A Family Affair

24 Capítulo 24


⌘Tony⌘



—Nova York?— repito apenas para ter certeza.

—Sim, porque sou como Carrie Bradshaw.— ela me beija e ri contra a minha boca.

—Babe, faz 3 anos que não entro naquela cidade cenográfica que, por mim, já teria dado lugar a outra.

—Não queria a cidade em si, mas aquele salão dos lustres onde tivemos a nossa primeira vez.— ela diz.

—Porque justo lá?— pergunto, na minha cabeça foi a pior coisa que fiz com ela, mas com certeza Pepper não pensa como eu.

—Foi lá que voltei a sentir…— ela diz —Eu sabia que tinham vindo muitas antes e mesmo sabendo que muitas viriam depois, naquele dia fui a única.

—Então porque você terminou comigo quando a Zoey contou? Não faz sentido…

—Você ia terminar comigo, não sabia quando ou porquê, mas havia a possibilidade ou então os brincos não existiriam.— ela comentou —Você vivia um círculo vicioso de conhecer, jantar, levar ao estúdio, sair algumas vezes e tchau com um prêmio de consolação muito caro. Quebrei a corrente.

—O círculo foi quebrado em Laguna, quando você disse que me amava.

—Eu não tinha como adivinhar quando você desistiu de desistir, meu amor, tínhamos vivido um monte de coisas, eu estava me abrindo depois de muito tempo e então descobri qual era o seu modus operandi, ainda teve a vergonha daquela exposição toda, por isso terminei primeiro.

—Você fala da minha forma de agir, mas também tem o seu modus operandi de tentar controlar todas as situações, fazer antes que o outro faça.— acuso.

—O que você chamava, porque não sou mais assim, de controle. Era minha defesa.— ela observa. Eu já tinha cogitado comprar uma casa pra envelhecermos juntos, tinha acabado de passar o natal com a sua família e ela ainda assim terminou comigo, sem se quer me ouvir —De maneiras muito tortas nós nos defendíamos, éramos dois fujões, mas não somos mais. E gosto disso.— ela diz —Você poderia apenas ter dito não, sem qualquer explicação. Ou ter dito sim, apenas pra me agradar, mas estamos conversando de maneira muito madura, sem subterfúgios.

—Porque não fugimos mais.— repito, e de repente tenho uma constatação —Mas pela primeira vez você errou, babe.

—Eu errei?

—Sim, futura Sra Stark.

—Quando eu errei, Sr Stark?

—Não teve ninguém depois.— respondo —Depois de você…— eu a beijo —Veio você de novo.

—Nunca foi tão bom estar errada.— ela me beija, devora minha boca com verdadeira paixão e me deixa arrepiado. Às vezes, penso que nossos caminhos poderiam ter se cruzado antes, mas não sei se teríamos chegado a esta harmoniosa e deliciosa fase se tivéssemos nos conhecido dez anos atrás. Conhecer Pepper me deu a certeza de que eu perdia muito tempo com garotas, nenhuma outra mulher me beijava como ela. O poder de persuasão de sua boca é extremamente sensual, mas também carinhoso, reverente. Seus lábios são macios, ela sabe me provocar, e eu sempre quero mais. Mas seu telefone tocou nos trazendo para a realidade. Ao ver que era Zoey, Pepper deu um pulo.

—O que houve?— pergunto preocupado —Algo com o Noah?

—Como assim, febre ontem desde ontem?— ela fala ao telefone e sai andando apressada em direção ao nosso quarto, sigo atrás tentando assimilar —Hoje é segunda, seu tio está na clínica, pego você aí e vamos até lá.

Nos arrumamos depressa e saímos. Happy estava em casa, mas o meu carro não tem cadeirinha, por isso ao chegar na Zoey seguiríamos com o dela. Mas assim que Pepper entrou em sua antiga casa, magicamente, nosso neto parou de chorar. Foi estranho, pois podíamos ouvi-lo do lado de fora.

—Achei que eu fosse surtar, nunca o vi chorar tanto.—Zoey diz, Noah já está no colo de Pepper.

—Ele não me parece quente.— Pepper diz ao encostar sua bochecha na testinha dele.

—Disse que ele teve febre ontem, não que estava com febre desde ontem.— Zoey esclarece.

