Notas iniciais
Oi gente a partir de hoje, será apenas um capitulo por dia :( Sorry Mas segunda feira eu volto a minha rotina de Estagio e emprego, então apenas postarei em meu tempo livre, que pode variar conforme a semana. Mas infelizmente é provável que eu consiga postar apenas no fim de semana e apenas um capitulo por vez... Espero que gostem, tem trechos do livro "As cronicas de gelo e fogo"

"Eu a conheço tão bem, que chega ser estranho perdê-la para alguém."
— Zebuskowski.


Winterfell, Norte- Westeros


A neve caia ligeira. Nicéia conseguia sentir os flocos derretendo em seu rosto, formando uma cortina suave sobre seus cabelos trançados. Montou o cavalo e endireitou-se sobre o lombo.
— Esta muito ansioso? — perguntou ao menino Bran que parecia inquieto sobre o potro.
O menino assentiu com força, fazendo seus cabelos pularem sobre a cabeça e alguns fios se prenderem a sua testa suada.
— Não precisa ter medo, estamos aqui, todos juntos — confortou-lhe Nicéia com a voz doce.
Com a mão coberta pela luva ela acariciou o ombro tenso do menino, fazendo-lhe um carinho quente.
— Estamos prontos? — Robb perguntou.
Bran acenou, tentando não mostrar o medo que sentia. Mas Nicéia conseguia ver o nervosismo que o fazia tremular sobre a cela. Aquela era a primeira vez que deixava Winterfell desde sua chegada de Porto Real, ainda sim havia tido uma pequena batalha com Robb para pudesse sair. Pois segundo o marido, ela deveria ficar pois a gravidez ainda era recente, mas apos duas longas discussões ela venceu como sempre acontecia.
— Então vamos — Robb encostou os calcanhares em seu grande castanho, e o cavalo avançou trotando sobre a porta levadiça.
No entanto Nicéia esperou que Bran fosse primeiro, assim poderia vigia-lo bem de perto.
— Vai — sussurrou o menino, tocando levemente o pescoço da jovem eguá.
O potro correspondeu de imediato e avançou alguns metros atras de Robb. Nicéia sorriu e fez o mesmo trotando com sua eguá negra ao lado do pequeno potro de Bran.
— Como vai chama-la? — perguntou com um sorriso.
— Acho que Dançarina.
— É um nome engraçado.
Bran a encarou de esguelha e secou o suor de suas têmporas erguendo a franja lisa e suspirou.
— Por que veio também? — o menino parecia envergonhado. — sua barriga ja esta aparecendo, pode ser perigoso. Você pode cair ou se ferir.
— Bran, eu não sou feita de cristal — murmurou Nicéia apertando as rédeas. — escutou minha conversa com Robb?! Não é mesmo?
— Toda Winterfell escutou.
— Nada vai me acontecer, estou segura — apontou para trás onde vinham Meistre Luwin, Theon e alguns guardas da fortaleza. — preocupe-se apenas e aproveitar o passeio.
O menino então sorriu para a cunhada ao mesmo tempo em que Vento Cinzento e Verão saltitavam ao lado dos cavalos, felizes por estarem tendo um pouco de liberdade.
À porta do castelo ficava a praça do mercado, cujas barracas de madeira se encontravam agora vazias. As ruas lamacentas da aldeia, passando por fileiras de pequenas casas feitas de madeira e pedra pelada. A maior parte delas vazia, mas Robb havia lhe dito que a medida em que o frio avançava, a vila era ocupada e Vila de Inverno ganharia vida. O longo verão estava no fim. O Inverno esta chegando. O lema da casa de seu marido nunca fizera tanto sentido. Alguns aldeões seguiam ansiosamente com os olhos os lobos gigantes, e um homem deixou cair a lenha que transportava, fugindo com medo, mas a maior parte ja havia se habituado aquela visão. Homens dobravam o joelho ao ver os rapazes e Robb saudava cada um com um aceno senhorial. Alguns pareciam envergonhados em olha-la, acanhavam-se mais ainda sim se curvavam como os grandes senhores faziam na corte.
