A Family Affair
22 Capítulo 22
Notas iniciais
⌘Zoey⌘
Vida é o que acontece enquanto fazemos planos. Odeio frases feitas, mas a minha vida tem sido uma sucessão delas. E, com certeza, nada do que aconteceu comigo ou com as pessoas que amo, nos últimos anos, foi planejado.
Quando eu iria imaginar que meu chefe conheceria a minha mãe e se apaixonariam loucamente? Ou que o carinha por quem eu fui apaixonada loucamente, e partiu meu coração ao terminar nosso namoro, voltaria e em menos de um ano juntos, de novo, teríamos um bebê?
Quanto aos planos de carreira, esses estavam nos trilhos, havia trabalhado arduamente pra isso. Mas por causa do entrelace da vida com a carreira, em vez de estar na minha primeira noite de Oscar, estou no sofá com um bebezinho de 2 meses no colo, usando uma roupa fácil de abrir pra amamentar.
—Você viu o que o vovô falou pra gente, meu amorzinho?— eu tentava ninar o Noah, tendo a certeza de que ele sentia que aquela noite era muito importante pra nossa família, já que ele não dormiu no horário habitual.
—Mamãe ganhou na loteria com esse homem.— Debs diz ao liquidar o restante de sua bebida —Ainda bem que não precisamos picotar ele, não é mesmo?— eu rio. Me lembro do meu surto ao ligar pra ela quando eles começaram a se envolver.
—Vocês estavam doidas.— Kyle ri, morde um nacho e bebe sua cerveja. Nos reunimos em casa pra assistir a premiação —Certeza que era implicância. O Tony é uma ótima pessoa.
—Mas antes ele era um babaca.— digo.
—Quem nunca foi babaca, não é mesmo?— Debs se levanta —O importante é deixar de ser, evoluir.— ela ironiza —Sis, vou nessa, amanhã preciso acordar cedo. A noite com o nosso gorduchinho foi ótima, amo vocês.— ela nos aperta em seu abraço —Boa noite, príncipe da madrinha.— ela beija a cabeça de Noah e nos deixa.
—Pequeno, você pode dar um jeito nessa baguncinha? Vou subir pra ver se ele dorme sem a interferência da tv.
—Claro, Pequena.— ele me beija e diz —Já subo.
—Vovó e vovô estão indo pra festa da Vanity Fair, e nós vamos pra cama, garotinho.— digo subindo as escadas, enquanto amamento.
Falei com Tony na semana seguinte a premiação ele estava eufórico, não pelo prêmio, mas por minha mãe ter aceitado se casar. Na minha cabeça eles já estavam mais que casados, acho que na dela também, pois nem me contou a novidade. Estávamos nos vendo menos, já que Kyle esteve de férias e, segundo ela, não queria atrapalhar a conexão entre meu namorado, nosso bebê e eu.
Porém, quando fomos levar Noah para tomar vacina, mamãe estava conosco, pois aproveitou para ver meu tio Carl. Ele vive pro trabalho, mal comparece aos eventos familiares, então ter um bebê foi ótimo pra nos reaproximar, já que a última vez que o tinha visto, antes do Noah, foi quando peguei ela com Tony e acabei em seu consultório depois de uma concussão.
—Excelente pediatra, péssimo tio e irmão.— ele brincou ao examinar seu sobrinho-neto —Eu e sua avó éramos grudados, Noah, e hoje, se nós vemos uma vez por ano, é muito.
—Ela, com certeza, aparecerá nas próximas consultas.— o Pequeno avisa.
—Kyle nem sempre conseguirá vir comigo, e eu preciso de alguém pra segurar o Noah na hora das vacinas, morro de dó.— esclareço.
—Nessa parte sempre fui valente.— mamãe comenta.
Falamos bastante sobre a saúde de Noah, que está ótima, também colocamos o papo em dia. Mamãe falou sobre a relação com Tony, mas estranhei não tocar no assunto do casamento, foi então que notei que não havia qualquer evidência do pedido. Na saída da consulta, o Pequeno precisou ir pro escritório, minha mãe iria apenas me dar uma carona até em casa, mas a convenci a ficar para o almoço.
—O deixei no quarto e trouxe a babá eletrônica.— aviso ao voltar pra sala, mamãe coloca o porta-retrato de volta no móvel como se estivesse fazendo algo errado —Essa casa ainda é sua, viu?