—Ei, mocinho, o que é que você tem?— Pepper sentou-se na poltrona com Noah em seu colo, tentava mantê-lo sentado sobre seus joelhos, mas suas perninhas não paravam, ele queria ficar em pé —Não me parece um bebê dodói, então o que era todo aquele choro que a vovó ouviu ao telefone? Uma manha gigantesca?— ela beijou o pescocinho dele o fazendo gargalhar —Era uma saudade enorme da sua vovozinha?

—Acho que era saudade do vovô.— comento ao me sentar no braço da poltrona.

—Seja lá o que for parece ter passado.— Zoey comenta —Acha que ainda assim devemos levá-lo ao tio Carl?

—Não precisa.— Pepper observa —Vovó vai cuidar dele.

—Ok, vou aproveitar que estão aqui pra tomar um banho de verdade, e ligar pro Pequeno pra dizer que está tudo bem.— ela avisa —Ele não podia trabalhar de casa e saiu preocupado em me deixar sozinha.— explica —Noah não queria nem a Mila, agora podemos ver o motivo.

—A gente não quis ficar longe de você, amorzinho, é que a vida dos adultos é complicada.— Pepper dizia enquanto Noah babava em seu rosto como se estivesse a beijando.



Minha noiva pediu que eu fosse até a cozinha ver com a Mila se o bebê já havia almoçado, afinal passava do meio-dia.

—Almoçar? Que nada ele só queria chorar.— ela disse, foi até a geladeira e pegou um dos potinhos com a refeição para descongelar.

Tentei dar o almoço pra ele, mas Noah “fez questão” de comer sozinho. O que era aquilo? Adolescência do bebê, onde eles ficam rebeldes e cheios de vontades? Mas foi engraçado ele pegar, com suas mãos gordinhas, palitinhos de cenoura cozida, brócolis refogado e frango desfiado e devorar tudo, já que a quantidade de dentes havia aumentado para 3 em duas semanas.

—Eita, ativou o arquétipo conversador e comilão.— Zoey observa ao retornar, parece revigorada. Realmente, estávamos diante de um bebezinho tagarela e nada doente —É, ele estava mesmo com saudade de vocês. Mas também senti sua falta.— ela diz ao abraçar a mãe, Pepper beija os cabelos da filha.

—Me deixa reparar nessa aliança ao vivo.— Pepper pega a mão de Zoey —Clássica, linda. Era da avó dele, né?

—Da bisa.—Zoey responde, e então conta, de novo, como o pedido aconteceu.

—Espero que a bisa não puxe o pé de vocês por terem colocado a joia dela numa caixa de hambúrguer.— ironizo. Zoey, muito madura, me mostra a língua —Uau, carinha, você está amassando esses legumes, hein?— volto a minha atenção pro meu neto, mas continuo ligado na conversa das mulheres há alguns passos de nós.

—Vocês já decidiram a data?— Zoey pergunta —Acho que não pretendem esperar muito, né?

—Ainda não falamos sobre datas.— respondo antes da Pepper.

—Nós vamos esperar o Noah ficar um pouquinho maior. Até porque hoje, não me imagino saindo em lua de mel com um bebê tão pequeno, mas também não quero deixá-lo pra trás, mesmo grandinho.— ela diz.

—Nós adoraríamos ficar com ele quando vocês viajarem, né, amor?— Pepper questiona, aquiesço.

—Vocês são a única opção possível.— Zoey afirma —Nossa, que fome, já almoçaram?

—Não, mas o cheiro na cozinha estava muito bom.— eu digo —Estamos convidados?— Noah ficou muito comportado em seu cercadinho enquanto almoçamos. Mila havia preparado medalhão de filé mignon e purê de batatas — Eu estava com saudade do seu tempero, estava delicioso, Mila.

—Dez anos e eu nunca havia recebido um elogio.— Mila reclama —Aliás, não sabia que o Sr gostava de pimenta…

—Por Deus, ela falou disso durante toda a manhã, era o Noah chorando e Mila relembrando o excesso de pimenta nas receitas “Mas a sua mãe, Srta Zoey, o conquistou por causa da pimenta”.— Zoey diz, enquanto Pepper ri.

—Mila,...— eu me levanto da mesa e vou até ela e lhe beijo o rosto —Me desculpe por todos os anos em que fui um babaca, a sua comida é deliciosa, às vezes você exagerava nos condimentos, mas quando acertava, era muito gostoso.

