A Excluída
24 PARTE 3 O novo mundo
Olhando para a frente, vi um grande campo aberto, com algumas casinhas ao fundo. Mesmo de longe, percebi que elas eram antigas. Ao meu lado, eu vi David observando a tudo com um olhar ainda confuso.
—Então... – ele murmurou, apreensivo – será que conseguimos mesmo?
—Eu acho que, vamos ter que andar e perguntar pra alguém pra descobrir – eu disse observando as coisas com certa ansiedade.
—Bom, acho que é o que nos resta fazer – David deu de ombros e concordou comigo.
Nós ajeitamos as mochilas nas nossas costas que tinham suprimentos básicos e andamos para frente, ansiosos e cheios de expectativa. Foi então que as pessoas apareceram, e, para nossa surpresa, vestiam roupas do começo do século 20. Eram pessoas comuns, vivendo suas visas, mas se um nerd os olhasse, sentiria e saberia que aqueles também eram nerds.
—Meus jovens – um homem de meia idade se aproximou de nós tão curioso quanto nós – parecem estarem pedidos. Será que eu não posso ajuda-los de alguma forma?
—Bom meu senhor – eu me curvei de forma dramática – gostaríamos de saber exatamente onde estamos.
—Estão na Vila Nerd senhorita – o homem respondeu – vocês não vieram de muito longe, ou vieram? Não são da Vila Descolada, não?
—Não senhor, garanto que não viemos de nenhum lugar descolado – David respondeu – eu sou David Loxtraide e essa é... minha... noiva, Lilian Longsly. Estávamos a cainho daqui, estamos de mudança para a Vila Nerd.
—Então se é assim, sejam bem-vindos – o homem sorriu para nós – eu sou Rudolf Millatos e se ainda não têm um lugar para ficar, sei onde podem se hospedar até arrumarem a casa de vocês.
Agradecemos Rudolf mais uma vez e o seguimos Vila adentro.
—De onde tirou essa ideia de noiva? – questionei meu amigo meio constrangida.
—Desculpa, é que no século 20 é estranho uma moça viajar sozinha se não for com a companhia de alguém da família – David explicou – pensei que se achassem que fossemos comprometidos não mexeriam conosco.
—Ok... – eu entendi a intenção, mas ainda estava constrangida, por mais que parte de mim tenha gostado da ideia.
Rudolf nos deixou ficar em um quarto nos fundos de sua casa. Para recompensa-lo por sua ajuda e nos sustentar, começamos a ajudar Rudolf a cuidar das suas macieiras. Vendíamos as frutas em outras vilas da região.
Com o tempo, percebi que David, desde que o conheci, haveria sido meu fiel e leal companheiro, me entendendo e compreendendo melhor do que alguém havia conhecido. E eu queria cada vez mais retribuir sua lealdade a mim. Quanto mais esses sentimentos aumentavam, mais cheguei a conclusão de que o amava. Foi então que ele tomou coragem e me confessou que sentia o mesmo por mim, até mesmo numa época que eu ainda não sabia o que sentia por ele.
Rudolf e a vila entenderam que nosso noivado era de 3 anos e quando nós dois tínhamos 20 anos, nos casamos. A nossa vida na Vila Nerd era simplesmente perfeita. Podíamos questionar e debater sobre o mundo à nossa volta, criar, inventar, explorar e viver sem temer perseguição nenhuma. Viver assim havia trazido uma sensação de paz e realização que eu nunca tinha sentido. Nosso plano deu certo.
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