A Fúria da Tempestade- Sonhos de Verão (Livro I)
5 Olhos de Leoa
Notas iniciais

"Não se iluda comigo, eu não tenho nada demais pra oferecer além de sentimento. Para alguns é nada, para outros, é tudo. E para você, serve?"
— Caio Augusto Leite
Winterfell — Norte de Westeros
O sorriso de Nicéia morria aos poucos e seus olhos ganharam um brilho estranho, algo que parecia decepção. Catelyn entendia, afinal, o Rei beijava e acariciava algumas mulheres no mesmo ambiente que seus filhos e esposa comiam. De fato ele continuava o mesmo Robert. Enquanto os sentimentos de Nicéia afloraram e seu rosto demonstrava o quão desconfortável era aquela situação, Cersei Lannister se mantinha impassível, com seus olhos de leoa cintilando algo que Catelyn nunca saberia identificar. Também percebeu as inúmeras taças de vinho que a jovem havia tomada. De fato não era uma criança, contudo, não havia necessidade para tanto vinho. Talvez estivesse enganada, talvez a jovem princesa só quisesse que aquela noite terminasse logo ou, quem sabe, deixar que a névoa do álcool tampasse a vergonha que sentia do pai.
— Com licença, preciso tomar um ar — Nicéia se levantou, fazendo uma breve reverência.
Não esperou pelo consentimento de nenhuma delas e, rapidamente, saiu do salão com os olhos de sua mãe sobre ela. Ao alcançar a saída, o vento gelado nublou seus sentidos já afetados pelo vinho. Gostaria de se jogar sobre aquela neve fofa e esperar até o amanhecer, sumir por breves horas e retornar quando tudo estivesse como antes. Por que era tão difícil? Aquele silêncio a matava mais que os gritos, as inúmeras brigas e os vasos quebrados enquanto a porta era batida com violência. Se fechasse os olhos, ainda sentia o coração bater rápido e escutava os soluços de sua mãe com Myrcella ainda em seu colo. Sete infernos, não era pedir demais pais que se amassem? Era pedir demais pais como Catelyn Tully e Ned Stark?
Se soubessem o que ocorria por trás daquelas muralhas, da glória, do ouro e do poder, camponeses e Lordes não invejariam tanto a família real. Se todos soubessem o quão pesada era aquela coroa, nenhum deles desejaria possuí-la. Com os olhos marejados por lágrimas, deixou que seu corpo se apoiasse na porta fechada enquanto fungava. Com a ponta dos dedos sobre os lábios trêmulos, ela se lembrou da promessa que havia feito. A promessa de nunca mais chorar, não por ele. Mesmo que amasse o pai de todo o seu coração, ainda sim o odiava. Odiava a forma como ele trava sua mãe, todo o desprezo e falta de consideração com suas vontades, odiava o fato de ele sempre deixar claro que ela era sua filha preferida e, vez ou outra, desprezar Joffrey, Tommen e Myrcella.
— Pro inferno essas lágrimas — praguejou, esfregando as mãos no rosto sem delicadeza.
Quando, enfim, ergueu os olhos, a figura imponente de Jon Snow a observava de longe com uma espada em mãos. Nicéia se odiou por alguns segundos, todavia viu a oportunidade perfeita de questioná-lo por seu comportamento estranho. Apertou o manto sobre os ombros e caminhou vacilante para perto do rapaz, que a seguia com seus olhos escuros. O trajeto fora um pouco mais difícil. Não estava acostumada com a neve e, a cada dois passos que dava, sentia as botas deslizarem sobre o chão de pedra.
— O que faz aqui, Snow? — perguntou rude, se aproximando.
— Treinando. E você, princesa? Não deveria estar lá dentro, na festa? — retrucou com a voz macia.
Nicéia deu alguns passos adiante, se escorando na estrutura de madeira ao lado do rapaz. Ficou em silêncio por alguns segundos, observando o boneco de madeira e feno cheio de marcas feitas pela lâmina que o bastardo empunhava.
