A Falta Que Você Me Fez
1 One-shot
Notas iniciais
– Camus? – chamou o loiro assustado, vendo seu antigo colega de faculdade. – Camus, é você mesmo!
Milo correu em direção ao ruivo e o abraçou, mesmo que o outro permanecesse parado, talvez dando leves tapinhas em suas costas. O loiro se desfez do abraço apertado e apalpou o rosto de Camus, como se fosse pra garantir que ele não fosse um fantasma.
– Olá, Milo. – disse Camus, sorrindo discretamente, um pouco encabulado, afinal, estavam em um lugar público.
– Você sumiu! – Falou o loiro, emburrado, parecendo uma criança mimada. Em contar o seu humor, que não era nada estável. Um minuto atrás estava quase chorando de felicidade, agora, estava raivoso. – Um dia eu fui te procurar no seu dormitório e você não estava mais lá! E onde você estava? Não sei... Fui falar com o diretor, e o que ele me responde? Transferência! – disse Milo imitando a voz do diretor, quase se esquecendo de respirar enquanto surtava.
– Você não mudou nada – respondeu Camus, revirando os olhos.
– Nossa amizade de oito anos, oito Camus! E você nem deixa um telefone para contato.
Camus olhou para o lado, vendo algumas velhas fofoqueiras os olhavam com espanto. Milo realmente sabia fazer um escândalo quando queria. Camus não pensou mais nenhum segundo, puxou a mão de seu velho amigo e praticamente o arrastou até o hotel que estava hospedado, ignorando os “Hey, Camus! Me larga!” que o outro gritava.
– Essa é a minha “casa” por enquanto – Camus disse, retirando seus sapatos. E indicando uma poltrona para que Milo pudesse se sentar.
– Camus... – chamou o loiro, sentando-se.
Camus esperava mais um ataque, respirou fundo e olhou para Milo, esperando a bomba.
Milo estava com a cabeça baixa, e ao contrário do que fez até agora. Aliás, ao contrário do que fez sua vida toda, sussurrou.
– Eu... senti sua falta Camus.
Camus sentiu seu rosto enrubescer e desviou o olhar. Visou a poeira, só para não encarar o loiro. Sabia o que ele queria dizer, também havia sentido a sua falta. Mas as coisas estavam diferentes agora. Os dois estavam com vinte e oito anos, e tinham muitas responsabilidades, pelo menos Camus tinha. Muitas mesmo. Antes de partir, os dois tinham um tipo de amizade colorida que o ruivo não entendia. Era gostoso? Sim era. Mas não era nada responsável, e agora, Camus tinha uma grande responsabilidade.
– Milo, as coisas estão diferentes agora. Eu... sabia que poderia te encontrar ao voltar para essa cidade, mas não podemos ter o mesmo relacionamento de antes.
– Porque não? Você conheceu alguém? – perguntou Milo, ainda olhando para o chão, sentindo uma lágrima descer pelo seu rosto.
“Agora ele está chorando? Realmente, ele não mudou nada. Seu humor sempre foi realmente instável.“– Camus sorriu com o pensamento, e isso pareceu irritar o loiro.
– Responda as minhas perguntas, Camus.
– Mais ou menos isso – Camus pretendia explicar tudo depois, mas nesse instante, Hyoga entrou.
– Olá Camus – sorriu o menor, retirando sua jaqueta. – Ah, está acompanhado? – perguntou, sorrindo para Milo.
– Uma criança Camus? Você está falando sério? – berrou Milo, levantando da poltrona e indo até Camus em passos firmes. – Não posso acreditar. CARALHO CAMUS! Seu... seu... pedófilo de merda!
Assim, o loiro saiu do apartamento batendo a porta com a maior força que tinha.
– Tio Camus... quem é ele? – perguntou Hyoga. – E porque ele me chamou de criança? – indagou o menor, que achou uma falta de respeito, afinal, ele já tinha dezoito anos.
– Ele... é o Milo – respondeu Camus, sorrindo e fitando o vazio, talvez tendo muitas lembranças.
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Era verão, e obviamente, o calor estava insuportável. Os dois jovens se encontravam jogados no gramado do campus da universidade.
– Camyu – chamou Milo, manhoso, engatinhando até seu amigo.
– Sim? – respondeu? – Argh Milo, você fica me devendo várias. Eu só venho para cá porque você pede, esse sol me irrita.
– Muita coisa te irrita – sorriu o loiro, pousando seus lábios nas bochechas de Camus, que estavam rosadas pelo sol.
Camus se limitou a sorrir de canto e levantar, indo para o seu dormitório.
– Camyu! Era brincadeira – falou Milo, se jogando em suas costas, fazendo o ruivo parar de se mover. – Você ficou bravo comigo?
– Eu sempre estou bravo com você... Você é irritante – disse Camus, deixando o outro de lado e voltando a andar.
– Isso foi cruel – sorriu Milo, acompanhando o outro. – Para onde estamos indo?
– Eu vou para o meu quarto.
