Notas iniciais
Não é do meu feito postar dois capitulos em um unico dia, maaaaas.... Aqui estou ♥ Boa leitura....

"O homem nasceu para a ação, tal como o fogo tende para cima e a pedra para baixo."


Sul de Westeros
Terras da Coroa, Fortaleza Vermelha — Porto Real


O sol escaldante queimava a pele clara da jovem princesa enquanto os raios fortes penetravam a fina camisa de linho amarelada e aquecia seu corpo em movimento, o sorriso esplendoroso em seu rosto e as bochechas coradas mostravam a todos a satisfação da jovem. Seu rosto possuía uma fina camada de suor que colava as mechas rebeldes de seus longos cabelos negros à sua face quente, os olhos de um verde intenso sorriam para Sor Jaime Lannister, que se esforçava em desviar das investidas pesadas do martelo de guerra.
— Vamos, Nicéia, mostre o Baratheon que vive em você — o grito forte de Jon Arryn a fez sorrir um pouco mais.
A princesa cravou as botas no chão de terra e deu um meio giro, erguendo o martelo de quase dois metros o mais alto que pode, apenas para acertar em cheio no centro do escudo de ferro, que seu tio usava para se proteger. O baque surdo de um corpo vindo ao chão acompanhou o estalar do aço se partindo, assim como os gritos eufóricos da Mão do Rei. A jovem princesa pode enxergar o guarda real caído no chão com um sorriso impressionado e com as roupas sujas de poeira, ela tratou de lhe estender a mão, ajudando o homem a se erguer, apenas para receber um abraço do mesmo que transbordava orgulho por seus olhos verdes, iguais aos dela.
— Pelo sete, Nicéia — comemorou Sor Barristan com orgulho. — Pensei estar vendo Vossa Graça na juventude, só que muito mais bonito.
Nicéia gargalhou com a afirmação, ignorando a dor latente em seu ombro direito. Os demais guardas também a aplaudiam e lançavam sorrisos em sua direção, mas ao erguer os olhos para a porta de madeira gasta onde a figura do Rei se apoiava, alargou ainda mais seu sorriso. Robert Baratheon aplaudiu a filha enquanto caminhava com Renly ao seu lado, aquele martelo, com toda a certeza, fora o melhor presente que ele poderia ter dado a ela. Mesmo que Cersei o repudiasse e vivesse dizendo que daria um fim à arma.
— Papai, o senhor me viu? — a jovem perguntou eufórica, correndo em direção ao pai e ao tio. — Derrubei tio Jaime com aquele golpe que me ensinou.
O rei gargalhou, se lembrando da forma como o corpo do irmão de sua esposa despencou no chão, aquela seria uma cena que demoraria a deixar seus pensamentos.
— Nunca me esquecerei de tal cena — Renly bem que tentou, mas a gargalhada alta de Robert o contagiou. — Está melhor que eu, em minha juventude.
— Isso nunca, jamais irei superar o Demônio do Tridente — a jovem princesa saboreou cada uma das palavras, dando ênfase no apelido que seu pai ganhara ao derrotar toda a tropa Targaryen.
— Acho que alguém deseja um espada nova, não é mesmo, Robert? — caçou o Senhor de Ponta Tempestade. — Já vi um certo alguém em batalha e acredite, ele é mesmo o melhor.
— Parem de me bajular — gritou Robert com um sorriso largo nos lábios.
Nicéia riu acompanhada de seu tio Renly.
— Ora, pensei que Robert Baratheon adorasse atenção — debochou Jon Arryn que se aproximava calmamente. — Já não lhe conheço assim tão bem, Vossa Graça.
— Se me chamar de Vossa Graça outra vez, colocarei seu cabeça em uma estaca. Velho maluco — praguejando, o Rei se dirigiu à saída do pátio ainda sim com um sorriso orgulhoso nos lábios. — Vá se banhar, Nicéia, se Cersei lhe ver suja e desarrumada desta forma, até mesmo Ned escutará seus gritos.
A princesa sorriu novamente enquanto trançava seu braço ao de Jon e caminhava na direção oposta à do pai.
Cersei torceu o nariz levemente ao ver a filha mais velha vestindo as cores Baratheon. Não negava que o vestido negro de seda Dornesa, que possuía um bordado delicado feito a fios de ouro contornando suas curvas e se perdiam sobre o tecido, era digno da beleza de sua filha. Mas o que lhe desagrada era o colar que carrega com orgulho em seu peito, um veado coroado com longos chifres que se prendiam ao pescoço fino da princesa, combinando com a tiara delicada que fora perfeitamente colocada sobre os cabelos negros de ponta aneladas.