—Não, não é.— ela responde —E já está mais do que na hora de você dar a sua cara pra ela.
—Gosto dessa estética.— respondo —Gosto da árvore de natal montada durante o ano todo.
—Anthony nunca entendeu.— ela sorri.
—O Pequeno também não.— continuamos rindo. A verdade é que, uma única vez decidimos passar o natal em casa e, há 5 anos ela está montada, pois somos relapsas demais.
—Com certeza será desmontada quando Noah estiver engatinhando e depois andando por aí destruindo tudo.— ela diz.
—Me diz que fui tranquila nessa fase?— ela move a cabeça em negação —Bom, pelo menos quando a hora chegar talvez eu já tenha voltado a beber.— ironizo —Por falar nisso, sua adega está cheia daqueles vinhos chics, quer abrir algum?
Ela aceita depois de descobrir que Mila está preparando peixe, me dá uma aula sobre Sauvignon Blanc e diz que precisamos voltar a Bourdeaux, a última coisa que penso com um recém-nascido é ir à França. Almoçamos, Noah acorda e sua avó não desgruda dele pelo resto da tarde.
—Preciso ir, posso levar o vinho?
—É seu.— respondo —Mas já que você está indo e não tocou no assunto durante todo o dia, preciso perguntar…— hesito.
—O que foi, Zoey?— ela pergunta. Mamãe nunca mais me chamou de Zzy depois daquela briga que tivemos quando descobri que ela e Tony namoravam escondido.
—Tony me falou que te pediu em casamento e você aceitou…— hesito —Achei estranho não contar nada pro tio Carl ou pra mim.
—Está vendo alguma aliança na minha mão?— movo a cabeça em negação —Então não havia o que contar.
Minha mãe foi embora, e daquele momento em diante passei a prestar atenção em sua mão esquerda. Com Kyle de volta ao trabalho voltamos a nos ver com mais frequência, não temos babá, ela vinha até em casa ficar com Noah pra que eu tivesse um tempo pra mim, o que era ótimo. Quando ele completou quatro meses conversamos e durante as minhas “folgas” passei a deixá-lo na casa dela, ele nunca ficava mais de 2h, mas Tony montou um quarto inteirinho.
—Tem tudo aqui, e Kyle me ajudou pra que ficasse parecido com a casa de vocês, então ele não vai estranhar.— Tony me disse.
—Achei um exagero.— mamãe diz enquanto pega o neto dos meus braços, nenhuma aliança em seu dedo —Vovô Tony é um exagerado, não é meu amorzinho?
—Posso ver?
—Claro.— Tony diz animado, subimos, mas minha mãe não veio, ainda assim ele fez questão de me mostrar tudo.
—É lindo, Tony. Obrigada pelo carinho, mas não era com o quarto do Noah que você deveria estar preocupado. Precisa de ajuda pra comprar o anel da minha mãe?— pergunto sem rodeios, ele suspira e fecha a porta.
—A aliança foi o mais fácil, se você quer saber.— então ele me contou que mediu o dedo dela enquanto ela dormia e já tem a joia há meses, muito antes do bebê nascer —Preciso de ajuda pra fazer o pedido.— ele revelou. Pra mim, era a parte mais fácil.
—Já não está feito? Você disse com todas as letras “Sua mãe aceitou casar comigo”.
—Nós estávamos conversando no camarim após a premiação e ela disse que se sentiu uma esposa orgulhosa, então perguntei se ela queria ser mesmo ser minha esposa e ela disse sim…
—Ok, não foi um pedido formal, mas faz quase três meses daquela noite, o que te impede de pedir?— questiono curiosa, ele me conta sobre a promessa das joias, me sinto culpada. Aquela confusão enorme foi causada por mim, então quando ele fala da ideia de usar o Noah eu não me oponho, até me comprometo a ajudar.
Embora quisesse ter visto, Tony não me mostrou a aliança. Mas quanto ao pedido, dividiu todas as ideias comigo, foi bom voltar a produzir algo. Surpreendentemente mamãe não desconfiou de nada.
(...)
—Ele vai ficar lindo nessa roupinha, não tem como ela dizer não.— Tony disse, quando semanas após a nossa conversa entreguei o body customizado com a frase escolhida para o pedido.
—Espera, há alguma chance dela dizer não?
—Claro que não.— ele garante.
