A Family Affair

18 Capítulo 18


Notas iniciais
Como assim a Zoey engravidou do nada? Detalhes neste capítulo (que eu jurava que já tinha postado, mas simplesmente esqueci)

⌘ Zoey ⌘



Há teorias que dizem para nunca voltarmos ao lugar que nos feriu, mas talvez a minha ferida tenha sido causada por mim. Afinal de contas não era como se eu tivesse vivido um relacionamento abusivo e ainda assim estivesse voltando. Kyle talvez fosse o melhor primeiro namorado que uma garota poderia ter, todas as experiências que tivemos juntos foram realizadas apenas quando eu disse que estava pronta.

Recapitulando nosso namoro desde os 15 anos de idade, percebi que ele meio que me preparava pra ir embora. Nas nossas conversas, mensagens, bilhetes, Harvard sempre foi um dos assuntos. Talvez eu não tenha acreditado que seu sonho se tornaria realidade e não estava pronta quando aconteceu.

Não nos falamos por anos, ele foi viver sua vida e eu vivi a minha, com meus sonhos e conflitos. Até que um dia chegou aquela notificação na minha rede social; @kylejevans começou a seguir você. O perfil dele era mais profissional, assim como eu tentava deixar o meu, na primeira foto em que o vi de terno e gravata, como o advogado sério que ele sempre quis ser, meu coração parou. Ele ainda lembrava o garoto que conheci, o cabelo castanho-claro estava mais alinhado do que costumava ser quando éramos adolescentes, seus olhos da mesma cor, a pele clarinha, o lábio superior com uma pequena cicatriz, lembrança de um tombo quando era criança. Devia tê-lo bloqueado naquele momento, mas preferi brincar com o perigo, e por meses Kyle curtiu tudo o que postei, até que na semana em que estávamos prestes a concluir as gravações de Me and You, quando a primeira mensagem chegou. E mesmo que eu tivesse ignorado chegaram várias outras, até que um dia ele apareceu naquele bar com a minha irmã.

Odiei a Debs por um instante, mas depois da conversa que tive com a minha mãe, e da outra com a minha terapeuta, respondi a mensagem dele. O primeiro encontro que tivemos foi apenas para falar das nossas vidas, Kyle tinha voltado para Los Angeles, pois havia se especializado em Direito do Entretenimento, fora contratado por um grande estúdio de Hollywood, afinal de contas, os astros estão aqui. Por coincidência, ou não, nossas carreiras casavam e nossas vidas voltaram a se cruzar.

O primeiro beijo depois de anos aconteceu apenas no terceiro encontro, mas foi a abertura da passagem pra todas as coisas que vinham depois de um beijo muito bom.

—Senti tanto a sua falta.— disse a ele após nossa primeira vez depois de anos —Não sei o que você quer, não sei o que esperar, mas não quero sofrer tudo de novo, te perder foi…

—Você nunca me perdeu, minha Pequena.— ele me disse —Não vou dizer que fui um celibatário todos esses anos, mas fui honesto com todas as mulheres com as quais me relacionei, meu coração não estava disponível. Ele é seu, eu sou seu, se me quiser.

Claro que eu o queria, também não havia sido nenhuma celibatária, então não havia o que cobrar. Estávamos recomeçando do zero. A maturidade, a experiência, haviam tornado o sexo entre nós muito melhor, mais prazeroso, mais incrível. Não nos desgrudamos mais. Passamos o natal juntos na casa da vovó em Big Bear Lake, no Ano Novo fomos com mamãe e Tony para Laguna Beach. E mesmo que Kyle tivesse seu apartamento, pouco a pouco, ele foi ficando em casa comigo. Eu praticamente já morava sozinha há mais de um ano, já que minha mãe tinha ido para Jersey e só voltava em alguns finais de semana.

Na manhã do nosso aniversário de seis meses, acordei com a boca de Kyle passeando pelas minhas costas.