Uma verdadeira Baratheon.
Contudo, ao descer um pouco o olhar, o verde brilhante característico dos Leões do Rochedo brilhava esplendorosamente, algo que Robert não poderia mudar, mesmo com todo o ouro e adereços, sua pequena Nicéia possuía um leão dentro de si, algo que apenas através de seus olhos se podia ver. Cersei daria todo o seu ouro para vê-lo rugir e amedrontar a todos.
— Querida — a rainha saudou quando a jovem lhe beijou a face, se sentando ao seu lado. — Nem mesmo vou lhe perguntar quem lhe presenteou com estas roupas, deveria lhe mandar de volta para seu quarto e colocá-la nas cores de minha casa.
Nicéia não escondeu o sorriso com as palavras da mãe, com isso se aproximou um pouco mais apoiando sua cabeça no ombro estreito, sentindo o cheiro de flores do campo. Fechou os olhos quando sentiu a mão quente de Cersei agarrar a sua e trançar seus dedos aos dela.
— Devo vestir as cores de ambas as casas, mamãe — murmurou Nicéia, aproveitando o momento de paz e serenidade com Cersei. — Mesmo que eu goste mais de vermelho do que de amarelo.
Cersei não deixou de sorrir, um de seus poucos sorrisos verdadeiros. Sorrisos que eram apenas dirigidos aos filhos e ao irmão gêmeo. Com a mão livre, a Leoa do Rochedo acariciou o topo da cabeça da filha, escutou a mesma suspirar e se aconchegar melhor ao seu lado.
— Minha pequena Leoa Negra — murmurou ainda sorrindo. — Não sei o que o futuro lhe guarda, mas sei que será grande e forte, como toda princesa deve ser e com o sangue corre em suas veias e o brilho de seus olhos, sei que um leão deseja pular para fora e rugir.
A rainha quase podia ver o brilho que os olhos esverdeados de sua filha tinham adquirido, contudo os mesmos permaneciam fechados. A jovem princesa se apertou um pouco mais, buscando mais do calor acolhedor da mãe. Que com tanto carinho a mantinha em seus braços.
— Eu te amo, mamãe. Mais do que amo Rochedo, mais do que amo as estrelas — Cersei fechou os olhos, se deliciando com o amor que os lábios de sua filha recitavam.
— Não mais do que te amo, minha pequena Leoa Negra.
O longo jardim à frente das duas parecia tão feliz e calmo quanto o coração de Cersei, as flores se moviam delicadamente acompanhando a brisa quente que soprava hora ou outra em direções diferentes, espalhando o cheiro doce do pólen. Ainda conseguia sentir o sorriso carinhoso em seus lábios que era imitado pela filha, Cersei via muito de si em Nicéia. O mesmo tom de verde de seus olhos, o mesmo sorriso e o formato do rosto, fato que a agradava e muito, pois se a jovem carregava seus traços ela também possuía os de seu irmão.
Mas os passos pesados de Jaime ecoaram pelo corredor ao norte do jardim. Nicéia ergueu a cabeça, voltando a abrir os olhos e acompanhou o tio com um suave sorriso que fora morrendo à medida que o rosto preocupado do mesmo se aproximava. A princesa ergueu o corpo, sendo seguida pela mãe, apertando com um pouco mais de força seus dedos entrelaçados.
— Tio Jaime, o que houve? — a jovem perguntou ao mais velho com preocupação.
Jaime Lannister trocou um longo olhar com Cersei e depois voltou sua atenção para a sobrinha, o homem se aproximou, pousando a mão sobre o ombro da mesma e lhe lançou um olhar de pesar.
— Querida, Jon Arryn está morto — murmurou com cuidado.
Um suspiro surpreso deixou os lábios da Princesa Baratheon e lágrimas se acumularam em seus olhos verdes, Cersei abraçou a filha da melhor forma que pode, acariciando seu rosto quando a mesma lhe soltou a mão em choque.
— Impossível, ele estava muito bem pela manhã, tio Jaime — um soluço sem lágrimas e a incredulidade ainda assombrava seu rosto.
— Não sabemos querida, mas Meistre contou que a Mão do Rei já vinha reclamando de dores no peito — disse o homem com pesar.
