A Fúria da Tempestade- Sonhos de Verão (Livro I)
17 O rei esta morto
Notas iniciais

"A verdade era que a princesa era mais corajosa que o irmão, e também mais inteligente e confiante. Tinha o espirito mais vivo, as cortesias mais polidas. Nunca nada a intimidava. A força esta realmente nas mulheres."
Winterfell- Norte de Westeros
A noite estava fria, o céu se embebia pelo negro e a fresca nevasca caia tranquila cobrindo toda Winterfell com um manto branco. Era silenciosa aquela parte da madrugada, os empregados haviam de ter se recolhido e os guardas pareciam feitos de pedra.
O sono de Robb era tranquilo, como o de uma criança. Seu corpo quase totalmente despido enrolava-se ao da esposa, como uma cobra, o rosto enfiado em seus cabelos e os braços a mantendo muito perto. Vez ou outra, seus dedos acariciavam o ventre inchado, quase como por instinto. O medo de perde-los só crescera desde o ataque em Mata do Lobo, o corpo que tanto amava contorceu-se por quase uma noite toda, nem mesmo o calor de Vento Cinzento, a lareira alta e Robb pareciam suprir sua necessidade de calor. Por ordens de Meistre, a jovem mulher manteve-se afastada do exterior da fortaleza por quase uma quinzena, sempre acompanhada de uma manta quente ou próxima as lareiras.
No entanto, não podia-se dizer o mesmo da doce Nicéia, que tinha o sono a lhe perturbar. Parecia conturbada e vendo coisas, pois seus cenho franzia-se e a boca abria-se com relutância. Em dado momento seus olhos se abriram em um rompante angustiado, a medida que o tom esverdeado era tomado pelas lagrimas. Então soluçou e agarrou-se ao marido.
Mãos geladas. Lagrimas quentes.
— Nicéia? — chamou Robb. A voz rouca pelo sono e os olhos azuis quase não abrindo. — Esta chorando?
— Não, apena... — no conseguiu ir a diante, a dor em seus peito martelava. — Oh Robb, meu coração esta pesado, sinto que algo muito ruim vai acontecer.
O corpo do marido se moveu, virando-a para que lhe focasse os olhos. Os verdes brilhantes, agora embebiam-se em lagrimas quentes de medo e tristeza. Contornou seu rosto com a ponta dos dedos, colhendo uma solitária lagrimas com um beijo.
— Não deve ser nada, meu amor — sussurrou o marido confortando-a com um sorriso.
— Eu sonhei — disse ela. — Era a Mataderrei, um leão rugia muito alto. Parecia feroz e perigoso. Sei que algo esta acontecendo meu marido, consigo sentir.
Robb nada disse, apenas abraçou a esposa com ainda mais força permitindo que a mesma chorasse seus medos. Desde a terceira quinzena de gravidez, que a esposa vinha diferente ao olhos dele, mais apetitosa e cheia de desejos. Os seios haviam crescido junto ao seus desejos carnais, Robb gostava, não que Nicéia não fosse uma mulher fogosa, mas desde a gravidez que ele mal conseguia controla-la dentro de seu vestido. Um único momento a sós e era atacado e jogado na cama pela esposa sedenta por seus beijos. No entanto, apesar disso tudo, ela vinha cada dia mais sensível, lagrimas tanto de alegria quanto de tristeza estavam sempre presentes em seus dia. Hodor parecia ser sua companhia predileta, o meio gigante era gentil com ela e sempre lhe entregava uma flor colorida que colhia em locais diferentes. Em sua maioria tratava-se de lírios do vale ainda cheirando a água de rio, Nicéia o apreciava, ainda mais sua inocência doce.
Ao observar a esposa, percebeu que esta ja retornara a um sono tranquilo, o rosto bonito ainda marcado pelas lagrimas. Afastou-se um pouco apenas para cheirar seus cabelos e sentir todo o amor naquele simples gesto. Amava aquela mulher mais do amava o Norte e toda Winterfell, dizia o que sentia durante e apos se amarem e ela sempre lhe sorria doce, afagava-lhe os cachos e o beijava. As mesma palavras ainda não haviam deixado seus lábios ainda, Robb não sabia o porque, mas sentia que a cada pequeno segundo fazia com que seus coração se abrisse um pouco mais.
Nicéia podia ama-lo, ele tinha certeza, e logo o faria.
Robb era paciente, podia esperar um pouco mais, tinha uma vida inteira para isso.
