A Family Affair

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Nesse capítulo teremos pontos de vista dos nossos 03 personagens principais, espero que não tenha ficado confuso

⌘ Zoey ⌘

Com minha mãe me ignorando e a Debs ressentida, com razão, passei duas noites na casa da Mila, a moça que trabalha na casa do meu chefe. Na véspera de Ano Novo fiz as pazes com a minha melhor amiga, bati em sua porta com sneaks, cerveja, seu botton de Super Bitch e muita cara de pau.

—Oi, isso é tudo o que eu posso fazer pra compensar não estar aqui durante o que eu imagino ter sido um término de merda. E pelo fato de eu saber que tenho sido uma amiga de merda.

—Você é mesmo péssima, está me devolvendo o presente que te dei?— Debs pergunta pra mim.

—Eu sou a pior, tenho 0 qualidades.— digo e ela me deixa entrar —Mas tenho petiscos.

Assistimos juntas a festa de Réveillon da Times Square, quando a bola caiu e o novo ano começava como uma página novinha e em branco, recebi um mensagem.

Feliz ano novo, meu amor. Tudo de bom. Eu te amo.”

Eu também te amo”— respondi.

—Mensagem da sua mãe?— Debs perguntou, aquiesci.

A produção do filme tinha feito um recesso então não tive que lidar com Tony, por algum tempo, mas quando voltei ao estúdio, o egocêntrico astro de cinema tinha dado lugar a um homem sofrendo por amor em meio de uma crise existencial.



⌘ Tony ⌘



Pepper não me ligou pra esclarecer e também não me atendeu quando eu liguei. Não respondeu as minhas mensagens, não agradeceu as flores, não me procurou, e nem vai. Ela me pediu pra não mentir, e eu menti. Me pediu pra não quebrar seu coração, e eu quebrei. Mas também me pediu pra não fazê-la acreditar que o que tínhamos poderia se tornar algo maior, só que eu também acreditei, realmente foi grande, avassalador e passou por cima de mim como um trator, eu estou destroçado por tê-la feito sofrer.

—Tony, sou eu, Zoey.— ouço as batidas na porta do meu camarim. Me recusei a voltar pro set, e Zoey é a última pessoa que deveriam ter chamado pra me convencer —Qual é o problema?

—Eu odeio você.— digo ao vê-la entrar, estou sentado no chão encostado à parede —Você também foi egoísta pra caramba, sabia? Ela finalmente tinha aceitado que também me amava. A gente tava bem…

—Tony…

—Eu sei que não sou o mocinho, aliás, nesse filme eu devia interpretar o vilão. A única pessoa que eu já amei, que me importei, nem fala mais comigo.

—Você não é o vilão.— ela diz ao se aproximar e senta diante de mim —Você só agiu como um algumas vezes.

—Ela me odeia?— questiono temendo a resposta.

—Não, ela não te odeia.— ela responde pro meu alívio —Ela só tá se mantendo ocupada pra não pensar em você. Ela vai aceitar uma proposta que recebeu há algum tempo pra dar aulas em Princeton.

—Tão longe?

—É.— ela concorda com pesar —Mas se te servir de consolo, ela tá querendo ficar longe de mim também.

—Zoey, sei que não vai acreditar, mas aqueles brincos… eram apenas brincos.

— ela ajeita a postura e me encara, com certeza duvidando de mim —Não vou dizer que não pensei em terminar com a sua mãe, eu pensei uma porção de vezes, mas foi antes, porque eu não queria me apaixonar por ela.

—Porque, Tony?

—Por hábito, porque sempre fujo das coisas quando estão boas demais.— confesso —Fiquei com medo do que estava sentindo. Mas aí o tempo foi passando e nós viajamos juntos…

—Vocês viajaram juntos?!

—Quando você estava em Atlanta.— revelo —E foi ótimo, foi mágico, a gente se ama, Zoey. Eu fiquei impressionado como ela ama escrever, li cada conto que ela escreveu antes de montar aquele livro e dei pra ela porque sabia que ela ficaria feliz. Eu só queria vê-la e fazê-la feliz. E aí eu esqueci o brinco no bolso daquela maldita mala que acabei usando naquela viagem pra Big Bear.

—E o estúdio?— ela quer saber.

—Qual é, Zoey? Você sabe que é pra lá que eu vou quando quero fugir dos fotógrafos. Não é fácil namorar comigo.

—Não é fácil trabalhar pra você também.— Zoey me diz.

—Sei que agora já é tarde, mas você poderia contar isso pra ela um dia?— eu peço —Levá-la até Nova York foi a única vez que eu a tratei como as outras. Mas foi diferente com a Pep…sua mãe.