—Achei irônico usar o meu filho pra entregar uma joia pra mais uma de suas namoradas.— alfineto —Mas, dessa vez, estou fazendo com muito prazer.
—Obrigado.— ele diz —É minha última namorada, ela é tudo pra mim.
—Não estaria te ajudando se não tivesse certeza disso.— eu digo —Bom, preciso ir, deixei ele com o Kyle e está quase na hora dele mamar.
—O Kyle?
—Meu Deus, você é muito idiota.— pego minha bolsa enquanto ele continua rindo.
—Falando sério. Devia ter trazido o Noah, o pessoal está louco pra conhecê-lo, já estão cansados das fotos que eu mostro.— Tony diz, ele é mesmo um avô muito babão.
Noah sempre foi bonzinho, mas a chegada do primeiro dentinho, aos cinco meses, nos revelou um bebê extremamente manhoso. Eu havia deixado com Kyle por menos de 1h e ele pediu socorro para a minha sogra. Quando cheguei em casa, Margot tentava acalmar o neto, em vão, ele só sossegou quando o peguei.
—Eu disse que ele estava com fome.— ela comentou. Claro que ele não estava, mas o peito sempre seria conforto pra um bebê —Oi, Margot, boa tarde, tudo bem?
—Tudo.— respondeu ao passar as mãos sobre seus cabelos castanhos-claro. Margot é linda, chiquérrima, sempre fez questão de deixar claro que sua vida foi muito planejada, os filhos só vieram depois que ela era uma advogada com carreira estável, talvez ela seja uns quinze anos mais velha que minha mãe —Não tenho mais qualquer prática com bebês, nem parece que tive dois filhos.
Depois que Margot soube da minha gravidez, a nossa relação ficou estranha de uma forma que não consigo explicar, ela nem de longe me lembra a mulher que encontrava com minha mãe pra tomar cafés e dizia torcer para eu e Kyle reatarmos. Às vezes, acho que ela sabia que voltar comigo era uma forma de tê-lo por perto, já que seu filho mais velho, John Jr, foi pra universidade em Oxford e nunca mais voltou. O Pequeno tentava mantê-la perto, mas ela sempre fazia questão de ressaltar o quão sem tato era com bebês.
—Por Deus, eu a amo, mas ela é impossível.— Pequeno bufou quando sua mãe foi embora —Ainda bem que você chegou, ela estava quase comprando uma mamadeira online com entrega full, ficou horrorizada quando dei leite pra ele com o copinho.— ainda bem que era ele quem reclamava dela e não eu.
—Ele bebeu?— questionei, Kyle aquiesceu. Quando ainda estávamos no hospital, logo após o nascimento do Noah, as enfermeiras nos ensinaram a dar o leite pro bebê num copinho, na maternidade elas fazem isso com os recém-nascidos que têm dificuldade em pegar peito logo de cara, evita a confusão de bicos.
—Resolveu o assunto com o seu chefe?— ele quis saber.
—Não fui conversar com meu chefe, mas com o namorado da minha mãe.— esclareci, ele me olhou ressabiado —E não, não estou me metendo na relação deles, quer dizer, não da forma que meti antes, pelo menos.
(...)
O cupido do vovô Tony, como meu padrasto passou a chamá-lo, precisou adiar sua missão por duas semanas. E quando o deixei na minha mãe hoje de manhã ele ainda estava chatinho, mas se o pedido não acontecesse logo, teríamos que providenciar um novo figurino, já que meu menino tem perdido roupas na velocidade da luz.
—Então, Sra Pequena, quais são os planos para o dia de descanso?— Pequeno me pergunta ao acomodar-se no banco do motorista.
—Preciso de um milk-shake, uma massagem, um hambúrguer seria bom também, talvez dormir, não necessariamente nessa ordem.
—Te deixo em casa e você aproveita pra dormir…— ele diz —Marquei de encontrar com meu pai, mas antes de pegarmos o gorducho, podemos fazer todas as outras coisas…
—Até a massagem?— questiono, ele confirma ao piscar pra mim.
Cheguei em casa, subi, tirei minha roupa e me joguei em minha cama, estou exausta. Agora sei porque hoje em dia as mães comemoram os mesversários dos bebês, porque tanto elas, quanto eles conseguiram sobreviver a mais um mês.
—Ei, Pequena, hora do banho.— Pequeno sussurra em meu ouvido, murmuro algo ininteligível —Preparei a banheira, então se você não levantar e andar até lá, vou ter que te pegar nos braços e te jogar dentro dela.
