A Fúria da Tempestade- Sonhos de Verão (Livro I)
18 O fim de seus dias
Notas iniciais

"Esse é um grande e lindo mundo. A maioria de nós vive e morre na mesma esquina que nascemos e nunca saímos para ver nada dele. Eu não quero ser a maioria de nós."
Winterfell — Norte de Westeros
Os Karstark chegaram em uma manhã fria e ventosa, trazendo de seu castelo em Karhold trezentos homens a cavalo e quase dois mil a pé. A ponta de aço de suas lanças tremeluziam á pálida luz do sol enquanto a coluna se aproximava. Um homem vinha a frente do exercito, em uma marcha gutural.
Nicéia os viu chegar de uma torre de guarda no topo da muralha exterior, revezando com Bran, a luneta de bronze de Meistre para que ambos pudesse observar. Ela não conhecia o homem a frente, menos ainda os três rapazes que o seguia, sob estandartes negros como a noite, adornados com branco ofuscante. Meistre lhe contara que eles possuíam sangue Stark há sentenas, mas a primeira vista, Nicéia não os achava parecidos com os Stark que conheceu. Eram homens grande e pareciam ferozes, com rostos coberto por barba e cabelos que lhe batiam nos ombros.
Eles eram os últimos. Pois Robb lhe informara que todos os outros senhores ja estavam lá com suas tropas. Queria sair para ve-los em vila de inverno, no entanto Robb a proibira de deixar o castelo. Teria discutido se Meistre não tivesse invertido acalmando os nervos da princesa. Sabia que o que ocorrera em Mata dos Lobos e depois de sua recaída e perca de sua criança, o marido se tornara ainda mais protetor. Os nervos lhe corroíam a alma, Robb ficava mais nervoso e estressado a cada noite fria, ainda sim sua segunda quinzena terminava naquela noite. Meistre lhe contara pela manhã que seu corpo estava bem e que poderia retomar sua rotina, tanto como senhora, como de esposa. Nicéia tinha uma surpresa para aquela noite antes do jantar, talvez aquilo convencesse o marido a deixa-la participar daquela guerra.
— Quem são os homens a frente? — perguntou olhando através da lente de Myr.
— O homem que os lidera é Lorde Rickard Karstark, senhor de Karhold, atras de si vem seus três filhos Harrion, Eddard e Tosshen — informou-lhe Meistre com calma.
— Devo lembrar seus nomes? — quis saber sentindo-se confusa pelos nomes tão estranhos. Nunca havia ouvido que alguém chamara-se Tosshen.
— Não, minha senhora — riu o Meistre com humor. — Eles que devem se apresentar quando a conhecerem. Ainda é a princesa deste reino, mesmo casada com Senhor Robb.
Nicéia assentiu ressentida, com um ardência em seu estomago. Havia aprendido todos os estandartes do norte, com a ajuda de Bran e Meistre Luwin, sentia-se na obrigação de conhecer as casas do territorio que agora também lhe pertencia. Havia o punho revestido de cota de malha dos Glover; o urso negro da Casa Mormont; o estranho homem esfolado dos Bolton, de Forte do Pavor; um alce para os Hornwood; um machado de batalha dos Cerwyn; as arvore-sentinelas para os tallhart; e o gigante a rugir com correntes quebradas da Casa Umber.
Naquela noite conheceria todos os grandes senhores do Norte, pensar que cada homem e mulher sentaria-se a mesa com seus olhos curiosos sobre si. Pois teriam de tomar muito cuidado, Nicéia não era como as donzela que enchiam Westeros, era a filha de Robert Baratheon e Cersei Lannister, não fora criada para baixar a cabeça para ninguém, nem mesmo para seu marido.
Percebera que Bran perguntara outra vez sobre os cavaleiros e Nicéia soube que não haviam muitos no Norte. Segundo Meistre, eles deveriam ser ungidos por sete óleos e ficar de vigília em um septo para consagrar os votos. E não haviam muitas casas que seguiam a fé dos sete, a sua grande maioria permanecia com sua fé nos deuses antigos.