—Se eu ganho um bom dia desses com seis meses de namoro, com um ano estarei como?— eu provoco.

—Eu estava sendo muito comportado, porque achei que estivesse dormindo, era só um carinho, mas posso te mostrar como pode ser daqui pra frente.— ele diz.

—Gostaria de uma amostra pra ter certeza se devo prosseguir.— respondo.

Então Kyle continuou, desceu até minha bunda, depois até o meio das minhas pernas, sua boca, sua língua macia era de enlouquecer. Abafei meus gemidos no travesseiro. E, quando terminou, me virou de barriga para cima e repetiu a dose. Não sabia se tinha alguma coisa a ver com o ar, se eu estava muito feliz ou muito excitada, mas toda vez que ele tocava nos meus seios as sensações pareciam mais intensas, mais elevadas. Gozei tão forte que o quarto parecia girar.

—E então, Srta Pequena?— ele me perguntou ao limpar o rosto com o dorso de uma das mãos. O cabelo castanhos-claro caindo sobre o rosto.

Ele sempre me chamou de Pequena, porque, perto dele, realmente sou. Então, em retorno, também o chamo de Pequeno, é no nosso apelidinho fofo de casal.

—Estou ciente, quero continuar.—ironizo como se estivesse assinando aqueles termos e condições em contratos.

Continuamos, e foi intenso, ao mesmo tempo divertido e eu amei cada segundo. Em dado momento, quando eu estava deitada por cima, com ele dentro de mim, o peito colado ao meu, os braços enlaçando meu corpo, ele roçou a boca contra minha orelha e provocou baixinho.

—Renovado por mais seis meses, pequena.

Depois do bom dia sexual, fomos pra um dos meus lugares favoritos na Califórnia, Venice. Fiz uma chamada de vídeo com minha mãe pra mostrar que estávamos em Abbot Kinney, mas fiquei com um pouco de inveja dela estar no meu segundo lugar favorito no mundo, Portobello Road. Conversamos por muito tempo e dei algumas dicas de lugares pra ela ir com Tony.

—Pequeno, vamos alugar uns patins?— pergunto ao passarmos pela pista de skate.

—Não ando de patins há anos e tenho certeza que você também não.— ele me diz, mas ainda assim o convenci. O problema é que na loja não havia nenhum patins do tamanho dele pra alugar. Ainda assim, Kyle não me deixou desistir, pelo contrário, ele parecia um pai muito preocupado segurando sua criança pra não cair, só que no caso a criança era eu.

—Ok, pode me soltar.— disse cheia de confiança. Estava sendo uma ótima patinadora, até que um patinador melhor que eu me assustou e eu caí de bunda.

—Ei, você não a viu, seu babaca do caralho?!— Kile gritou com o cara que, literalmente, não deu a mínima pra ele ou pra mim —Tá tudo bem, meu amor?

—Tá tudo bem, pequeno. Quem nunca caiu de bunda, não é mesmo?— eu minimizei.

Devolvi os patins, almoçamos, comi como uma descontrolada. Passeamos pelos Canais de Venice, no final da tarde alugamos bicicletas e quando o sol se pôs voltamos pra casa.

No dia seguinte cada um de nós seguiu para o seu trabalho. O primeiro trailer do nosso filme seria lançado então todos na produtora estavam muito ansiosos, mas não consegui ficar muito tempo no escritório.

Não vai tomar remédio nenhum.— Kyle ordenou via telefone —Estou indo te buscar e nós vamos ao hospital agora.— não contestei, a dor no pé da barriga estava cada vez mais intensa e ainda havia o sangramento que não era normal.

Ao chegarmos ao hospital expliquei todos os sintomas ao médico, achei estranho os questionamentos sobre a nossa vida sexual e método contraceptivos, Kyle insistia pra que eu fizesse uma radiografia, mas o doutor preferiu evitar. Quando me dei conta estava numa maca fazendo uma ultrassonografia e só saí do transe quando ouvi do médico.