—Tipo o quê? Porque foi diferente com ela?

—Porque eu nunca tinha me apaixonado em Nova York.— suspiro.



⌘ Pepper ⌘

Eu havia deixando o meu livro de lado quando comecei a viver o romance que achava ser real, e quando acabou não consegui mais voltar pra história que abandonei. Tentei reavivar o livro na minha mente, mas sua essência havia desaparecido. Precisava me ocupar com outra coisa, então acabei aceitando um convite que recebi para dar aulas em Princeton, partiria para New Jersey em breve.

—Oi, posso entrar?— Zoey bate na porta do meu quarto, concordo —Nossa, que pressa, já fazendo as malas?— questiona ao me ver mexendo no guarda-roupa.

—Só estou me organizando.— respondo —Você e a Debs podem escolher o que quiserem, não vou levar tudo, mas pretendo doar muita coisa, então sejam rápidas.— Zoey fica me olhando como se quisesse conversar, acho que nunca mais voltaremos a ser o que éramos.

—Ok.

—Como está indo o filme? Já terminaram as gravações?— pergunto, o que foi uma péssima escolha pra puxar assunto.

—Tivemos que refilmar algumas cenas, mas tá tudo uma droga, ele tá mal pra caramba.— ela me informa, mas não me preocupo, ele é ator, sabe fingir —Mãe, porque você aceitou esse emprego?

—Porque eu preciso mudar.— respondo —E vai ser um alívio não precisar escrever por um tempo. Porque?

—Isso não tem a ver com o Tony, né?— ela cruza os braços diante de mim —Você acreditou em mim quando eu disse que não sinto nada por ele, certo? Não está fazendo um movimento altruísta de querer…

—Não, Zoey.— a interrompi, embora, por algum tempo, essa hipótese tenha pairado sobre a minha cabeça —Você estava certa sobre ele.

—Não, mãe, eu não estava.— ela me responde —Eu nunca o vi tão mal depois de um término. Ok, ele era um idiota e me fez fazer coisas absurdas, as cartas de desculpa, tudo aquilo, mas… eu… sei lá. Durante as nossas vidas fiz você fazer coisas bem piores— ela me diz —Com sete ano eu te fiz me carregar no colo até lá em cima na Torre Eiffel…

—Ai, meu Deus, você estava insuportável naquela viagem.— eu me lembro.

—E então eu fiz você sentar comigo, até eu dormir, todas as noites até eu ter 12 anos. Você nunca me cobrou nada por isso, nem nunca recebeu nada em troca.— ela diz pra mim, me sento em minha cama —Quando o papai morreu eu era uma garota infeliz que descontava todos os meus problemas em você.

—Zoey, você não pode comparar as atitudes de uma criança, com as de um homem de quase 50 anos.

—50?! Ok, estou surpresa.— não sei se ela está falando sério ou ironizando, mas então ela continua —Mas agora sou uma mulher de 24 descontando as minhas frustrações em você. Só penso nessas crianças que têm sonhos enormes e que os pais dizem que eles não vão dar conta, e aí tem você, e eu sei que o que o quer que eu faça da minha vida eu tenho você. Eu tenho muita sorte, e eu não sei porque demorei tanto pra perceber que a sua felicidade nunca vai tirar nada de mim. Você merece ser feliz, merece se sentir viva, ser vista. E pra terminar, eu te entendo, mãe, de verdade.



—Eu amo ser sua mãe mais do que qualquer coisa no mundo.— digo pra ela.

—Eu sei disso.— ela me abraça —Entao…

—Então?

—Eu não queria voltar a me meter nesse assunto, mas…— ela envolve os braços em meu pescoço —E o Tony?

—Ah, não, filha. Anthony e eu acabou.

—Anthony, ninguém chama ele assim só você, porquê?— ela pergunta com uma curiosidade na voz que não ouço desde que ela tinha uns 9 anos.

—Porque ele sempre foi Tony pra todo mundo, quando estávamos juntos o chamava assim porque tinha a ilusão dele ser só meu.— eu disse a ela —Todos conheciam o Tony Stark, mas o Anthony era alguém só pra mim, foi ele quem eu conheci.

—Isso é muito piegas.— ela comenta me fazendo revirar os olhos —E o seu apelido surgiu porque?

—Zoey, isso é muito particular, sabia? Eu não fico querendo saber as coisas dos seus relacio…

—Mãe, há anos eu não tenho um relacionamento, não sei se você percebeu.— ela me interrompeu —Me conta, por favor? A menos que seja algo sexual, daí não quero saber— ela tapa os ouvidos e ri.