Percebendo que muitos estranhavam por ela não estar ao lado do marido, Nicéia lançou um sorriso a Bran e encurtou as rédeas de sua eguá ganhando velocidade alcançando Robb que também lhe sorriu. Percebeu então que duas criadas estavam paradas sob o letreiro do Tronco Fumegante, a cervejaria da aldeia. Quando a voz de Theon as chamou, a mais nova ficou toda vermelha e cobriu o rosto. Nicéia girou os olhos impaciente.
— Doce Kyra — disse Theon com uma gargalhada. — Contorce-se como uma doninha na cama, mas basta lhe dizer uma palavra na rua para ficar rosada feito uma donzela. Ja te falei daquela noite em que ela e Bessa...
— Quer mesmo falar disso na frente de minha esposa? — preveniu Robb, olhando-a de relance.
— Nem longe dela — disse, com um sorriso irônico. — tenho certeza que Robb não deseja saber sobre o que você, Bessa e a doce Kyra fizeram.
Um tanto irritada ela afastou os olhos mais ainda conseguia sentir o sorriso do Greyjoy. Estaria sem duvida sorrindo. Sorria muito, como se o mundo fosse uma piada interna que apenas ele poderia entender. Robb gostava de Theon, poderia dizer que eram bons amigos. Mas Nicéia nunca simpatizara com ele, talvez pelas historias dos cavaleiros ou sobre a fama que os nascidos de Ferro possuíam.
— Esta indo bem, Bran — disse Robb ao ver o irmão se aproximar.
— Quero ir mais rápido — ele respondeu.
Robb sorriu.
— Como quiser — trocou um olhar rápido com a esposa, que lhe sorriu e pôs a eguá castanha a galopar, deixando-os para trás.
Bran sorriu e atiçou seu potro na esperança de alcançar Nicéia, Robb vinha logo atras com os lobos atras dele. Ouviram o grito de Theon Greyjoy e os cascos dos cavalos atrás dele.
O manto de Nicéia dançava um pouco mais afrente, ondulando com o vento, fazendo a neve correr em direção ao seu rosto. Robb agitou as rédeas e seu castanho acelerou alcançando a esposa rapidamente, por vezes ele olhava sobre os ombros garantindo que Bran os acompanhava junto aos outros. A princesa sorriu lançando a cabeça para trás, não era uma competição, mas ela desejava avidamente chegar primeiro que todos. O som de galopes pareciam cada vez mais próximos, assim como a mata dos lobos, e fora ali que Bran os alcançara junto aos lobos. Nicéia então puxou as rédeas perdendo velocidade ate que sua eguá apenas trotasse, parando logo em seguida.
— Posso montar! — Bran gritou sorrindo.
— Eu faria uma corrida com você, mas temo que possa ganhar — o tom de Robb era ligeiro e brincalhão, mas tanto Nicéia quanto Bran sabiam que algo o perturbava.
— Não de Nicéia, viu como ela é rápida Robb — o menino continuava animada, os cabelos lambidos para trás pelo suor. — Ouviu verão uivar ontem?
O menino tomou para si certa preocupação, fora quanto a princesa correu os olhos procurando pelos lobos, não os encontrando. Deveriam ter farejado algo e adentrado a mata.
— Vento Cinzento também estava inquieto — disse Robb. Tinha os cabelos ruivos espetados e despenteados, e a barba ruiva ja tomava conta de seu rosto bonito, algo que aguardava e muito a esposa. — Ás vezes penso que eles sabem coisas... que sente coisas... — Robb suspirou preocupando Nicéia. — Nunca sei bem quanto posso te lhe dizer, Bran. Gostaria que fosse mais velho.