– Hmmm... quarto é? – sorriu Milo, malicioso.
– Só porque lá tem ar condicionado – disse Camus, evitando o olhar de Milo.
Ao chegarem no quarto, Camus agradeceu por ter ar condicionado, estava insuportável lá fora. Sentou em sua cama e começou a ler um livro qualquer. Milo pousou atrás de Camus, sentindo seu perfume. O ruivo não esboçou emoção alguma, até sentir as mãos de Milo em suas costas, apertando.
– Ah, Milo, devagar!
– Você está tenso Camyu... – falou lentamente, no ouvido do ruivo – se eu for devagar, a massagem não funciona.
Camus largou o livro sobre a cômoda, espiando a face de Milo. Sorriu ao ver que Milo estava com os olhos fechados, e a boca entreaberta enquanto apalpava seu corpo. Aparentemente, Milo sentia mais prazer ao tocar Camus, do que Camus sentia sendo tocado.
– Camyu... – sussurrou baixinho, sendo que, Camus não ouviria se não estivesse muito atento.
– Sim? – respondeu, sorrindo ao ver os olhos de Milo se arregalando ao ver que era observado.
– Eu te amo.
Camus voltou-se para Milo, enlaçando sua cintura com seus braços firmes. Milo gemeu com esse simples toque, elevando sua cintura para ter contato com qualquer parte do corpo de Camus. Num sussurro, quase uma suplica, Milo perguntou:
– Você vai me amar hoje, Camyu?
Camus não respondeu. Apenas retirou sua camisa, fazendo o mesmo com a de Milo, que sorriu radiante. Piscaram e em questão de segundos, estavam sem roupa alguma. As posições se inverteram e Milo tinha suas coxas ao lado do corpo do ruivo, se insinuando contra seu sexo. Camus arfava, e soltou um gemido surpreendentemente alto ao sentir seu membro ser colocado por completo dentro de Milo, que em seguida, cavalgou sobre si, dizendo entre gemidos: “Ah, Camus... Ah...”.
E essa foi a ultima noite juntos. Logo cedo, Milo foi treinar com alguns amigos, deixando o ruivo dormir. Afinal, ele não iria fugir. Camus acordou com um telefonema da secretaria. Correu até a sala do diretor ao ver que era sério. E por um motivo que não sabia qual, teria que voar até a Rússia às pressas, onde sua irmã mais velha morava.
Não se despediu de Milo, porque era egoísta, e sabia que se fosse se despedir do loiro, ia doer.
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– Tio Camus? – com a voz de Hyoga, Camus despertou de seus pensamentos. – Milo é aquele de quem falava? – Camus não respondeu. – Se for, por favo, vá atrás dele. Eu já tomei muito o seu tempo e bem... Estou crescido. Você tem que cuidar da sua vida, por favor. Se precisa de um motivo para correr atrás dele agora, faça isso por mim.
Camus ouviu algumas palavras arrastadas de seu sobrinho, e correu até a rua, atrás de Milo. Não havia sido justo o modo como havia abandonado o loiro. Ele havia sido irresponsável, e imaturo. Sua irmã havia morrido, e ele ficou responsável de cuidar de seu sobrinho. Mas nada muda o fato de que poderia ter dado um telefonema. Havia passado alguns anos, e a saudade que sentia também era grande.
– Milo! – gritou ao ver que o mesmo estava sentado num banco próximo, chorando.
Milo ergueu seu olhar e viu o rosto de Camus embaçado, pelas lágrimas. Camus se agachou e limpou as lágrimas de Milo.
– O que foi agora, pedó?
– Eu não sou um pedófilo Milo, pelos Deuses!
– Quem era a criança?
– Meu sobrinho. Minha irmã morreu e eu tive que me mudar para a Rússia.
– RÚSSIA? – perguntou o loiro, sentindo seu peito doer.
– Shh... Que coisa, eu estou aqui agora. Milo, escute. Eu te amo.
– Oi? – respondeu o loiro, assustado. Devia ter escutado errado. Como ele podia falar “eu te amo” do mesmo modo que perguntava as horas?
– Eu te amo, loiro irritante. Estou te devendo isso não estou? Na ultima noite que passam juntos eu não disse.
– Está pagando sua divida? Obrigado. – respondeu Milo.
– Estou, comigo mesmo. E se você ainda quiser... Eu não vou mais fugir de você, mesmo que dê vontade as vezes, mesmo que me irrite.
– Você não está com moral – respondeu Milo emburrado, virando o rosto para o lado e cruzando os braços.
Camus riu gostoso, como quase nunca fazia e puxou o queixo de Milo, selando seus lábios e sentindo o gosto salgado das lágrimas que morriam ali.
– Loiro chorão – disse Camus, se levantando e estendendo a mão para o seu amig... Quero dizer, para o seu amante.
Milo sorriu e se agarrou ao corpo de Camus. É claro que ele nunca mais ia fugir, não ia largar dele um segundo.
– Hey Camyu... no seu hotel tem ar condicionado? — perguntou o loiro, provocante.
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