O dia que se seguiu fora tranquilo para todos. Nicéia mantinha-se ocupada com seus afazeres e vez ou outra o procurava para trocar um simples beijo ou apenas para ve-lo. No fim da tarde a vira com os lobos a brincar, corria cuidadosa pelo patio, esquivando-se dos animais. Vento Cinzento era o que mais se divertia, inclinava-se sobre as patas dianteiras e baixava a cabeça com a linguá para fora, como um grande cão dócil, já Verão era um tanto bruto, tentava pular sobre o colo de sua esposa, mas sempre era espantado pelos rosnados de Vento Cinzento, que sequer ameaçava de morde-la docilmente como fizera tantas vezes com ele. Rickon também brincava, gargalhava correndo em círculos com Nicéia em seus calcanhares, jogaram neve um no outro e depois em Bran que tentava ler algo que o Meistre tinha lhe dado para se distrair.
Apoiou-se na porta com Theon ao seu lado e continuou a observar os lobos, os irmãos e a esposa a rirem de algo dito pelo caçula. Vento Cinzento latiu e depois correu ate Bran recebendo um pedaço do bolinho que o menino comia. Depois fora tudo muito rápido, Rickon escorregou caindo sobre as pernas e fazendo cara de choro, Nicéia se abaixou e então Cão Felpudo apareceu com seus olhos verdes aguçados. O lobo gigante rosnou e correu, Robb buscou a espada, no entanto antes mesmo de se aproximar o suficiente de Nicéia, Vento Cinzento pulou sobre o negro mordendo-lhe o pescoço e o jogando no chão com força. O lobo cinza se colocou a frente do outro e rosnou, alargando-se o bastante para mostrar ao outro que era maior e mais forte. Cão Felpudo rosnou e isso fora o bastante para vento Cinzento atacar.
— Nicéia! — gritou Robb pela esposa, correndo em sua direção.
— Felpudo! Felpudo! — berrava Rickon por seu lobo que chorava.
— Robb! Faça algo, Vento Cinzento vai mata-lo — gritou a esposa agarrando Rickon pelos ombros e se afastando.
Vento Cinzento parou majestoso e furioso, rosnou mais uma vez e mostrou os dentes, Cão felpudo correu choramingando e mancando de uma perna, no entanto sem machucados.
— Vento Cinzento! — chamou Robb com a voz dura, mas o lobo pouco se importou com o chamado. Virou-lhe as costas e caminhou ate Nicéia colocando-se ao seu lado como um cão de guarda. — Vento Cinzento!
Os olhos dourados do lobo o encararam, pareciam perguntar-lhe o que desejava, deixando claro que não sairia dali mesmo que o chamasse.
— Felpudo! — chorou Rickon soltando-se de Nicéia e correndo por onde o lobo se fora.
— Rickon volte aqui — gritou Nicéia tentando impedi-lo.
— Esta tudo bem, o lobo não o atacara — disse Robb um pouco mais tranquilo.
Nicéia assentiu respirando fundo e depois olhando para o lobo gigante ao seu lado.
— Não é a primeira vez que me protege — disse ela com carinho.
— Os sentimentos de Robb refletem em seu lobo — contou Theon ainda surpreso pela voracidade e cautela de Vento Cinzento. — Robb lhe ama e mataria para lhe proteger, Vento Cinzento faria o mesmo, apenas mais rápido e mais feroz.
— Acho que foi um aviso — disse Bran um pouco mais ao longe. — Vento Cinzento rosna toda vez que Verão se aproxima correndo, mas se ele vier caminhando, não se importa, mais vigia. Se Verão se anima e tanta pular no colo de Nicéia, Vento Cinzento o espanta com rosnados.
— Ele é ciumento? — perguntou Nicéia desta vez olhando o marido.
— Assim como Robb — riu Theon sendo acompanhado por Bran. — Ora, não diga que ameaçou arrancar os olhos daquele garoto em vila de inverno. Apenas porque ele olhava por tempo demais para a princesa.
Nicéia sorriu aproximando-se do marido e lhe plantando um beijo suave nos lábios rosados.
— Tambem sou muito ciumenta, se vê-lo se engraçar com alguma donzela ou Aia desta fortaleza ou de qualquer parte de Westeros lhe castrarei como um cavalo e depois o mandarei para Astapor, serviria bem como Imaculado — disse ela com um sorriso doce.