— Ja tenho dez anos! — Bran retrucou. — Dez não é muito mais novo que vinte, e sou o herdeiro de Winterfell depois de você, ao menos ate sabermos se o bebe é um menino.
— Isso é verdade — Nicéia lhe sorriu, ainda preocupada com o marido que tinha os olhos tristes.
Desde a tarde do dia anterior que Robb mantinha-se inquieto e pensativo, por diversas vezes pensou em perguntar o que lhe afligia e quase o fez quando recolheram-se para seus aposentos. No entanto, Robb não parecia querer conversar, apenas afundara-se em seu corpo buscando consolo para aquilo que o perturbava e Nicéia não reclamou.
— Preciso contar uma coisa, para os dois — começou Robb com os tristes. — Uma ave chegou ontem pela tarde. De Porto Real.
Nicéia assustou-se, o que deveria deixa-lo tão triste ao ponto de não contar-lhe o que estava havendo. Seus pensamentos rapidamente voltaram-se para a carta enviada por Lady Catellyn, dizendo que mantinha seu tio prisioneiro em Ninho da Águia. Robb havia lhe contato aquilo com tanto cuidado que Nicéia por um momento pensou que o marido fosse desmaiar. Aquilo também explicara o sumiço do marido pelo resto da tarde ate quase a noite, Royce, seu guarda pessoal trazido de Porto Real, dissera-lhe que o marido havia se trancado com Meistre Luwin, Theon Greyjoy e Hallis Mollen. Depois vira os cavaleiros em montarias muito rápidas deixaram Winterfell indo para diferentes direções. Algo de bom não deveria ter acontecido.
— Robb, o que esta acontecendo? — perguntou Nicéia sentindo o olhar triste do marido.
— Era um ave da mãe? Ela vai voltar para casa?
— A mensagem era de Alyn, em Porto Real. Jory Cassel esta morto. E Wyl e Heward também. Assassinados pelo Regicida — Robb levantou o rosto para a nevem evitando olha-los. — Que os Deuses lhes deem descanso.
A jovem senhora fora tomada pela surpresa, não conhecia muito bem aqueles homens, não lamentava por eles mais sim por suas família, se eles a tinham. O que realmente a surpreendera fora quem os matara. Jaime Lannister era um manto branco, não podia agir por impulso ou matar um homem sem prestar esclarecimentos a coroa. Se ele fez aquilo pelas costas de seu pai, o sete reinos teriam um cavaleiro a menos.
— Mataram Jory — Nicéia pode ouvir Bran sussurrar. — Por que haveria alguém de matar Jory?
Pela dor nos olhos de Robb e Bran, Nicéia soube o quanto o chefe da guarda era importante para eles. Deveria estar em sua função desde antes de nascerem, crescendo com a figura do homem pelos corredores. Assim como havia sido com ela e Sor Barristan, lhe doeria e muito se o manto branco viesse a ser assassinado por alguém.
— Não sei, e... isso não é tudo. Nosso pai ficou preso debaixo de um cavalo que caiu na luta. Alyn diz que ele fiou com a perna destroçada e... Meistre Pycelle deu-lhe o leite de papoula, mas não em certeza de quando é que... quando é que ele — o som de cascos lhe chamou a atenção para a estrada, por onde Theon vinha com os demais. — Quando é que ele vai acordar — concluiu com sua voz de Robb, o senhor. — Bran, prometo-lhe, aconteça o que acontecer, isso não será esquecido.
Algo no tom de Robb fez os pelos do corpo de Nicéia se eriçarem.
— Que vai fazer? — o garoto perguntou, enquanto Theon refreava o cavalo ao lado deles.
— Pensou em chamar os vassalos — disse Robb.
— Sangue por sangue — Theon não sorria.
— Robb, deve pensar bem no que fara. Se marchar ate Porto Real, pode ser considerado um traidor pela coroa, ter seus títulos e terras removidos na melhor das opções. Ou... ou pode ser decapitado — a ultima parte deixou seus lábios em um sussurro.
