A Exterminadora De Vampiros
17 "Amigo" é coisa para se guardar debaixo de sete palmos
Notas iniciais
Estava seguindo desesperada o fio prateado, mas não importava o quanto eu corresse, não conseguia encontrar o fim. Já havia me embrenhado no coração da densa floresta de Forks. Minha pulsação latejava em meus ouvidos e puxava o ar com extrema dificuldade. É nessas horas que um esporte fazia falta. Talvez se eu fosse uma maratonista do Quênia, já teria alcançado essa joça há vinte minutos. Mas como sou só uma exterminadora aposentada que enche o bucho de hambúrguer, estou meio enferrujada. Arfei apoiando as mãos no joelho, sentindo uma gota de suor escorrer por minha testa. Eram muitas emoções para conciliar ao mesmo tempo e não sabia se conseguiria, pelo menos, me manter sob controle.
– Bella, pelo amor de Deus... — Victoria ofegou chegando ao meu lado — O que está acontecendo?
Os Cullens estavam logo atrás de nós, acompanhando a correria sem nenhum esforço. Lily estava a alguns metros a frente, me encarando com seus olhos tristes e assustados. Seus espirito dançava com a brisa, e o meu maior medo, era que junto com o sopro de inverno, sua alma se fosse também. Eu sentia, como uma agonia inquietante, que deveria chegar até ela o mais rápido possível. Não faço ideia do que poderia fazer para ajudá-la, mas eu tinha de chegar. Eu iria chegar.
– Deve ter algum jeito de chegar mais rápido. Tem que ter... — tagarelei andando em círculos tão depressa, que já estava quase fazendo um buraco no chão.
– Hei... — Edward se aproximou firmando as mãos em meus ombros, mantendo-me no lugar. — Para onde está indo? O que está acontecendo?
Olhei diretamente para Victoria e meu coração afundou ainda mais. Como eu posso sequer pensar em dizer a ela que perdeu a única pessoa que tinha? Eu conheço bem o sentimento pós-noticia. É como se as próprias trevas houvessem criado uma maldição especialmente para você. Uma tão cruel da qual, talvez, você nunca conseguisse se recuperar. Toda a merda só parecia ir aumentando para cima de mim. Tudo estava tão confuso...Meu Deus! Eu não consigo sequer entender! Como toda essa porcaria havia se iniciado? Lily sofreu um acidente? Alguém...Alguém fez algo a ela? Mas quem? Como nenhum dos Cullens sentiu a presença de um estranho?! MAS QUE MER...
– Bella! Pelo amor de deus! Pare de hiperventilar, mulher! — Emm me repreendeu. Tentei, como Alice sempre dizia, acalmar a periquita. Puxei o ar num ritmo menos " puta que pariu!" e mais " tudo vai dar certo.".
– Bella, não tente bancar a heroína e resolver tudo sozinha. Não há nenhum modo de fazer com que a gente veja também?
As palavras de Vic iluminaram e colocaram ordem em minha mente conturbada. Eu podia fazer isso. Eu fiz Alice ver o que eu queria uma vez. Fiz ela ver nossa mãe. Mamãe...Onde ela estaria agora? Chacoalhei a cabeça ignorando a pergunta. Precisava focar em respostas, e eu tinha uma. Só não sabia como por em prática.
– Me diga que não pensou no que acho que está pensando. — Alice disse antes mesmo de eu pronunciar algo.
– Eu preciso que faça isso. — juntei as mãos em prece — Por favor... — implorei.
Alice bufou e estendeu suas mãos para mim a contragosto. Juntei nossas palmas com insegurança. Tudo bem. Eu posso fazer isso. Fechei os olhos e inspirei fundo. Conseguia ouvir a doce voz de Lily chegando aos meus ouvidos, acompanhada da brisa e do farfalhar das folhas. " Eu pleciso de você. Pleciso da sua ajuda titia. Faz como da plimeila vez. Me salva." Forcei-me a engolir o choro. Eu a amava demais, e já cansei de perder aqueles que amo. Apertei as mãos de Alice e esperei. Esperei, esperei...Abri os olhos devagar. Nada. Soltei o ar que nem percebia que estava segurando. Meu coração parou por um momento.