— Se entrasse, veria com seus próprios olhos o porquê de eu não estar mais lá — ironizou, movendo os olhos na direção de Jon.
Um sorriso debochado se desenhou nos lábios roxos da princesa.
— Já ouvi histórias sobre o rei e seu gosto por ...
— Putas — interrompeu com a voz estrangulada. — Pois é isso que elas são. Putas. Não consigo acreditar na ousadia dele em beijá-las na frente de todos. É como se jogasse lama sobre o rosto de minha mãe e risse de nossas caras enquanto se diverte.
— Porque está me contando isso? — Jon a questionou após um breve silêncio.
A princesa não respondeu de imediato. Talvez por não saber o que dizer, mas Jon era paciente. Largou a espada sobre o feno espalhado pelo chão e cruzou os braços sobre o peito, esperando por qualquer resposta. E, pela primeira vez desde que trocou suas primeiras palavras com a Baratheon, ela não o olhou nos olhos, e Jon sentiu falta dos verdes furiosos sobre os seus.
— Eu te invejo — o sussurro pegou Jon desprevenido.
— Pois não deveria. Eu sou um bastardo e você, uma princesa — disse confuso, tentando entender onde a jovem gostaria de chegar. — Sabe quem é sua mãe, porque a minha talvez seja uma...
— Puta — murmurou de olhos baixos. — Pois te invejo, Jon. E, ao menos, sei o porque. Independente de ser um bastardo ou não, ainda sim vive em um lar. As pessoas te amam pelo que você é, não pelos títulos que carrega. Eu ouvi sobre o norte, histórias de homens leais e justos, mas que, dificilmente, sorriem. De rostos compridos e de uma habilidade com cavalos que nenhum outro lugar possui. Quando se fala sobre o norte, se fala sobre honra e lealdade. Admito que a única coisa que me pegou de surpresa fora o lema de sua casa: O Inverno está chegando. Digo, esperava que o lema da Casa Stark falasse sobre honra ou algo do tipo.
— Acho que nem mesmo Robb saberia explicar sobre o que se trata o lema da casa dele — explicou, enfatizando suas últimas palavras
— Sutil, Snow. Muito sutil — debochou revirando os olhos. — É sempre assim, tão frio quanto o norte?
Jon se sentiu feliz em ter os olhos verdes de leoa o encarando novamente, ambos carregavam um brilho provocativo que dizia tudo e, ao mesmo tempo, nada. Nicéia Baratheon era uma incógnita. Hora possuía olhos de corça, frágeis e cheios de um inocência escondida e, em poucos segundos, estes eram substituídos por olhos de uma leoa brava, prestes a atacar sua presa e a estraçalhar diante dos olhos de qualquer um. Nicéia era doce e, ao mesmo tempo, podia ser amarga. Por um minuto a presa e, no segundo seguinte, o predador.
— Ainda não sei por que fala comigo — insistiu na pergunta do início da manhã.
— Só um tolo responde uma pergunta com outra pergunta — observou, erguendo uma das sobrancelhas e se aproximando um pouco mais do rapaz que não recuou. — Falo porque quero.
Novamente o brilho de leoa, o brilho que Jon apreciava e parecia deixá-la mais bela. Jon poderia ser o filho bastardo de um nobre homem do norte, mas não era cego e, ainda sim, era homem. Nicéia, de longe, era a mulher mais bela que já havia visto em seus curtos dezoito anos. Dona de uma sensualidade única, cabelos cor da noite e olhos verdes furiosos, que contrastavam com sua pele branca e os lábios rosados. Lábios, estes, que Jon adoraria beijar. Poderia ele esquecer de seu lugar por poucos segundos, talvez minutos, e aproveitar o que a vida havia lhe oferecido. Nicéia não era como as outras, que, assim que descobriram que ele não era nada além de um bastardo, saíram às pressas, inventando desculpas e o deixando sozinho. Robb sempre fora a primeira opção delas e sempre seria o máximo que um bastardo poderia ser. Era encontrar gotas de amor nos braços de uma meretriz em algum bordel imundo. Jon não gostava de putas, nunca gostou. Parecia que ele gostava de princesas. Riu internamente com tal pensamento. Deveria aproveitar o que estava disponível para ele e não almejar algo que ele nunca poderia sequer tocar. Nicéia Baratheon era como o céu. Jon poderia observá-lo pelo tempo que quisesse, mas jamais tocá-lo.