— Só o senhor pode chamar os vassalos — Bran lhe apoiara enquanto trocaram olhares.
— Se o senhor seu pai morrer — disse Theon. — Robb sera o senhor de Winterfell.
— Ele não morrerá! — gritou Bran.
— Ele não morrerá, Bran. Mesmo conhecendo Lorde Eddard a tão pouco tempo, sei que é um homem forte e esta nas mãos do melhor Meistre do continente — disse Nicéia lançando um olhar ferino para Theon.
— Mesmo assim, a honra do Norte agora está em minhas mãos — disse ele calmamente.
— O que Meistre Luwin disse sobre chamar os vassalos? — perguntou Nicéia, que mesmo não gostando do rumo daquela conversa, ainda sim mantinha-se em seu lugar, deixando a princesa Baratheon guardada dentro de si, dando lugar a futura senhora do Norte e mãe de um pequeno lobo que viria a nascer.
— O Meistre é medroso como uma velha — Theon interveio com seus gracejos.
— Nosso pai sempre escutou seus conselho, assim como a mãe — retrucou Bran.
— Eu o escuto, escuto todo mundo — garantiu Robb.
— Robb... — um sussurrou deixou os lábios da esposa e em seus olhos tinham lagrimas. — Chamar os vassalos e ir a guerra, é sua única opção?
Robb assentiu, baixando os olhos envergonhados. A felicidade de Nicéia se fora rapidamente, ate mesmo Bran parecia aflito e temeroso. Nunca vira uma guerra, mas ouvira falar sobre muitas delas. Antes a ideia de Robb travando um guerra a deixaria exitada, no entanto tudo que conseguia sentir era medo. A velha Ama dizia que eram os sentimentos de mãe que afloravam sua pele, a deixando mais madura e perspicaz.
— Podemos retornar — pediu Bran. — Estou com frio.
Robb os olhou.
— Temos de encontrar os lobos. Podem continuar um pouco mais? — sua pergunta fora dirigida tanto a Bran quanto Nicéia.
— Tanto quanto você — resmungou a mulher.
— Então vamos — disse Robb. Lado a lado, incitaram suas montarias a sair da Estrada do Rei e entrar na Mata dos Lobos. Theon ficou para tras, vindo a segui-los muito tempo depois gracejando com os guardas.
Estava agradável sob as arvores, a princesa tinha de admitir. Aquilo lhe deu um momento para pensar no que poderia fazer para que os vassalos não fossem chamados e o Norte declarasse guerra contra a coroa. Possivelmente ficaria trancafiada naquele castelo, esperando Robb retornar como uma boa esposa. Não conseguiria ficar tanto tempo longe do marido, mas não poderia ir a guerra com um herdeiro a caminho.
— No que esta pensando? — perguntou o marido.
— Se posso fazer algo para que esta guerra não aconteça — sussurrou angustiada. — Não pode ir para a guerra Robb, não pode.
— Sabe que é minha única opção — sussurrou de volta sentindo a brisa fresca das arvores.
— Tem um filho agora, uma esposa — recordou-lhe Nicéia aflita. — Sei de que tem obrigações com o Norte, mas e comigo e seu herdeiro. Vai me deixar em Winterfell sem a certeza de que regressara a salvo para casa? Com um filho recém nascido nos braços completamente sozinha.
— Meu pai foi para guerra quando minha mãe ainda me tinha no ventre — argumentou Robb apertando as rédeas.
— Lady Catellyn estava em casa, com a irmã e a mãe, eu não. Estarei sozinha no Norte sem ter noticias suas por meses — chorou baixinho. — Apenas aguarde, meu pai vai resolver tudo. Sei que vai.
O marido lhe esticou o braços afagando sua mão presa as rédeas, que fora agarrada pela esposa.
— Por hora, é só uma ideia. Fique tranquila — beijou-lhe os dedos com carinho.
— É meu marido e pai de meu filho, desejo que nada de ruim aconteça a você — sussurrou sentindo o frio daquelas palavras.