– Você consegue. — Allie sussurrou com confiança. Seu olhar era compreensivo e encorajador — Eu confio em você.
Não consegui controlar uma lágrima furtiva. Fechei os olhos novamente tentando reunir o máximo de concentração. "Eu quero que ela veja, quero que ela veja..." Senti uma vibração se espalhar por toda minha palma. Abri os olhos num estalo, contemplando a familiar luz azul entre nossas mãos. Podia jurar ter ouvido um gritinho agudo de Emmett. Estava pronta para fazer a dança da vitória quando a luz tremulou se apagando por completo diante de nós e dos olhares espantados dos outros. A frustração foi tamanha que quase esperneei feito uma pirralha. Eu consegui aquele dia! Droga!
– O que estou fazendo de errado?! — bradei frustrada. — Quando eu quero ser esquisita, essa droga não funciona!
– Eu não sei. — Allie franziu o cenho — Bom, naquele dia você quase quebrou meu pescoço. — deu de ombros — Estava com muita raiva.
– É isso! Mas que idiota! — praguejei.
– Hei! Eu estou tentando ajudar tá legal? — reclamou colocando as mãos na cintura — Você me respeite, Isabella!
– Não você, sua idi... — Allie arqueou a sobrancelha — Desculpa. Estou falando de mim! Raiva sempre foi o interruptor que liga esses meus "poderes de x-men"!
– Então vai, Bellinha. Solta a franga! — Emm disse como uma líder de torcida.
Bem que eu queria. O problema é que me sentia frustrada, assustada e destruída por dentro. Não haveria Cristo que me fizesse ficar irritada o suficiente para prolongar a conexão entre mim e Alice. Estaríamos correndo em uma velocidade vampiresca. Precisava ser forte o bastante para durar sem que eu precisasse me concentrar muito, porque da ultima vez em que corri com um vampiro, fiquei muito longe de estar nervosa. Eu estava verde e pronta para por as tripas para fora. Precisava ficar com raiva, muita raiva. Agora. O que me deixaria fula da vida em exatamente três segundos?
Meus olhos, quase que inconscientemente, foram de Victoria para Edward, repetidas vezes. Esperneei mentalmente só com a ideia de ver algo assim. Estava prestes a dizer a maior estupidez que já saiu de minha boca grande. Sei que é uma atitude de namorada retardada, mas precisava de uma onda instantânea de raiva.
– Victoria, quero que beije o Edward. — balbuciei indo contra todas as células de meu corpo. As palavras saíram queimando minha garganta, soando completamente erradas.
– Ficou doida, Bella?! — Vic exclamou de olhos arregalados. Sua voz subindo duas oitavas — Isso...Isso...Ficou doida?!
Ambos quase tiveram uma sincope nervosa ao ouvir minha ideia. Vic conseguiu ficar mais branca que Edward. Parecia até mesmo que eu havia pedido que ela engolisse cacos de vidro e deitasse numa fogueira enquanto passava por cima dela com um caminhão. Edward então parecia estar morrendo engasgado com algo, o que era bem seu jeito "asno" de ser, já que ele nem precisava respirar.
– Não torne isso pior, ok? — pedi inquieta.
Vic permaneceu parada. Minha vontade era de chacoalhá-la e gritar " É pra hoje! Porra minina!".Não é como se fosse um imenso sacrifício beijar Edward Cullen. Que droga, eu já tinha a resposta e estava sendo impedida de chegar até Lily por dois envergonhados. Senti uma leve formigação em minha mão. Quase imperceptível. Já estava ficando irritada.
– Edward... Não me faça ajoelhar. — disse tentando usar todo o meu charme ao meu favor. Ele negou freneticamente, quase a ponto de fazer algum parafuso se soltar de dentro de sua cabeça.
– Bella, eu não posso fazer isso! Você é minha namorada, se eu tiver que beijar alguém, com toda certeza será você!
– Edward, beija ela ou eu acabo com esse namoro agora! — sibilei apertando as mãos de Alice, sentindo a vibração crescer um pouco mais.
– Em todos esses anos, nunca pensei que fosse ouvir uma frase tão estranha. — Emmett comentou. E não é que o urso tinha razão? E eu achando que a frase mais sem sentido do mundo viria dele.