— Lorde Karstrak é o ultimo — disse Nicéia, pensativa. — Robb dará o grande baquete esta noite.
— Sem duvida que sim — disse Meistre.
— Quanto tempo para que partam? — perguntou aflita, teria de ser rápida se quisesse marchar ao seu lado nessa guerra.
— Têm de marchar logo, ou não marcharão — disse Meistre Luwin. — A Vila de Inverno esta cheia, e esse exercito comerá tudo que há nos campos se acampar aqui durante muito tempo.
— Robb me disse que há outros á sua espera, para se juntarem a eles ao longo da Estrada do Rei, cavaleiros das Terras Acidentadas, crognomanos e os senhores Maderly e Flint — contou torcendo os dedos.
— Não se preocupe, senhora. Logo Senhor Robb regressara para Winterfell com a vitoria, seja otimista — disse Meistre Luwin com um sorriso.
Um riso seco deixou a garganta de Nicéia, atraindo a atenção de Bran que ainda observava o exercito se aproximar.
— Se pensas que ficarei trancada em Winterfell rezando aos deuses que tragam meu marido vivo para casa, esta enganado Meistre Luwin. Não fui criada como as outras donzelas, sou uma princesa e quando suas terras são postas em perigo devo lutar por elas e assim o farei — disse com convicção, chocando Meistre. — Irei nesta guerra com Robb, ele querendo ou não. Pois terá de me acorrentar ao calabouço se desejar me manter em Winterfell.
Bran parecia impressionado e muito admirado por suas palavras, ao passo que Meistre se assombrara com tudo que havia sido lhe dito.
— Robb não permitira...
— Sei disso, mas nunca precisei da permissão de ninguém para fazer o que meu coração deseja, Meistre. E como todo o respeito, não sera um homem que me dirá o que fazer — seu rosto estava duro feito gelo, com a fúria transbordando de seus olhos verdes de leão. Naquele momento quem falara fora a princesa obstinada e atrevida. — Com sua licença, tenho de verificar o preparo do banquete.
Nicéia os deixou para trás, descendo as escadas em espiral com rapidez e elegância. Atravessando o patio e recebendo comprimentos dos serviçais do castelo. Ao alcançar o grande salão procurou pelo marido, no entanto encontrou apenas Eve, que dava ordens as Aias da fortaleza. As mulheres traziam bandejas cheias de comida, de carnes á doces. O cheiro de leitão assado dançava por toda a construção de pedra.
— Minha senhora, teremos frango caramelizado com molho de cebolas e aipo, um leitão assado com uma crosta de especiarias variadas, sopa de lentilha e batata com agrião e pimenta preta — disse tudo de uma única vez sem respirar. — Ainda tem muito mais senhora, os homens de Norte comem feito touros.
— Certamente que sim — riu a senhora sem humor algum. — Eve, peço que fique de olhos bem abertos em tudo, deixei com Myra algumas instruções sobre a quantidade de vinho e cerveja que deve ser servida, sera abundante, ainda que não deseje que eles caiam de seus cavalos de tão bêbados. Os nortenhos bebem e comem por três homens de sul.
A aia riu, e se retirou a passos apressados não sem antes lhe fazer uma suave mensura. Quando retomara sua procura pelo marido, descobriu por meio de um guarda que ele e Theon Greyjoy estavam resolvendo assuntos de guerra em seu gabinete. E de fato estavam, Robb apoiava as mãos sobre o mapa comprido do continente onde viviam. Lobos, ursos, leões, veados e flores se espalhavam em pequenos totens, e vez ou outra eram movidos com cautela. O finco entre as sobrancelhas grossas do marido não a preocupava, ele era inteligente, conhecia os homens que tinha e sabia exatamente a hora de ouvir e acatar um conselho bem dado. Theon estava de costas para a porta, os cabelos desarrumados e o manto escuro sobre os ombros possuía vestígios de neve fresca.
— Minha senhora, o que deseja? — perguntou Robb, parecia cansado.