—Ok, Sr Stark, obrigada. Sei que a mãe da Srta Zoey é linda e muito educada e não te conquistou por causa da pimenta.

—Obrigada, Mila.— Pepper diz.

Os olhos brilhantes, sorriso amplo e o bom humor são apenas alguns dos motivos pelos quais ela é o amor da minha vida.

—Por falar na matéria, preciso ler, embora eu seja privilegiada e tenha recebido alguns spoilers.— Zoey diz —Debs disse que vocês contaram sobre a adaptação de Manhattan?

—Sim.— respondo —Mas deixamos claro que não há um prazo determinado para o início da produção ou lançamento.— Zoey aquiesce como que diz “Muito bem” —Por falar em trabalho, essa sua licença nunca acaba? O RH aprovou mesmo todo esse tempo?

—Estou abusando por você ser meu padrasto.

—Zoey, isso é sério?— Pepper questiona.

—Claro que não.— ela responde —A Stark é uma mãe, a licença é de seis meses. E então peguei mais dois de férias que estavam vencidas.— Zoey informa, Pepper olha pra ela e depois pra mim. Sinceramente, não sei qual a política do RH, talvez ela seja a nossa primeira funcionária grávida.

—Bem, neste caso você ainda fica com Noah por pouco mais de 1 mês, não está na hora de contratar uma babá?— Pepper questiona —Além de confiar na pessoa com a qual ele vai ficar, ele precisa gostar dela também.

—Percebeu que você está se descrevendo, né?— Zoey indaga irônica, afinal, Noah só deixou Pepper enquanto estava almoçando —Mas eu nunca sugeriria que ficasse com ele todos os dias, sei que tem as suas coisas, as corridas, o pilates, que geralmente as ideias surgem do nada e você é absorvida por textos e mais textos.

—Se quiser te ajudo a escolher alguém, participo das entrevistas e tudo mais.— Pepper se oferece.

—Você é minha heroína.— Zoey diz, tenta beijar o rosto da mãe, mas Noah protesta —A qualquer momento você vai querer vir no meu colo pra mamar e eu vou te empurrar também.

—Como você é ridícula.— Pepper ri —Olha pra cara dele de quem quer mamar.— Noah está encostado sobre o peito de Pepper os olhinhos meio fechados, não sei se ele está se deleitando com o perfume da avó ou prestes a tirar um cochilo.

—Como vai ser com esse grude todo quando formos embora?— questiono.

—Você vai embora, Tony. Mamãe fica como minha prisioneira.— Zoey diz —Quer dizer, prisioneira dele, esse garoto mimado pela vovozinha.

Embora não quisesse assumir o ciúme que estava sentindo, Zoey aproveitou sua folga pra ler a nossa matéria e organizar outras coisas. Kyle chegou no meio da tarde e foi ótimo ter companhia, já que o outro homem da casa estava grudado na minha mulher.

Tomamos algumas cervejas e comemos nachos enquanto conversamos sobre a vida, sentados nos fundos da casa, onde podíamos ver o mar. Até que ele fez o fatídico comentário.

—As vezes tenho a impressão de que você vê a Ginnie com o Noah e se pega imaginando o que poderia ter, mas não tem. Estou maluco?

—Como assim?— me fingi de desentendido.

—Nunca pensou em ter filhos?

—Nunca, acredita?— indago —Eu vivia a vida no automático, de um modo muito prático. E família não se encaixava na minha forma de viver. Talvez tivesse sido um péssimo pai se tivesse engravidado alguém.— respondo —Mas a sensação do “E se?” paira muito na minha cabeça, não o “E se eu tivesse tido um filho?”, mas o “E se eu tivesse a conhecido antes?”.

—Como se apenas com ela fosse certo?— ele questiona e dá um gole em sua cerveja.

—Isso.— repondo —É um clichê ridículo afirmar que me apaixonei por ela assim que a vi, mas foi assim. Então fico pensando, “Nossas casas não eram tão afastadas, ela é viciada em correr no bairro, mas eu sempre fiz academia em casa, será que se um dia eu tivesse mudado a minha rotina e ido correr teríamos nos encontrado e seria dessa forma?”

—É uma possibilidade, ela já era viúva afinal.— Kyle observa.