– Ta ok, já chega.
Pulei nas costas de Alice e enlacei minhas pernas em sua cintura. Eu não podia mais perder tempo. E nem ver mais do que o suficiente desse beijo. Allie segurou firme minhas mãos.
– Quando você ver um fio prateado, corra para onde ele aponta. — instrui — Não importa o que veja, nem quem veja, só pare quando chegar no fim do fio. Vocês... — falei aos Cullens — Sigam a Alice. Estejam preparados para qualquer coisa. E vocês dois... — encarei meu asno e minha amiga — Não vou pedir de novo.
Não sabia qual dos três estava mais desconfortável. Edward, como sempre, estava agindo feito uma mula teimosa, e se manteve parado, com os braços cruzados. Se eu não podia convencê-lo nem mesmo usando nosso namoro como arma de chantagem, só me restava Victoria.
– Vic, Lily está no final desse fio prateado. — Seu olhar logo se tornou estarrecido — Se você não fizer o que eu estou pedindo, pode ser que nenhum de nós a veja novamente.
– É ela que você está vendo? — Edward ofegou finalmente entendendo a gravidade da situação. Ele era o único que realmente podia entender. Ele sabia que eu podia ver os mortos. Pensei por um segundo que ele fosse desmaiar.
– Ela está pedindo ajuda. Eu estou tentando ajudar, mas vocês dois...
E então ele fez. Sem hesitar. Edward se moveu rapidamente até Victoria, capturando a boca dela em seus lábios. A cena me chocou bem mais do que eu pensei. Meus olhos quase saltaram do rosto, e se Alice não estivesse me segurando, teria caído de bunda no chão. Quando Edward abraçou a cintura dela e Vic infiltrou as mãos em seus cabelos, foi a gota d'agua. Quando toda essa confusão terminar, eu vou acabar com a raça de vocês! Se estivéssemos em um desenho animado, meus olhos estariam vermelhos e fumaça estaria saindo por minhas orelhas. Aqueles braços eram feitos para estarem ao meu redor. Embora eu tenha pedido por isso, a vontade de arrancar o pescoço dos dois não diminuiu. A luz azul irradiou de uma forma tão brilhante entre a minha palma e a de Alice, que tive de fechar os olhos por um momento.
– Bella...É...É a Lily. — Allie gaguejou apontando para a garotinha que já chorava compulsivamente. Sua imagem oscilou feito fumaça. — Bella! Ela está...
– Corre, Alice! Corre!
Tudo ao redor se tornou um borrão verde e prata. Podia ver claramente o fio misturando-se ao verde denso da floresta. O vento batia forte contra nós, agitando meus cabelos de modo furioso. Toda a agonia da espera e da expectativa do que me aguardava se tornavam ainda piores ao som de minha pulsação descompassada latejando nos ouvidos e dos sussurros de Lily. Quanto mais Alice corria, mais os sussurros começavam a se tornar altos e claros.
Estava tão concentrada em me manter furiosa que mal percebi quando meu corpo foi projetado para frente com força. Não tive tempo de pensar ou reagir. Senti minha carne ser esfolada ao absorver o impacto. A velocidade foi tamanha que só parei quando atingi um enorme rochedo. Minha visão se tornou turva instantaneamente. A dor veio forte e sem piedade, chicoteando-me por todos os lados. Podia ver meu sangue marcando o caminho que percorri e os Cullens tentando chegar até mim de qualquer jeito, mas sendo impedidos por uma barreira gigantesca, que se fechava ao meu redor como uma cúpula. Edward movia os lábios freneticamente, mas o som de sua voz não chegava até mim. Merda... Alguém me quer aqui. E me quer sozinha. Forcei meus braços a funcionarem e me recostei no rochedo, respirando com dificuldade. A fraca brisa que soprava em minha direção já foi o suficiente para fazer meu rosto arder em chamas. Mas que diabos aconteceu? Alice tropicou?
– Achei apropriado fazer isso usando um cenário parecido com o qual você matou meu irmão. — sobressaltei ao som da voz masculina surgindo em meio as árvores.