Nicéia estava destinada a um grande Lorde, dono de um nome prestigiado e de uma casa rica, que poderia oferecer a ela todas as jóias que seu ouro pudesse comprar. Em alguns anos, talvez, já estivesse casada e com filhos, administrando suas terras ao lado do marido. Quem sabe esse marido não fosse Robb, afinal, ele a observava com os mesmos olhos de Arya quando via uma espada. Robb desejava ter Nicéia Baratheon para si, desejava que ela fosse sua esposa e mãe de seus filhos. Ele ainda não a amava, mas faria o possível para brotar tal sentimento. Jon Snow não se enganaria, talvez fosse seu meio irmão a provar os lábios e o corpo da Baratheon, talvez fosse ele a observar os olhos furiosos dela todos os dias e, talvez, ele fosse o alvo de seus sorrisos.
E, tão rápido como chegaram seus pensamentos, se foram, quando, enfim, percebeu que os olhos verdes de leoa o encaravam tão de perto. Perto demais. Conseguia sentir o aroma adocicado do vinho em lufadas quentes, que batiam cada vez mais rápidas em seus lábios. Jon até mesmo conseguia sentir o sabor do vinho que a princesa havia bebido minutos atrás, e se viu desejando saber se o interior de sua boca ainda possuíam tal sabor. Jon avançou mais alguns centímetros, encurtando o espaço entre seus lábios; os verdes de Nicéia o engolindo cada vez mais, deixando sua mente nublada e incapaz de formular qualquer pensamento. Os dedos delicados da moça tocaram sua face gelada, dando o antagonismo perfeito. O calor do sul e frio do norte. Com a ponta dos dedos, ela desenhou uma linha curva até tocar os cachos negros, que eram os cabelos de Jon Snow, deixando um rastro de fogo por onde passavam. Jon quis tocá-la, cheirar seus cabelos e descobrir se sua pele era tão macia quanto aparentava, mas um pigarro o fez se afastar rapidamente, assim como Nicéia, que se virou dando as costas a Jon, afim de saber quem os incomodava.
O manto negro e o sorriso zombeteiro, que Jon conhecia tão bem, os encarava com seus olhos tão escuros quanto os do bastardo. Benjen Stark parecia surpreso e, ao mesmo tempo, tentando segurar uma gargalhada. O homem jamais havia visto o rapaz com uma garota, e se pegou sorrindo para a mesma enquanto se preparava para a enxurrada de perguntas que faria ao rapaz.
— Benjen Stark, senhorita — o patrulheiro comprimentou a jovem com um suave beijo nas costas da mão.
— Nicéia Baratheon — murmurou, ainda constrangida pelo momento.
— A princesa — sussurrou com os olhos negros, levemente arregalado, enquanto desviava o olhar da jovem para o sobrinho.
— Sim, senhor. Me desculpe o mal jeito, mas preciso voltar para a festa. Minha mãe, a rainha, deve estar à minha espera. Com sua licença — Nicéia atropelou as palavras e, em algumas, até mesmo gaguejou. E, o mais rápido que conseguiu, partiu pelo pátio em direção às portas do salão.
Benjen, enfim, deixou que seus olhos caíssem sobre a figura de Jon Snow, que parecia tão envergonhado quanto a princesa. O patrulheiro havia chegada na hora exata que o beijo aconteceria. Havia resolvido interromper por pura zombaria, afinal, não perderia a oportunidade em caçoar de Jon pelo momento, mas, agora, sabendo de quem se tratava a garota, Benjen não sabia se agradecia por ter interrompido ou se batia na própria cabeça com a espada.
— A princesa? — Benjen o questionou.