— Minha senhora — dobrou-se Theon com um sorriso.
— Desejo lhe falar por alguns minutos, penso que não teremos tempo durante todo o resto do dia ate a noite — disse revezando olhares entre o mapa e o marido. Não deixou de notar que a Truta pertencente aos Tully que Correrrio estavam cercadas pelos Leões de Rochedo Casterly.
— Irei a Vila de Inverno com alguns guardas verificar se ainda estão todos vivos — disse Theon com cara de quem desconfiara do que Nicéia desejava falar. — Os vejo no jantar desta noite, que os deuses sejam bons.
Assim que a porta fora fechada a suas costas, Robb tomou outra postura. Não era mais o senhor de Winterfell, feito de gelo e aço, era penas Robb, seu marido. Um sorriso cansado desenhou seus lábios, enquanto ele deixava que seu corpo caísse sobre a cadeira mais próxima. Em silencio e acompanhada pelos olhos azuis do esposo, Nicéia caminhou sensual, rebolando os quadris como a mãe havia lhe ensinado uma vez. Dizia ela que o balançar de suas ancas poderiam hipnotizar qualquer homem.
— Esta aflito, posso sentir — sussurrou quando estava bem a sua frente.
— Á tanto acontecendo, que nem mesmo sei o que fazer depois — confessou levando as mãos ao rosto.
— Robb, é o senhor de Winterfell agora, seu pai e irmãs estão em risco, esta erguendo seus estandartes junto a todo o norte, sei que é muito para se lidar, mas os deuses não lhe dariam esse fardo se não pudesse carrega-lo — suas mãos adentraram os cachos do marido em um suave carinho. — Estou aqui, sempre estarei.
Robb beijou sua mão livre, e acariciou suas cintura coberta pelo vestido escuro.
— Sei disso minha senhora, mas temo deixa-la aqui sem noticias — murmurou fechando os olhos.
Atrevida, a jovem senhora ergueu o pesado vestido ate os joelhos e sentou-se no colo do marido pegando-o de surpresa. Beijou-lhe os lábios rapidamente e agarrou-se ao pescoço.
— Conhece-me muito bem Robb, sabe que não ficarei aqui enquanto luta — disse recendo um olhar de censura.
— Não terei tempo para protege-la nem mesmo poderei dispensar homens para o faze-lo — o marido explicou como se ja soubesse que ela o diria.
— Pois bem sabe que não preciso de proteção, sei defender-me muito bem — emburrou-se. — De-me uma espada e meu martelo de guerra e derrubarei tantos Lannister quanto um cavaleiro.
— Não aja como uma garotinha comigo, Nicéia — irritou-se o marido. — Você sabe que não é assim tão simples.
— Pois então o faça mais simples — pediu com um rosnado, puxando os cabelos do marido pela raiz expondo seu pescoço alvo ja coberto pela barba avermelhada. — Sou sua mulher e uma princesa, fui treinada pelo melhor cavaleiro dos sete reinos, derrubei Sor Jaime Lannister mais vezes que posso contar, estive em tantas guerra quanto você, Robb. Mas se pensas que me deixara para trás, esta deveras enganado. Pois para que eu não marche junto a ti, terá de cancelar nosso casamento e me mandar de volta para Porto Real amarrada a um cavalo.
Os olhos azuis de Robb estavam escondidos pelas pupilas negras. Nicéia conhecia aquele olhar, ele frequentemente era direcionado a ela em qualquer situação. Entre as pernas sentiu que a virilidade do marido crescia, endurecendo-se como pedra. Nicéia sentiu-se molhada e sua respiração tornou-se irregular, Robb tinha tanta saudade quanto ela, a desejava tanto quanto ela o desejava. Sua pele queimou quando seus lábios cobriram os do marido em um beijo ardente e cheio de saudade. A semanas que se limitavam apenas aquilo. Apressada correu os dedos pela cota de malha cinza que o marido usava em direção ao cordão que lhe segurava as calças e a separava de seu paraíso particular.
— Não podemos ainda, Meistre disse que seriam...
