A Family Affair
13 Capítulo 13
⌘Tony⌘
Em 10 meses eu aprendi que ela não gosta de surpresas. Quer dizer, ela gosta, só não gosta de sentir que não tem o controle de determinada situação. Ela também não insiste muito nas coisas, a não ser que seja algo relacionado à carreira.
Não foi proposital, mas eu logo percebi que ao elogiar seu trabalho eu avançava casas, como num jogo de tabuleiro. Eu realmente me encantei por ela, à primeira vista, e rapidamente li tudo o que Pepper escreveu, é fabuloso, por isso juntei todos os seus textos naquela antologia. Mas então a situação com os brincos me fez retroceder todas as casas, ela me aceitou de volta, mas não baixou a guarda e pouquíssimas vezes fez concessões.
Mas eu a amo tanto. Amo o jeito marrento dela não insistir demais quando me faço de difícil, como ela se desarma com qualquer demonstração passional da minha parte, como ela fica toda amorosa quando a chamo de babe e como ela é safada na cama.
Cheguei em New Jersey ao final do seu último dia de aula. Embora o começo tenha sido complicado, por causa da nossa recente exposição midiática, ela tirou de letra os meses como docente, acho que se Pepper não gostasse tanto da Califórnia e de escrever, facilmente seguiria em Princeton, mas felizmente decidiu voltar pra casa. E sabendo que ela vai voltar, decidi arriscar todas as minhas cartas nesse relacionamento.
Estava disposto a sair ontem à noite, mas com a desculpa da queda da temperatura na rua, Pepper recusou, jantamos no apartamento, e fiquei o tempo todo com a sensação de que ela queria me dizer algo, a agonia em seu olhar era visível. Não conversamos, dormimos e o nevoeiro parece ter se dissipado. Pepper está no quarto arrumando suas roupas nas malas enquanto eu tomo café, então decido agir antes que tudo fique estranho e tenso.
—Hey, babe…— desperto sua atenção ao entrar no quarto. Ela usa um pijama de inverno, calça de malha xadrez em azul e branco e camisa azul.
—Oi, amor?— eu adoro quando ele me chama de amor.
—Da onde é essa chave?— questiono ao exibir o objeto em minha mão —Já testei em todas as portas.— informo.
—Me deixa ver?— ela pede ao deixar as roupas de lado sobre a cama, não consigo evitar o sorriso. Quando Happy concluiu o negócio e eu disse o que pretendia fazer ele me perguntou se eu tinha certeza, eu nunca tive tanta certeza na minha vida. A chave é simbólica, mas eu espero que ela preste atenção ao chaveiro —Anthony?
—Babe, não quero que você se assuste, não estou te pedindo em casamento, nem sei se você pretende se casar novamente um dia, mas eu sei que você é a mulher da minha vida e…— hesito porque seus olhos se enchem d'água —...Eu tenho 50 anos, nunca tive essa vontade antes de te conhecer, mas quero ter uma família.
—Não posso te dar a família que você quer, Anthony.— Pepper senta na cama com o chaveiro na mão, eu abro a boca para argumentar, mas antes de me ouvir ela levanta a guarda e continua a despejar as coisas —Esse mês eu atrasei alguns dias, então me dei conta de que, embora eu ainda possa, não quero e não vou ter outro filho.— senti um nó se formar em meu estômago, com o tempo ficamos negligentes em relação aos preservativos, sei que isso não deve ser uma preocupação apenas dela, mas Pepper sempre deixou claro que tomava pílula, isso explica ela estar estranha e me afastando —Mas eu te amo, e quero que você tenha tudo o que deseja, então, se é isso o que você quer, estou te deixando livre pra buscar alguém que possa te dar…— agacho diante dela e a calo, antes que ela cometa a insanidade de dizer pra eu procurar outra mulher, alguém mais jovem.
—Eu te amo.— eu digo —Eu te amo.— repito pra que ela compreenda —Ter um filho talvez seja incrível, ter um filho seu seria um sonho, e se você tivesse chegado pra mim e dito “Anthony, estou atrasada, vamos ter um bebê”, eu provavelmente surtaria, mas me jogaria de cabeça, porque eu te amo. Mas quando falo de família, estou falando de você e eu.— afirmo —Estou falando de nós e da filha que você já tem, estou falando da Jackie que me ensinou a acender a churrasqueira. Estou pedindo pra entrar nessa família, já formada, porque eu amo cada um dos membros dela, e te amo muito mais.
—Eu…— ela soluça, a lágrima grossa escorrendo por seu lindo rosto quebra meu coração em pedacinhos. Sinto tanto que Charlie e qualquer outro homem que tenha passado por sua vida, até mesmo eu, a tenha decepcionado a ponto dela estar sempre esperando o pior e pronta pra desistir do amor —Eu quero.— ela chora copiosamente —Eu te amo, eu te amo, te amo.— então me beija desesperada.
—Pepper…— me levanto, sento na cama e a trago em meu colo —Promete pra mim que vai tentar ser menos controladora? Babe, você estava vivendo uma agonia porque não abre mão de ter controle de tudo.— quero que ela entenda que sou seu parceiro, não quero que ela precise omitir as coisas de mim.
—Prometo.— ela afirma —Meu único controle será de natalidade.— ela me faz rir, amo seu humor, sei que ela pode ser leve e é isso o que quero para a nossa vida juntos.
—Então você vai morar comigo?— peço a confirmação.
—Sim, eu vou morar com você.— ela afirma, não consigo conter meu sorriso, ela me sorri de volta e então começo a beijá-la.
O toque da sua língua contra a minha é enlouquecedor e me faz lembrar da sua boca passando por outras partes do meu corpo.