Jon não precisou de mais nenhuma palavra para saber do que a pergunta realmente tratava. Querendo ou não, o bastardo também gostaria de saber a resposta.
Nicéia havia reclamado da noite e em como ela era fria, mas se amaldiçoou por tais palavras, pois a madrugada era ainda pior. Agora ela entendia o porque de os nortenhos não sorrirem. Seus rostos já deveriam ter congelado naquela expressão neutra. Praguejou baixinho, enquanto se enrolava nas peles em busca de mais calor. Se encolheu e choramingou por não ter trazido Myrcella para dormir com ela. A pequena garotinha poderia lhe aquecer naquele momento. Não conseguia pregar os olhos, o frio não deixava. Assim como a fome, que fazia seu estômago rugir feito um leão, além de sentir seus dedos congelaram. Esfregou as pernas uma na outra, buscando calor inutilmente. Aquele frio cortante a deixava dura feito uma rocha e tão raivosa como seu pai, quando o vinho acabava.
Bufando, a jovem afastou as peles de seu corpo e levantou o mais rápido que seus membros lhe permitiram, apanhando o manto de peles sobre a cadeira ao lado da cama. Se enrolou no mesmo e buscou pelas botas, achando-as caídas sobre o vestido que arrancara no fim da noite. Com pressa, deixou o quarto, seguindo pelo corredor parcialmente escuro, procurando pelos aposentos da mãe ou, talvez, de Myrcella, pois sabia que, naquele frio, não conseguiria dormir.
O corredor era iluminado apenas por tochas semi acesas, dando um ar de calabouço ao lugar. Nunca admitiria, mas havia medo em seus olhos. Nunca havia estado em um corredor tão escuro, já que a fortaleza vermelha nunca dormia. Os corredores possuíam luz a madrugada toda, com criados e serviçais andando de um lado para o outro. Contudo, com aquele frio, todos já deveriam estar dormindo em suas camas quentes. Enquanto caminhava, não deixou de lembrar da aproximação inconsciente que tivera com o bastardo mais cedo. Fora um ato repentino, mas totalmente lúcido. Nicéia queria aquilo, desejava beijar os lábios congelados de Jon Snow. Ainda desejava. O rapaz era tão diferente dos outros, tão quieto e observador, com poucas palavras e, a maioria delas, contendo o frio constante do norte. Distraída, Nicéia mal percebeu que estava perdida. O corredor onde se encontrava não possuía porta alguma e, ao olhar para trás, não sabia de qual direção havia vindo. Suspirou frustrada e pensou em voltar, arriscando se perder ainda mais naqueles corredores intermináveis.
— Princesa? — o sussurro rompeu o silêncio.
Nicéia conhecia aquela voz, mas não conseguia encontrar seu dono. Por entre as sombras, Jon Snow surgiu, com um manto grosso sobre os ombros aparentemente mais quente que o dela. O rapaz ainda vestia as roupas de mais cedo, o que denunciava que não havia retornada ao seu quarto desde o seu encontro e quase beijo.
— Jon Snow, o que faz fora da cama? — perguntou, se encolhendo e tremendo levemente enquanto andava na direção do bastardo.
— Estava com Fantasma, meu lobo. E você, princesa? — esclareceu, cruzando os braços observando-a melhor.
— Estava procurando o quarto de minha mãe e me perdi — resmungou batendo os dentes de frio, estranhando o fato de rapaz ter um lobo. — Esses corredores são todos iguais.
Jon não respondeu, estava mais ocupado encarando a jovem, que tremia pela falta de calor, afinal, com apenas aquela manta fina sobre os ombros; os lábios já roxo, os mesmo que ele desejava tanto sentir o gosto. Após a interrupção de Benjen, Jon agradeceu por não ter de explicar nada ao patrulheiro. Nicéia também o encarava, com os mesmo olhos de leoa que continham as mesma vontades e brilho de quando quase se beijaram. Ele não recuaria, daria o que a princesa pedisse e um pouco mais. Se estava mesmo disposto a se juramentar a Patrulha da Noite, gostaria de uma última chance, talvez a única que teria em toda a sua vida. Pois, na Muralha, ele não teria nada além de uma espada como sua companheira.