Theon explodiu em gargalhadas altas e Robb tornara-se tão branco quanto a neve, no entanto a calma fora interrompida pela respiração ofegante de Eve, seu rosto era preocupado e a trança simples em seus cabelos dourados desmanchava-se pela corrida.
— Meistre Luwin acabara de receber um corvo de Porto Real, pede que os encontre no grande salão — disse ofegante. — Meu senhor, parece deveras importante.
Mesmo alarmado acompanhou a Aia de sua esposa, com ela em seus calcanhares ate o grande salão onde Meistre os esperava. Seu rosto retorcia-se em uma angustia que congelou o coração da princesa.
— Veio de Porto Real — disse Meistre Luwin em um suspiro triste.
— É sobre meu pai? — perguntou Robb que não recebia noticias dele a semanas.
— Não meu senhor é sobre o rei Robert — o jeito que os lábios enrugados de Meistre se moveram disseram a Nicéia que algo de muito ruim deveria ter acontecido.
— O que houve com meu pai? — sussurrou sentindo o choro lhe subir pela garganta.
Meistre nada disse, apenas lhe entregou a carta em mãos e não sorriu. Nicéia a apanhou no entanto reconheceu aquela letra como não sendo seu amado pai, ainda sim leu. Querida filha, não chore ao terminar, sabe o quanto odeio ve-la desta forma...
Nicéia gostaria de não ter olhos enquanto lia a carta, a letra não era mas as palavras eram de seu pai. Sentia em cada sentença o amor e carinho com que ele lhe falava. Quando a receber ja estarei muito longe, minha corça dourada. Lamento por não me despedir da forma que deveria ou morrer de forma mais digna. Me perdoe por não cumpri minha promessa de carregar meu primeiro neto nos braços, prometi que estaria ai para seu nascimento, mas não estarei. Com amor, seu pai. A assinatura o pertencia, feito com seu letra inclinada e nada caprichada.
Nicéia sentiu-se tonta por alguns momentos, enquanto a noticia em suas mãos ecoava em sua cabeça. O pai estava morto, levado pelos deuses. A ânsia lhe subiu a garganta, no entanto fora engolido. Fechou os olhos entorpecida, cambaleou para o lado mas fora amparada por algum, Nicéia não conseguia enxergar e menos ainda escutar, mas soube que deixara um grito alto saltar de seus lábios. Seu corpo tremia e lagrimas não deixavam seus olhos, as pernas tornaram-se moles e logo cederam ate que seus joelhos batessem dolorosamente contra o chão.
Deuses, aquela dor em nada poderia ser comparada a de quando perdera Jon Snow para A Muralha, era pior, dezenas de vozes pior. Ardia, martelava e impedia de qualquer movimento. Agarrou-se a alguém e gritou novamente, dolorido, quente e cheio de angustia, grito este que poderia ser escutado de muito longe. A dor se alastrava queimando sua pele, mas concentrara-se em um único ponto: Seu ventre.
Queimou como fogo, como o frio e como a água do córrego enchendo seu peito. A dor viera mais forte, cortando-a ao meio, rasgando sua carne e a fazendo gritar outra vez. Não podia suportar era terrível, algo que jamais sentira em toda sua vida. Então veio a água.
Mas não era água. Era sangue. Que lhe escorria entre as pernas com abundancia, manchando seu vestido azul e os dedos de Robb. Estava o perdendo, ela sabia, sentia em seus ossos a vida de sua criança lhe abandonar. Ouvira gritos e ordens, um choro cheio de soluços e depois as paredes cinzas de Winterfell. Sentia as mãos frias do Meistre e via os olhos azuis de Rob cheios de lagrimas, gritou de dor novamente, ainda parecia ser rasgada por uma espada flamejante. O sangue ainda lhe abandonava podia sentir, ele manchava a cama, os lençóis e ate mesmo o marido.
Fechou os olhos e depois de quase um minuto voltou a abri-los com preguiça. Robb não estava mais lá, mas sim Eve que tinha o vestido cinza coberto de sangue fresco. O cheiro quente inundou suas narinas, levou uma das mãos pálidas a cama e depois a ergueu, o brilho vermelho sujou sua mão por completo. O liquido escarlate escorreu por seu ante braço e da ponta de seus dedos, caíram pequenas gotas. Tentou dizer algo, mas de sua garganta saíram sons que não podia reconhecer como a própria voz. Parecia-se muito com a voz de seu tio Tygett Lannister antes de morrer. Estava cansada e com sono, gostaria de dormir mas tinha medo de não acordar. No entanto o fez, caindo em um sono profundo não sem antes observar os olhos alarmados de Eve.