— Nada de ruim acontecera, meu amor — assegurou.
O som de água corrente chegou-lhe aos ouvidos, fazendo com que ela sentisse o cheiro da terra úmida e das folhas apodrecendo em sobre a terra.
— Bran? — ouviu Robb perguntar quando alcançaram o córrego. — O que aconteceu?
— Estava só me lembrando — disse ele. — Jory nos trouxe aqui para pescar trutas. Você, eu e Jon. Lembra?
A simples menção do nome do bastardo, fez com que as pernas da princesa tremessem sobre a eguá.
— Lembro.
Nicéia também se recordava do bastardo.
— Eu não apanhei nada — Bran voltou a falar. —, mas Jon me deu o peixe dele no caminho de volta a Winterfell. Vamos voltar a ver Jon?
Esta era a pergunta que lhe assombrava desde a partida do Snow. Se ele regressaria um dia para ve-la ou simplesmente ocuparia-se o máximo que pudesse para não ter de retornar.
— Vimos tio Benjen quando rei esteve aqui — salientou Robb. — Jon também nós visitara, talvez antes do que pense. Meu primeiro herdeiro nascerá em pouco tempo, talvez ele venha conhece-lo.
Nicéia pensou que ele não o faria. Não teria coração o suficiente para ve-la sorrir para um filho que não fosse dele, mas de Robb. Mesmo que tentasse se libertar do bastardo, ele ainda insistia em persegui-la.
O córrego corria rápido e cheio. Viu Robb desmontar e levar seu cavalo para atravessar o lado mais raso. Amarrou o cavalo a uma arvore do outro lado e voltou para buscar Bran e Dançarina regressando apos deixa-los do outro lado.
— Ainda posso caminhar por um lago — resmungou quando o marido a levou pela correnteza que lhe atingia as coxas.
— Não quer que fique molhada e com frio — disse simplesmente.
Ja tinham chegado do outro lado quando os uivos puderam ser escutados por entre as arvores. Um longo lamento frio.
— Verão — disse Bran. E assim que falou, uma segunda voz juntou-se.
— Mataram qualquer coisa — disse Robb voltando a montar seu castanho. — Vou busca-los. Esperam aqui, Theon ja deve estar chegando com os outros.
— Quero ir com você — pediu Bran.
— Robb pode encontra-los mais depressa sozinho — disse Nicéia.
Robb então acenou e esporou o cavalo desaparecendo por entre as arvores. Depois disso fora a vez de Nicéia descer de seu cavalo. A barriga redonda ja aprecia sob as vestes de montaria.
— Bran, esta confortável? — perguntou andando ate dançarina e lhe afangando a crina. — Posso desce-lo por uns momentos, ate que Robb retorne com os lobos.
— Não quero, estou bem — resmungou o menino observando as arvores enquanto coçava ao redor da presilha que lhe prendia o peito.
— Esta machucando não é mesmo?! — sussurrou a jovem tocando o ferro sobre as cotas de malha. — Posso afrouxa-las.
Bran então sorriu, algo muito pequeno e singelo. A Baratheon levou os dedos finos a peça e antes que pudesse desfivelar ouviu um farfalhar de folhas secas, Bran virou-se primeiro, acompanhado de Dançarina. Virou apenas a cabeça esperando ver Theon e os guardas, no entanto os homens esfarrapados que saíram para as margens do córrego lhe eram estranhos.
— Bons dias para os senhores — disse Bran nervosamente.
Nicéia o olhou alarmada pedindo por silencio, ja havia percebido que aqueles homens não eram lenhadores ou agricultores. Agarrou Bran pela perna enquanto deslizava os dedos para dentro das roupas em busca de sua adaga.
— Então tá sozinhos? — disse o maior dos homens, um careca de semblante ruim. — Perdidos na Mata do Lobo.