—Sim, mas só eu sei o quanto foi difícil chegarmos a esta fase, mesmo ela sendo “livre” há anos.— respondo —Quando vi o Noah pela primeira vez foi um baque, porque ele parecia ter saído dela, então pensei “Esse momento poderia ser nosso”. Mas à noite, quando voltamos pra casa e comemoramos a minha indicação ao Oscar de uma maneira muito nossa, foi tão bom, não senti falta de nada. Apenas com ela já me sinto completo.

—As vezes sinto saudade de dormir uma noite inteira, mas ainda assim, quero ter outro bebê em breve, uma menininha.— ele revela.

—Zoey sabe disso?

—Ainda não conversamos.— ele revela —Noah veio de surpresa, sequer tínhamos falado sobre ter uma vida juntos.

—Mas se ela disser não pro seu desejo, o que vai fazer?— indago, ele dá outro gole em sua cerveja, e não me responde nada —Tenho uma experiência em relacionamento duradouro, é este no qual estou. Mas nesses anos com a sua sogra, aprendi, na verdade, entendi, que um casamento requer abrir mão de algumas coisas. Quando ambos dizemos sim pra tudo é maravilhoso, mas quando um diz não é que são elas. Nunca havia cogitado a ideia de ter filhos, mas se eu realmente quisesse ter, teria que ser com outra pessoa.

—Não acha que ela mudaria de ideia?

—A única ideia que ela mudaria seria ficar comigo.— rio condescendente —Mas não abro mão de ficar com ela.— dou um gole em minha cerveja —Não de uma forma maluca e obsessiva, que fique claro.

—De uma forma saudável.— Kyle ri —Também não abro mão da Pequena, ela e o gorducho são minha vida.— ele diz —Sou muito cadelinha deles.

—Cadelinha?— questiono confuso.

—É uma gíria.— ele responde —Uma expressão usada quando você faz qualquer coisa por alguém.— Kyle explica, me dou conta que também sou cadelinha da Pepper —Seria incrível sermos quatro, mas se ela não quiser, três está bem pra mim.

—Vou adorar ser o vovô de uma garotinha, pode ter certeza.

—Parece que Tony Stark nunca imaginou ser pai, mas curte demais ser avô, não é?— Kyle pega um nacho e leva à boca.

—É o melhor dos mundos.— respondo —Passar algumas horas com a criança, encher de carinhos e mimos, depois devolver pros pais, namorar a avó delas e dormir a noite toda.

—Só vantagens, tem razão.— Kyle bate sua garrafa de cerveja na minha.

Quando voltamos pra dentro de casa, os três estavam na sala de tv. Zoey observava embasbacada a geniosa bolinha ruiva, também conhecida como meu neto, se arrastar sobre o tapete pra alcançar a avó. Os gritinhos dele eram a coisa mais fofa.

—Falei que no chão ele conseguiria, não falei? O colchão é muito mole, por isso ele acaba rolando em vez de se arrastar.— Pepper explicava —Logo, logo ele estará engatinhando, você engatinhou com 8 meses, no aniversário de 1 ano já andava sem apoio algum.

—Esse exercício parece que serviu pra ele cansar bastante, isso sim.— Kyle observa ao meu lado e balbucia um “Graças a Deus”, que me fez rir.

—Está exausto, com certeza. Seu filho não tirou nenhum cochilinho durante o dia todo.— Zoey informa.

—Babe, será que o teu chefinho te deixa ir embora?— questiono —Já são quase 18h e precisamos dispensar o Happy.

—Mesmo que ele ensaie uma manha, é só dar um banho quentinho que ele vai desmaiar, com certeza, só acordará amanhã.— Pepper instrui ao se levantar do tapete com o bebê em seus braços —Vovó vai embora, meu amorzinho, promete que vai ser um príncipe?— ela beija o pescoço dele.

—Ele promete.— Kyle o pega —Vem, gorducho, agora é com o papai.— Noah não protesta, me despeço dos meninos e eles vão para o banho.

—Obrigada por hoje, não sei o que seria de mim sem vocês.— Zoey nos abraça —Sabe, às vezes penso que quero ter outro filho, mas depois penso um pouco mais.— ela ri, eu rio também, porque falei com Kyle sobre isso horas atrás.

Happy me enviou uma mensagem dizendo que havia chegado, nos despedimos de Zoey.

—E então como está o garotinho?— Happy questiona ao dar partida no carro.