[...]
A neve caia ligeira, mas Nicéia pouco se importava. Observava alem da janela, mas não via nada. Apenas um grande vazio que lhe enchia o peito. As pernas dobradas contra o peito e apenas uma fina camisola de linho branco que lhe cobria a pele, mas não sentia frio. Sentada sobre a cama, envolta de peles de urso. O frio não era mais incomodo, seu coração estava quebrado e a tristeza por ter perdido tanto a deixava desnorteada. Agarrou-se aos joelhos e tentou não chorar novamente, o ventre estava vazio, seu pequeno herdeiro a deixa-ra em meio aos gritos.
— Senhora, trouxe o almoço — a voz doce de Eve soou. Nicéia não se virou, permaneceu na mesma posição de antes.
A bandeja que fora trazida para o seu dejejum, ainda intocada sobre a mesa de madeira. Suspirou e fechou os olhos, esquivando-se dos olhares de Eve. Deitou-se arrastando as as grossas peles para cima de si e fechando os olhos.
— Minha senhora, sei que ainda dói, mas precisa se alimentar — disse Eve aproximando-se da cama. — Perdeu muito sangue a duas noites, precisa comer. Meistre Luwin esta preocupado. Eu estou preocupada, assim como o menino Bran e o Senhor Robb.
— Me deixe só — pediu angustiada, sentindo o frio que suas palavras possuíam.
— Minha senhora...
— Ja disse para me deixar — disse Nicéia um tom mais alto. Sua voz não era a mesma, aprecia quebrada, falha e sem vida. — Não desejo que fique. Então saia.
— Não! — disse Eve convicta. — Não a deixarei sozinha, minha princesa. Prometi que estaria sempre ao seu lado, não lhe abandonarei no momento mais difícil de sua vida.
A jovem senhora não se moveu, no entanto o choro veio. Doloroso e cheio de soluços, a dois dias perdera tanto que seu coração tornara-se gelo ao poucos. Sentia como se toda neve do norte se abrigasse em seu peito. Estava vazia.
— Se ele estivesse tão preocupado teria vindo me ver — soluçou Nicéia.
A jovem senhora não pode ver, mas os olhos verdes de Eve tornaram-se duros e depois encheram-se de lagrimas quentes. Era do conhecimento de todos, que Robb Stark se refugiara no antigo escritório do pai e saia de lá apenas para alimentar seu lobo. Eve não o entendia, dissera a todos os deuses de que amara sua esposa com toda sua força, chorara enquanto ela perdia tanto sangue sobre a cama que dividiam, no entanto, depois de cruzar a porta não retornara mais.
Ela entendia sua dor, mas Nicéia precisava de apoio.
— Creio que senhor Robb não saiba como agir — sussurrou dobrando-se de joelhos no chão ao lado da cama. — Entenda sua dor.
— Só o queria aqui — disse.
A menina sofria, mais do sofrera em toda sua gloriosa vida de princesa. Nicéia não conhecia aquele tipo de dor, nunca perdera alguém tão próximo, nunca fora apresentada aquilo. No entanto, estava longe de casa, sem poder despedir-se do pai e sem o apoio da mãe apos perder seu primeiro filho. Eve teria de servir. A jovem aia de Lannisporto agarrou a mão de sua senhora e lhe beijou os dedos com carinho.
— Estarei aqui minha princesa, não se preocupe com nada, prometo que ficarei aqui ate que esteja melhor — sussurrou olhando em seus olhos.
— Obrigada — murmurou fungando. — Deite-se comigo e se aqueça com as peles. Não gosto de ficar sozinha.
— Não me atreveria, é onde se deita com seu marido — envergonhou-se a Aia, recusando o convite.
— O senhor meu marido deve ter encontrado outra cama para se deitar, pois não o vejo a dois dias — lamentou tristemente. — Talvez esteja em busca de um bastardo para suprir sua perda.
— Não! Minha senhora, não diga coisas assim. Senhor Robb a ama com todo seu coração, jamais deitaria-se com outra — disse Eve.
— Ama tanto que me abandonou.
—A ama tanto que não pode ve-la sofrer — sussurrou Eve, erguendo-se e sentando-se a beira da cama. — Ouvi os lamentos de Vento Cinzento, a neve parece mais densa e o céu mais cinza. Todo o norte lamenta minha senhora, ele chora com a senhora.