— Não estamos perdidos — Nicéia não gostava da maneira que os homens a olhavam. — Meu marido se afastou por alguns instantes e vossa guarda esta a caminho.
Em sua direção e de Bran vinham quatro, mas ao virar a cabeça percebeu que dois vinham por suas costas.
— Sua guarda, hã? — disse o segundo homem. — E que é que ela guarda, senhora? Isso que vejo é um manto e um alfinete de prata?
— Bonito — era a voz de uma mulher, mas pouco parecia-se com uma, estava imunda, era alta e esguia, com a mesma expressão dura dos outros. Carregava uma lança de quase dois metros e meio feito de madeira negra e a ponta de ferro estava enferrujada.
— Vamos la ver — disse o grande homem careca. — Quero sentir o cheiro da senhora, não tinha mulher assim de onde venho.
Nicéia prendeu a respiração, apertando o cabo de sua adaga e observou Bran de forma nervosa. Eles eram muitos, poderiam ferir o menino se ela tentasse algo, não tinha uma espada, nem um arco, apenas uma curta adaga de aço valiriano que não lhe serviria de muito naquele momento. Quando deu por si, fora agarrada por trás por um dos homens, sentiu falta do solo e gritou assustada quando ele enfiou o nariz entre seus cabelos.
— Cheiro bom, muito bom — sussurrou ele, apertando-lhe a cintura. — Quero ela pra mim.
— Me solte — gritou angustiada e impossibilitada de reagir.
— Nicéia — gritou Bran sendo cercado pela mulher e pelo careca.
— Tambem quero ela — um segundo homem gritou.
— Não! Deixem-o em paz — gritou a mulher quando um dos homens tentou tirar o menino de cima do cavalo. — Ele não pode.
— Pare de gritar ou vou contar sua garganta — rosnou um homem de rosto cinzento queimado pelo vento, seus cabelos ensebados grudavam-se a cabeça e um emaranhando de fios. — Seu nome é Nicéia, nome estranho nunca ouvi.
— Sou Nicéia Baratheon, a princesa do sete reinos, filha do Rei Robert e esposa de Robb Stark — cuspiu as palavras em um rosnado. — Aquele é Brando Stark de Winterfell, filho de Lorde Eddard, se não nós soltar terá todo o exercito de meu pai atras de suas carcaças.
— Baratheon — um dos homens próximos a Bran sussurrou, apenas ali Nicéia percebeu que ele vestia Negro.
O negro da Patrulha da Noite. Era um desertor, soube por Robb que na manhã em que encontraram os lobos, seu pai Lorde Eddard havia decapitado um deles, estava louco.
— Malditos sejam os deuses, pensem no que Mace nos daria pelo próprio sangue de Benjen Stark!
— Que Mace se dane — praguejou um homem grande. — Quer voltar pra lá Osha? Mais tola é você.
— Filha do Rei — aqueles mesmo homem ainda sussurrava. — Soltem ela, é filha do rei.
— Que se fodam os reis — gritou o homem que ainda a mantinha presa em seus braços. — Quero come-la de todas as formas que posso.
Enquanto sentia um frio lhe correr a espinha e mal cheiro daquele homem invadir suas narinas, enxergou um dos homens golpearem Bran na coxa. De onde estava não podia enxergar se estava muito ferido,mas logo o sangue começou a escorrer. Assustada, Nicéia agiu sem pensar empurrando o corpo para trás surpreendendo o homem que ainda lhe segurava, seus pés voltaram a tocar o chão e a adaga deslizou por entre seus dedos cortando-os um pouco.
— Soltem as armas e prometo que terão uma morte rápida e indolor — a voz de Robb lhe invadiu como um sopro de vento frio. Arregalou os olhos observando-o montado em seu cavalo, o rosto severo como ele nunca tinha visto antes e a espada em sua mão.
— O marido — disse o homem de barba cinzenta.
— É um tipo feroz, ah, se é — troçou Osha. — Pretende lutar com a gente rapaz?
