A Excluída
1 PARTE 1 Família
Notas iniciais
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Invisível. É como eu me sinto. Sabe quando você está cercado de pessoas e mesmo assim se sente sozinho? Sabe quando parece que ninguém está te vendo ou sequer lembra de você? Pois é. Assim é ser invisível. Assim é como eu me sinto.
Eu sou Lilian Logsly e tenho 15 anos. Não é fácil ser eu. Eu vivo em Lagoa Azul, uma cidadezinha perdida no mapa. Eu sou considerada uma esquisita, estranha. Não tenho amigos. Minha família é um pouco deslocada. Às vezes parece que vivemos num hotel, onde as pessoas não têm nada a ver umas com as outras, apenas compartilham o mesmo espaço. Meu pai, Marcos Longsly, é um sonhador, mas isso não quer dizer que ele seja muito amigável. Ele fica o dia inteiro fora, ajudando a todos que precisam. Ele não tem um emprego. Como sobrevivemos? Minha mãe, Vitória, sustenta a casa trabalhando o dia inteiro. Minha única companhia é minha irmãzinha Lana. Ela só tem cinco anos e ainda não vai pra escola. Eu conto a ela todos os meus segredos e projetos. Com tanto tempo sozinha e um pouco de inteligência, eu acabei criando algumas coisas no meu quarto como armadilhas para valentões, pegadinhas para patricinhas, rotas de fugas para nerds perseguidos e outras coisas do tipo. Eu nunca tive coragem o suficiente para testá-los. Eu estava trabalhando em um desses projetos quando a hora do jantar chegou. Quer dizer, mais um momento de silêncio constrangedor em família.
Vi um homem de cabelos cacheados escuros e barba mal feita sentado à mesa. Ele tinha uma expressão carrancuda e irritada em seu rosto. Seus olhos castanhos irradiavam mal humor. Sabia que era meu pai. Do outro lado da mesa estava minha mãe, com aparência cansada. Seus cabelos lisos e escuros batiam em seus ombros ligeiramente despenteados. Seus olhos castanhos quase se fechavam quando piscavam. Já a Lana estava agitada como sempre. Mesmo com os cabelos castanhos presos em dois rabos de cavalo, eles pareciam estar tão agitados quanto sua dona. E foi então que me sentei sentindo um enorme peso em minhas costas. Suspirei.
—O que você fez o dia todo? — perguntou minha mãe — Não trabalhou o dia inteiro pra estar tão cansada quanto eu.
Eu queria responder que estava cansada de fazer parte de uma família que mal se conhecia, mas com o passar do tempo eu descobri que ficar de boca fechada é melhor do que falar aquilo que não deveria. Enchi meu prato de comida e então todos começamos nossa tradição de jantarmos em silêncio. Depois que terminei, fui para o meu quarto como sempre. Ninguém havia falado com ninguém. Essa era a minha família sempre quieta, vivendo individualmente, como se não fôssemos uma família.
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