—Sua atitude não é nada romântica, é um pouco ameaçadora, na verdade.— resmungo.
—São quase três da tarde, Pequena.— ele beija o meu pescoço —Aliás, sabe aquela hamburgueria nova que você queria ir, ela abre às 17h, podemos pedir pra sua mãe ficar com o Pequenininho por mais umas 2h?— Antes de dar a resposta ao meu namorado, preciso contatar minha mãe pra saber se o namorado dela já usou meu filho em seu plano. Pego meu telefone e mando mensagem perguntando pelo Noah, pela sua resposta presumo que ainda não aconteceu nada demais por lá. Coloco o aparelho de volta na mesinha —O que foi, ela não pode ficar um pouco mais?
—O problema é que ela pode ficar.— respondo —Vocês homens são péssimos pra tomar algumas atitudes, não é mesmo?!— bufo, a minha frustração é com a lerdeza do Tony, mas desconto em Kyle.
—Não sei porque está brava…— ele diz e tira a camiseta —...Mas já que desdenhou do meu banho, vou aproveitar. Depois vou buscar meu filho e assistir futebol com ele.— o homem enorme que mora comigo, e que tenho a audácia de chamar de Pequeno, tira o restante das suas roupas e caminha pro banheiro.
—Um banho com pétalas de rosas?— questiono ao entrar no banheiro minutos após sua cena.
—A massagem está cancelada.— ele diz —Mas se quiser entrar, fique à vontade.
Claro que entrei, e claro que Kyle não ficou com as mãos longe de mim por muito tempo. Ele encheu meu cabelo de espuma ao prender os fios num coque que deve ter ficado muito mal feito, mas quando tocou meu pescoço outras partes do meu corpo acordaram. A massagem em meus ombros desfez todos os nós de tensão, e quando suas mãos ágeis deslizaram sobre meus seios, provocando meu mamilo, tudo dentro de mim se transforma em desejo. Ele beija meu ombro, e corre o nariz por toda a minha clavícula, não consigo evitar o gemido que escapa da minha boca, estou perdida na sensação quando me moveu entre suas pernas fazendo com que eu ficasse de lado para tomar minha boca em um beijo que me faz perder a noção do tempo. Nossas bocas, às vezes delicadas, às vezes brutais.
Namorar um homem grande tem algumas vantagens, mas sexo na banheira não é uma delas. Íamos pro chuveiro apenas para nos livrarmos do sabão e das pétalas de rosas grudadas em nós, mas quando me dei conta seus dedos me provocavam, ao perceber o quão excitada eu estava Kyle me pegou nos braços, contra a parede do box, e me penetrou, minha pernas ao redor de sua cintura, meu braços enlaçados em seu pescoço. Segurou em minha bunda durante todo o tempo em que esteve dentro de mim, movendo-me pra cima e pra baixo sobre sua ereção, enchendo-me e nunca desviando o olhar até gozarmos.
—Achei que o box era apenas um pit-stop.— digo contra os lábios dele.
—Não aguentava mais, meu pau estava latejando de tão duro.— ele justifica, ainda o sinto rijo contra mim, mas preciso interromper o nosso momento, meus seios também começam a doer já que estou longe do bebê há bastante tempo.
—Pequeno, me põe no chão, por favor?
—Porque está se cobrindo?— ele pergunta confuso com a minha quebra de clima —Você é perfeita, amo cada pedacinho seu.— ele segura meu queixo e levanta a minha cabeça para olhar dentro dos meus olhos. Ainda tenho algumas questões com o meu corpo pós-parto e fazia tempo que não tínhamos tanta intimidade, então ele não está acostumado com as surpresas da lactação.
—Vou começar a vazar a qualquer momento.— digo sem graça.
—Normal, Pequena, li sobre isso…
—Leu?
—Claro.— ele revela —Acha que a minha mulher teria o nosso bebê e eu não me informaria sobre nada?— ela indaga e curva-se para me beijar.
Agora entendo a sessão de beijos, as preliminares. Ele é perfeito.
(...)