—Está muito no começo, pela imagem, quatro semanas, não há batimentos ainda, recomendo ver seu médico.

—Eu estou grávida, doutor?— ele assente —Pequeno, eu estou grávida?!

—Acho que foi isso que o Doutor disse.— ele me olhava com os olhos arregalados, parecia prestes a cair de seus 1.96m.

Saímos do consultório calados com o impacto da notícia, mas ainda assim fui racional o suficiente para marcar uma consulta com a minha médica, a minha sorte foi ela conseguir me encaixar ainda no final daquele dia.

—Se você precisar voltar pro traba…— parei assustada com o abraço dele.

—Não tenho que estar em lugar algum que não seja aqui, pequena. Vou estar sempre com vocês.— ele me garantiu, sempre amei a forma como me encaixo perfeitamente no seu abraço. É como se seu corpo grande fosse um casulo ao meu redor.

Horas mais tarde, estávamos no consultório da minha ginecologista contando tudo o que aconteceu. Em contrapartida, ela me explicava o motivo de eu ter engravidado mesmo usando diu hormonal. Na minha segunda ultrassonografia, agora transvaginal, conseguimos ouvir batimentos cardíacos, mesmo estando apenas com quase cinco semanas.

—Pequeno, que loucura, teremos mesmo um pequenininho.— eu chorava e ele chorava ainda mais que eu.

—Ou pequenininha, como a mãe dela.— ele me beijou —Te amo, pequena. Te amo muito, vocês são tudo pra mim.

A doutora Emma conseguiu remover o diu sem muitos problemas, uma vez que ele já estava fora do lugar, então começou a falar sobre as particularidades desse início de gravidez e da necessidade de repouso. Eu só queria minha mãe, mas também não queria preocupá-la, então deixei que ela terminasse suas férias tranquilamente.

Não queria ver a mãe de ninguém antes da minha, mas ainda assim, Kyle contou para os pais e logo eles estavam em casa. John parecia eufórico, torcendo por uma neta. Já Margot foi pragmática.

—Vocês acabaram de voltar.— ela comentou depois de um grande sermão.

—Isso não quer dizer nada.— Kyle comenta —Foram apenas os primeiros meses do resto de nossas vidas.

Não planejei essa gravidez e não queria que o Pequeno achasse que minha intenção era prendê-lo, mas fiquei aliviada em saber da sua pretensão em passar o resto da vida comigo.

—Eu te amo tanto.— disse quando ele voltou ao quarto após seus pais irem embora.

—Te amo mais.— ele me beijou —Ei, feijãozinho pequenúsculo, aguenta firme aí, você é a melhor coisa que poderia acontecer, prometo que nós três seremos muito felizes.— daquele dia em diante Kyle passou a conversar com a minha barriga e me fez chorar todas as vezes.

(...)

Dias depois, sabendo que mamãe e Tony já tinham voltado, resolvi ligar antes que Margot abrisse a boca, embora tivesse pedido pra ela não fazer, mas não quis arriscar. Bastaram menos de 2h e minha mãe entrou na nossa casa como um foguete.

—Mãe, estou aqui embaixo, onde você vai?

—Porra, Zoey, olha como eu estou tremendo?— ela parece ainda mais bonita e com a boca mais suja do que a última vez que a vi —Que inferno…

—Mamãe, vem aqui.— peço, ela senta na beiradinha do sofá, então me abraça muito forte —Preciso respirar, mãe.

—Estava com saudades e você me deixou tensa pra caramba, Zoey, que droga.— ela me diz com a voz meio chorosa, dado o tempo da viagem deles até aqui sei que ela estava mesmo muito preocupada.

—Mamãe, a gente não fala mais palavrão e nem pragueja mais, ok?— falo e ela me analisa com seus lindos olhos azuis. Universo, já posso pedir que meu bebê tenha esses olhos? —O bebê já ouve tudo e não quero que ele seja tão boca suja quanto nós.