—No dia que ele veio aqui te procurar, eu achei que ele fosse um invasor, sei lá, peguei o spray de pimenta pra me defender.

—Pepper.— ela conclui —Ah, que merda, vocês são muito fofos! Eu estraguei tudo.

—Não, filha, se eu não tivesse me decepcionado com ele naquela ocasião, talvez acontecesse mais pra frente, foi melhor assim.

—Talvez não acontecesse.— ela observa —Vocês estavam viajando juntos e sendo felizes, você não gostava de ninguém desde o papai, não foi isso o que me disse naquele dia do evento?

—Foi, mas…

—Mas você precisa parar de querer controlar tudo, de ser uma ilha, deixa aquele barquinho velho atracar aí.— eu ri, ela está se referindo ao meu livro, mas foi impossível não rir —Ok, isso foi péssimo, parece ter outra conotação, mas acho que você entendeu, certo?— movo a cabeça em afirmação.

Eu havia entendido, mas agora já tinha feito outro movimento que me levaria pra longe dele.



⌘ Zoey ⌘

Da mesma forma que agi para separá-los, precisava juntar os dois. Não tinha muito tempo, mas sabia que eu precisava de uma locação e de uma cúmplice, então liguei pra minha vó e expliquei meu plano. Em 24h o colocamos em ação.

Arrastei Tony Stark para o mercado próximo da minha casa, o mesmo para o qual ele me fazia correr pra comprar coisas supérfluas nas horas mais absurdas.

—Vem.— eu o chamei quando ele estava reticente em sair do carro —Você vai ser só um tiozinho com uma jaqueta de couro num mercado, ninguém liga.

—Ninguém está mesmo reparando em mim.— ele comenta, estamos andando pelos corredores já tem alguns minutos.

—Tá vendo?— pergunto —Você não é famoso em todos os lugares, com todos os públicos, esse é o horário das mães.— eu rio —Mas no horário dos adolescentes e jovens adultos seria uma loucura.— olho no relógio.

—Ok, obrigada pela experiência antropológica, estou indo pro carro.

—Não!— eu o impeço —Você tinha me pedido abacates orgânicos, lembra?

—Não, Zoey, não me lembro.— Tony responde mal humorado, ainda assim o levo ao hortifruti, então lá está a minha mãe —Virginia?

—Oi.— ela o cumprimenta —Você por aqui?

—Horário das mães?— Tony diz entre dentes olhando pra mim, minha mãe não entende nada.

—Estranho…— mamãe me analisa —Jackie fez questão que viesse até aqui comprar pepino-africano e que isso curaria a demência dela. Mas agora estou vendo que isso é absurdo. Zoey, qual é?!



—É o seguinte…Como explico isso? Eu estava errada, ok? E eu sinto muito.

—Eu também agi errado e sinto muito.— Tony fala, suas mãos estão nos bolsos da jaqueta.

—Eu também sinto, mas…

—Beleza, todos sentimos muito. E a gente se ama.— eu digo —Todo mundo errou em algum momento, houve algumas mentiras, concordamos, nada disso é normal, e acho que funciona por isso. Apesar de tudo vocês dois são fofinhos juntos, não é necessariamente o que imaginei para nenhum dos dois, mas o que eu entendo de relacionamentos?



—Verdade, você não namora, né?— Tony comenta.

—Faz bastante tempo.— mamãe endossa.

—Será que o mau humor é por isso?— ele me espezinha.

—Ah, cala a boca.— eu bato nele —Eu só queria dizer que vocês merecem se dar uma chance e eu não vou mais atrapalhar.

—Então você produziu esse “encontro casual”?— mamãe faz aspas com as mãos.

—Ela é boa nesse negócio de produção, né?— Tony comenta.

—Ela é muito boa, é minha filha, né?

—Ah, gente, para. Quer saber, vou andar de fininho pra lá, e vocês se divirtam, ok?— eu me afasto —Fiquem longe das pimentas.

Eu espiei o suficiente para ver que eles iniciaram uma conversa, mas logo estavam se beijando. Antes de deixar o mercado deixei a gerente ciente de que eles poderiam ficar o tempo que quisessem e que os valores da figuração seriam acertados depois.

O namoro deles não seria mais segredo por muito tempo, mas aí caberia aos dois, juntos, lidar com isso.

Notas finais
Agora odiamos menos a Zoey. A história na qual inspirei a fic acaba aqui, ainda pesando se vou seguir, como seguir Até breve, Starkisses, Tulipa