—Cheio de vontades e manias. Apenas mimado demais.— Pepper responde, como se não fosse parte fundamental no processo de mimos —Por falar em vontade, sabe o que eu queria?— ela diz pra mim.

—O que você quer?

—Uma pizza muito queijuda.— ela responde. Diante da resposta, Happy indicou um lugar onde encontraríamos o que ela quer. Tínhamos duas opções: ir pra casa e aguardar ou ficar no carro esperando enquanto ele buscaria o nosso pedido. Estacionamos numa rua tranquila próximo à pizzaria —Jurava que você preferiria esperar em casa, poxa, amor, 40 minutos?

—Sabe há quanto tempo eu não namoro no banco de trás de um carro?— perguntei.

—Você não sei, mas eu…— ela começou a fazer contas —...Uns 27 anos. Ter namorado no carro me rendeu uma criança, que hoje tem uma criança, e por causa dele estou exausta.— ela passa as mãos pelos cabelos e me olha de maneira muito séria.

—Exausta a ponto de negar uns amassos?— ela move a cabeça em negação —Que bom, vem cá.— dou risada, a puxo para o meu colo. Segurei sua nuca e a beijei. Passamos alguns minutos nos beijando, era como ter 28 anos outra vez.

—Nada disso.— Pepper diz ao segurar minha mão impedindo de invadir sua camiseta —Happy pode voltar a qualquer momento.

—Ele nunca entra no carro antes de dar duas batidinhas no vidro.— revelo, e volto a beijá-la.

—Você…— ela diz contra a minha boca.

—Eu?

—Você foi tão canalha agora, tão Tony Stark.— Pepper se afastou —Quando foi a última vez?

—20 minutos atrás.

—Anthony!

—Sei lá, babe, fazia uns 20 anos. Mas nunca fabriquei ninguém dentro de um carro.— respondi.

—Tem certeza?

—Absoluta.— repondo.

—Por falar em fabricar pessoas, o que foi aquele sorrisinho quando Zoey falou sobre ter outro bebê?— Pepper indagou —Posso apostar que Kyle te confidenciou algo. Eles só podem estar malucos.

Enquanto ela assuntava o que eu havia conversado com nosso genro, Happy chegou. Nem estava com fome, mas o cheiro da massa assada em forno à lenha me atiçou. Não demoramos pra chegar em casa, minha noiva agradeceu ao Hogan, pegou a caixa de pizza e foi direto pra cozinha.

Ela higienizou as mãos, pegou taças, vinho, nos serviu. Jantamos, conversamos sobre o dia, sobre a viagem que vou precisar fazer em 2 semanas e sobre ela não ir, pois assumiu o compromisso de ajudar Zoey na contratação da babá.

—Sabe o que você devia fazer? Deixar que eles provem que são capazes de ter até três filhos e contratar babás sozinhos…

—É uma opção, mas agora, sabe o que eu realmente quero fazer? Tomar uma ducha e deitar na minha cama.

Não tinha visto meus e-mails e mensagens, então deixei que ela subisse na frente. Stewart me mandou os textos dos episódios da série que vou participar. Nicole me questionou quanto a presença num evento que ainda não havia confirmado. Meu personal mandou o treino da semana, além de ter furado o primeiro dia, ainda jantei pizza. Porém seria incapaz de trocar a minha vida atual por todos os compromissos e respostas não enviadas.

Quando entrei no nosso quarto ela já estava dormindo, me banhei, vesti apenas a calça do pijama e deitei. Não demorou para que ela virasse o corpo na minha direção e me enlaçasse com uma de suas pernas.

—Achei que já estivesse dormindo.— sussurrei.

—Não estava, porque você me estragou…

—Como posso ter feito tal coisa?— questionei.

—Demoro a pegar no sono quando você não está.— Pepper ronronou se aconchegando ainda mais —Assim é muito melhor.— declarou a mulher que não queria se apaixonar, não queria casar, pois tinha se acostumado a ser só, e agora mal dorme sem mim. Minha futura esposa.



Notas finais
Uma das coisas que mais curti ao escrever essa história, foi não ter me dedicado tanto a cenas de ciúmes. Claro que ela existiram, mas tentei abordar tudo com muito mais maturidade. Espero que tenham curtido, o próximo capítulo será o penúltimo Starkisses, Tulipa