— Venha Eve, deite-se — pediu afastando as peles. A aia obedeceu com cautela, deixando as botas no chão e tirando a capa negra sobre os ombros, depois deitando-se ao lado de sua senhora. — Cante para mim, aquela canção que fazia Cella dormir.
— Claro minha princesa — disse apos apertar a mão de Nicéia com um pouco mais de força.
A voz da Aia era doce como o seu olhar. Ela cantou sobre uma terra muito distante, cercada de magia e bondade. Não havia guerra, morte ou lagrimas, era um lugar puro. O céu era repleto de estrelas e clima sempre quente, os rios calmos e a vida alegre. Em determinado momento fechou os olhos, sentindo o corpo ser transportado para aquele local, onde a grama era verde como seus olhos. O pai estava lá, com um bebe em seu colo, o menino tinha cabelos ruivos e olhos azuis tempestuosos, as bochechas coradas e um sorriso com um único dente. Nicéia demorou para perceber que sonhava, mas logo tudo desapareceu e apenas escuridão ficou.
Acordara em meio a penumbra da madrugada, onde uma única vela tremulava pelos sopros frios que adentrava a janela entre aberta. Se corpo estava quente e bem aconchegado na cama. Escutou bem alto, o lamento de Vente Cinzento, um uivo angustiado e cheio de dor, o lobo também sofria, no entanto fora o soluço a sua direita que lhe despertou.
Debruçado sobre a cama estava Robb, com os cabelos revoltos e a capa de senhor ainda sobre os ombros. O corpo tremulava pelos soluços.
— Me desculpe — ele sussurrou, sem saber que a esposa ja estava acordada. — Falhei com você, meu amor e com nosso filho. Deixei que a dor lhe roubasse de mim, fui tolo e sem coração. Me perdoe, por favor — sua voz era falha. No entanto, Nicéia permaneceu quieta, ouvindo o lamento. — Deixei que meu dever com o Norte se sobreposse a você. Me perdoe.
— Não á nada que perdoar, meu senhor — sussurrou tocando seus cabelos com os dedos, deixando-os se embrenhar nos mar avermelhado de seus cachos.
Robb ergueu os olhos encharcados de dor. Seus dedos deslizaram pela face pálida do marido, colhendo as grossas lagrimas que lhe insistiam e cair.
— Por favor, meu amor. Perdoe-me por deixa-la aqui com tanta dor, deveria ter...
— Fez o que deveria ser feito — interrompeu Robb com um breve sussurro amargo. — Doi tanto em você quanto em mim, seria deveras egoísta se me importasse apenas comigo.
— Tem de se importar, meu amor. Carregara nosso herdeiro em seu corpo, foram um só desde minha semente brotou.
Robb lhe parecia envergonhado ao passo que desespero lhe cobria os olhos. O homem que lhe enchia a cama com sua virilidade, hoje estava debruçado sem importa-se com a dor que esposa poderia ver.
— Venha — chamou arrastando o corpo pelos lençóis.
Desde que se vira completamente sozinha naquele quarto, dormia inconscientemente do lado que sempre era ocupado pela marido, onde seu cheiro amadeirado podia ser sentido. Agarrava-se ao travesseiro e afundava o nariz, respirando fundo e trazendo todo aquele perfume.
— Esposa, Meistre Luwin disse que...
— Sei o que Meistre disse — sussurrou. — Disse que não poderei te-lo como desejo por duas quinzenas inteiras, mas preciso de meu marido aqui. Aquecendo-me durante a noite — confidenciou em um sopro. — Lhe imploro Robb, volte para nossa cama. Não consigo mais viver sem seus braços.
O marido a observou e Nicéia podia jurar que vira a sombra de um sorriso. Ainda que muito cuidadoso, deito-se em seu lugar, trazendo a esposa para seus braços trémulos.
— Eu te amo, minha princesa — sussurrou com os lábios colados a sua testa fria. — Morreria e mataria para sua felicidade.
Nicéia não o respondeu, mas suspirou apreciando o contato de seus corpos. Ainda não poderia responde-lo da mesma forma, não retribuía aquele amor com tanta ânsia. Seu corpo ardia em sua presença, e ela ia ao céu quando Robb lhe tomava como mulher, entretanto, ainda não conseguira ama-lo com todo seu coração, ainda que se sentisse diferente todas as manhãs. Podia sentir o sentimento aflorar em seu peito, aos poucos e muito lentamente, mas aconteceria, ela podia sentir em suas entranhas.
Fale com o autor