— Duas quinzenas para que estivesse recuperada, sei disse — ronronou mordendo seu lábio inferior. — As duas quinzenas terminaram hoje.
A reação de Robb fora instantânea, pois as mãos que antes a mantinha de forma delicada sobre seu colo, apertaram as ancas de Nicéia empurrando-a para baixo enquanto seus dedos libertavam sua intimidade. Desceu do colo do marido apenas para lhe puxar as calças ate os tornozelos e abrir os botões de seu vestido, deixando seus volumosos seios a frente de seus olhos e boca. Arrancou a saia quente, sentindo o tecido gelado chocar-se contra sua pele morena, sentou-se novamente sentindo o membro viril do marido lhe acariciar o vale inchado e molhado. Teve de se segurar nos ombros por culpa dos espasmos de seu corpo quando Robb finalmente a invadiu.
— Estou tomando chá da lua — informou aos suspiros, sentindo todo o tesão guardado percorrer seu corpo. — Não ficarei gravida enquanto esta guerra não terminar.
Robb assentiu repetidas vezes, aumentando a velocidade de suas investidas, subindo e descendo o corpo da esposa em seu ritmo contra sua virilidade. Em dado momento, ergue-se da cadeira e jogou o corpo da esposa contra a mesa de madeira que abrigava o mapa, espalhando os totens pelo chão provocando barulhos que foram prontamente ignorados pelo casal. Os gemidos de Nicéia tornaram-se tão altos, que ela tinha a certeza de que os guardas ao lado da porta podiam escuta-la, e de fato estavam. Entretanto pouco se importava, sentia-se completa enquanto Robb lhe atacava o pescoço e depois os seios, beijando-os, lambendo e mordendo, deliciando-se com o gosto que possuíam. Nicéia não soube como, mas a mesa pesada passou a ranger enquanto arrastava-se a cada investida de Robb, provocando um barulho alto e agudo, de madeira rangendo contra a pedra polida. Agarrou-se ao mapa de couro, quando sentiu que logo o prazer sublime lhe atingiria, deixou que a cabeça pendesse para trás quando um grito deixou seus lábios, assim como o nome do marido. Mas as investidas não sessaram, Robb mantinha-se viril e forte, lhe arrancando gemidos longos e nada discretos. A mesa ainda se arrastava. O marido prendeu-se entre suas pernas, apertando-se ali e fechando os olhos urrando quando suas sementes deixavam seu corpo para dentro de sua senhora. Nicéia gritou, ondulando o quadril com sensualidade, perdendo os dedos nos fios úmidos, quando o marido se deitaram sobre seu peito despido.
— Ainda deseja deixar-me para trás? — perguntou enquanto a respiração do marido tornava-se mais calma.
— Mesmo se quisesse mante-la aqui, minha senhora, não poderia é livre e forte para fazer o que desejar — sussurrou mais leve e com os olhos mais brilhantes.
— Gosto quando me chama de sua — sussurrou ainda se folego. — Não lhe decepcionarei, Robb. Lhe prometo isso.
Robb sorriu, beijando o vale entre os seios da esposa.
— Ainda tenho medo. Uma guerra é diferente de tudo o que vimos, aquilo em Mata do Lobo não sera nada comparado ao que esta por vir — disse ele com perícia.
— As canções são bonitas, glorificam as vitorias — Nicéia tinha o olhar perdido alem da janela aberta.
— Não sera bonito meu amor, nada sera como nas canções.
Isso era o que mais a assustava. Robb era o senhor agora, teria de liderar todos aqueles homens, no entanto, antes teria de ganhar seus respeito.
— Aqueles lordes, eles não confiam em nós — disse ainda deitada, acariciando os cabelos do marido. — Mesmo sendo a princesa, ainda sou uma estrangeira em suas terras. E você meu senhor, ainda é um garoto cheirando a verão para eles. Tem de ganhar sua confiança, mostrar o grande senhor que um dia será. Deixe que vejam, que não é apenas um menino.
[...]
