A Face Protetora
1 Capítulo 1
Notas iniciais
-Esse assombroso rosto não mais me amedronta. É em tua alma, sim, que a verdadeira deformidade repousa. *Às vezes, perdemos a cabeça. É natural. Ser diferente é normal. Porém... temos de tomar cuidado. Cuidado para que nossos defeitos não passem os limites. Era o que você devia ter feito.
Há um breve silêncio. Breve, breve. Breve como a luz, quando Raoul aparece por trás da grade. Quando Erik o avista, diz, sarcasticamente:-Espere! Penso eu, minha querida, que temos visita!
-Raoul!-Não poderia ser melhor!(...) Noite perfeita!
-Liberta-a! (...) Liberta-a!
-Que pedido apaixonado!
-Raoul, é inútil!
-Eu a amo! Não significa nada? Eu a amo! Mostre alguma compaixão!
-O mundo não mostrou-me nenhuma compaixão!
-Christine, Christine! Deixe-me vê-la!
-É um prazer, senhor. — Erik diz, puxando uma alavanca, que abriu as grades do lugar. Assim, Raoul adentrou, e o fantasma foi a seu encontro. - Christine não correu risco! Por que eu a faria pegar, então, pelos pecados que são teus?
As grades se fecham e Raoul volta-se, para percebê-lo. Então, Erik pega uma corda, e joga sobre o rapaz, atando-o nas mesmas grades que se abaixaram:-(...) Nada poderá salvá-lo, a não ser Christine!- E a olha. A moça, que, outrora, observava a cena estupefata, tem ímpetos de correr até lá. — Diga que me ama, que será minha, e ele viverá. Diga que não, e ele sucumbirá. Esta é a escolha! Este é o ponto que não possui volta!
-*Quer mesmo errar novamente? As lágrimas que eu vertia pelo seu triste destino, se tornam, agora, lágrimas de ódio!
Escutando isto, ele (Erik) busca outra corda. -Christine, perdoa-me, perdoa-me!- Raoul pedia, enquanto ela lamentava-se. Erik voltava com a corda, dizendo:-Já não é tempo de lamentar-se, e pedir compaixão.
-Anjo da música, você me *decepcionou! Eu entreguei-lhe minha mente, e sem protestar! -Não abuse de minha paciência. Faça sua escolha!- E ele puxa a segunda corda, que havia amarrado ao pescoço de Raoul. Ela fita o semblante de seu noivo, ainda preso à grade, e, *arqueando as sobrancelhas, volta o rosto para o, tão diferente agora, fantasma da ópera. -Pobre criatura das trevas, que vida conheceste? Deus deu-me coragem para mostrar, mostrar verdadeiramente, que não estás sozinho. –Dizendo-o, ela se aproxima e, vagarosamente, o beija. Em um momento, bastante breve, ela fixa o olhar no rosto dele. Por qualquer razão, que, no momento, desconheço, ela sabia que ele estaria chorando. Roçou-o, com o lábio trêmulo. Agora, o gesto demora um pouco mais. Quando, então, as faces separam-se, as lágrimas descem em abundância, assim, pelo rosto de Erik, que, fúnebre, diz: -Vá, fique com ela. Esqueça-me. Esqueça tudo isto. Vão, não deixem que eles os encontrem. Vão, e prometam-me que nunca revelarão o segredo que sabem. Que sabem, sobre o anjo do inferno. –Se afastando, então, ele sobe a escada da casa do lago. Christine, mais que depressa, desamarra Raoul, e este abraça-a. Erik, observando de cima, não pode conter esta exclamação: -Vão, agora! Vão, agora, e deixem-me! O noivo de Christine, aliviado pelo término do perigo, soergue-se para beijar a face da menina. Logo depois, os dois partem.
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