—Bebê?— ela questiona, seus olhos marejam. Assinto.

Meu coração se enche de amor com a reação do Tony, foi muito espontânea e eu, sinceramente, acho que ele será um vovô muito babão.

—Vou poder dizer que ele é meu neto, né?

—Claro.— afirmo e os olhos dele se enchem d’água.

—Como a minha filhotinha pode estar esperando um filho?— minha mãe pergunta e, de repente, o amor que eu senti pelo Tony se transforma em vontade de socá-lo.

—Não quero ouvir.— levo as mãos aos ouvidos, Kyle apenas ri.

—Que conversa?— Kyle questiona, ele adora dar corda pras idiotices do meu padrasto que, aparentemente, não conhece o conceito da palavra intimidade.

—Tony, por Deus do céu, eu não precisava saber disso.— digo, mas fico intrigada. Será que corri o risco de ter um irmãozinho ou irmãzinha?

—Pequena, vou ter que fazer vasectomia?— Kyle pergunta para provocar o Tony.

—Não, meu pequeno.— respondo —Confio na indústria farmacêutica.

Tony e Kyle retomam as provocações paralelas, ao que parece eu mamãe temos queda por homens engraçadinhos, a sorte de ambos é que eles são lindos. Mas o que me deixou realmente feliz foi o fato deles se darem tão bem logo de cara.

—Qual é o motivo do repouso?— mamãe está preocupada. Contei toda a história do nosso passeio até a descoberta da gravidez, meu tempo de gestação, e da necessidade de ficar quietinha no meu canto. Deixei claro que estava obedecendo e comendo direitinho, mas não aguentava mais ficar no quarto.

—Mãe, tudo isso está bem pra você?— pergunto, a reação dela nem de longe lembrou a da minha sogra, ainda bem. Quando falei sobre Margot, mamãe tentou não transparecer, mas conheço sua cara quando alguém pisa em seu calo, e na maior parte das vezes o calo dela sou eu.

—Tive você sem nenhum planejamento também, e olha onde chegamos.— ela diz ao segurar as minhas mãos —Se não der certo com Kyle, nada pessoal, tá?— ela olha pra ele —Você tem a mim.— mamãe garante.

—A mim também.— Tony se aproxima e coloca suas mãos sobre as dela. Olho pra eles e começo a chorar. Kyle me vê chorar e vem me acudir, choro ainda mais.



—Acho que vai ser menino.— Tony comenta —Melhor já pensarmos num nome de menino com 4 letras.

—Porquê só quatro letras?— Kyle pergunta.

—Pra seguir a tradição da família, oras.— ele responde —Zoey, Kyle, Tony…, desculpe, babe, continuo te amando.— ele diz pra ela, mamãe torce o nariz, mas sei que ela se derrete toda com qualquer mínima demonstração de afeto da parte dele.

—Ih, Ginnie, vamos ter que te renegar.— Kyle ironiza.

—Vocês dois juntos parecem competir pra ver quem fala mais besteira, vamos ter que conviver pra sempre mesmo?— ela pergunta.

—Bem, o pequeno me engravidou, mas o que nos prende ao Tony mesmo?— provoco.

—Seu emprego.— Tony responde.

—Ele é o amor da minha vida.— mamãe respondeu e agora foi a vez do Tony ficar com aquele ar de apaixonado.

Se tivesse ouvido essa frase sair da boca dela há dois anos eu armaria uma cena vergonhosa, na minha cabeça era inconcebível mamãe amar outra pessoa que não fosse meu pai, a minha idealização do relacionamento perfeito era quase doentia. Mas hoje, toda vez que vejo Virginia Potts e Anthony Stark juntos fico pensando “Meu Deus, eu queria mesmo separar este casal?” Eles são feitos um pro outro, realmente acredito que eles são o amor da vida do outro.

Notas finais
Família muito fofa, cês acham que o primeiro neto Pepperony da história das fanfics vai ser menino ou menina?