Nicéia deixou seus aposentos a passos rápidos. Estava deveras atrasada, os lordes deviam ja estar a sua espera no grande salão. Eve vinha em seus calcanhares sorrindo feito uma criança. Não vira Bran toda a tarde, mas sobe que passara o dia no Septo rezando por eles.
— Minha senhora, acalme-se — pediu Eve tentando acompanha-la.
— Ande mais rápido Eve, não temos tempo — resmungou tomando o corredor a esquerda.
O corredor de pedra era preenchido por risos e vozes, assim como o cheiro das variadas comidas servidas no banquete. Próxima ao arco que a separava do grande salão avistou Royce, em suas costumeiras roupas negras e o olhar serio, assim como a espada, onde apoiava sua mão.
— Desculpe-me senhores, mas tive um contratempo — disse Nicéia, alta e clara, trazendo para si todos aqueles pares de olhos.
Seus olhos se encontraram aos do marido que sentava a ponta da mesa, onde um senhor deveria estar, com um lugar vago ao seu lado. Os lordes espalhavam-se por toda a extensão da mesa, homens diferentes com interesses diferente, alguns tinham companhia, mas em sua maioria vinham sozinhos. Percebera que uma jovem sentada quase ao fim da mesa, os olhos sempre encarando o prato vazio.
— Pelos deuses — gritou um homem tão alto quanto Hodor. — Os cantores falam sobre a beleza da filha do rei, pois deveriam contar suas línguas, ela é ainda mais bela do que cantam — o homem gargalhara logo em seguida, com alguns lordes o acompanhando. — É um honra conhece-la princesa. Jon Umber de Última Lareira.
Nicéia continuou a caminhar tão sensual quanto a mãe havia lhe ensinado. Então sorriu docemente quando o Jon Umber se erguera para curva-se.
— A honra é toda minha Lorde Umber — disse com voz amena, piscando os olhos verdes lentamente. — Espero que esteja muito bem acomodado.
— Ora, a hospitalidade de Winterfell sempre fora a melhor de todo o norte — respondeu-lhe com um grande sorriso.
A princesa lhe acenou com a cabeça e depois caminhou ate o marido, sentando-se no lugar vago que lhe de direito. Percebera o olhar de cobiça sobre si e pensou estar ainda mais deslumbrando do que pensara. Ao contra peso de que Robb encarava cada senhor ali presente. O vestido bordado por Eve, ajustava-se as curvas de seu corpo, marcando suas ancas e o contorno de seus seios volumosos. Naquela noite trajava o cinza dos Stark, um vestido longo e um tanto justo para os nortenhos. Seus ombros permaneciam nus, deixando que todos observassem o suave de decote, não sentia frio. Tinha em torno da garganta uma gargantilha de ouro, onde os chifres de veado abraçavam sua pele morena, ornamentada com diamantes. O cabelos negro caia longo, em cachos bem feitos que lhe emolduravam o rosto perfeito. Os olhos verdes brilhavam, onde toda sua personalidade atrevida podia ser apreciada. Nicéia não parecia-se com uma menina, mas sim uma mulher.
O banquete teve inicio assim como as trocas de farpas. Muitos tentaram testar o marido, cada um a sua maneira. Tanto Roose Bolton, que não lhe agradara nenhum pouco com seus olhos famintos, ate Robertt Glover, exigiram a honra de comando de batalha, o primeiro de forma brusca, o segundo com um sorriso e um gracejo. A resoluta e grisalha Maege Mormont, que vestia-se feito um homem, teve a audácia de dizer a Robb que ele tinha idade para ser seu neto e que não tinha nada de lhe dar ordens... mas tinha uma neta com a qual estaria disposta a casa-lo, se ja tivesse uma esposa. Nicéia derrubara a taça na mesa e lançara um olhar furiosa a velha mulher, o ciume do marido lhe corroendo os ossos. Lorde Cerwyn, um homem de fala mansa, tinha trazido a filha, uma donzela rechonchuda e desajeitada de trinta anos, que se sentou á esquerda do pai e nunca levantou os olhos do prato, a mesma que Nicéia tinha reparado ao entrar. O jovial Lorde Hornwood, não tinha filhas, mas trouxera presentes.
