A Fúria De Hades

7 Fujo por um caminho alternativo


- Eeei — gritei para que minha mãe e Nico lembrassem da minha existência. — O.Que.Vocês.Estão.Falando?

- Lembra o que eu te falei hoje cedo? — Nico me disse. — Há apenas um lugar no mundo que nós, semideuses, estamos a salvo de monstros como o que você viu hoje. O Acampamento Meio-Sangue...

- .. que fica no Estreito de Long Island, em NY — minha mãe completou.

- Mas isso é muito longe — eu disse. — Como vamos chegar lá sem ser atacados por mais monstros? É um caminho muito grande.

Minha mãe e Nico trocaram olhares nervosos.

- Ela não vai — minha mãe tentou protestar. — Ele disse que é muito perigoso.

- Não se formos por um caminho alternativo — Nico tentou convencê-la. — Eu posso guiar a Samantha em segurança até lá.

- Mas por que eu deveria ir para lá? — perguntei.

- Sam — Nico continuou -, os monstros se tornarão mais frequentes, pois agora que você sabe quem você é, seu cheiro se torna mais forte.

Quando ele disse aquelas palavras eu senti minhas bochechas quentes, levantei o braço mas — felizmente — não senti o tal 'cheiro forte' a que ele se referia.

- O cheiro está no seu sangue Samantha — ele falou em meio a um sorriso tímido. — Não em sua pele. Apenas os monstros e sátiros podem senti-lo.

- Aah, entendi — consegui dizer enquanto corava.

- Nico, você promete que é seguro, que ela vai chegar viva lá, e que ela voltará inteira depois das férias? — minha mãe estava forçando a barra, o.k. Mas eu entendia a sua preocupação. Entregar sua filha a um menino estranho que acabara de conhecer para que ele a leve para Nova York por um 'caminho alternativo' e a mercê de monstros mitológicos.. Bem, qualquer mãe piraria.

- Molly — Nico falou, mas parecia ter certeza do que dizia -, eu lhe prometo pelo Estige, que trarei ela de volta a salvo.

Nesse momento trovões ainda mais fortes rimbombaram no céu e um raio pareceu haver caído na porta da casa.

Alguém começou a bater na porta e senti meu coração vir à boca. Não importa o que estivesse lá, eu tinha certeza que não era algo bom.

- Tem que ser agora senhora Steely — Nico falou rapidamente, como se sua vida e a minha dependessem daquilo (o que era verdade, nossas vidas realmente dependiam daquilo). — Você precisa abençoá-la.

- Não, mas.. — a voz da minha mãe tremia. Ela estava à beira de um ataque de nervos, mas parecia decidida de que era a melhor escolha me deixar ir com Nico -, Sam.

- Rápido, aquela coisa vai derrubar a porta a qualquer instante.

- Nico, não podemos deixar que aquilo que está batendo na porta, seja lá o que for, atacar a minha mãe. — falei rápido.

- Ele não vai atacar a sua mãe Sam. Ele quer você.

Aquilo era realmente tranquilizador. Uma criatura mitológica estava batendo na porta de minha casa e o pior.. ele queria meu sangue..

- Sam — minha mãe pigarreou. — Samantha Steely, eu te abençoo.

Ao ouvir aquelas palavras não me senti diferente em nada, mas tínhamos de ser rápidos.

- Sam, agora segure minha mão — Nico disse apressadamente -, e não solte por nada. E, bem.. acho melhor você fechar os olhos, isso pode ser bem desconfortável.

Dei um abraço em minha mãe e fiz o que ele mandou.