Olhei ao redor. Ahhh mas que merda! Só pode estar de brincadeira com a minha cara... A menos de dois metros de mim, o chão terminava, cedendo espaço para as águas do oceano. Só poderia ser um pesadelo. Mais um maldito penhasco. Kieran...Então ele morreu mesmo. Cambaleei, ficando em pé. Meu coração retumbava forte, amedrontado pelo que viria. A silhueta em meio aos galhos foi tomando forma, até que consegui ver. Arfei sentindo meu sangue congelar nas veias.
– Ma...Max? — gaguejei completamente chocada e confusa.
Max não deu a mínima pra mim. Seus olhos negros admiravam o rosto da garotinha indefesa em seu colo. Ele sorria, ria... Apreciando a dor que causou. Suas feições maliciosas me enojavam a ponto de quase me fazer vomitar. Com passos despreocupados, caminhou até a divisão que nos separava dos outros, e fez questão de ficar frente a frente com Victoria, dando-lhe um tchauzinho amigável usando a mão direita de uma Lily inconsciente. Vic esmurrava a barreira com toda força, em meio a gritos inaudíveis, com lágrimas rolando livremente por seu rosto. A cena fez toda a esperança que ainda tinha ser coberta por um breu.
– Titia, você veio. — ouvi uma voz doce atrás de mim que fez meu coração voltar a bater.
Virei bruscamente encontrando o espirito de Lily flutuando em minha frente. Um soluço escapou por meus lábios, junto as lágrimas que explodiram em rios e rios de tristeza e culpa. Ela era só uma criança. A criança mais incrível que já conheci! Eu a conhecia a tão pouco tempo, mas desenvolvi um amor gigante por ela. Sim, eu amo essa pestinha. Lily sorriu docemente e afagou meu rosto com suas mãozinhas. Em seguida beijou minha testa limpando as lágrimas que ainda insistiam em cair. Meu coração se apertou ainda mais. E a única coisa que eu queria fazer era sentar em um canto, abraçar meus joelhos e chorar.
– Eu sinto muito...Eu sinto tanto... — murmurei num fio de voz.
– Eu pleciso da titia dulona agola. — Lily disse com uma expressão séria — Plecisa ser fóite pu mim. Eu pleciso de você.
–Eu estou aqui. Estou aqui. — respirei fundo tentando me acalmar — Como eu posso ajudar?
– Me impeça de partir, titia.
– Lily eu...
– Você pode. — falou antes mesmo que eu pudesse dizer que era impossível — Só você pode. Esse é um dos seus dons, titia. Você pode enganá a móite.
Pisquei atônita. Enganar...Enga...Ah meu Deus.
– Você não está brincando. — afirmei. Lily maneou a cabeça em negação. — Eu...Eu posso mesmo te trazer de volta? — murmurei de olhos arregalados.
– Pode, mas... — hesitou comprimindo os lábios — Mas só depois da segunda tlansfoimação. — disse insegura.
Meu corpo inteiro se arrepiou ao ouvir "segunda transformação". Aquilo que venho tentando evitar a todo custo. Eu parti em uma busca sem rumo para Cancun para achar um maldito colar e quase morrer nas mãos de Kieran pra não ter que passar por isso. De todas as formas, nunca pensei que acabaria assim. Comigo pedindo para ser transformada.
– Eu vou entende se você não quisé. — a pequena sussurrou cabisbaixa com a voz tremula.
– Como pode sequer pensar que não faria isso por você? — mesmo num momento trágico, um meio sorriso surgiu em meu rosto. — Eu faço, Lily. Qualquer coisa. — falei com confiança — Como eu faço, para...enganar a morte? — as palavras soaram ainda mais estranhas ditas em voz alta.
– Plecisa leva meu espilito de volta pala o coipo. Mas isso só selá peimitido se um sacleficio fo feito na mesma plopoição. — disse como se estivesse recitando algo que decorou para uma apresentação na escola — Alguém...
– Precisa morrer para você voltar. — completei encarando Max.
Eu teria que matar um guardião com minhas próprias mãos. Qualquer pessoa no mundo faria o que fosse preciso para recuperar aqueles que amam. Sem duvida nenhuma, traria a pequena de volta. Mas isso não significava que eu não estava me borrando de medo. Fazia tempos que estava. Mas deixar o medo dominar nunca foi uma opção. Não é agora que iria começar a ser.