Fiz um esforço para me afastar quando tudo dentro de mim queria ainda mais proximidade. Seus dedos passaram pelos meus cabelos, parando em minha nuca, me puxando pra mais perto.
—Babe…— ofego contra sua boca.
—Oi, meu amor?— ela mordisca meu lábio inferior.
—Você me fez muito feliz hoje…
—Ah, sim, eu estou sentindo.— maliciosamente ela se mexe em meu colo —Eu posso...— ela me beija no canto da boca, enquanto suas mãos levantam a minha camiseta —Te fazer ainda mais feliz.
Ela se levanta, pega um travesseiro o coloca no chão e se ajoelha diante de mim, levanto os quadris para ajudá-la a remover minha calça, uma de suas mãos delicadas segura meu pau e logo ela inicia o movimento subindo e descendo por toda a extensão, gemi seu apelido enquanto ela me acariciava com seus dedos gentis.
Quando ela me encarou com aqueles olhos azuis que podiam ser doces e perversos na mesma intensidade, apoiei minhas mãos ao colchão me preparando para o calor úmido de sua boca, mas foi inútil. Senti um espasmo violento quando ela me sugou e passou a me chupar devagar, me apreciando, me enlouquecendo.
—Babe…— eu me forcei a manter os olhos abertos para continuar tendo aquela visão intensamente erótica e dolorosamente meiga de Pepper gemendo com meu pau em sua boca —Você me deixa louco, isso é muito bom, eu quero…— parei de falar quando ele interrompeu o fino fio de saliva ligando seus lábios à minha glande.
—Eu sei o que você quer...— ela disse correndo ambas as mãos ao meu redor com muita facilidade —Eu amo o que você quer, mas você não vai enfiar seu pau em mim antes que eu reponha o estoque de camisinhas, porque sei que você não trouxe nenhuma.
—Você me conhece tão bem.— eu sorrio —Mas já que eu não posso usar ele, terei que usar apenas a minha boca.— me curvo para beija-la.
—Eu gosto da sua boca.— ela passa a língua por seus lábios.
—Vem, aqui.— ela se levanta, removo suas roupas, beijo todo seu corpo, me ajeito na cama e sabendo o que estou pretendendo ela se deita sobre mim de forma invertida, seu sexo muito perto do meu rosto. Seguro seus quadris enquanto minha língua a invade, lambendo seu centro e arredores, suguei seu clitóris e passei a fodê-la com os dedos ouvindo seus melhores gemidos.
Prazer mútuo, sua boca em mim e a minha nela, me dando a certeza de que somos perfeitos um pro outro. Suas unhas cravaram em minhas coxas, seu corpo tremia com a proximidade do clímax. Sentir a ferocidade de seu êxtase fez meu corpo se arrepiar da cabeça aos pés. Pepper já havia parado de me chupar, mas eu não cansava dela, do gosto dela. Aproveitei o mel de sua excitação e com o polegar provoquei sua bundinha, seu segundo orgasmo não demorou.
—Chega.— ela suplicou ofegante —Não aguento mais.— languidamente Pepper mudou de posição trazendo seu rosto próximo ao meu —Você que me matar, certeza, mas seria um jeito ótimo de morrer.— ela me beijou, nossos lábios inchados e com o gosto um do outro.
—Isso foi pra você nunca mais cogitar me deixar.— beijo sua testa, ela deita a cabeça em meu peito e ficamos assim até acalmarmos nossa respiração.
—Amor, sobre morarmos juntos, estava pensando…— sinto meu corpo retesar —...Não é ruim, pode relaxar…— ela beija o meu peito —Gosto tanto da minha casa, então você podia ir morar comigo?— me movo, peço licença a ela e saio da cama, seu olhar me segue, pego minha calça no chão e a visto —Anthony, onde você vai?
—Vou pegar uma coisa lá na cozinha.— aviso, vou ao outro cômodo, me sirvo um copo de água, bebo, pego meu celular sobre a bancada e sirvo água pra ela também. Quando volto ao quarto Pepper esta sentada, na cama ainda mais bagunçada, pois ela puxou o lençol para se cobrir espalhando as roupas que ainda não haviam sido colocadas em malas —Ok, eu também estava com sede, mas…— ela para de falar e dá um gole na água.
—Babe, e se a gente não morasse na sua ou na minha, mas na nossa casa?— entrego meu telefone pra ela.
—Nossa casa?— ela questiona, olha pra mim e depois para o aparelho em sua mão —Essa é…?— aceno positivamente —Você comprou?
—Porra!— Pepper pula da cama enrolada ao lençol e começa a andar de um lado pro outro, após a minha confirmação, o palavrão é repetido muitas vezes, eu não esperava essa reação.
—A gente foi tão feliz durante aqueles dias, babe. Não precisamos morar lá pra sempre.— informo sobre seu repertório sujo —Mas vou tirar uns meses de férias e você pode escrever em qualquer lugar, certo? Me lembro de você ter ficado muito inspirada lá.— argumento.
—Anthony, meu amor, você é doido.— ela sorri —Porra, te amo tanto.
—Uau, quantos palavrões. Estou surpreso, embora saiba que a Sra pode ser muito boca suja.— comento, então me lembro que Zoey também xinga muito.
—Estava contando?— ela envolve os braços em meu pescoço.
—Talvez.
—Não faça isso.— ela me beija —Foi apenas uma reação adversa.— ela me acalma —Eu aceito…
—Você aceita?!— eu sorrio, não consigo conter o entusiasmo, a tiro do chão e ela engancha as pernas ao redor da minha cintura.
—Ah, que inferno de sorriso.— ela diz —Eu aceito uma temporada em Laguna Beach, depois vemos como vai ser.— Pepper decide, como sempre ela não abre mão de ter o controle, mas já é um tremendo avanço nesta nossa relação.
Fale com o autor