Nicéia negou repetidas vezes. Não queria acreditar até que deixou as primeiras lágrimas caírem se virando imediatamente e agarrando o corpo magro da mãe, deixando que o choro angustiado abandonasse seu corpo. Sentiu quando Cersei lhe acariciou as costas, assim como a mão calejada de seu tio que se perdeu em seus cabelos negros, a princesa mal podia acreditar que um homem tão forte quanto Jon poderia ter morrido de forma tão repentina, pobre Lysa Tully que teria de criar o filho sozinha. Lágrimas dançavam sobre seu rosto perfeito, e o verde de seus olhos se escondia pelo vermelho do choro, contudo, após poucos segundos, se lembrou de seu pai. Robert Baratheon fora criado em ninho da Águia por Jon, o tinha como um pai, o amava como se fosse tal. Nicéia não deixou de se martirizar por apenas pensar em sua dor, quando a de seu rei e pai deveria ser infinitas vezes maior.
— Tio Jaime, onde está meu pai? — perguntou aflita, afastando-se da mãe enquanto limpava o rosto marcado.
— Na sala do trono, querida.
Ela não esperou nem um segundo sequer, com pressa ergueu um pouco o vestido longo e correu pelo pequeno caminho de pedras do jardim da rainha. Alcançou o corredor e partiu para o norte do castelo o mais rápido que seus sapatos permitiam, ao alcançar o extenso corredor onde as pitorescas portas de carvalho, ouro e ferro percebeu que o pequeno conselho saia de lá, inclusive Renly Baratheon, que mantinha os olhos azuis baixos em sinal de respeito.
— Tio Renly — a moça gritou, chamando a atenção de todos que se afastaram — Tio Jaime acabou de me contar, como está meu pai?
Renly segurou o rosto delicado da jovem com ambas as mãos, a forçando a encarar seu rosto cansado.
— Da forma como imaginei que ele estivesse — contou com um tom baixo — Robert está reagindo da forma como previ, acabou de expulsar todo o conselho e está praguejando enfurecido. Mas acredito que, agora, ele precise de você.
A princesa assentiu, deixando que os dedos delicados de Renly secassem as lágrimas salgadas que deixavam seus olhos de corça. O senhor de Ponta Tempestade tentou sorrir, mas era impossível, todos naquela fortaleza possuíam tamanho carinho com Jon Arryn, um homem justo e leal, que colocava juízo e razão em seu pai sempre que podia, e, no fundo, Nicéia tinha medo do que o luto poderia fazer ao rei. Robert Baratheon possui a fúria em si.
Quando se afastou do tio, pode ver não muito longe Loras Tyrell, o melhor amigo do mesmo, o esperando com um olhar compadecido. Renly se virou sem se despedir e caminhou até o Cavaleiro das Flores, que o recebeu com um leve aperto no ombro. A jovem suspirou quando se viu de frente para as portas que a separavam do homem aos pedaços que era seu pai nesse momento. Com cuidado, empurrou as portas e adentrou o grande salão abafado, que se parecia e muito com uma caverna, Nicéia particularmente odiava aquele lugar, era escuro e medonho, assim como a trono de ferro retorcido.
— Já disse que não quero ninguém aqui, sete infernos — praguejou o rei sem ao menos ver quem adentrava pela porta.
Robert Baratheon era um homem grande, largo e curvo daquela forma sobre os próprios joelhos, encarando o chão negro ele parecia um pouco menor. Nicéia sabia que o pai agia daquela forma pois não suportaria que alguém o visse chorar, pois Robert Baratheon, o rei de Westeros, o homem que venceu várias batalhas em um único dia, não chorava.
Nicéia não disse uma única palavra enquanto se aproximava, seus pés não produziam ruído algum enquanto caminhava sobre o extenso tapete vermelho que cortava o salão em direção ao trono. O toque de seus saltos nos degraus de pedra fizeram com que Robert erguesse os olhos e quando a viu, voltou a baixá-los. Para ele , pior do que a corte o ver chorar seria se Nicéia o visse, sua doce Corsa coroada que o via como um herói de guerra. A menina pareceu não se importar, pois se ajoelhou ao lado do trono e agarrou a mão que pendia, transmitindo segurança e calor. Ambos não pronunciaram uma única palavra, apenas apreciavam a companhia um do outro naquele momento de tanta dor.
Jon Arryn fora um homem justo, leal e de um coração tão grande quando sua honra.

Notas finais
Espero que estejam gostando ♥ Comentem, favoritem e sejam felizes ♥ Mille baci...♥