– Meu coipo plecisa fica intacto pala que minha alma volte.
– Tudo bem. Já sei o que fazer. — murmurei encarando as costas de Max, calculando o lugar perfeito para enfiar a faca que ele sempre esteve pronto para cravar em mim — Eu vou te trazer de volta, mocinha. É uma promessa.
– Vai lá, titia. É hola do pau. — sorriu sapeca socando a palma de sua mão.
Se possível, meus batimentos aceleraram ainda mais. Um passo em falso e essa chance explode bem na minha cara, tão rápido quanto toda essa confusão se iniciou. Inspirei fundo. Mesmo com a sensação de que minha mente ficou longe por horas, a cena que se desenrolava a segundos atrás, continuava a mesma. O que não era nada bom. Max ainda carregava o corpo de Lily junto a si. A primeira coisa que tinha de conseguir, era que ele tirasse suas mãos peçonhentas dela. Ele poderia jogá-la daqui de cima a qualquer momento, e então não teria mais volta. Meu estômago se revirou só de pensar.
– Eu estou adorando tudo isso! — ele exclamou repleto de animação — Não me divirto assim há tempos. — acomodou-se preguiçosamente em um rochedo — O que você acha Lily? Gostando tanto quanto eu? — perguntou esperando uma resposta — Estranho...Não escuto nada. — franziu o cenho — Me diga você o que ela acha, Bella. Não é você que conversa com cadáveres? — sorriu de modo jocoso.
– Já não cansou desse showzinho patético? Chega de bancar o idiota. — bradei retomando sua atenção. Quase pude sentir seu olhar perfurar minha pele — Eu deveria ter previsto algo assim. É claro que um covarde não me atacaria diretamente. Típico.
– Acha que pode matar meu irmão com a droga do seu maldito amor de adolescente sem que eu tire algo de você?! — gritou. Seus olhos arderam em ódio antes de se tornarem prateados. Engoli em seco. — Não que eu já não quisesse acabar com a raça dessa fedelha nojenta! — murmurou com repulsa — Como alguém tão pequeno pode interferir nos planos de meu irmão? Se aquele babaca do Edward não estivesse lá para ver você, o amor nunca estaria ao seu lado. Assim como ele não está aqui agora, não é? — com malicia nos olhos, ele ousou encarar Edward — Vive dizendo que fará de tudo para protegê-la, mas é impedido por algo que você nem mesmo consegue ver. — riu vitorioso vendo que sua provocação acertou em cheio o ponto fraco dele — Deveria se envergonhar de ser um namorado de bosta, Cullen.
Sem se importar, Max largou o corpo de Lily em cima de uma pedra. Uma pedra perto o suficiente para que eu pudesse passá-la pela barreira. Se eu entrei, acho que consigo sair. Antes de sequer pensar no próximo passo, as mãos de Max se fecharam ao redor de meu pescoço. Senti o colar esquentar. Numa explosão de luz vermelha, assim como aconteceu no aeroporto, Max foi empurrado violentamente para longe. Mas infelizmente, eu também. Meu corpo se chocou com força contra a barreira. Puta Merda... Meu corpo não a ultrapassou. Que diabos eu faria agora?
– O que é isso, Bella... Depois de anos de amizade, é assim que me trata? — sorriu limpando o sangue que escorria de sua boca. Seus olhos prateados se fixaram em meu colar — Essa droga realmente funciona.
– Porque ficou ao meu lado durante todos esses anos? — disse tentando distrai-lo enquanto pensava em algo, embora também quisesse saber — Quer dizer, qual era o propósito? Eu cofiei em você!
– Digamos que o papai gosta de um drama. Precisávamos encontrar o seu príncipe congelado. O seu caso no Alasca não foi aleatório. — confessou — Estava esperando por ele há anos. Ali finalmente o plano teria inicio. A jovem exterminadora entraria na vida de Edward Cullen. — comentou tirando a sujeira da roupa, sem demonstrar qualquer incômodo com a queda. — No começo eu fui contra. Você era sozinha, adoraria ter uma família novamente. Seria fácil. — concluiu — Mas papai até que tinha razão. Desse jeito é muito mais divertido. — sorriu.
