A Existência
1 Capítulo 1 - A Primeira Criação
Prólogo.
"Onde estou?"
As primeiras palavras da minha primeira criação foram estas. Porque? Porque, eu, dicidi que seriam estas.
Enquanto escrevo estas palavras, ao mesmo tempo, um mundo é criado. Um mundo novo. Porém vazio. De acordo com o que eu escrever como características dele, ele irá tomar uma forma. E minha criação também.
Tudo o que acontecer neste mundo, é porque eu predestinei que acontecesse. Se eu fiz ou escrevi que algo foi de tal forma, é porque terá acontecido daquela forma. Quer queiram minhas criações ou não. Quer eu queira ou não. Porque por mais que eu queira, não há como me desprender do que criei. Posso até deixar alguns pontos vagos. Onde minha criação poderia, digamos assim, fazer algo por conta própria. Mas nos momentos decisivos mesmo, as palavras, os gestos, tudo será feito como eu escrever e imaginar. Não importa qual tenha sido o caminho da minha criação até ali. Aquele momento irá acontecer apenas daquela forma única.
E um desses momentos é este: o momento da criação.
E assim começa esse novo mundo:
- Onde estou? — Pergunta algo. Diante de um vazio negro infinito, esse algo não sabia sequer se estava vendo alguma coisa. Nem sequer se via. Na verdade, ainda nem existia. Era apenas o começo de uma nova consciência.
E então, eu apareço. Em minha forma humana, apareço diante dela. De mim, irradia uma luz. E ao me ver, ela começa a me admirar.
- Olá. — Eu digo.
- Olá. — Ela diz.
Houve uma pausa.
- Sabe quem sou eu? — Eu pergunto.
- Não. Quem é você? — Ela pergunta.
- Quem você pensa que sou? — Eu respondo com outra pergunta.
- Não sei. Algo como eu? Na verdade, nem sei o que sou. — Diz a criação, confusa.
- Verdade. — Eu respondo. — E respondendo a sua pergunta, sim, eu sou algo como você.
- E o que você é?
- Bom, sou um humano. — Respondo de forma simples
- Então sou um humano também? Como nasci? — Ele me pergunta.
- Sim, você é um humano. A diferença é que você é fruto da minha imaginação.
- Como assim? — Ele pergunta, curioso e confuso.
- Você nasceu a partir da minha imaginação. Aliás até o atual momento, você é só uma consciência. — Eu disse. — Tente se ver. O que você vê?
Ele procura se olhar. Inicialmente, não vê nada.
- Nada — Ele responde.
- Agora, — Eu digo a ele — pense nisto: se você é como eu, e você me vê desta forma, significa que sua aparência é como a minha. Olhe para si novamente agora.
Ele me obedece. E agora, vê pernas, braços, tronco, mãos, dedos...
- Nossa, como isso tudo surgiu assim do nada? Nem sequer percebi. — Ele ficou impressionado.
- Entenda: você é fruto do que eu penso. Se eu pensar que você vai ter quatro pernas e braços, você os terá. Caso eu pense que você não terá nenhum braço, você não terá. — Explico a ele
- Então... Eu sou você? — Pergunta para mim.
- Sim, basicamente você é eu. — Eu respondo.
Silêncio.
- Tudo o que você falou até agora é baseado no idioma que eu falo. Suas expressões e dúvidas são baseadas nas minhas. O que você pensou, o que você viu...
- Idioma? O que é isso? — Ele pergunta.
- Uma linguagem. Que permite com que todos se entendam e possam se comunicar. Na verdade, você só me perguntou o que é idioma porque eu pensei que você devesse perguntar. Porque se você sou eu, você tem meus conhecimentos. E com isso, você sabe o que é idioma.
- Então tudo isso aqui que está acontecendo entre nós dois, essa conversa... Já foi predeterminada? — Ele parecia prestes a enlouquecer naquele momento.
Eu espero um momento. E respondo:
- Sim, inclusive o que acabou de perguntar.
...
Houve uma longa pausa. Minha criação parecia em choque. Mas é porque eu ficaria em choque com isso. Então, a acalmei. E então, eu disse:
- Vamos criar algo novo?
- Nós ou só você?
Imaginação inteligente, a minha.
- Bem, se formos pensar direito, veremos que será eu. Mas se você sou eu, então... Acho que será nós.
- Como assim? Não entendi. — Ele me pergunta totalmente confuso.
Eu começo a rir.
- Você não entendeu porque isso é confuso demais até para mim. — E contínuo rindo.
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