Robb respondia a todos com fria cortesia e de alguma forma os dobrava a sua vontade.
E quando Lorde Umber, cujo os homens lhe alcunharam Grande-Jon, tão alto quanto Hodor e duas vezes mais largo, ameaçou levar suas forças para casa se fosse colocado atras de Horwood ou dos Crarwyn na ordem de marcha, Nicéia esperou o pior do marido.
— Pois então o faça — disse ele com a voz fria que causara arrepios na esposa. — E quando resolvermos o assunto dos Lannister — prometera, os dedos coçando Vento Cinzento atras da orelha. —, marcharemos de volta ao norte e os arrancaremos de sua fortaleza e os enforcaremos por quebra de juramento.
Grande-Jon erguera-se atirando um jarro de cerveja no fogo.
— Nenhum moleque me dará ordens — gritou furioso. Pelo canto dos olhos Nicéia vira Royce vir em sua direção, a espada em punho e os olhos cravados no homem. Que não lhe seria um grande desafio, ja ouvira historias sobre o brasvosi.
Hollis Mollen tentou aproximar-se para refreá-lo, o homem o atirara no chão e desembainhara a espada. Por toda a sala, homens e soldados puseram-se em pé de um salto, puxando o aço.
Nicéia dera um passo para trás agarrando-se ao braço de Robb enquanto buscava a adaga que ele guardava presa ao cinto.
— Devo avançar minha princesa — a voz rouca de Royce lhe pegara de surpresa. No entanto não teve tempo de negar, pois Vento Cinzento saltou sobre a mesa sedento.
Quando deu por si, Lorde Jon Umber estava com as costas no chão e a espada girando no chão a um metro de distância e a mão pingando sangue onde Vento Cinzento lhe arrancara dois dedos.
— O senhor meu pai me ensinou que empunhar o aço contra seu suserano significa a morte — Robb dissera. —, mas sem dúvida que o senhor queria apenas cortar-me a carne.
As entranhas de Nicéia tornaram-se gelo e um arrepiou lhe atingiu toda a pele, a medida que suas pupilas dobrava de tamanho. O rosto bonito de Robb tomara para si a mesma expressão que Lorde Eddard usava. No entanto, quando Grande-Jon lutava para se erguer, Nicéia tocou as costas de seu guarda pessoal. Chupando os tocos vermelhos dos dedos, ele gargalhou surpreendendo a mulher.
— A sua carne — o homem rugiu. — é dura como um raio.
Ela suspirou quando os risos tomaram as gargantas daqueles homens. O homem tornara-se seu braço direito depois, gritando a todos que o Robb era afinal um Stark e que seriam melhor dobrar o joelho se não quisessem vê-lo arrancado a dentadas.
A noite terminara para Nicéia, mas teria de ficar ao lado do esposa, cumprimentando os senhores e despedindo-se. Ate certo momento em que Lorde Cerwyn se aproximara com a filha.
— Meu senhor — disse o homem gentil. — sempre foi de meu conhecimento de que era muito parecido com Lorde Eddard. Gostaria de lhe dizer que penso em levar minha filha, Lissandra conosco é um a grande cozinheira, deve provar-lhe seu ensopado é o mais gostoso prometo.
— Se for de seu desejo — disse Robb observando a mulher por breves momentos.
Nicéia fez o mesmo, quando o riso de Theon lhe invadi-o os ouvidos. Se havia uma coisa que Nicéia não era, essa coisa era ingenua, crescera em Porto Real e aprendera muito sobre palavras não ditas. Lorde Crewyn não era bobo. A mulher tinha os olhos separados de mais, miúdos e em um tom de castanho opaco e sem vida. A cara era larga e a pele marcada com linhas de expressão, os lábios murchos e cheio de pequenos cortes que talvez ganhara os mordendo. Vestia-se como uma avó e aquilo fora o bastante para a princesa.