Minhas palavras estavam prontas para chicoteá-lo, mas vi Lily acenar de trás do rochedo, escondida como se eu não fosse a única que conseguisse vê-la. Estava na hora. Pensa Bella, pensa...Pensa sua mula!
– Já que gosta de diversão, o que acha de deixarmos isso mais interessante? Que tal fazermos um trato? — falei tentando controlar minha pressa e um possível ataque de diarreia.
– Ahhh...Eu estou gostando disso, Bells. — sorriu esfregando as mãos num gesto ansioso- Que tipo de trato?
– Eu tiro o colar se você passar o copo de Lily para o outro lado da barreira. Simples assim.
– Faria isso? — disse surpreso em meio a um riso — Ela está morta. Não há nada que possa fazer.
– Exato. — falei torcendo para que ele estivesse errado. Pela primeira vez, queria que esses poderes doidos funcionassem — Você não tem nada a perder. Sabe que esse é o único jeito. Com esse colar, sabe que não pode tocar em mim.
Max trincou o maxilar, cruzando os braços sobre o peito. Ele sabia o tamanho poder que possuía, e não precisava ser um gênio para notar que estava se corroendo por ter sido derrotado por uma pedra de cristal. Forçando suas pernas a se mexerem, ele arrastou os pés contra sua vontade até Lily, a empurrando para fora da barreira como se estivesse chutando uma almofada. Meu sangue borbulhou. Usei o restinho de auto controle que tinha para não fazer nenhuma bobagem e ferrar tudo. Primeira etapa concluída. Agora vinha a parte crucial. O meu sacrifício.
– Já cumpri minha parte. Agora seja boazinha e cumpra a sua. — sorriu malicioso.
Os Cullens estavam enlouquecidos, mas não havia nada que pudessem fazer a não ser assistir. Só queria que eles não precisassem ver isso. Principalmente Edward e minha irmã. Sabia que os dois ficariam terrivelmente afetados com o que estava prestes a acontecer. Querendo ou não, eu levaria uma surra. Das boas. Mas não é como se eu já não tivesse sobrevivido a um espancamento antes. Inspirei profundamente e retirei o colar, vendo os olhos de Max brilharem quando o joguei longe.
– Vai gostar de assistir isso, Edward. Ah se vai... — disse se deliciando com o ódio que crescia cada vez mais em meu namorado. Edward se chocava com tanta força contra a barreira, que podia senti-la oscilar.
Como um vulto se movimentando nas sombras, Max partiu para cima de mim, sorrateiramente, antes mesmo que eu percebesse que ele havia se movido. Suas mãos se apertaram ao redor de meu pescoço, erguendo-me até que não sentisse mais o chão sob meus pés. Sentia seu ódio oscilar como uma onda através dos braços dele enquanto lutava para respirar. Sem cerimonias, jogou-me no chão como um saco de batatas. Max puxou forte meus cabelos arrastando-me até que eu ficasse cara a cara com Edward. Meu coração murchou ao vê-lo tão perdido e desamparado. Eu só queria beijá-lo e dizer que estava tudo bem. E principalmente, que mataria Max logo depois.
– Me desculpa... — sussurrei a ele num fio de voz — Vai ficar tudo bem. — menti. Não fazia a menor ideia do que aconteceria comigo. E eu sei que ele também sabia disso.
– Olha para ele...Está se matando por dentro ao ver você sofrer. — riu — Vamos ver como ele reage ao ouvir você gritar.
Antes de eu puder sequer pensar em me defender, Max segurou firme em minha costelas direitas e apertou com força. Com muita força. Estalos. Senti os ossos se quebrarem em pedaços. Um por um. Esqueci de tudo e todos e gritei. Gritei num apelo desesperado para que aquele inferno diminuísse. As lágrimas vieram logo depois. O ar passava com dificuldade por meus pulmões, e por mais que eu quisesse desistir, faria isso por Lilly.
