passou como um borrão, regado a champanhe, música, sexo e então meu desejo foi realizado, pela primeira vez eu acordava ao lado dela. Os cabelos longos e acobreados sobre o travesseiro, o nariz lindo e arrebitadinho, a boca perfeita, as sardas, seu rosto é uma obra de arte, não, um poema. Meu poema de amor.
—Ah, não.— ela resmunga ao acordar —Era pra isso que você queria passar a noite comigo, pra ficar me olhando dormir? Seu estranho.
—Dormiu bem?— perguntei ignorando sua manifestação nada romântica.
—Dormi, essa cama é ótima.
—Acho toda cama ótima quando você está nela.
—Anthony…— ela vira de bruços escondendo o rosto —Você tá acabando com a minha vida.
—Porque você diz isso?
—Porque eu tô apaixonada pra caramba.— sua confissão nos fez adiar nosso café da manhã.
Fizemos almoço juntos, à tarde jogamos jenga e palavras cruzadas, no final do dia demos um mergulho no mar e vimos o pôr-do-sol. Esse pequeno pedaço de praia deserta tem uma beleza tão serena e natural que não quero ir embora. À noite a lua cheia ainda mantinha a areia tão clara, e a água tinha um tom inexplicável de azul. Fizemos uma fogueira e assamos marshmallows, eu nunca fui tão feliz, tudo estava perfeito.
—Pepper, eu estava pensando…
—Céus, que perigo.— ela se move sentada entre minhas pernas e olha pra mim, as labaredas da fogueira parecem deixar seu cabelo um tom mais intenso —Anthony…? Você estava pensando em quê?
—Você é linda pra caralho!— eu digo e a beijo, ela retribui até que nos afastamos pra recuperar o ar.
—Ok, eu estava de costas.— ela sorriu —Não era na minha beleza que estava pensando, mas obrigada.
—Vou comprar este lugar.— digo no que pensava, ela arregala os olhos —Não quero imaginar mais ninguém sendo feliz aqui além da gente.
—Para de maluquice, seu bobo.— ela diz pra mim, quero dizer pra ela que me imagino envelhecendo aqui, com ela, mas isso, fatalmente, a assustaria.
“Saí pra correr”
Estava escrito no bilhete que encontrei na manhã seguinte, Pepper simplesmente me deixou dormindo. De certo, precisava pensar em tudo o que havia acontecido nas últimas 48h nesse paraíso e em como nossa relação poderia seguir daqui por diante.
Nosso tempo de relacionamento é relativamente curto, mas embora ela tente negar, essa paixão já escalou para outro patamar. Ontem senti que ela tentou diminuir e levou na brincadeira meu comentário sobre querer comprar a casa, essa madrugada estávamos transando quando deixei escapar um “Eu te a…” que a deixou imóvel, tentei consertar e a frase ficou “Eu te apaixonado”, foi a primeira vez que não a fiz gozar.
Quando saí do banho Pepper estava entrando no quarto, ela usa uma roupa verde-água esportiva que parece encharcada, a respiração ainda entrecortada do exercício físico, ficamos nos encarando por alguns minutos.
—Está tudo bem?— pergunto quebrando o silêncio, ela andou chorando, é notável, Pepper move a cabeça em negação —Se quiser podemos conversar ou ir embora…
—Acho que eu também te amo.— ela soluçou, dei um passo em sua direção, mas Pepper estendeu o braço me fazendo parar —Eu tenho 42 anos, Anthony.
—E eu tenho 49.
—Pra isso dar certo você teria que ter 84.— ela fala, eu rio —Eu tô falando sério, é a porra do seu histórico!
—Pepper, eu estava passando o tempo com mulheres com a metade da minha idade. Nunca sequer cogitei a hipótese de me apaixonar por qualquer uma delas.— declarei —Mas aí surgiu você, fiquei perdidamente apaixonado. E eu descobri que te amo. Tudo bem eu te amar?— ela assentiu —Tem certeza?
—Tenho.— ela respondeu, correu na minha direção, se jogou nos meus braços, enlaçando minha cintura com suas pernas e me beijou avidamente. Dei alguns passos até a cama e a coloquei sentada, arrancamos suas roupas com uma velocidade impressionante, quanto a mim, tudo que precisava ser feito era me livrar da toalha que já estava no chão —Devíamos continuar isso no chuveiro.— ela disse quando a deitei, beijava seu corpo, a pele agridoce impregnada com cheiro de protetor solar.
—Não pense demais, Pepper, eu amo o seu cheiro.— falei, e a cada centímetro dela que minha boca percorria eu dizia o quanto a amava, já que agora eu tinha autorização declamava um soneto de adoração à ela —Amo a sensação de mergulhar em você, ainda que com os dedos, e te sentir tão pronta e tão molhada.— disse com meus dedos entrando e saindo dela.
—Eu amo o seu pau em mim.— ela gemeu ao me tocar.
—É ele quem você quer aqui?— perguntei, ela assentiu.
—Quero gozar com você hoje.— ela declarou me impedindo de pegar o preservativo.
—Tem certeza?— questiono, ela sempre fez questão da proteção.
—Não pense demais, Anthony.— ela acaba de usar meu argumento. Se colocou de lado e encaixou seu corpo no meu, a sensação de ser guiado por sua mão, da penetração sem camisinha foi inebriante, pele com pele, a preenchendo por completo. Não me movi por um instante, me acostumando com essa nova e deliciosa experiência —Quero que você me ame como nunca amou ninguém.— ela suplicou, virando-se um pouco, e enganchando o braço em meu pescoço, mas ainda mantendo o quadril de ladinho enquanto eu apertava um de seus seios.
—Eu amo.— falei puxando meu pênis e deslizei de volta para dentro, bem devagar. E depois tirei de novo, de início os movimentos eram calculados, eu estava desfrutando dela. Logo perdi o controle, quando durante um beijo seu gemido reverberou por todo o meu corpo. Pepper levantou um pouco a perna e começou a se tocar, mudei nossas posições ficando por cima, passei a meter mais forte, mais fundo, ela cravou sua mão livre em minha bunda e então soube que ela chegava ao limite. Gozamos, e eu continuei dentro, me movendo devagarinho enquanto beijava sua boca —Pepper você está chorando?— fiquei preocupado ao ouvir um pequeno soluço quando estava muito concentrado em seu ouvido, sussurrando o quanto estou louco por ela.
—Não pare.— ela pede.
—Porque você está chorando, meu amor?— pergunto ao ficarmos cara a cara.
—Porque… eu amo você. Porque isso é perfeito e eu não quero que termine.— ela me revela, Pepper nunca tinha sido tão honesta com a nossa relação quanto agora.
—Você vai terminar comigo?— indaguei, ela negou com a cabeça.
—Então, meu amor, não tem por que chorar. Eu não vou a lugar nenhum.
Fale com o autor