Em um ato imprudente, Nicéia avançou sobre os lábios do rapaz, quebrando qualquer distância que tenha sido imposta entre eles. Colou seus lábios nos do bastardo e esperou por uma rejeição, que não veio. Ao contrário do que ela pensava, Jon afundou seus dedos na cintura coberta da princesa e entreabriu os lábios, esperando que o beijo se aprofundasse. Os lábios de Jon tinham o gosto do norte e de liberdade. Seus lábios eram frios, assim como suas palavras. Nada além do esperado. Contudo, o interior de sua boca era tão quente quanto Dorne. Colou ainda mais seus corpos, trazendo o nortenho para perto da parede do corredor gelado. Jon gostou da sensação do corpo frágil junto ao seu, assim como o calor que ele emanava.
Sua boca pequena se moveu contra a dele e seu corpo quase desfaleceu quando ele a retribui. Nicéia não conseguia pensar em mais nada além de como aquilo era bom, melhor do que esperava. Cravou as unhas sobre o tecido grosso e puxou o corpo do bastardo para mais perto. Nicéia não desejava ar, desejava Jon Snow e nada além disso. Ela queria mais, seu corpo e lábios precisavam de mais. Não se importou quando os lábios frios de Jon abandonaram os seus, apenas para deslizar sobre a pele fina de seu pescoço, causando calafrios e uma sensação estranha em seu baixo ventre, que se contraía a cada beijo molhado que ele dava. Nicéia Baratheon, havia se entregado aos braços fortes do bastardo de Winterfell e suspirava com cada toque. Permitiu que suas mãos invadissem seus cabelos cheirosos e os puxassem com uma delicadeza contida.
— Jon — sussurrou manhosa, em um pedido mudo por mais.
Ambos haviam perdido o controle de seus corpos. Nicéia sentiu as pernas tremerem, mas, dessa vez, não era pelo frio. Era desejo. O mesmo desejo latente que jamais havia sentido. Seus sentidos se apagaram quando seus lábios voltaram a se tocar em um beijo forte.
Jon a queria naquela noite, mesmo que fosse errado. Nada importava, apenas o cheiro de flores e o gosto de vinho que ainda permanecia em seus lábios. A princesa não se importou em seguir Jon pelo corredor, sem ao menos saber onde ele a levaria. Não observou as portas e, menos ainda, a que ele abriu. Pouco se importou com a decoração, apenas em o quão macios eram as peles sobre a cama. Deixou sua mente nublar e seu corpo corresponder ao estímulos de Jon. Suspirou e revirou os olhos, em puro êxtase, enquanto uma trilha de beijos era deixada em seu colo e o vale entre seus seios. Nenhum deles percebeu quando as roupas os deixaram e os corpos se uniram em um rompante de luxúria e desejo. Nicéia fechou os olhos, atordoada pela dor aguda que se alastrava por seu corpo enquanto finas lágrimas deixavam os mesmos. Sentiu que, naquele instante, a barreira entre a sanidade e a loucura havia se rompido e nada além dela e Jon existia naquela parte gelada do norte.
Com calma, se moveram em busca de prazer mútuo. Não pensaram em títulos ou a falta deles, apenas conseguiam sentir em o quão quente o norte poderia ser. Tão quente que o suor salgado que abandonava ambos os corpos em movimentos, refrescavam a desejo que crescia e nunca se abrandava. Quanto mais Jon tinha de Nicéia, mais ele desejava. Quanto mais ela dizia seu nome em sussurros estrangulados ou gemidos longos e sem fôlego, mais ele desejava dela. Jon não tinha ideia de onde aquilo os levaria, mas tinha certeza que logo teria fim, pois seus destinos não estavam entrelaçados e nunca estariam. Todavia, ambos trabalhavam para uni-los com o pouco de força que ainda possuíam.
Naquela noite fria em Winterfell, o norte estava sendo testemunha do início de uma nova ordem, onde reis e homens se tornavam um só.
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