– O que está achando, Edward? — gargalhou acertando um soco em cheio em meu rosto. O gosto metálico do sangue invadiu minha boca. Pisquei repetidas vezes para clarear a visão — Olhe só quem também está aqui! — Max disse animado — Alice Swan. Me desculpe, foi muito rude da minha parte não te cumprimentar só por não ter nenhum dom, não é maninha? Você é a maior decepção para o papai. A primeira filha que deu errado. É... — ele disse enquanto a analisava de cima a baixo — Você tem cara de que não presta pra nada mesmo.
Minhas marcas instantaneamente se tornaram azuis. Ele pode me socar o quanto quiser, mas está louco se vou deixar que mexa com minha irmã. Apoiei minha mão na barreira ao mesmo momento em que um soco de Alice a atingiu. A claridade azul explodiu novamente. Um tilintar agudo surpreendeu a todos. A barreira estava rachada. Os olhos de Max quase saltaram das órbitas.
– Vamos terminar logo com isso. — falou apressado enquanto os Cullens socavam a barreira com vontade, fazendo a estrutura ceder cada vez mais.
– Meu asno vai chutar essa sua bunda. — sorri fazendo uma careta quando minhas bochechas arderam.
Max respirou fundo três vezes seguidas, reunindo toda sua concentração. Abaixando o rosto a centímetros do meu, ele me olhou. Sua olhar me atingiu com tanta intensidade, que permaneci o encarando atônita, enquanto cada vez mais mergulhava em um transe profundo. Seus olhos eram espelhos prateados. E onde eu só vi ódio, comecei a ver a mim mesma. Me vi chorando quando minha família morreu, os anos no orfanato, me vi matando, matando mais vezes e mais cruelmente do que me lembrava... O prata oscilou mudando para o primeiro momento em que encarei Edward nos olhos, o reencontro com Alice e voltando para quando o asno cuidou de mim pela primeira vez. A imagem foi sumindo aos poucos como se uma leve brisa a levasse embora.
– A alma da filha é acordada. A janela foi aberta. Eu vejo o passado da criatura das trevas. Mude sua visão para o mundo. Escolha um lado. O passado não perdoa, o presente junta e o futuro destrói.
As palavras retumbavam alto, inebriando minha mente. O poder presente era palpável. A onda de luz azul surgiu num redemoinho ao nosso redor, envolvendo nossos corpos em sua graça enquanto girava, girava e girava. Max esticou seu braço até que a luz estivesse em contato com sua pele. Num movimento rápido, fez um corte raso em seu pulso, fazendo uma linha escarlate ganhar volume rapidamente.
– Se infiltre na luz. Danifique a janela. Plante a semente da discórdia. Misture o ódio ao amor e deixe o caminho mais sedutor a guiar.
O sangue de Max começou a se misturar no redemoinho, tingindo gradativamente o azul brilhante em um vinho opaco, até que tudo se tornou negro.
– Com o poder de meu sangue, eu ordeno. Voltem para seu lar. Invadam Isabella Swan.
O ar se agitou furiosamente ao nosso redor chacoalhando minhas madeixas para todos os lados. As trevas mergulharam em mim como mil facas pontiagudas, rasgando cada ponto em que tocavam. Meu grito foi alto e estridente. Minha pele ondulava conforme as trevas se espalhavam por dentro de mim, como se mil insetos estivessem andando por debaixo de minha pele. Era agonizante. Era errado. Sentia a luz ser violada pelo lado negro, sendo ofuscada pelo breu. Minha visão começou a ficar turva após sentir cada pedacinho de meu corpo ser preenchido pelo poder do sangue de Max.
– Está sentindo, não está? — sussurrou rouco — O poder da escuridão. O poder da nossa casa. Já está na hora de admitir para si mesma, Bella. Você é nossa. Te vejo em alguns meses, maninha. — disse fechando o punho, se preparando para deferir outro golpe em mim.
Esperei a pancada, mas ela não veio. Abri os olhos devagar e encontrei o punho de Max sendo impedido pelas mãos de Edward.
– Você nunca vai encostar na minha namorada sem ser punido. — disse e até eu me assustei com tamanho do ódio em sua voz — Você machucou as duas mulheres que amo, e vou fazer você pagar caro por isso. — sibilou apertando a mão de Max. Pude ouvir seus dedos se quebrando.
– É hola do pau. — sorri
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