A Fábrica
1 A fábrica
Estava frio quando amanheceu não me lembro se ontem estava frio e não me lembro da última vez que vi o sol. É sempre assim este céu cinza e sem sentido, os pássaros não cantam as crianças não gritam a única coisa que chega aos meus ouvidos é o som da Fábrica, das maquinas trabalhando e de máquinas sendo quebradas.
Faz muito tempo que os humanos começaram aqui sua destruição, faz muito tempo que fui construído por eles, mas não faz muito que eu fugi. A fumaça continua a sair da enorme chaminé cinza de ferro, só que desta vez a fumaça estava mais preta do que a de ontem. O frio aumentou em dois graus, minha aparência humana está danificada, minhas partes de metal estão à mostra, mesmo assim não vou desistir.
Lembro-me que logo depois que fugi fui à busca de um lugar melhor, para outros países, outros continentes. E o que encontrei não foi nada do que estava a procura, nada de campos verdes, o mar azul ou montanhas cheias de vida. Tudo o que encontrei foi destruição, guerra, sofrimento e doença.
Os poucos humanos reais eu encontrei sempre tinham uma historia triste para contar. Lembro de uma aldeia de sobreviventes, na qual me abriguei por um tempo e ouvi estas historias, sinto pena de nunca ter revelado para eles o que eu era, mas foi melhor assim, pois sou um dos motivos de sua destruição.
Há muito tempo os humanos queriam melhorar o seu modo de vida. Conseguiram isso construindo o que eles chamaram de a Fabrica, porém não suportaram as conseqüências, o planeta começou a reagir de uma forma negativa e a Fábrica não parava de trabalhar.
Os lideres dos humanos estavam cientes do que estava acontecendo, porém nada faziam alegando que era para o “bem” da população e as fontes de informação que deveriam se opuser a isto nada faziam, na verdade ajudavam a controlar a população mundial, fazendo com que os humanos acreditassem que estava tudo bem. O pior é que ela incentiva com que a Fábrica continuasse a trabalhar e os humanos na sua alienação e conforto concordaram com isso.
Com o tempo a Fábrica multiplicou seu tamanho e ninguém fazia nada, pois para eles estava tudo bem. E o tempo passou e junto vieram às desgraças, doenças sem cura infectavam a todos, países ficavam com o ar tóxico e inabitável, a água se tornou podre e eles nada faziam, pois tudo ainda estava bem, tudo estava sob controle.
Com a fome veio a guerra e com a guerra a Fábrica aumentou e começou a criar e montar armas para a guerra. Logo os países mais pobres se destruíram, foi então que houve um golpe que só os mais perceptíveis entenderam ou sentiram. Os lideres que restavam e a mídia da época se fundiram e começaram a ser chamados de E.L.A.
E ela ainda não aceitava o que estava que tudo estava virando um caos, por conveniência declarava que era uma tristeza o que aconteceu com certos países, mas Ela se defendiae defendia a Fabrica afirmando que elas não eram culpadas. A Fábrica continuava a trabalhar.
Os que iam contra E.L.A e falavam a verdade ou se rebelavam contra ela eram presos, mortos ou considerados loucos e calados para sempre. Até o dia que a guerra, doença e a instabilidade do planeta realmente a afetaram pela primeira vez que E.L.A resolveu fazer alguma coisa. Coincidentemente foi no mesmo dia em que fui construído. Só assim que E.L.A se mobilizou quando a destruição bateu em sua porta, porém já era tarde de mais o planeta chegou em um estagio irreversível e todos seus planos falharam. E a Fábrica continuava a trabalhar.
Quando as tentativas se tornaram inúteis a verdade escapou e o povo se rebelou contra E.L.A. A rebelião também fracassou, pois foi contra seus princípios que em vez de tentar salvar o mundo só foi mais uma desculpa para surgir mais guerra contra E.L.A. A Fábrica aumentou de novo, construindo armas para uns se destruírem e maquinas de conforto para outros se divertirem.
Nesta época trabalhava na casa de um milionário, que achava a guerra excitante e patrocinava os dois lados. No inicio ele se beneficiava com isso, continha muitos contatos e o ar de sua casa sempre estava limpo, pois como presente ganhava os raros purificadores que também eram construídos pela Fábrica.