— Sera uma honra provar a comida de sua filha, Lorde Cerwyn — disse Nicéia com um sorriso sem humor. — No entanto, se eu a encontrar na cama de meu marido, farei um ensopado também — a jovem erguera os olhos surpresa, assim como o senhor seu pai.
Robb a olhou rapidamente enquanto o ciumes brilhava em seus olhos verdes de leão.
— A princesa é bem ciumenta não?! — zombou Theon quando os olhos de Nicéia fecharam-se em fendas profundas. — Não que o senhor Robb também não seja.
Lorde Cerwyn riu, parecia estranhamente animada, achando graça das palavras da princesa.
— Não deve se preocupar, creio que Lorde Robb nunca desejaria deitar-se em outra cama a não ser a sua — disse cheio de gracejos medindo-a dos pés aos cabelos.
Robb não pareceu muito feliz, mas manteve-se quieto enquanto a donzela fazia uma simples e desajeitada reverencia e se retirava ao lado do pai com pressa.
— Acho que ja podemos ir nos deitar — disse-lhe Robb apos um bocejo cansado.
Theon deu-lhes as costas apos se despedir, murmurando que achara algo muito interessante próximo ao tronco fumegante. Ao chegarem em seus aposentos Nicéia deixou que toda a tensão que endurecia seus ombros junto a seu vestido. Os olhos do marido a acompanharam caminha nua pelo quarto em busca de um vestido de dormir feito linho muito simples, no entanto mais curto que a maioria, chegava lhe bater os joelhos.
— Pensei que ia me matar — sussurrou Robb tirando as botas. — Viu como ele atirou Hal no chão, como se não fosse maior que Rickon? E Grande-Jon não é o pior dentre eles, é só o mais barulhento. Lorde Roose Bolton nunca diz uma palavra, limita-se a olhar para mim, e tudo que consigo pensar é naquela sala que ele têm no Forte do Pavor, onde os Bolton penduram as peles de seus inimigos.
— Isso é só uma das historias que a Velha Ama conta a Bran — Nicéia dissera. Mas uma nota de duvida surgira em sua voz. — Não é?
— Não sei — o esposo balançou a cabeça com ar cansado. — Theon ja havia me contado que Lorde Cerwyn desejava levar a filha conosco para o sul. Ele acha...
Nicéia apertou os olhos emburrando-se pela segunda vez naquela noite.
— Sei oque Theon acha — rosnou trincando os dentes, apenas com a imagem de Robb tomando outra mulher em seus braços. — Robb, vou avisa-lo agora. Juro por todos os deuses, que se em algum momento durante esta marcha ate o sul se deitar com alguma Aia, lady, donzela ou senhora lhe cortarei o pinto e darei para Vento Cinzento comer. É meu marido e apenas meu.
— Porque me deitaria com outra mulher se tenho a mais bela dos sete reinos em minha cama todas as noite? — seu sorriso era galante e as palavras muito doces.
— Não sei, diga-me você — resmungou caminhando ate a cama que dividiam.
— Theon falara que as Aia comentaram sobre nosso encontro em meu gabinete — riu ele com humor. Os olhos da esposa tomaram um ar envergonhado. — Os guardas escutaram, assim como todos que passaram por aquele corredor.
— Não contou-me uma piada para estar rindo tanto — resmungou afastando as peles e se deitando.
O marido riu novamente, terminando de tirar o restante das costas de malha e deitando-se nu ao seu lado. A algum tempo que Robb aderira aquela mania, não que estivesse reclamando, ate gostava de ter a pele do marido em contato com a sua e sentir os contorno de seu corpo. Suspirou quando os braços do marido lhe apertaram a cintura e seu nariz gelado afundou-se entre seus cachos, cheirando-os com calma. Robb a amava, dissera-lhe isso tantas vezes que mal poderia contar. No entanto, Nicéia jamais lhe disse o mesmo, não queria mentir, jamais o faria, ainda que sentisse que o dia em as diria estava mais próximo que o esperado.
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