A Fabulosa Cova Da Incoerência
7 Uma nova descoberta
Notas iniciais
Dias felizes. Seria assim que poderia defini-los? Esses dias, em que sento com Jorge, no mesmo horário. Felicidade é algo diferente de alegria, eu percebi isso cedo. Anonyme não me incomoda mais sobre esse fato, porém vejo a advertência em seus olhos, e quando isso ocorre, já sei o recado: tome cuidado.
– Ei, Jorge, você acredita em Deus?
– De certa forma. Não sou religioso...
– Que bom, não quero discutir sobre isso. – Um dia, me falaram que sinceridade era meu segundo nome.
– Então, por que perguntou?
– Por que quero lhe compartilhar uma descoberta.
– Então faça...
Eu não gosto de compartilhar descobertas, principalmente porque nunca tive vontade, e por também porque minha mãe me ensinou que existe uma grande diferença entra estar certo e ser gentil. Sim, elas induzem a maior das discussões; Não por que são polemicas, mas porque resolvem coisas que todos amam brigar por. Quanto mais respostas achamos, mais perguntas aparecem e mais briga generalizada ocorre. Existirá um tempo, eu penso, em que aqueles que vão se safar não são os da direita, nem os da esquerda, nem os que ficaram em cima do muro; mas sim, são aqueles que nem sabem onde diabos fica esse lugar, e é nesse grupo que quero ficar...
– Jorge, você não percebe que muito é discutido sobre qual é o maior pecado do homem. Uns dizem que foi quando Eva pegou a maça, outros que é o homossexualismo, e uns se aventuram em dizer que eles não existem para justificar a vida de libertinagem; Mas eu percebi que não existe pecado grande nem pequeno, só aquele que dá origem a todos, e por isso é o maior... Eu não entendo os ateus: alguém que não acredita em certa coisa não precisa temê-la, não? Por que brigam tanto, por que machucam tanto? Eu não posso orar em paz? Se vivo uma mentira, deixe-me, eu escolhi isso. Por que aqueles que se dizem dotados de conhecimento, são tão mesquinhos quando se trata do Cara Lá De Cima??
– Então, qual seria Mimi?
– Aquele que dá origem a todos os pecados, portanto é o maior deles, não seria, ora, a ignorância?
Anonyme começa a dar voltas a nossa frente. Parece interessada no assunto, o que eu estranhei já que ela nunca se interessa em nada. Ela para na minha frente e sorri. Jorge não deixou que ela falasse.
– É mesmo, Mimi. Eu nunca pensei nisso.
– Pois não pense Jorge...
– Por quê?
– Pois os briguentos vão matar a gente se souberem que achamos uma resposta para seus debates.
– Ah.
É muito bom, quando compartilhamos essas coisas malucas com nossos “amigos”. Anonyme nunca teve uma opinião. Ela sempre disse não precisava de opinião, mas todos têm uma opinião. Já faz mui tempo que eu perdi a minha. Anonyme disse que me ajudaria a achá-la, mas ela também não tem, então como poderia encontrá-la?
Aquele dia recebi um convite de Jorge para seu aniversário, e Anonyme me acordou de outro pesadelo, na qual eu agradeci sua intromissão.
O ser humano é o verdadeiro bicho-papão...
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