— Não seja tonto jovem, são um contra seis — disse o homem que lhe mantinha em seus braços. — Salte do cavalo e jogue a espada no chão. Agradeceremos a montaria e você e o menino podem seguir caminho, mas ficarei com a senhora, gostei do cheiro dela.
Robb rosnou apertando o cabo de sua espada. Ouviram então o tênue som de patas suaves sobre as folhas úmidas, Verão e Vento Cinzento emergiram pela vegetação rasteira.
— Lobos — arfou o homem careca.
— Lobos gigantes — corrigiu Nicéia. Ao escutar sua voz, Vento Cinzento focou seus grandes olhos dourados e rosnou mostrando os dentes. Os pelos acinzentados se eriçaram sobre a coluna. Sangue fresco pingava do focinho de Vento Cinzento.
— Cães — disse o homem careca com desprezo. — Apanhe-nos.
Robb ergueu a espada e esporou se castrado, mergulhou pelas margem do córrego ao mesmo tempo que os homens esfarrapados se aproximaram. Aproveitando o colar da batalha que se seguia, Nicéia afundou a adaga na perna do homem que a mantinha presa. Ele urrou de dor e tentou ataca-la, no entanto Vento Cinzento vinha sedento, abocanhou-lhe o pescoço estraçalhando-o entre os dentes. Com a adaga entre os dedos manchados de sangue, Nicéia correu na direção de Bran, desviando-se da lança de Osha e apanhando o machado do homem careca morto por Robb. A arma era pesada e possuía uma grande camada de ferrugem, lembrava-lhe e muito o peso de seu martelo, ergueu o machado e o afundou no cranio do terceiro homem, usando os pés para separa-lo da arma. A cabeça aberta tombou junto ao corpo liberando sangue em abundancia sobre a grama fresca próxima ao córrego. Percebeu que Robb acabara de derrubar a mulher selvagem, tentou se aproximar mais fora impedida, seu corpo fora engolido pelas águas agitadas, levou as mãos junto aos braços que lhe apertavam o pescoço a adaga se perdera em meio a briga e a água fria adentrava seu corpo, levando-a ainda mais para o fundo. Sua visão começara a se tornar turva e a única coisa na qual consigo pensar era no filho que carregava e seu ventre. Fora quando uma força maior o arrancou, manchando a água de vermelho, buscou apoio e lembrou-se de que nunca fora uma boa nadadora. Lembranças de sua queda em direção a água invadiram sua mente impossibilitando seus movimentos, mas dentes afiados se fecharam em torno de sua mão livre ferindo-a.
O ar rapidamente adentrou seus pulmões em um ofego alto pela vida. O corpo de Vento Cinzento se movia rápido bem a frente de seu olhos, sua linguá áspera dançava por seu rosto molhado e um gemido tristonho soou quando ele lhe farejou.
— Vento Cinzento, Verão, aqui! — a voz de Robb dançou em seus ouvidos sensíveis.
No entanto o lobo ao seu lado não se moveu, sentando-se sobre as patas e rosnando de forma ameaçadora.
— Stark! Malditos Stark — berrou um homem que Nicéia não conseguia ver. — Osha, mate os lobos e apanhe a espada dele.
— Mate-os você — ela respondeu. — Eu não chego perto desses monstros.
Por um momento, Nicéia se sentiu perdida, a cabeça doía como o inferno e o frio ja se alastrava fazendo seus ossos tremerem. Ergue o corpo lentamente alcançado os olhos de Bran, que era mantido refém, sua adaga de aço valiriano presa entre os dedos do homem e o pescoço de Bran.
— Robb — sussurrou cansada.
— Você — gritou o homem. — Tem um nome?
— Sou Robb Stark, herdeiro de Winterfell.
— Este é seu irmão?
— Sim.
— E aquela sua esposa?
— Sim — Nicéia conseguia sentir o ódio nas palavras do marido, a espada pingando sangue e o rosto tão duro quanto aço.