Depois de alguns anos de guerra a humanidade praticamente se dizimou. Um dia em um ataque de saqueadores desesperados invadiram a mansão onde trabalhava e deram um tiro no milionário e levaram todo o seu dinheiro, já que naquela época os bancos não funcionavam as pessoas guardavam seu dinheiro em casa. Quando o ataque terminou a única coisa que restou fui eu. Antes de sair da casa encontrei o corpo de meu mestre, meus sensores indicavam que ainda estava vivo. Ao me aproximar ele em seu ultimo suspiro me contou toda a história desde o inicio e o que estava ocorrendo no mundo. Eu não acreditei e também não podia entender nada na época.
Fiz o que todos do meu lote fizeram assim que seus mestres foram mortos. Nós voltamos para casa, voltamos para a Fábrica. Antes não tinha notado, mas o di que sai da casa de meu ex-mestre foi o último dia que vi o sol, embora ele já estivesse acinzentado. Ao chegar a Fábrica percebi que ela estava bem maior do que a ultima vez que a vi e o ambiente em volta estava mais frio, por volta dos -15°C, antes costumava ser 25°C.
Passei muitos anos trabalhando lá e era incrível no começo. A Fábrica construía de tudo, a produção dos da minha espécie estava muito maior e todos os dias algo novo era criado para maior conforto dos humanos.
E do outro lado armas cada vez maiores e mais potentes eram fabricadas. A queima de materiais era extremamente tóxica e eram jogadas na atmosfera. E a Fábrica queria cada vez mais e mais, já que os humanos pediam mais e mais, tanto para guerra quanto para o confronto. Na fabrica nunca vi nenhuma humano fora os que chegavam para recolher seus pedidos e a cada pedido que eles vinham buscar pareciam mais cansados, mais doentes. Conversei com alguns e muitos mal sabiam o porquê que estavam lutando só sabiam que precisavam ganhar a guerra.
Na mesma época fui designado para ir entregar dos pedidos. Um pedido era um grande carregamento de armas e o outro uma simples caixa. Quando cheguei ao local da entrega das armas verifiquei se as coordenadas estavam corretas, pois o lugar estava muito destruído e os soldados doentes com profundas olheiras cinza. A entrega das armas estava completa, agora precisava entregar a caixa. O local da entrega era uma grande mansão não muito longe dali, cheguei rapidamente estava ocorrendo uma festa, entreguei a caixa e sai.
Quando estava voltando para a Fábrica notei que aquilo estava errado, enquanto uns lutavam uma guerra sem sentido outros festejavam sem se importar com nada e logo percebi que a Fábrica também não se importava e antes de voltar eu fugi.
Fui atrás dos lugares que tinha visto nas pinturas da casa de meu ex-mestre e que também vi na casa da entrega. Lugares sem guerras nem nada com que me confrontava agora. E sim lugares bonitos, com belas damas e crianças cantando. Passei muito tempo viajando e nada disso encontrei
Só encontrei alguns humanos que continuavam a se exterminar e outros que se fartava e em ambos os ambientes a Fábrica estava presente. Logo descobri que o ar irrespirável e as doenças realmente eram culpa da Fábrica, como meu mestre outrora me disse e não demorou muito para que eu percebesse que a guerra também era culpa dela.
Escondi-me em meio a alguns humanos de ambos os lados da guerra, e tentei os convencer de que o culpado de tudo isso era a Fábrica, mas nenhum dos lados e ouviu e culpavam uns aos outros. Então decidi que quem iria destruir a fábrica era eu. A viagem de volta foi pior do que calculei, o clima estava pior e a neve bloqueava meus caminhos, já que estava a pé, pois meu caminhão a muito se quebrará. Demorei cinco anos, mas ontem finalmente cheguei e foi difícil. Este tempo que demorei foi o suficiente para os humanos se destruírem.
Foi difícil passar pela segurança da Fábrica, isso me custou alguns pedaços da minha aparência humana e cai no meio da neve e por um dia me desliguei. Hoje, porém, já acordei e vou em direção a Fábrica para destruí-la. Se vou conseguir ou não, não sei, mesmo que não consiga sei que pelo menos tentei fazer alguma coisa.
FIM
Notas finais
By: Bruno Turiegano.
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