Fomos os primeiros clientes do dia na Rock'n'Burger, tomei um Cyndi Lauper, nome maravilhoso para um milk-shake de morango delicioso, meu hambúrguer não era grande, seu nome é Vienna, como a música do Billy Joel. Enquanto o Pequeno pediu um drink lindíssimo chamado Bohemian Rhapsody e seu lanche, muito maior que o meu tinha o sugestivo nome de Rolling Stones. Tudo na decoração e no cardápio remetia a música e bandas, eu amei. Não vejo a hora de parar de amamentar pra poder voltar e tomar um Black Sabbath, e ficar tonta com sua alta dosagem alcoólica.
Quando chegamos na casa do Tony passava das 19h, tínhamos realmente abusado, Noah nunca passou mais de quatro horas com eles, hoje havia ficado o dia todo. Quando os encontrei na cozinha, mamãe estava sentada à bancada tomando vinho, enquanto Tony dava o jantar para o neto, vi a roupinha do bebê pensei “Porra, já era hora”.
—Pela roupa dele imagino que o pedido finalmente aconteceu.— Pequeno fica confuso e mamãe exibe seu anel. Meu namorado faz um comentário sobre Tony ter derretido seu Oscar, me aproximo para ver a joia, que é perfeita, a pedra num tom azul como os olhos da mulher sorridente diante de mim —Parabéns, mãe.— eu a abraço, Noah está gritando por mim, mas agora não posso lhe dar atenção —Você está radiante, tudo isso é felicidade?— cochicho em seu ouvido, ela move a cabeça em afirmação.
—Obrigada por participar da surpresa, hoje é um dos dias mais felizes da minha vida.— ela me diz e beija meu rosto.
—Venha com a sua mamãe, pequeno ditador.— pego meu filho desesperado. Conversamos um pouco mais, Kyle, como sempre, não perdeu a oportunidade de paparicar o Tony.
—A nossa conexão é inegável…— Pequeno diz ao puxar o saco do meu padrasto —...Mas sei que agora estamos sobrando. Vamos embora, pequena?
—Vamos.— concordo, nos despedimos, sei que não precisava dizer nada mas ainda assim digo —Boa noite, pra vocês e divirtam-se comemorando o noivado.
Ao voltarmos pra casa, Noah mamou muito, e só apagou após o banho, eu tinha quase certeza de que ele não acordaria durante a noite. Ao entrar em nosso quanto, encontrei com Pequeno sentado em nossa cama, sobre a mesa de cabeceira havia uma caixinha da hamburgueria que fomos mais cedo. Não acredito que ele ainda estava com fome e comeu as sobras do lanche que embrulhei pra viagem.
—Devia ter me contado que Tony pretendia pedir a Ginnie em casamento.— ele me disse.
—Aquele pedido já era pra ter acontecido há meses, Pequeno.— subi em nossa cama e me acomodei ao seu lado —Esse lanche frio, estava bom?
—Estava.— ele pega a caixa, achava que havia usado todas as pétalas de rosas no nosso banho da tarde, mas pelo visto, tinha mais, vejo uma escapando da embalagem do hambúrguer, acho no mínimo estranho —...Se eu soubesse que sua mãe seria pedida em casamento hoje teria planejado isso em outra data, mas já tinha encontrado com meu pai pra pegar o anel da Nãna e não podia desperdiçar toda essa produção…— ele pega a fronha e despeja um monte de pétalas de rosas vermelhas em cima de mim.
—O anel da sua bisa?— minha voz embarga. Já tinha visto a joia, na nossa adolescência, embora viúva, Nãna ainda ostentava um solitário junto à sua aliança de casamento. Quando voltei com Kyle, sua bisavó paterna já estava debilitada por causa do Alzheimer, mesmo que ela não fosse se lembrar, conseguimos apresentar seu tataraneto, ela faleceu algumas semanas após o nascimento do nosso filho. Estou mesmo prestes a receber uma joia de família?
—Zoey Isabella Potts Ford…— há anos não ouço meu nome inteiro, ele se ajoelha sobre a cama, abre a caixa de hambúrguer e exibe o anel sobre uma caminha pétalas —Aceita ser oficialmente a Sra Pequena?
—Sim, Kyle Jacob Evans, meu Pequeno, eu aceito.— respondo. Ele coloca o anel no meu dedo e me beija.
—Eu te amo.— dissemos um pro outro.
Jamais poderia suspeitar que seria pedida em casamento no mesmo dia que minha mãe. A vida continuava acontecendo, e o homem que eu amo fez planos comigo, enquanto eu participava dos planos de outras pessoas.
Fale com o autor