— Se quiser seu irmãozinho vivo e salvar sua esposa de morrer de frio, sugiro que salte do cavalo.
Robb hesitou por um momento. Então, lentamente desmontou e virou-se para o homem.
— Agora mate os lobos.
Robb não se moveu, mas Vento Cinzento sim. Nicéia ofegou, os dentes bateram um contra o outro e o corpo ja sofria espasmos, levou rapidamente uma das mãos ao ventre, tentando aquece-lo da melhor forma possível. O lobo percebeu, pois abaixou-se e farejou-lhe a barriga.
— Faça o que digo. Sua esposa esta morrendo e o menino vai pelo mesmo caminho.
— Não! — gritou Bran chorando.
Nicéia sabia, se Robb fizesse o que ele queria, aquele homem mataria Bran.
— Cale a boca aleijado, esta me ouvindo? — gritou puxando-o pelos cabelos. — Esta me ouvindo?
A jovem senhora não escutou, nem sequer conseguiu ver enquanto chegava, mas um flecha vinda de alguma parte da floresta atravessou o peito do homem que cuspia sangue em lufadas.
O punhal caiu da garganta de Bran. O homem grande e careca cambaleou e caiu no córrego. E Nicéia continuava a tremer, seus braços ardiam assim como toda sua pele, parecia queimar como fogo, mas ainda era apenas neve. As vestes tornaram-se pesadas e duras, a água do rio congelava e tudo o que a mulher podia fazer era proteger o ventre, buscando calor para seu pequeno herdeiro.
— Meu amor, olhe para mim — pediu Robb envolvendo-a em seus braços. — Esta ferida?
— Robb — resmungou tremula pelo medo e pelo frio. — Ro-obb!
— Fique calma, vou aquece-la — sussurrou tirando a própria capa e a envolvendo no corpo tremulo, beijou-lhe o rosto com carinho. — Esta bem meu amor, prometo que não sentira mais frio, Meistre! Ajude-os.
As passadas de Robb eram pesadas e rápidas, mas sua mente tornava-se distante que sequer ouviu a discussão entre o nascido de ferro e o marido. Robb tinha uma carranca, mas Nicéia pouco se importava, apenas tentava capturar todo o calor que o corpo do marido podia lhe proporcionar, afundando o rosto em seus pescoço. Pensou no filho novamente, tinha de se aquecer por ele, Ama gostava de lhe dizer que uma mulher prenha não deveria passar frio, pois faria algum mal a criança que carregava. Então, soluçou. Agarrou as vestes do marido com os dedos trémulos e chorou. Não podia perde-lo, ja o amava com todo seu coração.
— Minha princesa — assustou-se Robb. — Por favor não chore, esta tudo bem.
— Deixe-me ve-la senhor — pediu Meistre com cuidado.
Nicéia então sentiu o corpo do marido se abaixar e logo tocou o solo frio, afastou-se dele e encarou a face preocupada do velho homem. Seus olhos arregalaram-se a medida que sentia a temperatura de seu corpo, ergueu-se alarmada.
— O que houve? — perguntou Theon.
— Tem de leva-la as pressas meu senhor — disse o velho coma voz aguda e preocupada. — A princesa esta deveras gelada, temos de aquece-la rapidamente. Vamos menino, leve-a logo, vá na frente suas ordens serão acatadas, mas aqueça sua esposa. Bran ficara bem.
Robb se levantou. E um estranha agitação se formou, sentiu o corpo ser passado para outros braços e depois ser erguido.
— A mantenha acordada — pediu Meistre Luwin com cuidado.
— Ficara bem meu amor, logo estaremos em casa — sussurrou-lhe Robb antes de esporar seus cavalo e coloca-lo a galopes pela Mata dos Lobos. — Fique acordada.
Nicéia agarrou-se ao corpo do marido, sentindo o vento frio tentar se infiltrar por entre os tecidos, no entanto confiou em suas palavras.
— Robb!